Augusto Castro avança em negociação com Estado; no detalhe, Ivan se reúne com funcionários || Montagem PIMENTA
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O prefeito Augusto Castro (PSD) praticamente bateu o martelo para que a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) assuma os serviços de fornecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto do município de Itabuna. Apesar de parte do governo local preferir a concessão à iniciativa privada, Augusto recebeu pressão do governo baiano para que a Embasa assuma a prestação do serviço.

Ainda nesta quarta-feira (15), o presidente da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), Ivan Maia, se reuniu com funcionários para comunicar as tratativas dos governos municipal e estadual para que a Embasa retorne a atender Itabuna após quase 40 anos. O serviço havia sido municipalizado em 1989 pelo então prefeito Fernando Gomes.

Segundo Ivan, a negociação entre estado e município prevê “o aproveitamento de boa parte” da mão de obra da Emasa pela Embasa. Os funcionários, porém terão mantido o vínculo empregatício na Emasa ou via autarquia municipal a ser criada e aprovada pela Câmara de Vereadores. Entraria como prestadora de serviço da empresa estadual.

A Emasa ou a autarquia seria responsável por gerir o sistema de drenagem, resíduos sólidos e a manutenção da cidade e prédios públicos, além de zeladoria do município. “Então, o restante do quadro de colaboradores atuará na execução dessas demandas”, acrescentou Ivan Maia.

Segundo ele, a mudança tem a ver com a necessidade de investimentos para que Itabuna atenda ao plano de universalização dos serviços de água e esgoto até 2033. Embora já tenha sinalizado cifras maiores, ontem citou necessidade de R$ 400 milhões para chegar aos 90% de destinação correta do esgoto coletado. Até 2022, Itabuna tratava 32% do esgoto. Avançou para pouco mais de 34% nos últimos dois anos.

A PRESSÃO DO GOVERNO BAIANO

Augusto tinha outros planos para a Emasa. O caminho era a concessão dos serviços à iniciativa privada. A estratégia incluía até leilão com a meta de negócio de, pelo menos, R$ 600 milhões, conforme apurado pelo PIMENTA.

Porém, o Governo Estadual iniciou pressão para a transferência dos serviços para a Embasa. O secretário de Relações Institucionais da Bahia, Adolpho Loyola, revelou o interesse do Estado na Emasa.

Os planos do Estado para Itabuna foram revelados numa entrevista exclusiva de Loyola ao programa Central de Política, em setembro. “A empresa (Embasa) tem condição de investimento em Ilhéus e Itabuna. Então, a gente pode fazer isso [assumir os serviços de água e esgoto]“, afirmou ele no programa ao ser provocado pelo jornalista Gilvan Rodrigues sobre o tema (relembre aqui).

NAMORO E VIGILÂNCIA ANTIGOS

O serviço de saneamento básico de Itabuna é um ativo do qual a Embasa não abre mão para futuros negócios do Governo do Estado. Desde o primeiro governo Rui Costa, havia interesse da empresa estadual em retomar os serviços no município.

Naquele tempo, havia promessa de uma Parceria-Público Privada (PPP) para executar obras de esgotamento do município. Itabuna estava sob a gestão de Claudevane Leite, Vane do Renascer (2013-2016).

Antes, ainda no final dos anos 1990, houve pressão quando o então prefeito Fernando Gomes tentou aprovar, na Câmara de Vereadores, a privatização da Emasa. A Embasa tem ativos na Emasa que, hoje, seriam avaliados em R$ 60 milhões. Basicamente, empréstimo de equipamentos e estrutura.

A ação da Embasa e a articulação de vereadores – em ação capitaneada por Emanoel Acilino, Everaldo Anunciação e Luís Sena – barram a privatização. A empresa baiana sempre esteve de olho nos seus ativos no município onde manteve escritório regional mesmo sem aqui operar.

Agora, o namoro pode evoluir para casamento. A dúvida recai sobre o que a Emasa fará com os seus “filhos”, os funcionários, gerados nesses mais de 30 anos. Por enquanto, o município sinaliza que boa parte continuará na empresa ou numa futura autarquia. O diálogo do presidente da Emasa foi ontem acompanhado pelo sindicato dos funcionários, o Sindae, que cobra manutenção do quadro.

Augusto, ao centro, autoriza licitação para as obras da terceira etapa do Mais Água || Foto Cláudio Rodrigues/Emasa
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Itabuna investirá R$ 24 milhões nas obras que devem garantir água diariamente nas torneiras em residências de 12 bairros da região da Califórnia. Serão R$ 21.425.716,00 do Governo Federal, oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3), e contrapartida de R$ 3.016.431,11 dos cofres municipais.

Durante reinauguração de escola na Califórnia, nesta segunda-feira (28), o prefeito Augusto Castro (PSD) autorizou licitação da empresa que vai executar a terceira etapa do Programa Mais Água. Deverão ser construídos dois reservatórios, Estação de Tratamento de Água (ETA) e uma Estação Elevatória de Água Tratada (EEAT), além da implantação de 4 quilômetros de rede adutora de água bruta e 6,7 quilômetros de rede adutora de água tratada.

