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Dirigentes da Ufsb e IF Baiano assinam termo de cooperação técnica

A Universidade Federal do Sul da Bahia (Ufsb) e o Instituto Federal Científico e Tecnológico Baiano (IF Baiano) formalizaram, nesta quinta-feira (30), um termo de cooperação técnica para o compartilhamento da estrutura do Centro Tecnologia Alimentos do instituto federal.  O acordo  permitirá o compartilhamento de recursos e espaços

A parceria possibilitará o compartilhamento da estrutura laboratorial do IF Baiano, transferência recursos financeiros da Ufsb e emprego compartilhado dos recursos humanos das duas instituições. Os representantes instituto e da universidade explicam que isso vai abrir caminho para projetos e programas ensino, pesquisa e extensão.

A nova iniciativa visa aproveitar o espaço do Centro de Tecnologia de Alimentos do Campus Uruçuca do IF Baiano. O CTA possui quatro salas de aula; cinco laboratórios analíticos (microbiologia, bioprocessos, química, análise sensorial e análise de alimentos); uma sala de reuniões; quatro gabinetes para professores; quatro depósitos para insumos; depósito para produtos acabados, banheiros e vestiários; cinco laboratórios para

O processamento de alimentos -leite e derivados,  carne e pescados,  vegetais, panificação e tubérculos e cacau e chocolate-; uma área convivência e uma área de utilidades industriais (vapor, ar comprimido, água gelada).

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Joana Guimarães e Fabiana Peixoto disputam reitoria
Joana Guimarães e Fabiana Peixoto disputam reitoria

O clima na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) esquentou ainda mais, nos últimos dias. Na segunda e terça (6 e 7), a comunidade escolhe a nova reitora da unidade de ensino superior pela primeira vez em sua história.

A votação ocorre nos três campi – Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas. Na disputa, uma curiosidade: duas mulheres encabeçam chapas que têm homens como vices. Fundada em 2013, a UFSB teve reitor e vice-reitor pro tempore.

São candidatas Joana Guimarães, que ascendeu ao cargo de reitora em exercício depois de o professor Naomar Almeida renunciar ao posto de reitor pro tempore há pouco mais de um mês, e a professora Fabiana de Lima Peixoto.

“PÉ NO CHÃO”

Joana participa do processo de construção da universidade desde 2013, quando foi escolhida vice-reitora pro tempore. A ela, o ex-reitor atribui parte da trama que o levou à renúncia. Joana é a cabeça da chapa “Pé no Chão”, que tem o professor Francisco José Gomes Mesquita como candidato a vice-reitor.

“Nossa proposta alicerça-se no que poderíamos denominar de reconstrução “pé no chão” da UFSB. Quem entende de reconstrução, sabe que se deve manter em pé o que é sólido, o que sustenta a estrutura, fortalecendo o que pode colocá-la em risco”, frisa Joana em documento no qual expõe compromissos para o mandato.

“DIVERSIDADE E DIÁLOGO”

Do outro lado da contenda, está Fabiana de Lima Peixoto, professora adjunta da UFSB, campus Jorge Amado (Itabuna), e assessora da reitoria para assuntos do Complexos Integrados de Educação (CIE). Fabiana defende em sua proposta uma universidade federal “pública, de qualidade, popular e plural”. A Chapa “Diversidade, Diálogo e Bem Viver pela UFSB” tem como candidato a vice-reitor Robson da Silva Magalhães.

– A despeito das dificuldades do processo de implantação, nosso Projeto anisiano inspira a paisagem educacional no país e no mundo, o que amplia nossa responsabilidade de aprofundá-lo e defendê-lo. Nosso desafio é a construção coletiva de uma Universidade, a um só tempo, popular e de excelência no sul da Bahia, consolidando o que já foi implementado, mas também fazendo avançar em novas direções – aponta em documento.
Comunidade da UFSB vai às urnas para ajudar a escolher nova reitora
Comunidade da UFSB vai às urnas para ajudar a escolher nova reitora

