Apresentação da BaianaSystem no Carnaval de Salvador || Foto Alfredo Filho/SecomSSA
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Enquanto isso, uma das poucas bandas que propõem renovação, a BaianaSystem, parece enfrentar dificuldades para conquistar espaço nos canais de mídia durante o Carnaval. Coincidência ou não, suas apresentações frequentemente sofrem cortes na transmissão para dar lugar a artistas mais tradicionais.

 

Dimas Roque

O Carnaval de Salvador, na Bahia, é reconhecido mundialmente por sua grandiosidade e riqueza cultural. Entretanto, ao olhar para o passado e o presente dessa celebração, surge uma questão inquietante: estaria o Carnaval da Bahia envelhecendo mal?

É verdade que o Carnaval de Salvador já viveu momentos inesquecíveis. Recordo-me das imagens vibrantes do Trio Caetanave desfilando pela Avenida Sete há quase cinco décadas. Nessa época, o Carnaval pulsava inovação e encantava multidões com o som das guitarras elétricas dos pioneiros Armandinho, Dodô e Osmar. Anos depois, nos idos de 1985, Luiz Caldas lançou o álbum Magia, que continha o hit Fricote. Assim nascia o movimento Axé Music, um gênero irreverente e contagiante que dominou não apenas o Carnaval, mas também as rádios e festas em todo o Brasil.

No início dos anos 1990, o Carnaval baiano se reinventava novamente. Ricardo Chaves surgia como destaque, trazendo novos ritmos e tornando-se uma sensação nacional. A banda Timbalada, com os talentosos Xexéu, Ninha e Patrícia, conquistou o público com suas inovações visuais e percussivas – os corpos pintados e as batidas hipnotizantes ecoaram mundo afora. Por sua vez, o Olodum revolucionava a música afro-brasileira, encantando artistas como Paul Simon e Michael Jackson, que gravaram ao lado do grupo em Salvador.

No entanto, ao observar os circuitos tradicionais, como Barra-Ondina e Campo Grande, percebe-se uma preocupante estagnação. Artistas renomados continuam a apresentar sucessos consagrados, mas raramente arriscam algo novo. São performances que, por mais brilhantes que tenham sido no passado, já não possuem o impacto inovador de outrora. Enquanto isso, uma das poucas bandas que propõem renovação, a BaianaSystem, parece enfrentar dificuldades para conquistar espaço nos canais de mídia durante o Carnaval. Coincidência ou não, suas apresentações frequentemente sofrem cortes na transmissão para dar lugar a artistas mais tradicionais.

Isso nos leva a uma reflexão crítica sobre o futuro do Carnaval de Salvador. É possível honrar a tradição sem abrir mão da inovação? A resposta é sim. O Carnaval precisa abraçar a diversidade de ritmos e artistas, equilibrando as estrelas consagradas com novos talentos que anseiam por espaço. Existe uma riqueza criativa nos compositores da Bahia que ainda não foi plenamente explorada.

Ao longo de sua história, o Carnaval de Salvador sempre se destacou por sua capacidade de transformação e reinvenção. Para que continue a ser relevante e encantador, é essencial que essa tradição de mudança persista. O público, seja no circuito ou nas telas, merece vivenciar a explosão de cores, sons e criatividade que fez do Carnaval da Bahia uma referência cultural mundial.

Que este espírito renovador sirva de norte para os próximos 40 anos – porque envelhecer bem é, antes de tudo, abraçar o novo sem perder o brilho do passado.

Dimas Roque é jornalista.

Motorista de trio elétrico é multado após ser flagrado dirigindo alcoolizado
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Blitz da Lei Seca em Salvador, na madrugada de hoje (25), flagrou um motorista alcoolizado no momento em que ele dirigia trio elétrico no Vale dos Barris, na capital baiana. O motorista foi flagrado por agentes da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). Após perceberem que o trio circulava em velocidade incompatível com a via, os agentes abordaram o motorista. Ao passar pelo teste no etilômetro (bafômetro), foi constatado que ele estava com o nível de álcool no sangue acima do permitido.

Como a dosagem detectada foi de 0,27mg/L, não configurou crime de trânsito. Por isso, ele foi notificado e multado de acordo com o artigo 165 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Dirigir sob efeito de álcool é uma infração gravíssima, o condutor está sujeito à perda de sete pontos na CNH e multa de R$ 2.934,70. O motorista infrator apresentou um condutor habilitado, que, após passar pelo teste de alcoolemia, foi liberado para levar o trio elétrico.

– Nossos agentes estão atentos a toda e qualquer atitude que possa colocar em risco o cidadão. Neste Carnaval, estão atuando diariamente, abordando condutores sejam de trios elétricos, veículos ou motos, profissionais ou não, com o intuito de reforçar a segurança viária – afirma Fabrizzio Müller, superintendente da Transalvador.

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Trecho de artigo publicado no Bahia Notícias:

Para mim, o que hoje determina a desfiguração do nosso carnaval é a dinâmica imposta à festa pela evolução dos camarotes. No desfile deste ano, apesar de algumas quebras de trios, a relação artista / camarote, foi a maior responsável pelo monumental atraso ocorrido. Ressalto que não sou contra a existência de camarotes, muito pelo contrário. Há 10 anos exploro um espaço aonde monto um. Esse ano funcionou lá o de minha amiga Claudia Leitte. Discordo é da maneira como eles estão interferindo na festa.

Atualmente, cada vez mais artistas se tornam donos ou parceiros de algum camarote. Até aí nada de errado, se esses espaços fizessem parte da festa de rua como uma opção para quem preferisse curtir com todos os confortos que eles oferecem.

Hoje, o fluxo do desfile está sendo ditado não mais pelos foliões das ruas. Cada artista, ao chegar em frente ao seu camarote, passa a fazer um show, quase que exclusivo, para os que lá estão, como se nada mais no circuito importasse. Alguns deles contam hoje com passarelas que transportam as atrações para dentro, onde as apresentações são feitas, sem levar em conta quem está nas ruas.

Fico me perguntando o que passa na cabeça de um folião que pagou por um abadá, é obrigado a ver o trio parar e esperar que o show exclusivo para o camarote aconteça. O grande barato de um trio elétrico é o fato dele ter rodas e acho que o que leva alguém a sair em um bloco é poder comprovar que atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu. Um trio parado vira uma coisa sem a menor graça.

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