Os bairros e condomínios a serem atendidos nesta etapa, conforme a Emasa, são Califórnia, Nova Califórnia, Fátima, João Soares, Parque Boa Vista, Santa Inês, Vila das Dores, Loteamentos Paraíso e Vitório Loup Soares e os condomínios residenciais Jardim América I e II, Vida Nova e Parque Verde.

PRIMEIRAS ETAPAS

Já concluídas, as duas primeiras etapas do programa demandaram R$ 34 milhões do Governo Estadual e do município para instalação de dois reservatórios com capacidade total de 8 milhões de litros e adutoras, além da modernização da Estação de Tratamento de Água (ETA), no São Lourenço.

– Itabuna sempre sofreu com o fornecimento irregular de água. Recentemente, entregamos o Mais Água I e II que leva água todos os dias para quase 40 bairros das zonas oeste, sul e leste da cidade e agora é a vez do Califórnia e outras localidades desta região – disse Augusto Castro ontem.

CONCESSÃO DA EMASA

Vencido o problema crônico do abastecimento de água, Augusto aponta o esgotamento sanitário como maior desafio. Para superá-lo, vê como caminho a obtenção de recursos federais ou – mais provável – a concessão dos serviços de água e esgoto a empresa privada.

– Existe a questão do esgotamento sanitário da cidade e a revitalização do Rio Cachoeira. Com fé em Deus e muito trabalho, vamos buscar meios, seja através do Governo Federal ou da iniciativa privada, pois, investir em saneamento básico é investir em saúde – sinaliza.

O presidente da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), Ivan Maia, tem dito que os estudos iniciais apontam necessidade de investimento na casa de R$ 1 bilhão para universalizar o saneamento em Itabuna e revitalizar o Rio Cachoeira.

MODELO DE CONCESSÃO

O município ainda não definiu qual modelo de concessão vai adotar para os serviços de água e esgoto, discussão essencial por seu impacto na tarifa. Nos bastidores, a expectativa é obter em torno de R$ 700 milhões, porém os estudos ainda são iniciais e vai depender, também, do interesse privado.

O período de concessão deverá ser de 30 anos, conforme apurou o PIMENTA. Tudo dependerá da aprovação da Câmara de Vereadores, onde o governo tem o apoio de 20 dos 21 vereadores, mas deverá precisar de argumentos reais para avançar no processo que foi polêmico em tentativas nos governos de Fernando Gomes e de Claudevane Leite (Vane do Renascer).

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erick maiaErick Maia

 

Esses avanços, em grande medida, devem-se à atuação dos seus trabalhadores, sindicato e Ministério Público, especialmente na luta travada ano passado, que resultou no afastamento de toda a diretoria da empresa e sinalizou, de forma inequívoca, que os itabunenses não aceitariam mais retrocessos.

No último dia 26, o prefeito do município de Itabuna, Fernando Gomes, confirmou em entrevista ao jornalista Ederivaldo Benedito que fará a privatização da Empresa Municipal de Água e Saneamento S/A (EMASA). Aliás, desde a criação da Emasa, em 1989, a partir da retirada desses serviços do controle do Estado da Bahia, Gomes tem demonstrado uma verdadeira obsessão em querer vender a empresa.

No entanto, não temos dúvidas de que essa privatização trará instabilidade jurídica, demissão em massa, aumentos exorbitantes da tarifa de água e não resolverá a questão de investimentos, principalmente nas regiões periféricas da cidade e na zona rural – que precisam de subsídio estatal.

Dos cerca de 400 milhões de reais necessários para melhoria do abastecimento de água e ampliação do sistema de esgotamento sanitário, de acordo com o Plano Municipal de Saneamento, a maior parte deverá ser destinada aos bairros onde as populações pagam tarifa social.

Há, ainda, um enorme passivo sob responsabilidade da Emasa que depende da sua arrecadação, como: dívidas tributárias, trabalhistas, financeiras e judiciais, que não serão assumidas com uma eventual privatização.

Na última proposta de concessão feita pelo então prefeito Claudevane Leite e encaminhada à Câmara de Vereadores, a empresa privada assumiria apenas o patrimônio, sem o inconveniente das dividas, que ficariam com a prefeitura. Um verdadeiro calote!

Outro fato relevante é o contrato de comodato entre o Município e o Estado da Bahia, referente à parte do patrimônio da Emasa, que, segundo a lei, não pode ser transferido a terceiros sem a anuência da Embasa.

GESTÃO

Sob o aspecto da gestão, estamos certos de que não há razões que justifiquem a privatização da Emasa. Prova disso é que, em pouco tempo, após ter enfrentado a sua maior crise de abastecimento, a empresa tem demonstrado capacidade de recuperação econômico-financeira. A Emasa, hoje, tem buscado cortar custos desnecessários, melhorar a sua eficiência financeira e aumentar receitas, prestando, certamente, um serviço público próximo das expectativas da sociedade, sem correr o risco de tarifas abusivas próprias da iniciativa privada.