LISTA

O resultado da votação e a lista com os nomes dos candidatos a reitores serão encaminhados para o Ministério da Educação. A nova reitora da UFSB deverá ser conhecida até o final de novembro. A escolha fica a critério do Governo Temer.
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MEC autoriza novas vagas para as universidades federais
MEC autoriza novas vagas para as universidades federais|| Foto divulgação

Os ministérios da Educação e do Planejamento e Gestão publicaram Portaria Interministerial 316, na edição de quinta-feira (19) do Diário Oficial da União, autorizando a criação de 1,9 mil vagas para cargos nas universidades federais em todo o país, no próximo ano. Do total, 1,2 mil serão destinadas para professores e as outras 700 para servidores técnico-administrativos.

De acordo com a portaria, entre as instituições contempladas com as novas vagas estão a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade do Recôncavo Baiano (UFRB) e Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB).  Não foi divulgado o número de vagas para cada instituição de ensino superior.

O MEC informou que terão prioridade no preenchimento de vagas quatro universidades fundadas mais recentemente, em 2013, além de projetos de expansão de cursos de medicina, ampliações de campus e regularização de déficit de técnico-administrativos decorrentes de decisões judiciais.  Entram na lista de fundadas em 2013 a UFSB e UFRB.

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Campus Jorge Amado já está com obras adiantadas
Campus Jorge Amado está com obras adiantadas

Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) publicou edital RDC (Regime Diferenciado de Contratações) 003/2017 para ampliar a infraestrutura própria no extremo sul do estado. A instituição vai contratar serviços técnicos especializados de engenharia e arquitetura para elaboração de projetos básicos e executivos e execução das obras dos núcleos pedagógicos nos campi Sosígenes Costa, em Porto Seguro, e Paulo Freire, em Teixeira de Freitas

A sessão pública está marcada para o dia 6 de novembro, às 9 horas, e ocorrerá no ambiente eletrônico do sistema Comprasnet (www.comprasnet.com.br). Nessa modalidade de contratação os projetos básico e executivo são responsabilidade da empresa contratada, o que reduz a chance de falhas nesses projetos e, por consequência, um dos principais fatores de atrasos e paralisações de obras na Administração Pública.

Para credenciamento da empresa como licitante nesse RDC, a empresa deve ter registro cadastral atualizado junto ao Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (SICAF). Esse registro é provido por meio do site do Comprasnet. Além disso, o edital estipula a documentação a ser apresentada para a participação no certame.

O edital RDC , o anteprojeto e os anexos podem ser acessados no site da UFSB, na página de Editais Propa. O documento foi elaborado pela equipe técnica da Diretoria de Infraestrutura da Pró-Reitoria de Planejamento e Administração (Dinfra/Propa) da universidade. Já as obras do bloco pedagógico do Campus Jorge Amado (Itabuna/Ilhéus) estão aceleradas.

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

 

 

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica.

 

 

Vivemos na, já conhecida, época da pós-verdade. Momento contemporâneo onde “verdades” são reconstruídas com base em diferentes percepções ideológicas e diferentes interesses envolvidos. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) se viu envolvida numa densa narrativa de “golpe” a partir da carta de exoneração lida pelo seu ex-reitor Naomar Almeida onde ele renuncia ao exercício da função e solicita sua exoneração ao Ministro da Educação.

Quase que imediatamente, surgiram notas em sites e blogs de todo o Brasil, sempre seguidos por lamentos distorcidos a respeito do tal “golpe” em curso no sul da Bahia. Muitos lamentando o “conservadorismo” dos “golpistas” ou mesmo o dano que os “golpistas” farão na instituição. O que poucos pararam pra pensar antes de reproduzir tais lamentos: que golpe é esse? Quem são os golpistas?

A UFSB vem dando trâmite aos seus processos eleitorais há cerca de um ano. Com uma gestão pro tempore, a segurança jurídica é um tanto quanto reduzida. A gestão pode, legalmente, ser substituída a qualquer tempo pelo Ministro da Educação. Diante disso, a comunidade acadêmica mobilizou esforços no sentido de reforçar a legalidade com o estabelecimento de uma representação eleita por sua comunidade. E assim foi feito, no primeiro semestre desse ano com a eleição de decanos para os Centros de Formação e os Institutos de Humanidades, Artes e Ciências.

