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Gilvan Rodrigues

Uma pesquisa do Instituto Compasso revelou crescimento expressivo de audiência da Interativa FM, que hoje já divide a liderança com a Bahia FM Sul. A emissora saltou de 13,9% para 25,7% na preferência dos ouvintes em pouco mais de dois anos.

Por trás desse avanço está Jorge Lopo, o estrategista responsável pela reformulação da rádio e pela montagem da equipe que levou a Interativa FM ao topo.

Com 32 anos de carreira e 55 anos de idade, Lopo começou sua trajetória na comunicação ainda nos anos 1980, movido pela paixão pelo rádio.

Em 1992, iniciou uma fase vitoriosa na Rede Transamérica, onde consolidou sua vocação. Depois, integrou a equipe da Rádio Cruzeiro, da Rede Jovem Pan, ampliando sua experiência em formatos e públicos diversos.

No final dos anos 1990, Lopo ingressou na Rede Bahia de Televisão, onde participou da cobertura de grandes eventos, como o Carnaval de Salvador, um dos eventos mais populares do país, considerado um marco em sua carreira. Atuou também no Festival de Verão Salvador, outro evento de repercussão nacional.

Seu desempenho o levou a ser contratado pela Rede Bahia no ano seguinte, atuando nas rádios Globo FM e Tropical Sat até 2006.

Grato pelas oportunidades que teve nesse período, Lopo faz questão de reconhecer quem esteve ao seu lado.

– Tenho muito a agradecer à Rede Bahia, especialmente às pessoas que contribuíram diretamente para o meu crescimento profissional, como Maurício Habib, Claudino Ribeiro, Antônio Carlos, Bernardo Araújo, Hélio Tourinho, Tony Muinos, Emmerson José, Adriano Martins, Fred Andrade, Estácio Gonzaga, Luís Moreira, entre outros colegas – destacou.

Em seguida, Jorge Lopo integrou a equipe da Nova Salvador FM — hoje Salvador FM —, onde permaneceu até 2007. Ele faz questão de destacar sua gratidão aos profissionais Marcos e Diogo Medrado, que foram fundamentais nesse período de sua trajetória.

Já em 2008, aceitou o desafio de integrar o projeto de expansão da Rede Bahia com a criação da Bahia FM, em Salvador, e da Bahia FM Sul, em Itabuna, onde permaneceu até 2016, ajudando a consolidar as emissoras como referências regionais.

NA MIGRAÇÃO DO AM PARA O FM

Dois anos depois, em fevereiro de 2018, Jorge Lopo foi convidado para assumir o reposicionamento da Rádio Interativa FM, ligada à Fundação Santo Antônio e então sob a superintendência do Frei Vandeí Sant’Anna. A rádio, inaugurada em março de 2016, havia migrado para o dial FM em 2017, mas ainda buscava sua identidade e maior conexão com os ouvintes.

“Aceitei o desafio de transformar a Interativa em uma emissora de relevância regional, criando um novo modelo de programação, reestruturando a equipe e incorporando profissionais experientes, especialmente do rádio AM”, conta Lopo.

A estratégia foi construída a partir da percepção da necessidade local de uma emissora que combinasse prestação de serviços, jornalismo de credibilidade, música de qualidade e entretenimento responsável.

“O trabalho tem gerado resultados expressivos em audiência, engajamento e credibilidade — pilares que sustentam nosso crescimento contínuo”, afirma.

Atualmente, a Interativa FM é dirigida pelo Frei Jorge Rocha. “Seguimos enfrentando os desafios dessa nova era digital, investindo em qualificação, tecnologia e mantendo nosso compromisso com a comunidade”, reforça Jorge Lopo.

Ao lado de Silmara Sousa, Orlando Cardoso entrevista Jorge Braga, ex-presidente da CDL Itabuna
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Era 26 de fevereiro de 1961. Em meados de abril, o diretor de Broadcast da Rádio Difusora, Lourival Ferreira, o convoca para assumir o comando das narrações, e sozinho.