Mas é preciso fazer justiça. Esses avanços, em grande medida, devem-se à atuação dos seus trabalhadores, sindicato e Ministério Público, especialmente na luta travada ano passado, que resultou no afastamento de toda a diretoria da empresa e sinalizou, de forma inequívoca, que os itabunenses não aceitariam mais retrocessos.

Existem vastos exemplos bem sucedidos de prestação de serviços públicos na área de saneamento. E não é preciso ir muito longe.

Na Bahia, apesar de Itabuna, com seus 220 mil habitantes, ser a exceção da regra (não chega a tratar 10% dos seus esgotos), a maioria esmagadora dos médios e grandes municípios do Estado tratam mais da metade dos seus efluentes domésticos. O município de Vitória da Conquista é uma das referência do interior e tem os melhores indicadores do Norte/Nordeste, segundo o SNIS (Sistema Nacional de Informações de Saneamento).

Por consequência, o debate da necessidade de privatização pelo argumento da falta de competência de gestão pelo setor público fica comprometido e se mostra extremamente enganador.

INVESTIMENTOS

O dado concreto é que, também pelo argumento da falta de capacidade de investimento, não é possível sustentar a privatização, pois está sendo com dinheiro público a construção da Barragem no Rio Colônia, ao custo de mais de 100 milhões de reais, que vai garantir, além de segurança hídrica à região, uma vazão mínima ecológica que atuará na diluição dos efluentes em épocas de seca e, nos períodos de cheia do rio, poderá mitigar o impacto das enchentes às populações ribeirinhas.

Foi também com dinheiro público que, na crise hídrica do ano passado, garantiu-se toda infraestrutura possível para atenuar o sofrimento do povo de Itabuna com água potável trazida de outros municípios por meio de carros-pipas e a distribuição de reservatórios nos bairros.

Assim, torna-se flagrante que a falta de recursos para investimento como justificativa para privatizar não tem como prosperar. Há notícias de que a Emasa, com recursos próprios, já começou a investir de maneira consistente e ascendente. Sem deixar de comentar que o mesmo governo do Estado da Bahia, que está fazendo a barragem, é importante frisar, quis assumir o sistema de abastecimento do município e, sabe-se que, o prefeito eleito, Fernando Gomes, teria atuado junto aos vereadores para que não fosse aprovado o convênio de cooperação.

Finalmente, continuaremos intransigentes na defesa do saneamento público, da autonomia técnica e gerencial da Emasa, na valorização dos seus servidores efetivos e o controle social.

Erick Maia é dirigente do Sindae.

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Vane em audiência com funcionários da Emasa (Foto Wilson Oliveira).
Vane em audiência com funcionários da Emasa (Foto Wilson Oliveira).

O prefeito Claudevane Leite negou que vá privatizar a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa) e tratou esta possibilidade como “boato”. Porém, o gestor não descartou a participação da iniciativa privada no negócio. Foi durante audiência a funcionários da empresa, nesta manhã de terça (17).

– o Plano de Saneamento sugere possibilidades de parcerias que também estão sendo amplamente discutidas nas audiências públicas – disse ele aos funcionários da Emasa, que fizeram protesto e caminhada da sede da empresa até a prefeitura, na Avenida Princesa Isabel.

Esta participação ocorreria, de acordo com rumores dentro da Emasa e da estatal estadual Embasa, por meio de Parceria Público-Privada (PPP). Em janeiro, o governador Rui Costa, ao lado do prefeito Vane, disse que a PPP no saneamento em Itabuna era algo a ser estudado.

Vane refutou a possibilidade de privatização ao receber cerca de 100 funcionários concursados da Emasa, hoje. O grupo estava preocupado com a sequência de reuniões a portas fechadas da diretoria com executivos de empresas.

O prefeito disse ter tirado a Emasa da falência e não seria agora que privatizaria a empresa. Vane afirmou aos funcionários que tudo dependerá do Plano Municipal de Saneamento, que sugere as parcerias com a iniciativa privada. O plano deverá ser apresentado, na Emasa, na próxima quinta (19), às 7h30min.

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O comitê em defesa da água e contra a privatização da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa) será reativado na próxima segunda (18), às 18h, em reunião no plenário da Câmara de Vereadores. Membro do comitê, o ex-vereador Luís Sena disse que durante o evento será apresentado plano de trabalho pela melhoria dos serviços e para impedir “qualquer tentativa de privatização da Emasa”.
O novo presidente da Emasa, Geraldo Briglia, deixou claro em entrevista ao PIMENTA que a privatização da empresa “não está descartada”. Ainda em junho, a construtora OAS apresentou um plano para assumir o controle da Emasa, o que foi considerado estopim para a saída do engenheiro Alfredo Melo.