Encontro de apresentação do PPM em Itabuna || Foto André Frutuoso/SDR
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Representantes de comunidades rurais do Litoral Sul conheceram, nesta terça-feira (1º), em Itabuna, os critérios para o ingresso no Projeto Parceiros da Mata, da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

O encontro marcou o início da etapa de mobilização e alinhamento para a organização da Plenária Territorial do projeto, prevista para o próximo mês de maio, quando as comunidades serão selecionadas. Durante a reunião, representantes da CAR e lideranças territoriais discutiram os parâmetros técnicos e sociais que nortearão a escolha das comunidades rurais atendidas pela iniciativa.

“Essa reunião representa uma soma de esforços com parceiros estratégicos, firmando um pacto em prol do Parceiros da Mata. Discutimos os critérios de seleção das comunidades beneficiadas, as metodologias de trabalho e as etapas de execução do projeto. Além da preservação ambiental e do reforço na segurança hídrica, uma das principais metas é promover a produção sustentável de alimentos e a geração de renda para agricultores familiares”, explicou Jeandro Ribeiro, diretor-presidente da CAR.

Para o secretário executivo do Consórcio Litoral Sul, Luciano Veiga, o início das atividades do projeto representa avanço para o desenvolvimento rural integrado. “Essa é uma oportunidade ímpar para o consórcio contribuir na construção do projeto, que será um divisor de águas para a nossa região, permitindo produzir com responsabilidade e em defesa do meio ambiente”..

O evento reuniu representantes dos 26 municípios que integram o Consórcio Litoral Sul, além de membros do Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (CIMA), da Associação dos Municípios do Sul, Extremo-sul e Sudoeste da Bahia (Amurc), lideranças comunitárias e representantes de associações e cooperativas ligadas à agricultura familiar.

PARCEIROS DA MATA

O Projeto Parceiros da Mata é uma iniciativa do Governo da Bahia, com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (Fida).

Baseado nos princípios da agroecologia, o projeto busca promover o desenvolvimento sustentável na Mata Atlântica, beneficiando mais de 88 mil famílias em comunidades rurais de 77 municípios dos territórios de identidade Baixo Sul, Litoral Sul, Vale do Jiquiriçá e Médio Rio de Contas.

Essa primeira etapa contará ainda com reuniões nos territórios Médio Rio de Contas, em Jequié, nesta quarta-feira (02); no Vale do Jiquiriçá, em Amargosa, amanhã (03); e no baixo-sul, em Valença, na sexta-feira (04).

Governador Jerônimo Rodrigues participa do lançamento do programa, em Ipiaú || Foto Thuane Maria/GovBA
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O Projeto Parceiros da Mata, do Governo da Bahia, promete levar mais qualidade de vida para cerca de 352 mil pessoas de comunidades rurais dos territórios de identidade do Baixo Sul, Litoral Sul, Vale do Jiquiriçá e Médio Rio das Contas. A Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), lançou o programa nesta quinta-feira (20), em Ipiaú, durante solenidade com a presença do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Com foco na promoção do desenvolvimento sustentável nas áreas rurais da Mata Atlântica da Bahia, a iniciativa abrange 77 municípios e prevê investimentos de R$ 750 milhões até 2030, informa o estado. Engenheiro Agrônomo e mestre em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia, Jerônimo afirmou que o “Parceiros da Mata” une o estímulo ao desenvolvimento rural aliado à conservação da floresta:

– O foco mais forte é garantir a preservação da Mata Atlântica e a recuperação das nascentes, mas, acima de tudo, promover melhorias na vida das pessoas que ali moram, como as comunidades indígenas, quilombolas, com investimentos que vão desde o acesso ao tratamento de água e a saneamento básico.

Jerônimo também ressaltou o incentivo à agroindustrialização das cooperativas, com o beneficiamento dos produtos do campo, o que favorece a agregação de valor a produtos agrícolas, aumentando a renda gerada pelas comunidades da agricultura familiar e de pequenos produtores.

