Thiago Fernandes fala em mesa no Fórum Econômico América Latina e Caribe, no Panamá || Foto Gabriel Pinheiro/CNI/Divulgação
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Do PIMENTA

Os termos atuais do Acordo Mercosul-União Europeia podem inundar as prateleiras dos supermercados brasileiros com chocolates europeus sem a contrapartida em benefício dos produtos brasileiros, afirma o diretor-geral do Consórcio Cabruca, Thiago Fernandes, 39. Caso esse cenário se concretize, as marcas de chocolates finos do sul da Bahia vão sofrer com a concorrência de mercadorias importadas a baixo custo, alerta o especialista.

“Qual é o nosso grande problema no setor do chocolate artesanal? Com o desenho atual do Acordo, não vamos poder enviar o nosso chocolate fino com benefícios para torná-lo competitivo, mas vamos receber o chocolate da Europa na nossa prateleira, com os custos mais baixos, o que vai fazer o preço deles cair”, explicou ao PIMENTA o diretor do Consórcio Cabruca, que é dedicado à exportação de chocolates finos do sul da Bahia.

O Acordo Mercosul-UE não trará benefícios aos chocolates artesanais do sul-baiano porque eles ainda não têm Indicação Geográfica (IG), explica Thiago Fernandes. “É diferente do caso da cachaça, queijo canastra e café, por exemplo, que já têm indicações geográficas e vão entrar em melhores condições de competitividade no mercado europeu”, acrescenta.

O Cacau Bahia, beneficiado pela Indicação Geográfica, não terá o mesmo problema, pondera o especialista. “O nosso cacau entra nos benefícios do acordo, mas o chocolate, não”, reforça.

A IG é uma certificação de origem reconhecida por meio do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), assegurando que um produto tem as características típicas de determinado lugar, como ingredientes e modos de preparo.

VALOR AGREGADO

Segundo Thiago Fernandes, a certificação do Cacau Bahia pode facilitar o reconhecimento das peculiaridades dos chocolates artesanais do sul do estado pelo INPI. Esse o objeto de estudo dele no programa de mestrado em Desenvolvimento Regional e Urbano, da Universidade Salvador. “Minha pesquisa é sobre a Indicação Geográfica do chocolate da cabruca como upgrade socioambiental na cadeia global de valor. Inclusive, já há a demarcação por conta da indicação geográfica do Cacau da Bahia. A gente aproveita essa demarcação territorial do cacau para utilizar na indicação geográfica do chocolate”.

O valor socioambiental que a IG pode agregar ao chocolate fino do sul da Bahia está diretamente relacionado ao sistema agroflorestal da cabruca, em que o cacau é produzido com a conservação da Mata Atlântica, associado também à efetividade dos direitos dos trabalhadores empregados na lavoura.

Um dos objetivos do Consórcio Cabruca, explica Thiago Fernandes, é articular os fabricantes de chocolates que usam a matéria-prima proveniente das 83 cidades da Região Cacaueira para dar entrada no processo de reconhecimento da Indicação Geográfica desses produtos no INPI.

DOCUMENTO ENTREGUE AO PRESIDENTE LULA

Thiago Fernandes representou o Consórcio Cabruca no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe, promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), de 28 a 30 de janeiro, no Panamá. Na oportunidade, entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) documento no qual fabricantes de chocolates finos do sul Bahia solicitaram empenho dos líderes brasileiro e de outros países da América do Sul na defesa dos interesses do segmento nas negociações do Acordo Mercosul-UE.

Paloma Amado, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda e Jorge Amado, em 1956, em Salvador || Foto Arquivo Nacional do Brasil
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A amizade do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) e o escritor grapiúna Jorge Amado (1912-2001) será pano de fundo do documentário O Regalo, dedicado à cultura cacaueira do sul da Bahia e sua vertente contemporânea, a produção de chocolates finos. Outra protagonista é a cabruca, o sistema agroflorestal em que o fruto de ouro é produzido na região.

