Presidente Lula assina veto integral ao PL da Dosimetria || Foto Marcelo Camargo/ABr.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou integralmente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro. A proposta previa mudanças no cálculo das penas e poderia resultar na redução das condenações impostas aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e na tentativa de golpe de Estado.

O veto foi anunciado durante ato no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. Na ocasião, manifestantes inconformados com o resultado das eleições de 2022 invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao justificar a decisão, Lula afirmou que os condenados tiveram pleno direito de defesa e foram julgados com base em provas. “Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou apresentações de PowerPoint fajutas”, declarou.

O presidente também elogiou a atuação do STF no julgamento dos casos. “Quero parabenizar a Suprema Corte pela conduta irrepreensível ao longo de todo esse processo. Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei. Não se rendeu às pressões, não se amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismo. Saiu fortalecida”, afirmou.

Em seu discurso, Lula citou o filósofo e poeta George Santayana para defender a preservação da memória histórica. “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Em nome do futuro, não temos hoje o direito de esquecer o passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura civil nem ditadura militar. O que queremos é democracia emanada do povo e para ser exercida em nome do povo”, disse.

Com o veto presidencial, o projeto retorna ao Congresso Nacional, que pode manter ou derrubar a decisão.

ENTENDA

O PL da Dosimetria estabelecia que os crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, deveriam resultar na aplicação apenas da pena mais grave, e não na soma das penas.

A proposta promovia alterações no cálculo das punições, com ajustes nas penas mínimas e máximas de cada tipo penal, além de reduzir o tempo necessário para progressão do regime de prisão do fechado para o semiaberto ou aberto.

As mudanças poderiam beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de militares e ex-integrantes do alto escalão do governo anterior, como o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, os ex-ministros Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, e o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) Augusto Heleno. Com Agência Brasil.

Alcolumbre presidiu votação em benefício de golpistas || Foto Carlos Moura/Agência Senado
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O Senado aprovou nesta quarta-feira (17) um projeto que altera regras de cumprimento de pena para condenados por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. A proposta reduz punições e pode alcançar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso desde 22 de novembro. A votação terminou com 48 votos favoráveis e 25 contrários. A Câmara dos Deputados já havia aprovado a matéria. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza veto integral ao projeto.

As investigações sobre os ataques às sedes dos Três Poderes apontaram uma articulação para contestar o resultado da eleição de 2022. Relatórios oficiais indicaram planos contra autoridades, entre elas o presidente da República, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

O projeto altera a forma de cálculo das penas para crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de Direito. Hoje, as condenações são somadas. Com a nova regra, passa a valer apenas a pena mais alta, com acréscimo que pode variar de um sexto à metade.

Bolsonaro foi condenado a oito anos e dois meses por golpe de Estado e a seis anos e seis meses por abolição do Estado democrático. A soma levou a uma condenação total de 27 anos e três meses, considerando as penas de outros crimes. Com a mudança, o tempo em regime fechado pode cair para um intervalo estimado entre pouco mais de dois anos e pouco mais de quatro anos, conforme interpretação judicial.

A proposta também antecipa a progressão de regime. O condenado poderá progredir após cumprir um sexto da pena. A regra atual exige o cumprimento de um quarto. O texto mantém a possibilidade de remição por trabalho ou estudo.

Durante a tramitação, senadores apontaram risco de o projeto beneficiar condenados por crimes alheios aos atos de 8 de janeiro. O relator, Esperidião Amin (PP-SC), apresentou ajuste de redação para restringir o alcance da medida.

A Comissão de Constituição e Justiça considerou a mudança apenas técnica, o que dispensou nova análise pela Câmara. No entanto, isso pode dar margem à judicialização do processo legislativo, já que, em regra, alterações feitas pela casa revisora (neste caso, o Senado), ensejam no retorno da matéria à casa de origem.

Adélia participou de ato contra o PL da Dosimetria em Ilhéus || Foto Marina Maria/Divulgação
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Ex-reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e ex-secretária da Educação e da Saúde da Bahia, a professora e médica Adélia Pinheiro participou do ato contra o PL da Dosimetria, também conhecido como o PL dos Golpistas, neste domingo (14), em Ilhéus. “O Brasil não vai retroceder”, afirmou ela ao se posicionar contrária à aprovação de afrouxamento na legislação para beneficiar os golpistas do 8 de Janeiro de 2023, dentre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas que também daria penas mais brandas a outros criminosos.

O ato em Ilhéus, neste domingo, ocupou a Praça Pedro Mattos, em frente Catedral de São Sebastião, no Centro Histórico. Teve a presença de movimentos sociais e de partidos mais alinhados à esquerda. O PL passou na Câmara dos Deputados, mas enfrenta resistências no Senado Federal, onde o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, o senador baiano Otto Alencar (PSD), freou a intenção de dar ritmo de urgência à pauta e puxou uma discussão aprofundada para a matéria.

Adélia vê a sociedade brasileira não admitindo que Congresso Nacional crie leis para beneficiar quem atentou contra a democracia, como os recém-condenados por golpe de Estado. “Diante de atitudes arbitrárias do Congresso Nacional, não é possível seguir em silêncio. Defender as instituições é defender vidas, direitos, histórias e conquistas que custaram muito para existir,” afirmou a pré-candidata a deputada federal pelo PT da Bahia.

Reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) de 2012 a 2019 e ex-secretária de Estado, Adélia avalia que o ato deste domingo é um chamado à responsabilidade coletiva pelo futuro do País. “Os partidos do campo progressista, junto às associações, centrais sindicais e movimentos sociais, incluindo o meu partido, o PT, convocaram a sociedade para ocupar os espaços públicos em defesa da democracia, afirmando com o coração e com a voz: o Brasil não vai retroceder”, concluiu.

Hugo Motta preside aprovação de PL da Dosimetria a toque de caixa || Imagem TV Câmara
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A Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que prevê a redução de penas de pessoas condenadas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A proposta foi aprovada em plenário por 291 votos a 148 e será enviada ao Senado.

O texto aprovado na madrugada desta quarta-feira (10) é um substitutivo do relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ao Projeto de Lei 2162/23, do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e outros.

O substitutivo determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

O texto original previa anistia a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e dos acusados dos quatro grupos relacionados à tentativa de golpe de Estado julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mas esse artigo foi retirado do projeto.

GRUPO PRINCIPAL

Se virar lei, a nova forma de soma de penas deve beneficiar todos os condenados da tentativa de golpe de Estado, como aqueles do grupo principal:

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil;

Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; e

Alexandre Ramagem, deputado federal foragido da Justiça.

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