EXPECTATIVAS

Na Cooperativa dos Produtores Rurais de Presidente Tancredo Neves (Coopatan), no município de Tancredo Neves, o projeto vai beneficiar 382 famílias que produzem mandioca, banana e seus derivados. “Vamos transformar a realidade do nosso município e da região, elevando os níveis de produtividade, formando jovens, transformando agricultores em empresários rurais e diminuindo o êxodo rural”, comemorou a diretora Fernanda Santana.

Esse também é o sentimento de Daniel Oliveira, representante da Associação Agroecológica Jaqueira de Amargosa. “Estamos bem esperançosos para construir um futuro com sustentabilidade, agroecologia e economia solidária. Que possamos conciliar o crescimento econômico com a proteção da natureza, tão necessária. Esse projeto é um grande alento para conseguirmos estruturar a nossa associação e atender melhor a população”, afirmou.

Co-financiado por meio de um empréstimo de US$ 150 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), com contrapartidas do Governo do Estado da Bahia, o projeto Parceiros da Mata terá vigência até 2030, com impacto direto nas comunidades rurais e na preservação da Mata Atlântica.

“Vamos envolver 88 mil famílias de 77 municípios, com ações voltadas para inclusão socioprodutiva, produção de alimentos. São atividades que estão enlaçadas com a realidade local, que tem uma bacia hidrográfica riquíssima. Então, o projeto surge na perspectiva de produzir alimentos com qualidade, preservando o ecossistema”, declarou o diretor-presidente da CAR, Jeandro Ribeiro.

O secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), Osni Cardoso, explicou que o estado investe em projeto estratégicos por toda a Bahia e, no caso da Mata Atlântica, uma das atividades beneficiadas será a produção de cacau no sistema agroflorestal cabruca, que mantém a mata de pé.

Conforme o gestor, outras lavouras também terão cuidado especial, levando em consideração as particularidades de cada um dos quatro territórios de identidade envolvidos no programa. “Por cinco anos, vamos acompanhar de perto as melhorias na produção do campo, garantindo a comercialização com olhar para a sustentabilidade e para a renda do homem e da mulher do campo”, acrescentou.

PÚBLICO BENEFICIADO

Projeto beneficia mais de 300 mil pessoas, segundo o estado || Foto Thuane Maria/GovBA

O público beneficiado é formado por jovens, mulheres, assentados de reforma agrária, povos originários, comunidades quilombolas, pescadores, marisqueiros e ribeirinhos, visando garantir a inclusão social, a equidade de gênero e o fortalecimento da participação de comunidades históricas no processo de desenvolvimento sustentável da região.

As ações vão levar melhoria da infraestrutura básica, como acesso à água potável, saneamento rural e infraestrutura hídrica, elevando a qualidade de vida de até 900 comunidades rurais, como a de Sônia Maria, da comunidade quilombola de Nova Ibiá, município do Médio Rio das Contas. “A gente trabalha com cacau, banana e também polpa de frutas. São mais de 150 pessoas que dependem dessa renda. A chegada desse projeto vai melhorar muito a vida de todos”, disse.

Na outra ponta, os “Parceiros da Mata” vão atuar no combate à insegurança alimentar e nutricional da população, dentro do Programa Bahia Sem Fome. “A iniciativa chega em um momento oportuno em que se faz necessário potencializar a produção de alimentos. Vivemos uma crise alimentar e esse projeto arrebate diretamente na base produtiva. Vai fortalecer a agricultura familiar, os povos e comunidades tradicionais, dinamizar os processos produtivos, viabilizar recursos financeiros para que a gente possa potencializar as cadeias produtivas no estado da Bahia”, afirmou o coordenador do programa, Tiago Pereira.

Missão do Fida e do BID conhecem experiências e ouvem produtores || Foto Divulgação
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Itacaré recebeu, nesta quarta-feira (24), missão do Banco Interamericano (BID) e do Fundo Interamericano de Desenvolvimento (Fida) para avaliar experiências de agricultores e agricultoras familiares e conhecer o projeto de turismo de base comunitária (TBC). Os técnicos foram recebidos por secretários municipais e técnicos do Projeto Parceiros da Mata, tocado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), do governo baiano.