Dirigido por Catharina Oliveira, o filme tem roteiro do escritor, professor e linguista Gabriel Nascimento, pesquisa de Thiago Fernandes e Henrique Oliveira, que também fez o argumento, e produção da Foco Filmes. Martone Badaró assina a fotografia. As locações vão se concentrar nas cidades de Itabuna e Ilhéus, em cenários icônicos da civilização grapiúna.

Segundo os produtores, o documentário busca valorizar o sistema de cultivo cabruca, que promove sustentabilidade e preservação ambiental. Ao mesmo tempo, recupera a história e as tradições das comunidades locais que se dedicam à produção de chocolate.

MULHERES NA VOZ

O Regalo reunirá depoimentos de produtores locais, acadêmicos e especialistas, que vão compartilhar suas experiências e conhecimentos sobre a importância do chocolate para a economia e a cultura da região.

Refletindo um aspecto dos novos tempos do cacau, o filme traz em destaque vozes de mulheres cujas histórias pessoais e profissionais ilustram a rica tradição e a qualidade do chocolate produzido no sul da Bahia, a exemplo de Helena Guimarães, Ju Arléo, Nara e Leilane Benevides, Carine Assunção e Manuela. O lançamento está previsto para o segundo semestre deste ano.

Marca Ju Arléo Chocolates é uma das premiadas pela Academy of Chocolate, de Londres || Foto Ana Lee
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Chocolates de marcas ligadas ao Consórcio Cabruca, dedicado à exportação de chocolates finos do sul da Bahia, conquistaram 15 medalhas da Academy of Chocolate, em Londres, o principal reconhecimento do setor no mundo. O time sul-baiano de ganhadoras é formado por Benevides Chocolates Finos, Ju Arléo Chocolates, Cacau do Céu, Tombador Cacau, Modaka, La Lis, Bem Cacao e Martinus Chocolates.

Para Thiago Fernandes, diretor do Consórcio Cabruca, o reconhecimento da academia londrina consagra o sul da Bahia como forte produtor de chocolates finos no cenário mundial, além da tradição na produção do cacau de alta qualidade. “As premiações reforçam o quanto somos resilientes e aprendemos, mesmo com diversos problemas em nossa região, a valorizar um produto que cultivamos há mais de três séculos, o cacau”, disse o gestor.

O Consórcio, segundo ele, mira certificações para abrir novos mercados. “Tudo isso irá nos gabaritar para termos, em breve, o selo de Denominação de Origem, na Indicação Geográfica do Chocolate da Cabruca”.

PREMIAÇÕES

O chocolate com 36% de cacau misturado com cupuaçu, da Ju Arléo Chocolates, levou medalha de ouro da Academy of Chocolate. A marca faturou, também, a prata com o chocolate 75% cacau e o bronze com o chocolate branco com doce de leite crocante.

A Benevides Chocolates Finos conquistou quatro medalhas, sendo uma de prata para o 43% cacau ao lei com rapadura e flor de sal. O 85% cacau, o 75% cacau e o branco canjica baiana ficaram com medalhas de bronze.

A Cacau do Céu obteve três medalhas de bronze para os chocolates 80% catongo, branco com morango liofilizado e pistache e melado de cana 40%. Já a marca Tombador Cacau levou medalha de prata com o chocolate branco com maracujá. A Martinus faturou o bronze com o chocolate 52% ao leite de cabra.

Modaka e La Lis completam a lista de premiadas do Consórcio Cabruca, cada uma com uma medalha de prata, pelos chocolates 40% cacau com café, castanha e canela e 63% com cupuaçu, respectivamente.

DEGUSTAÇÃO

Para celebrar o reconhecimento internacional das marcas sul-baianas, o Consórcio Cabruca promove, hoje (18), às 15h, na Colina Benevides, situada no quilômetro 16 da Rodovia Jorge Amado (Ilhéus-Itabuna), no Salobrinho, um coquetel e uma degustação dos chocolates premiados. O evento será restrito à imprensa e a convidados.