O passo seguinte era a reitoria, com votação já agendada e aprovada pelo Conselho Superior da UFSB para o mês de novembro. Numa decisão unilateral e própria, o reitor Naomar na reunião do Conselho realizada na sexta-feira (29) comunicou através de uma videoconferência transmitida de Salvador que entregara seu cargo ao Ministério por meio de uma carta enviada há 9 dias e mantida em sigilo da comunidade por esse tempo.

Nesta carta, surgiram acusações genéricas de “ilegalidades” e de “corrupção” por parte de “membros da gestão” e consequente “golpe”, palavra que, no meu entendimento, acaba sendo utilizada de forma infeliz diante, principalmente, da conotação e simbolismo envolvido na aplicação desta nos últimos anos de nosso país. Leituras tortas, muitas agressivas, surgiram em diversos setores da academia, política e sociedade local e nacional.

O clima criado foi de extrema instabilidade, comprometendo grandemente a segurança e autonomia da instituição, uma vez que tal pós-verdade, repercutindo, pode levar ao pior dos cenários: uma intervenção do Ministério, com a nomeação de uma pessoa distante da realidade institucional e regional, comprometendo, inclusive, o desenvolvimento do projeto da Universidade.

Eventuais denúncias, reverberadas por apoiadores do ex-reitor em redes sociais, que sejam apresentadas através dos meios legais, apuradas e se constatada concretude dos fatos, os responsáveis punidos. Contudo é abjeto pensar no uso de subterfúgios discursivos para obstruir o processo democrático institucional.

Não há golpe na UFSB. Há sim, a construção de um processo democrático de escolha de dirigentes, buscado com legalidade e ampla discussão da comunidade acadêmica. O desejo que move parte significativa da comunidade acadêmica é único: que esse processo democrático se consolide. Que aconteçam eleições na UFSB.

Felipe de Paula é professor da UFSB, campus de Itabuna.

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Vice-reitora assume comando da UFSB com saída de Naomar
Joana assume UFSB após a saída de Naomar

Reitora em exercício da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a professora Joana Guimarães emitiu comunicado oficial no qual informa que “as atividades permanecem normalmente na instituição” após a saída do reitor Naomar Almeida do cargo.

A exoneração, a pedido, foi tornada pública na última sexta (29), como noticiou o PIMENTA. Naomar já havia encaminhado carta de exoneração ao ministro da Educação, Mendonça Filho, dias antes da reunião do Conselho Universitário (Consuni) da UFSB.

Durante reunião do Consuni, na última sexta (29), Naomar citou planejamento para que a UFSB não sofresse descontinuidade com troca no comando da instituição. Ele também tornou pública uma carta na qual enumera as razões para deixar o cargo (confira em post abaixo).

Abaixo, confira o comunicado da reitora em exercício.

À comunidade da UFSB

Na última reunião extraordinária do Conselho Universitário – CONSUNI, ocorrida em 29 de setembro de 2017, fomos informados sobre o pedido de exoneração do Reitor da nossa universidade. Diante desse fato, na condição de vice-reitora no exercício do cargo de reitora, comunico a todos e todas que as atividades permanecem normalmente na instituição. Todas as decisões tomadas pelo Conselho Universitário serão devidamente encaminhadas e aquelas que ainda não foram deliberadas serão objeto de discussão nas próximas reuniões. Entre as ações urgentes destacam-se;

1) Encaminhamento do processo de colação de grau dos formandos 2017.2

2) Encaminhamento do processo de migração para o segundo ciclo

3) Encaminhamento do cronograma de escolha de dirigentes cuja resolução foi aprovada no último dia 18 de setembro, processo esse iniciado em 2016.