Com recursos do Fida, o Parceiros da Mata busca promover desenvolvimento rural sustentável para cerca de 100 mil famílias do campo nos territórios Litoral Sul – onde está localizado Itacaré -, Baixo Sul e Vale do Jiquiriçá. O investimento deve atingir R$ 750 milhões em período de cinco anos, segundo a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR).

Num dos principais destinos turísticos do sul da Bahia, a missão conheceu foi a Taboquinhas. O encontro, do qual participaram representantes das secretarias municipais de Turismo e Agricultura, além do Mecenas da Vida e do Sebrae, Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), ocorreu na Fazenda Taboquinhas, dos agricultores familiares Laura e Osvaldo de Brito.

TURISMO IMERSIVO

Secretário de Turismo de Itacaré, Marcos Souza “Japu” diz que o Parceiros da Mata é ponto para desenvolver e consolidar o Turismo de Base Comunitária (TBC) em Itacaré, que começou a ser implantado em Pancada Grande. “Para nós, é um importante momento [a visita técnica da missão], desenvolver turismo imersivo em Itacaré, que é um destino completo”, assinala durante entrevista ao PIMENTA.

Seu Osvaldo e Dona Laura, à esquerda, com o secretário de Turismo de Itacaré || Foto Divulgação

O secretário define o turismo de base comunitária como experiência rica para todo o trade e – principalmente – para o turista. “Precisamos fazer turismo de imersão, de saberes e fazeres, de apreciar, de saborear uma comida tradicional, comida quilombola, de pescadores e marisqueira e de conhecer nossas riquezas naturais, história. Depois de dar meio mundo por visto, muitos turistas estão em busca de experiências nas quais a vida da região vale mais do que a selfie em algum cartão-postal”, complementa.

O titular da Pasta do Turismo também aponta a rica imersão propiciada pelo TBC como a possibilidade do contato dos visitantes com as comunidades, explorar as riquezas naturais, seja tomando um banho de cachoeira ou no Rio de Contas. “Ou percorrer trilhas, conhecer a lavoura do cacau”, acrescenta.

“Quantas pessoas conhecem a dinâmica e a própria lavoura do cacau?”, questiona ao mesmo tempo em que já aponta um dos atrativos para o sul da Bahia. “Itacaré, Taboquinhas e zona rural, envolvendo todas as comunidades quilombolas, tem muito a oferecer, estamos em um lugar maravilhoso, um paraíso”.

INVESTIMENTOS E CONEXÃO COM A CULTURA LOCAL

Produção da Fazenda Taboquinhas, em Itacaré: deleite para turistas e visitantes

O permacultor Osvaldo de Brito, da Fazenda Taboquinhas, foi o anfitrião do dia. Ele se mostra entusiasmado com a possibilidade de mais investimentos com o projeto da CAR/SDR e Fida e o fortalecimento do turismo de base comunitária. “Hoje meio que estamos realizando um sonho, um espaço de permacultura, onde as pessoas convivam, aprendam, entendam que é possível produzir sem destruir”, diz.

Seu Osvaldo produz não apenas cacau na Fazenda Taboquinhas. Há a produção de chocolate, geleia, por exemplo. Os olhos brilham diante da possibilidade de compartilhar conhecimento, experiências e fortalecer o turismo. “Hoje, estamos unindo agricultura, meio ambiente, as organizações internacionais, governo do estado, com a CAR… E acho que tem que ser assim, conectados”.

Para Osvaldo, não há como dissociar meio ambiente de agricultura e turismo. “As coisas têm que andar juntas, que as pessoas entendam que pode ter turismo sem degradar, sem causar impacto [negativo]. E é isso que estamos fazendo hoje. Todos juntos para fazermos esse momento rico”.