Tempo de leitura: < 1 minuto

Na próxima segunda-feira (5), as secretarias da Educação (SME) e da Saúde (SMS) darão início à Campanha Nacional de Combate à Verminose nas escolas da rede municipal de Itabuna. O público-alvo  da campanha é formado por alunos de 5 a 14 anos de idade matriculados no ensino fundamental.

Profissionais vão esclarecer sobre sintomas e formas de proteção contra as doenças causadas por vermes, com diagnóstico e tratamento. As equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) situadas no entorno estarão nas escolas para ministrar a medicação, que consta de comprimido com dose única.

A fim de evitar aglomerações, a campanha seguirá o cronograma de entrega das atividades escolares impressas e o atendimento aos estudantes será dividido por grupos, sendo que o primeiro, na próxima segunda, alcançará aproximadamente 8 mil alunos, do 1º ao 8º anos do Ensino Fundamental.

Estima-se que até o dia 14 de dezembro, data de encerramento da campanha, cerca de 14 mil estudantes da Rede Municipal de Ensino recebam a medicação. “A ideia é intensificar os cuidados e preservação da saúde dos alunos das escolas públicas do município, que em sua maioria, vivem em situação de vulnerabilidade social e elevado risco de adoecimento, ainda que não estejam com aulas presenciais, devido à pandemia causada pela Covid-19”, afirma a secretária de Educação, Nilmecy Gonçalves.

CUIDADOS

Os pais e responsáveis, ao levarem os estudantes às escolas para receberem a medicação, precisam observar os protocolos de proteção contra a covid-19: crianças e adultos usando máscaras, distanciamento mínimo de um metro e meio entre as pessoas, lavar as mãos e usar o álcool em gel. A SME recomenda ainda que os pais entrem em contato com os gestores escolares, para que horários e grupos específicos sejam informados a fim de evitar aglomeração.

Tempo de leitura: 2 minutos

Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com
 

A mortalidade diminuiu e a qualidade de vida subiu vertiginosamente depois que a maior parte da população adotou medidas simples como lavar as mãos.

 
Eu já estava desconfiada. Quando peguei o resultado do exame, minha suspeita foi confirmada e fez com que meu mundo desabasse. Acreditava estar tomando as precauções necessárias para evitar aquilo, porém, o que estava escrito no papel do laboratório contrariou minha certeza. Eu carregava dentro de mim algo extremamente indesejado, que me causava nojo intenso. Minha vontade foi correr até a primeira farmácia para eliminar de vez a razão de meu desespero. E foi isso que fiz. Chegando ao balcão, o meu pedido foi incisivo:
– Qual é o remédio mais potente contra lombriga e ameba que vocês têm?
O balconista da farmácia não entendia por que eu estava tão agoniada para eliminar os meus “hóspedes” nada queridos. Deve ter achado uma grande frescura da minha parte. Pegou uma caixa e disse que a droga seria tiro e queda contra os bichos.
Em casa, fui desabafar com minha mãe. Afinal, lombriga e ameba se pega através da ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes.
– Mãe, se eu peguei esses troços, quer dizer que, indiretamente, eu comi cocô. E cocô de sabe lá quem! – como se conhecer a fonte dos dejetos fosse mudar alguma coisa.
– Filha, ter verme é normal. Todo mundo tem! – respondeu-me com desdém.
– Todo mundo tem uma pinoia! Eu não sou depósito de parasita! Estou me sentindo violada, invadida, parece que carrego um alien! Verminose não é como uma espinha, que todo mundo está sujeito a ter. Verme vem da falta de higiene. Sujeira é sinônimo de atraso de vida!
Minha mãe fez um bico, sacudiu os ombros e virou a cara como sinal claro de que estava considerando o meu discurso sanitarista uma grande baboseira. De certa forma, entendi um pouco o que Oswaldo Cruz deve ter sentido no início do século passado. Tudo bem, posso até ter exagerado na cena, porém penso que não deixo de ter razão. Afinal, a humanidade conseguiu se desenvolver mais rápido após a conscientização da necessidade de medidas higiênicas. Limpeza é um bem da modernidade e, através dela, inúmeras doenças puderam ser controladas ou erradicadas. A mortalidade diminuiu e a qualidade de vida subiu vertiginosamente depois que a maior parte da população adotou medidas simples como lavar as mãos antes de ter contato com alimentos, tomar banho diariamente, escovar os dentes, tratar a água, criar rede de esgotos, não acumular lixo, e por aí vai.
O engraçado é que, ultimamente, estão surgindo diversos produtos que garantem proteger você e sua família dos malévolos micro-organismos. Sabonetes bactericidas, álcool em gel, desinfetantes poderosos que fazem os germes gritarem de terror nos comerciais. Mas, paralelamente a isso, fico assombrada como, em pleno século XXI, a era da informação, existe ainda muita gente que encara como normais doenças provocadas pela sujeira. Morre-se de dengue porque cidadãos e cidadãs jogam lixo ao léu e, por mais campanhas educativas que o poder público faça, recusam-se a cumprir a parte que lhes cabe.
Toda essa ignorância acaba resultando em morte. Um sistema medieval coexistindo com a pós-modernidade.
Karoline Vital é comunicóloga.