É importante salientar que todos os esses encaminhamentos tem como base o princípio da legalidade e legitimidade, o primeiro seguindo o que tem sido feito até aqui, onde o CONSUNI, como instância deliberativa máxima da instituição, tem legislado sobre todas as questões acadêmicas e administrativas, através de resoluções que tem regulado uma série de ações da instituição a exemplo da criação de cursos de primeiro, segundo e terceiro ciclo, estabelecimento de Políticas de Ações Afirmativas, Políticas de Sustentabilidade, só para citar algumas. O segundo a partir da constituição de um Conselho onde a ampla maioria dos seus membros foram eleitos por seus pares, seguindo a legislação vigente, passando pelo crivo da comunidade. Continuaremos a trabalhar com a inclusão através da ampliação e aprimoramento dos Colégios Universitários, da política de cotas, que deve ser ampliada e aprimorada. Por fim continuamos a seguir o caminho da universidade inclusiva e inovadora sem mudanças significativas que não passem por uma ampla discussão com a comunidade.

Itabuna, 02 de Outubro de 2017

Joana Angélica Guimarães da Luz 
Vice-Reitora no exercício do cargo de Reitora

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Naomar Almeida pede exoneração do cargo e reclama de golpes internos
Naomar Almeida pede exoneração do cargo e reclama de golpes internos

O reitor pro tempore da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Naomar Almeida, pediu exoneração do cargo. Carta foi encaminhada ao ministro da Educação, Mendonça Filho. Segundo Naomar afirmou durante reunião do Conselho Universitário (Consuni), a decisão se dá em caráter irrevogável.

O reitor reclamou de golpes internos. Disse ele que um grupo tentou diminuir o feito até agora, sem ter grandeza do que significa o Projeto UFSB, segundo fontes do PIMENTA.

Preocupado com os destinos da UFSB, Naomar disse que não coloca sua decisão em discussão e já definiu um pacto de governabilidade para que a universidade não sofra solução de continuidade.

SEM RANCOR

A decisão, afirmou, é tomada sem rancor ou ressentimentos. Ele se compromete a continuar colaborando pela consolidação da UFSB. As questões internas da universidade não foram expostas na missiva ao ministro da Educação.

A UFSB deverá escolher novo reitor até o final deste ano. O prazo de apresentação de chapas é 8 de novembro. Até aqui, apenas o nome de Joana Guimarães é ventilado. A votação está prevista para dezembro.

RETORNO AO CARGO

Grupos de estudantes e professores decidiram, ao final da reunião do Consuni, criar movimento pela continuidade de Naomar. Como o pedido de exoneração do cargo é irrevogável, o grupo afirmou que trabalhará para que o professor, também ex-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), dispute a eleição, retornando ao cargo.

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UFSB receberá R$ 2,2 milhões.
UFSB receberá R$ 2,2 milhões para despesas até o final do ano

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob) e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) estão entre as instituições públicas federais de ensino contempladas com recursos que o governo tinha segurado como forma de reduzir o rombo nas contas públicas.

De acordo com o Ministério da Educação, as quatro universidades receberão mais de R$ 31,4 milhões. Desse total, somente  R$ 2,212 milhões serão repassados para UFSB, sendo R$ 867.356 a título de liberação financeira e R$ 1.345.426 orçamentária. A Ufob receberá um pouco mais de 3,780 milhões, dos quais R$ 2.116.431 referentes à liberação financeira.

A Universidade do Federal do Recôncavo da Bahia foi contemplada com quase R$ 5,7 milhões a título de liberação financeira  (R$ 3.130.609) e orçamentário (R$ 2.595.921).  A UFBA foi a instituição na Bahia contemplada com maior valor que será repassado pelo MEC. A universidade receberá R$ 8.693.205 de liberação orçamentária e R$ 11.052.912 de liberação financeira.

O MEC anunciou a liberação de cerca de R$ 1 bilhão para amenizar a crise nas universidades e institutos federais de educação no país. As instituições federais foram afetadas com o contingenciamento, no início do ano, de R$ 3,6 bilhões de despesas diretas do MEC, o que vem causando enormes dificuldades nas universidades e institutos de educação.