 

Walmir Rosário

Dizem os estudiosos em física e matemática que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Até que poderia, mas as probabilidades seriam remotas, ínfimas. Não concordo, mesmo tendo consciência de que sou, cientificamente, um ignorante nesses assuntos. E rebato essa tese apresentando prova em contrário, reconhecida e testada em todos os lugares em que as ondas do rádio de Itabuna alcançaram e fizeram sucesso.

E minha tese, como disse, tem nome e sobrenome, Orlando Cardoso Melo, com 62 anos dedicados ao rádio. Pelas minhas contas, seriam 63, mas como ele não coloca sua primeira experiência no currículo, acato a idade radiofônica em questão. E Orlando desempenha, ainda, com maestria tudo o que criou e fez no rádio, como transmissões esportivas, apresentação de resenhas, programas musicais, informativos e o que mais apareça.

E ele chegou ao rádio por acaso. A primeira vez em que o raio (do rádio) caiu foi em 1960, na antiga Rádio Clube de Itabuna, por obra e graça de Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho, o CCCC, que solicita para que Orlando Cardoso gravasse um jogo imaginário em seu gravador (de Crispim). Feito o teste, aprovado, foi convidado a narrar uma partida preliminar do Campeonato de Itabuna. Perfeito para a primeira vez.

Foi convidado a fazer parte da equipe comandada por José Maria Gottschalk, com Gérson Souza, Crispim, dentre outros. Aceitou. A emissora estava ampliando o quadro do esporte, com Leovaldo Almeida, Edson Almeida, Geraldo Santos, e Leovaldo e o designou para a redação da resenha. Perguntou se “batia a máquina”, como a resposta foi negativa, ordenou que se matriculasse numa escola de datilografia.

Orlando não deu as caras na emissora e continuou seu trabalho na Loja Osgonçalves, esqueceu a quase nova profissão de radialista, para desgosto de Crispim. Vida que segue, em 1961 inicia o serviço militar no Tiro de Guerra, sob o comando do então sargento Paulo. Num desses domingos, ao encerrar a instrução, o sargento anuncia que o radialista Romilton Teles teria convidado a todos para participarem do programa Show da Alegria, na Rádio Difusora.

E o raio tornou a cair no mesmo lugar. Romilton Teles anuncia que os atiradores podem se apresentar com o que sabem fazer de melhor: cantar, dançar, recitar poesia. Um colega engrena a música Esmeralda e incentiva a apresentação dos demais. Para surpresa da plateia, Orlando Cardoso se candidata a narrar um jogo entre o Vasco da Gama e o Real Madri, pois tinha escutado esse jogo no meio da semana, com o gol de Delem.

Assim que recebeu o microfone das mãos de Romilton, Orlando pede a ajuda da galera e botou o tom fora, até anunciar o gol do Vasco. Se junta aos demais e em seguida é convocado para voltar à emissora na quarta-feira, para se encontrar com o diretor-geral Hercílio Nunes. Se apresenta, mas como o diretor estava numa reunião, pede que ele vá no domingo ao Campo da Desportiva e que chegue mais cedo, pois narrará uma partida.

Chega cedo como aprazado e Hercílio abre a transmissão, anuncia o novo contratado, que narrará o jogo em conjunto com o titular, Luiz Alves. E cada um narraria o jogo numa metade do campo, como faziam Jorge Curi e Antônio Cordeiro na Rádio Nacional. Era 26 de fevereiro de 1961. Em meados de abril, o diretor de Broadcast da Rádio Difusora, Lourival Ferreira, o convoca para assumir o comando das narrações, e sozinho.

No próximo domingo já estreou no Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, transmitindo Seleção de Ilhéus e Bonsucesso, do Rio de Janeiro. E não parou mais. Apresentou resenhas e inovou ao criar e apresentar um programa com músicas de Carnaval, só que fora do Carnaval. Mesmo contra a opinião de Hercílio Nunes, apresentava aos domingos, das 7 às 9 horas, Carnaval Toda a Vida, e a primeira música tocada foi Roubei a mulher do rei.

