Obra de arte de Conceição Portela || Foto Divulgação
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Uma exposição da artista plástica Conceição Portela ficará aberta para visitação até o dia 27 de outubro, no Pavilhão Pedro Calmon, na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). A amostra é para celebrar os 10 anos de implantação do Museu Vitrine das Artes Visuais da instituição de ensino superior.

A exposição reúne trabalhos em cerâmica (acrílica sobre cerâmica) e telas (óleo sobre telas), voltadas para o tema Cacau. “Já tive minhas obras exibidas em todo o Brasil e há peças também no exterior, mas nunca as havia exibido na Uesc. Agora, enquanto artista regional, estou completamente satisfeita”, declarou Conceição Portela.

Museu Vitrine das Artes Visuais da Uesc || Foto Divulgação

Nascida em Itajuípe, em 1941, artista plástica transformou sua casa, em Itabuna, em uma “Casa Ateliê”, onde expõe a grande variedade das suas peças de arte. Seu reconhecido trabalho foi premiado pela Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania (FICC) e pela Universidade Federal de Sergipe (4º Festival de Artes Empreendedoras, 2018), dentre outras instituições. A multiplicidades de suas técnicas artísticas destacam a sua obra como uma autêntica representante da cultura grapiúna.

O MUSEU

Vinculado ao Departamento de Letras e Artes da Uesc, o Museu Vitrine das Artes Visuais foi idealizado e organizado pelo artista plástico e professor Guilherme Albagli, em 2013, que durante muitos anos foi o responsável pelo espaço. Atualmente, o Museu está sob a coordenação de professor Samuel Mattos.

As duas vitrines do Museu possibilitam aos transeuntes um contato com as artes visuais nas áreas de fotografia, pintura, escultura, desenho, gravura, entre outras. Também são disponíveis para exibição de trabalhos dos próprios professores, estudantes e servidores da Uesc.

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Apolônio, centenário, é tema de livro editado pela Uesc.
Apolônio, centenário, é tema de livro editado pela Uesc.

Jonildo Glória

O pastor e professor Apolônio Brito completa 100 anos de idade amanhã, 7 de janeiro. Com bastante saúde e lucidez, ainda planta árvores e faz planos para o futuro. Apolônio nasceu num remanescente de quilombo. Foi escravo por um ano em troca do enxoval de casamento da sua irmã. “Acho realmente que Deus me tem dado uma vida longa… Entendo isso como uma oportunidade para eu continuar meu trabalho e fazer mais coisas. Enquanto me preparo para a velhice, continuo a trabalhar e todos os dias agradeço a Deus pelo fato de ter em mim os bens mais valiosos da vida: saúde, paz e alegria”, comemora.

Apolônio foi garimpeiro. Enfrentou onça. Caminhou cerca de 5.000 km pelo Maranhão, Pará, Goiás e oeste da Bahia (de aventura em aventura), até que chegou ao Instituto Industrial de Corrente (Piauí), sua primeira escola. De analfabeto, torna-se o melhor aluno do Instituto. Estuda no Rio de Janeiro, torna-se pastor protestante e grande educador, fundador de várias igrejas e escolas. Chegou a Itabuna em 1958 e aqui recebeu o título de cidadão itabunense. É um homem impressionantemente otimista, espirituoso, exemplo de fé e determinação.

A idade de Apolônio, em si, já é um caso à parte, que atesta coisas típicas do Brasil: “Nasci no dia 07 de janeiro de 1919 num lugar chamado Pé da Ladeira, próximo a Loreto, que também era perto de São Raimundo das Mangabeiras, no Maranhão. Essa data foi estimada pelo tabelião da cidade de Corrente (Piauí), quando lá cheguei, em 1944, e precisei de uma certidão de nascimento. Eu realmente não tinha documento nenhum e nem sabia a minha idade. Do lugar de onde venho, as pessoas não se preocupavam muito com isso. Ninguém tinha documento”.

O centenário Apolônio recorda o espanto do diretor da escola: “Quando o senhor nasceu não registraram o seu nome? … é um papel com seu nome, feito no cartório. … Como é que pode? Tem que ter certidão…. O senhor se lembra de algum acontecimento importante quando era pequeno? … Quando foi essa seca no Maranhão? E na enchente, o senhor tinha quantos anos? … O senhor já ouviu falar da Revolução de 1930? Getúlio Vargas? … olhe, vamos considerar que o senhor nasceu em 1919, e pronto. E o dia… foi 07 de janeiro”. “Depois, na verdade, comparando minha idade com a dos meus irmãos, descobri que o ano estava errado. Eu nasci mesmo foi em 1915”, lembra.

“O impressionante é que, aos 100 anos, ele ainda planta árvores, faz planos para o futuro e diz que se prepara para a velhice. Isso é um exemplo interessante de juventude, jovialidade, coisa que falta em muita gente com menos idade. É aí que a gente vê que para ser velho não precisa ser idoso e para ter juventude não é preciso ser jovem. Apolônio é um exemplo para as novas gerações”, frisa o professor  Samuel Mattos, autor do livro Apolônio, o multiplicador, publicado pela Editus, Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Para o Professor Lourival Pereira Piligra Júnior (UESC), “Apolônio é um sobrevivente, uma existência que vinga no terreno inóspito e agreste do Nordeste como uma flor que desabrocha em meio a uma grande moita de espinhos… a gênese de uma vida transfigurada em mito”.