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…E, PARA TANTO, FOI PRECISO QUE OS ESTUDANTES CHUTASSEM A PORTA DO PALÁCIO

sandro ferreiraSandro Ferreira | sandrosf@gmail.com

Era preciso radicalizar ainda mais o caráter inclusivo da UFSB para aqueles que aqui já estavam – em sua ampla maioria cotistas – e para aqueles que aqui ainda não estavam, por conta das próprias limitações da lei, como quilombolas, indígenas aldeados e populações transgêneros.

 

Nenhum intelectual sério, nenhum pesquisador dedicado, nega o papel fundamental das Ações Afirmativas na transformação simbólica da universidade brasileira. Mas ainda temos a difícil tarefa de reconhecer o potencial (e fazer valer) deste processo, ainda em curso, para uma transformação epistemológica do nosso principal espaço de produção de conhecimento: a UNIVERSIDADE PÚBLICA.

O último ciclo de expansão do ensino superior brasileiro, entre 2012 e 2014, produziu quatro novas universidades públicas, todas no eixo histórico da exclusão política e educacional, no Norte-Nordeste. As escolhas das regiões, onde cada uma das quatro novas universidades se instalaria, guardavam consigo enorme simbolismo e potencial transformador da própria concepção de universidade.

A região do Cariri, no Ceará, com o simbolismo político e religioso de Juazeiro do Norte; a região do sul e sudeste do Pará, com a luta pela resistência ecológica dos povos de Marabá e região; a região do oeste baiano, marcado por um desenvolvimento predatório e excludente do agronegócio do entorno de Barreiras; e a região do sul da Bahia, com toda sua beleza cultural articulada a toda a sua sabedoria ancestral, fruto dos povos indígenas e quilombolas que ainda resistem entre Itabuna e Teixeira de Freitas.

Neste sentido, é preciso esperar mais das universidades, mais do que apenas a oferta de vagas e a reprodução dos modelos clássicos de ensino universitário direcionado para os setores sociais que só pensam suas vidas e trajetórias por meio do saber moderno acadêmico.

A UFSB em sua construção inicial se propôs esta tarefa. Reuniu colaborações diversas vindas dos quatro cantos do Brasil, com experiências ímpares e interessadas em construir uma universidade inclusiva e democrática, mas, sobretudo, crítica dos saberes constituídos na universidade moderna. Mas, nesta crítica, deveria caber o novo, resultante da articulação do acúmulo teórico-epistemológico da universidade moderna com os saberes pluriepistêmicos ofertados na região por meio de suas comunidades tradicionais. Alguns percalços no caminho nos fizeram desviar um pouco desta potencialidade. Precisamos radicalizar a democracia interna para reascender esta tarefa.

Em outro campo, não menos importante, a UFSB produziu ainda em 2013 uma adesão ampla aos mecanismos recém-consolidados de inclusão e ação afirmativa: o ENEM, o SISU e a Lei de Cotas. Sobre esta última, a opção por aplicar integralmente a lei (que só previa a obrigatoriedade da aplicação integral em 2016) já no primeiro processo seletivo, foi efetivada por meio da ampliação simbólica da reserva de 50% para 55%, acompanhado da criação dos Colégios Universitários, enquanto mecanismo de aproximação com os egressos de escola pública (refletido na cota específica de 85%).Desde então, pouco avançamos em nossa adesão à Lei de Cotas. Demoramos, e eu diria, até resistimos ao imperativo legal da aplicação da Lei 12.711/2012 também na transição do primeiro ao segundo ciclo da graduação.

Talvez influenciados por uma leitura romântica e antissociológica da formação geral e da formação interdisciplinar do primeiro ciclo – que teria o potencial de equalizar desigualdades de oportunidades educacionais que reconhecíamos existir na passagem do ensino médio para a universidade – acabamos induzidos a esta demora excessiva para discutir tal questão.

Há que se dizer que esta vacilação foi encontrada também na UFBA, que só passou a aplicar a lei de cotas na passagem ao segundo ciclo agora em 2017, e em outras universidades baianas que também têm regime de ciclos (de modo complementar), como a UFOB e a UNILAB.