Embaixador Paulo Pacheco (ao centro) recebe comitiva baiana no Chile
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Começa a ganhar forma o projeto piloto do Consórcio Cabruca, resultado de parceria do Centro Público de Economia Solidária do Litoral Sul (Cesol-LS) com a Agência de Internacionalização e Exportação (Aiex). O objetivo da iniciativa é abrir mercados internacionais para os chocolates finos produzidos no sul da Bahia.

“A gente criou o Consórcio, inicialmente, com quatro marcas: Modaka, Natucôa, Benevides Chocolates Finos e Chocolates da Ju”, explica ao PIMENTA o professor Henrique Campos Oliveira, coordenador da Agência, projeto de extensão da Unifacs. O grupo fez sua primeira missão internacional em Santiago, no Chile, onde participou do Espacio Food & Service, no final de setembro. “É uma feira muito grande da área de alimentos, principalmente, restaurantes e franquias”, acrescenta Henrique.

Para o coordenador do Cesol-LS, Thiago Fernandes, a viagem internacional foi um momento importante de visibilidade para as marcas do sul da Bahia acompanhadas pelo Centro Público, que é ligado à Secretaria de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte do Estado (Setre). “Isso mostra a força e a pujança da economia solidária de nossa região, ganhando o mundo e mostrando, no exterior, o quão importante é esse trabalho de produção coletiva”, disse.

RODADAS DE NEGÓCIO

Viagem teve rodadas de negócio, exposição em feira e visita a centro de distribuição

O Brasil foi o país homenageado no evento. Para garantir presença, o Consórcio Cabruca teve o apoio da gerente do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), a ilheense Patrícia Orrico, que liderou o estande baiano na Feira.

Para Henrique, o Consórcio Cabruca já deu provas de que será capaz de impulsionar a exportação dos chocolates finos do sul da Bahia. “Tivemos excelentes rodadas de negócio no Chile. Iniciamos as tratativas com três distribuidoras; uma maior, de uma rede de supermercados; e duas específicas da área de produtos orgânicos”. Segundo ele, consorciados, os produtores diluem custos de promoção e de operação, além de coordenar melhor suas relações com órgãos governamentais.

A comitiva brasileira também contou com a presença da empresária Marcela Tavares, da marca de chocolates finos Cacau do Céu, uma das precursoras desse mercado no sul da Bahia.

LITERATURA E CHOCOLATE

Paloma Amado, Vinícius de Moraes, Neruda e Jorge Amado, em 1956 || Foto Arquivo Nacional

A comitiva baiana apresentou o Consórcio Cabruca ao embaixador brasileiro no Chile, Paulo Soares Pacheco. “Ele gostou muito, elogiou o projeto e se mostrou disponível, com a possibilidade da Bahia e o chocolate da região serem homenageados no 7 de setembro de 2024”, relata Henrique ao PIMENTA.

No Chile, um dos motes que o Consórcio pretende aproveitar é a amizade do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973) com o escritor grapiúna Jorge Amado (1912-2001). A ideia é criar uma linha de produtos relacionando literatura e chocolate. Ao grupo, a Embaixada brasileira assegurou apoio no diálogo institucional com a Casa Neruda.

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Apesar de ter um orçamento anual de R$ 132 milhões, a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) destina apenas 1% destes recursos para políticas de visem assegurar a permanência do estudante atraído pela políticas de cotas no vestibular.

O presidente do DCE-Uesc, Thiago Fernandes, observa a contradição da universidade: ao mesmo tempo que facilita o acesso de estudantes das classes de menor poder aquisito, a instituição não tem mecanismos para assegurar a permanência e conclusão do curso destes universitários.

Faz de conta? A discussão ganhou a capa da décima edição da Revista Contudo.

A publicação também repercute dois assuntos dos mais debatidos durante a semana: a morte de Igor Mascarenhas, dono das academias Biofit, vítima de um acidente na avenida Juracy Magalhães, e as severas críticas do bispo Dom Ceslau Stanula ao caos do sistema de saúde de Itabuna. A edição da Contudo está imperdível. A revista pode ser adquirida nas bancas de Ilhéus e Itabuna e custa só R$ 2,00, a partir deste sábado.