Vanessa Paulo, Dr. Eric Ettinger Jr, Dr. João Hermínio de Oliveira e Cira Vieira na roda de conversa sobre autismo || Foto Divulgação
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A UnexMed Itabuna promoveu roda de conversa com profissionais da Medicina e alunos para discutir o cuidado e a inclusão de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). Promovido pelo Núcleo de Apoio Psicopedagógico (NAP), o evento abordou o autismo para além do diagnóstico e integra a programação do Abril Azul. O evento foi promovido no campus da UnexMed, na última semana.

De acordo com a organização, o evento buscou ampliar o debate sobre o acolhimento, diagnóstico e estratégias interdisciplinares no cuidado às pessoas com TEA. O médico João Hermínio de Oliveira, médico clínico-geral, pediatra, farmacêutico e autista com formação em Transtornos do Neurodesenvolvimento, e Vanessa Paulo, pedagoga, advogada, estudante de Medicina e autista, trouxeram relato sensível sobre suas vivências pessoais e acadêmicas.

João Hermínio veio especialmente do Paraná para contribuir presencialmente com a roda de conversa. “Hoje, na minha região, virei referência. Atuo em nove cidades, duas com foco em pediatria, sete em clínicas especializadas em autismo, além de uma ONG. Minha trajetória é marcada por desafios, mas também por muito aprendizado e vontade de transformar realidades”, afirmou o médico.

O coordenador do curso de Medicina, Eric Ettinger Júnior, destacou a relevância da discussão, especialmente diante do crescente número de diagnósticos de TEA no Brasil. “Cada vez mais o diagnóstico de autismo vem sendo feito. Com isso percebemos a presença de pessoas com TEA em diferentes espaços do nosso cotidiano — como pacientes, colegas de trabalho, médicos, enfermeiros. Precisamos estar preparados para acolher, entender e cuidar com respeito e conhecimento técnico”, enfatizou.

REFLEXÕES

Durante a roda de conversa, os convidados abordaram temas como escuta ativa, abordagens multidisciplinares, inclusão escolar, empatia e o papel da formação médica humanizada no atendimento às pessoas com TEA.

De acordo com a coordenação do NAP, a proposta foi estimular reflexões e práticas que preparem os futuros médicos para uma atuação mais sensível às necessidades da população, especialmente em contextos que exigem compreensão, respeito às diferenças e cuidado integral.

Vitor Azevedo é o autor do projeto na Alba || Foto Divulgação
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A Bahia, a exemplo de outros estados, poderá estabelecer prazo de validade indeterminado para laudos e perícias médicas que atestem o transtorno do espectro autista (TEA) e a Síndrome de Down. Um projeto de lei foi apresentado pelo deputado estadual Vitor Azevedo (PL). Hoje, o prazo varia de 80 a 180 dias.

“Visto que são síndromes de caráter permanente, é injustificável e desarrazoado a emissão de laudos com validade determinada ou qualquer exigência de laudos atuais para a comprovação destes transtornos””, justificou o deputado baiano.

Para o parlamentar baiano, o projeto de lei busca simplificar e atenuar o excesso de burocracia constatado nesses procedimentos. Ele considera que, frequentemente, pessoas diagnosticadas com TEA e a Síndrome de Down são submetidas a exames para a emissão de laudos periciais para diversas finalidades. “Isto gera muitos desgastes emocionais tanto para pacientes diagnosticados quanto para seus familiares”.

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Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com

 

Com paciência, sensibilidade e técnica, conseguimos desenvolver “conversores” entre as linguagens dos autistas e dos neurotípicos (os supostos normais).

 

Achei legal que vários programas da TV aberta investiram na abordagem do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, neste 2 de abril. Porém, uma coisa me incomoda muito quando falam sobre Transtornos do Espectro Autista (TEA), como são tecnicamente classificados os casos de autismo: o autista vive como se tivesse seu próprio mundo. É uma leitura tão superficial quanto as matérias miojo dos jornalísticos que, em três minutos, têm a missão de nos alimentar sobre um tema tão complexo.

A cor azul escolhida para o Dia Mundial de Conscientização do Autismo é porque a síndrome é quatro vezes mais comum entre meninos que meninas. Mas no meu caso, meu mundo foi colorido de azul por uma garotinha: minha filha. E, seguindo a inspiração para seu nome, Amélie tem mostrado quanto esse mundo é fabuloso!

Gente não nasce com manual de instruções. Mesmo assim, tentamos encontrar padrões no comportamento para pregar um rótulo na criatura. Fulano é inteligente, sicrano é preguiçoso e beltrano é esforçado. E assim, como um dom concedido pelas fadinhas boas ou a maldição lançada pela bruxa Malévola, ficamos estigmatizados por uma característica que se manifesta diante de uma determinada situação. Por isso, o modo que as pessoas com TEA reagem ao mundo é incompreendido pela maioria da população. Não é que se tranquem ou se isolem num universo privado, mas sim o jeito que encontram para responder aos estímulos que recebem.

Geralmente, em casos não tão severos, é possível perceber sinais de autismo por volta dos dois anos e foi assim com Amélie. Percebi que ela falava, mas não conversava. Às vezes agia como se fosse surda, pois nem sempre respondia aos nossos chamados. Era inquieta e resistia a seguir convenções sociais. Mas Amélie nos olhava nos olhos, brincava com os brinquedos como qualquer outra criança, era carinhosa e muito curiosa. Nunca convulsionou, não era agressiva e nem se machucava de propósito.

Apesar de não conversar, seu vocabulário era amplo, surpreendendo a fonoaudióloga numa consulta. É que os Transtornos do Espectro Autista possuem diversas intensidades, podendo ser leves, moderados ou severos. Mas, depois de uma real avaliação psicológica, tivemos o diagnóstico, que não foi grudado como um rótulo eterno, mas como uma condição que pode ser trabalhada. E esse trabalho não é para “normalizar” ela e sim para melhorar sua qualidade de vida, a fim de que ela se faça entender e desenvolva mecanismos para compreender os outros.

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