Mas, na UFSB, o incômodo quanto à possibilidade de termos uma representação étnico-racial no segundo ciclo – especialmente em áreas simbolicamente tão importantes na reprodução de status quo como a Medicina -, bem distinta daquela que efetivamos no primeiro ciclo com a Lei de Cotas, chamou a atenção de uma parte dos professores e gestores, bem pequena, diga-se de passagem. Eu mesmo, que passei os últimos dois anos estudando e militando por esta causa, fui instado a esta reflexão pela professora Joana Angélica, vice-reitora, que, após um conjunto de reuniões com os estudantes, me solicitou a produção de um estudo sobre o perfil provável dos ocupantes das vagas na Medicina sem a aplicação da Lei de Cotas. Pouco ou nenhum efeito teve este estudo.

Reunião do Conselho Universitário em que foi aprovado percentual de cotas para o segundo ciclo ||Foto Saulo Carneiro
Reunião do Conselho Universitário em que foi aprovado percentual de cotas para o segundo ciclo ||Foto Saulo Carneiro

Os estudantes, empoderados justamente pelo ideal de inclusão proposto em nossos documentos oficiais, resolveram comprar esta briga. E em junho de 2016 iniciaram a qualificação do debate por meio de um grupo de discussão no Facebook, chamado Cotando UFSB. E, aqui, cabe o registro histórico, para a devida localização daqueles sujeitos responsáveis por um conquista que, no futuro, terá papel fundamental na transformação social e política do sul-baiano.

Nomes como Letícia Lacerda, Emerson Mendes, Kaline Goncalves, Jorge Miguel, Vicente Izidro e Saulo Carneiro, dentre muitos outros, precisam ser lembrados por mim – enquanto pesquisador do tema – enquanto sujeitos destacados deste processo. Com estes, tive a oportunidade de discutir diversas vezes, muitas madrugadas inclusive, cada aspecto legal, cada demanda específica e cada estratégia política diante da tarefa de garantir o óbvio: a aplicação do que determinava a Lei de Cotas em seu Artigo 1o.

As instituições federais de educação superior vinculadas ao Ministério da Educação reservarão, em cada concurso seletivo para ingresso nos cursos de graduação, por curso e turno, no mínimo 50% (cinquenta por cento) de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas. (grifo nosso)

Mas se para mim já era um grande feito garantir os 55%, já aplicados no primeiro ciclo, na passagem aos cursos do segundo ciclo, para estes estudantes isso era pouco. Era preciso radicalizar ainda mais o caráter inclusivo da UFSB para aqueles que aqui já estavam – em sua ampla maioria cotistas – e para aqueles que aqui ainda não estavam, por conta das próprias limitações da lei, como quilombolas, indígenas aldeados e populações transgêneros.

E, nesta direção, demostrando uma coragem ímpar, insistiram na proposição de 75% de reserva para egressos de escola pública, apoiados nos dados da composição atual dos estudantes da UFSB; apoiados no fato de termos muitos estudantes ingressos através da ABI com sua cota de 85%; e apoiados nos dados dos egressos de escola pública e da população preta, parda e indígena da região sul da Bahia.

E, no histórico dia 1º de setembro de 2017, foi aprovado o novo sistema de reserva de vagas da UFSB, com 75% para egressos de Escola Pública e adoção de vagas supranumerárias para outros segmentos que não são especificamente citados pela lei.

Cabe também o destaque acerca da sensibilidade demostrada pela maioria do Consuni sobre a necessidade de um programa de transição, que considere o direito dos estudantes já ingressos na UFSB pela ampla concorrência de alcançarem o seu lugar no segundo ciclo, a partir de parâmetros condizentes com aqueles previstos na sua entrada. É preciso como passo urgente, formalizar e organizar estas normativas internas, sob pena de aumentarmos as condições de angústia e adoecimento em curso por conta da demora institucional em organizar este processo.

Agora, cabe aos gestores, aos estudantes e aos demais interessados no tema a tarefa de consolidar esta conquista e qualificar os mecanismos de seleção e subdivisões internas, garantindo ao máximo os resultados desejados com o novo sistema de cotas da UFSB.