Enquanto isso, fazia de tudo para continuar nas duas ocupações, a Osgonçalves e a Difusora, até quando não deu mais e deixou a loja. Assim que avisou a Hercílio que estava “desempregado” da loja, recebeu a proposta para apresentar um novo programa, à tarde. Descansou merecidos 15 dias e passou a apresentar o programa Discoteca Jovem de Ontem, com músicas passadas, que caiu, imediatamente, no gosto dos ouvintes.

E Orlando Cardoso se consolidou no rádio itabunense e regional pela alegria em que narrava as partidas de futebol e as apresentações dos programas musicais, contando piadas e mandando os alôs para os ouvintes. Nas ruas e estádios era cumprimentado com os bordões que criava, era convidado a ir às casas dos ouvintes, e sempre chegava com a mesma alegria do rádio.

No futebol, criou bordões que fizeram muito sucesso e são lembrados e imitados até hoje. E os ouvintes iam ao delírio quando ouviam Orlando gritar: “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo do futebol”, subtraído da ideia de Fiori Gigliotti; “Gol itabunense, torcida grapiúna”; “O barbante estufou, o escore mudou”; “Ora, ora, ora, agora, (para informar o horário,”, dentre outros. “Eles apareciam e eu incorporava ao repertório”, conta.

Após vários anos na Rádio Difusora, passa pela Rádio Nacional (ex-Clube) e Rádio Jornal de Itabuna, até retornar à Difusora, onde até hoje lidera a audiência com o Programa Panorama 640 (meia quatro zero). Comentam os colegas radialistas, que o programa não tem mais espaço algum para novas publicidades, o que configura o estrondoso sucesso de Orlando na Difusora e nas emissoras em que passou.

Em 1984 Orlando Cardoso finaliza sua participação como narrador esportivo, apesar dos constantes apelos dos ouvintes e colegas para que permanecesse por mais tempo. Narrou grandes partidas da Seleção Brasileira no Maracanã e no Maranhão; do Flamengo (3) na decisão do Campeonato Brasileiro contra o Atlético Mineiro (1); e em Campinas, na vitória do Guarani sobre o Itabuna por 7X1.

E Orlando Cardoso, torcedor do América carioca, sempre foi um eterno apaixonado pelo bom futebol da Seleção de Itabuna. Foi eleito vereador para dois mandatos de seis anos (cada) e é uma das pessoas mais populares de Itabuna e região. Aos 81 anos de idade e 62 de radialismo (63 se contar com a pequena passagem pela Rádio Clube), se considera um homem feliz e realizado com sua família.

Um homem com grandes histórias e que aqui serão contadas em muito breve.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor de Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Seleção do Rádio no início da década de 80, na antiga Desportiva (Foto Arquivo Aleilton Oliveira).
Seleção do Rádio no início da década de 80, na antiga Desportiva (Foto Arquivo Eilton Oliveira).

Funcionário aposentado do Banco do Brasil, Eilton Oliveira coleciona fotos raras dos tempos em que atuava no rádio grapiúna, junto com figuras como o hoje publicitário Sílvio Roberto. Uma dessas raridades é a imagem acima. Foi clicada no início dos anos 80, na antiga Desportiva, segundo o jornalista Valdenor Ferreira. Nela, estão grandes craques do rádio itabunense.

“O uniforme é da equipe da Rádio Jornal, mas reunia colegas de outras emissoras. Formávamos a Seleção do Rádio”, diz Sílvio Roberto, que não aparece na foto, mas jura que jogava um bolão.

A ordem dos craques (da comunicação) na foto é a seguinte:

Em pé, a partir da esquerda, aparecem Jorge Eduardo, Orlando Cardoso, Lucílio Bastos, Nivaldo Reis, Cacá Ferreira, Eduardo José e Welington Oliveira.

Agachados, a partir da esquerda, estão Valdenor Ferreira, Valter Barbosa, Jota Borges, Henrique Queiroz, Eilton Oliveira (o colecionador de raridades e hoje em Brasília) e o grande Biro-Biro.

Muitos deles já estão em um outro plano, mas deixaram exemplo de profissionalismo e de domínio do microfone, a exemplo de Lucílio Bastos e Jorge Eduardo.