Vida longa ao desejo de fazer desta universidade um instrumento real de transformação social, uma coisa pública que ajude a superar o histórico de desigualdades do sul da Bahia, sobretudo sobre a sua população majoritariamente negra e indígena.

Vida longa aos estudantes que lideraram esta batalha. Que estes nomes sejam lembrados, como sujeitos históricos em luta, nos livros que virão a contar os caminhos desta conquista.

Sandro Ferreira é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

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Inscrição se encerra na segunda-feira.
Inscrição se encerra na segunda-feira|| Foto Gabriel Oliveira

Encerra-se na próxima segunda-feira (28) o prazo para inscrições no processo seletivo para o preenchimento de vagas de professor substituto nos campi de Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). São oferecidas vagas para as áreas de conhecimento de Inglês, Matemática e Computação, Libras, Língua Portuguesa, Português/Francês, Ciências Sociais e História.

A inscrição custa R$ 100 e pode ser feita pela internet, no endereço www.ufsb.edu.br. O prazo para o pedido de isenção da taxa de inscrição se encerrou no dia 18. A remuneração pode chegar a R$ 6.200, a depender da titulação do candidato.  O processo seletivo está previsto para o dia 14 de setembro, em etapa única, que terá dois momentos: 1) Prova Didática, de caráter eliminatório e classificatório; 2) Prova de Títulos, de caráter classificatório.

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Naomar Almeida assina a nota em solidariedade à UFRB.
Naomar Almeida assina a nota em solidariedade à UFRB.

O Conselho Universitário da UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia) criticou decisão da Justiça, em Salvador, que proibiu a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) de conceder título de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Lula. A honraria seria entregue na última sexta (18) pela reitoria da UFRB, em Cruz das Almas. A universidade do recôncavo decisão por prestar outro tipo de homenagem ao ex-mandatário da brasileiro.

Tornada pública nesta manhã de terça (22), a nota assinada pelo reitor da universidade sul-baiana, Naomar Almeida, considera que a Justiça Federal cometeu “desrespeito à autonomia universitária, assegurada pelo artigo 207 da Constituição Brasileira”. A justiça atendeu ao pedido de um vereador do DEM de Salvador ao conceder liminar barrando a concessão do título a Lula, fundador da UFRB, em 2006.

Ainda em nota, o conselho da universidade sul-baiana observa que o ato do juiz federal Evandro Reimão é “afronta a todas as universidades e à própria instituição da universidade no nosso país”. E ensina, em solidariedade à irmã do recôncavo baiano, que “A autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial se desdobra em ações como a das titulações honoríficas, explicitamente asseguradas pela Lei 9.394/1996, no seu artigo 53, inciso VI, quando diz que compete às universidades conferir graus, diplomas e outros títulos.”

Clicando no “leia mais”, confira a nota da UFSB na íntegra.Leia Mais

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UFSB anuncia novo concurso público para professor || Foto Pimenta
UFSB anuncia novo concurso público para professor || Foto Pimenta

Menos de uma semana após anunciar processo seletivo para contratação temporária de professor substituto, a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) informou que está concluindo edital de concurso público com 57 vagas para docentes efetivos.

A previsão é de que o edital seja publicado na próxima terça (22).

As vagas do certame, conforme a reitoria da UFSB, serão distribuídas entre os três campi da universidade em Itabuna, Porto Seguro e Teixeira de Freitas.

Das vagas que devem ser oferecidas, 18 são para professores com carga horária semanal de 40 horas e dedicação exclusiva. As outras 39 são vagas para professores com carga horária semanal de 20 horas.

As vagas estão destinadas a professores de áreas da Medicina, Direito, Engenharias, Artes e Ciências, dentre outras. O edital será publicado no Diário Oficial da União (DOU) e no site da UFSB.

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Joana Angélica é questionada por parentesco com candidatos.
Joana é questionada por parentesco com candidatos.

A vice-reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Joana Angélica Guimarães, está na mira de parte dos docentes da instituição. Por causa das férias de Naomar Monteiro, Joana assumiu a reitoria da UFSB justamente no período em que ocorrem consultas para definir os novos decanos e vices nos campi.

A queixa dos opositores: sem licenciar-se do cargo, Joana terá o esposo e um irmão concorrendo, respectivamente, nos campi de Itabuna e Teixeira de Freitas. Pela Chapa Efetivação, Marcio Augusto Vicente de Carvalho concorre em uma das chapas no campus Jorge Amado, de Itabuna. É o esposo de Joana.

Professores interpretam que o parentesco de Marcio Augusto com a vice-reitora – hoje reitora em exercício – pode favorecê-lo. “Na condição de vice-reitora e reitora em exercício, ela detém informações privilegiadas sobre a administração e atividades de todas as unidades acadêmicas e instâncias da UFSB. Por força da relação, seu esposo terá vantagens desproporcionais, já que são casados”.

Há quem peça a “impugnação imediata” das chapas que possuem membros com parentesco com a reitora em exercício. Embora trate-se de processo eleitoral, citam o artigo 9º do Código de Ética dos Servidores da UFSB, que proíbe a participação de parentes em decisões relacionadas à seleção, contratação, promoção ou rescisão de contrato de parentes consanguíneos ou afins, até o terceiro grau.

OUTRO LADO

O site não conseguiu contato com a reitora em exercício. Já Marcio Carvalho, preferiu não se posicionar. O professor lembrou que há uma comissão eleitoral e ela poderá se posicionar em relação ao questionamento dos opositores. Atualizado às 11h46.

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Evento será neste sábado (27), no campus itabunense da UFSB.
Evento será neste sábado (27), no campus itabunense da UFSB.

Rodas de conversa, improvisação freestyle, grafitti e apresentações autorais farão parte do evento “Ocupação Hip Hop”, marcado para este sábado (27), das 15 às 19 horas, no Campus Jorge Amado da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Ferradas, Itabuna.

As atividades são uma iniciativa da turma do Componente Curricular “Fruições estéticas para além dos Centros”, ministrada pelo professor Rafael Guimarães. “Além de falarmos sobre as comunidades periféricas e suas potências artísticas, efetivamente nos encontraremos com estas poéticas”, disse o professor.

O “Ocupa Hip Hop” vai reunir artistas do gênero das cidades de Itabuna, Ilhéus, Una e Itajuípe, com o objetivo de divulgar a cultura do Litoral Sul da Bahia. A ideia para a iniciativa surgiu a partir das discussões em sala de aula sobre as estéticas das periferias.

Para a realização da atividade, a UFSB cedeu o espaço e a OAB/Itabuna garantiu o auxílio para o transporte. O evento, que vem sendo organizado de forma colaborativa, será aberto ao público. Por isso, os interessados em acompanhar o “Ocupa Hip Hop” podem ajudar com tintas spray e alimentação para ser compartilhada entre os participantes.

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UFSB oferece 280 vagas para Licenciaturas (Foto Gabriel Oliveira).
UFSB oferece 280 vagas para Licenciaturas (Foto Gabriel Oliveira).

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) abriu processo seletivo para preencher 280 vagas em Licenciaturas Interdisciplinares (área básica de ingresso). O alunos deve ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 ou 2016 para concorrer às vagas em colégios universitários (CUNI) da instituição.

Metade das vagas será para o campus Jorge Amado, em Itabuna. As aulas serão ministradas nos colégios universitários de Itabuna, Ilhéus, Ibicaraí e Coaraci (35 vagas por localidade).

Os campi de Porto Seguro e Teixeira de Freitas terão 70 unidades cada um (veja edital).

As inscrições começam nesta quinta (18) e o prazo encerra-se no dia 23 de maio. De acordo com o edital, a seleção será dividida em duas modalidades de concorrência – vagas reservadas a estudantes oriundos de escolas públicas e as de ampla concorrência.

A inscrição deverá ser feita pelo site http://selecao.ufsb.edu.br/abi/.

Quem for aprovado na seleção, terá de comprovar a conclusão do Ensino Médio no momento da matrícula na UFSB, programada para o período de 7 a 9 de junho, das 14h às 21h.

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