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MÁRTIR CRUCIFICADO NOS POSTES DA META

SUBIDA METEÓRICA E QUEDA RETUMBANTE
Goleiros… não é só boa linguagem (expressa com simplicidade, clareza e correção – mantida à distância de esnobismos vocabulares), mas muito divertido e informativo, como resultado de uma pesquisa que cobre todos os ângulos possíveis dessa tantas vezes desdenhada posição no jogo de futebol: estrelas de alta grandeza, fracassados retumbantes, jornadas gloriosas, subidas meteóricas, quedas penosas – está tudo lá, retratado em 280 páginas recheadas de surpresas a cada capítulo. Mas o livro omite uma informação evidente, que está à vista de qualquer torcedor mais informado, e que é uma espécie de conquista extra da torcida do Flamengo.FENÔMENO QUE COMEÇOU EM MOSSORÓ
Era a tarde de 17 de fevereiro de 1963, quando jogavam Potiguá e Baraúnas, em Mossoró/RN. O goleiro Xavier Oliveira, do Baraúnas, deu um chutão pra frente, a bola atravessou o campo (por certo não era muito grande) e chegou à grande área do adversário. Indeciso entre segurar logo a bola ou deixar que ela batesse no chão, o goleiro Dedeca, do Potiguá, escolheu a segunda alternativa: a pelota quicou e o encobriu. Foi, segundo Paulo Guilherme, o primeiro gol de goleiro registrado pela história. O grande Manga (ex-Botafogo e Internacional/RS, na capa do livro) fez um belo gol contra o Racing, quando jogava no Nacional de Montevidéu. E o rubro-negro com isso? Veja a seguir.UM ERRO QUE JAMAIS SERÁ ESQUECIDO
O Flamengo de 1970 tinha Onça, Zanata, Ney e o lendário Fio Maravilha. Sem o brilhantismo da década seguinte, com Zico, Júnior, Leandro e Andrade – mas um time esforçado. Em 19 de setembro, no estádio Luso-Brasileiro/RJ, veio o inusitado. O goleiro Ubirajara cobrou um tiro de meta, lançando a bola em procura do atacante Ney, o vento estava a favor, a bola foi indo, foi indo, foi indo… e só parou no fundo das redes do Madureira. Ubirajara (da Silva Alcântara) entrou para a história como o primeiro goleiro a marcar um gol para o clube. Esta é a passagem que o livro omite. O ótimo Paulo Guilherme, mesmo que viva cem vidas, jamais será perdoado pela isenta torcida rubro-negra. Tomou um frango.CORTAR GASTOS, POR CONTA DO DUODÉCIMO
Em nota enviada à mídia (em 28 de setembro) a Câmara de Vereadores de Itabuna informa que “passou por muitas adequações a partir da redução do duodécimo” e, “por conta disso”, teve de tomar algumas decisões etc.etc. Bem que eu, sonhador incorrigível, me sentiria feliz com atitudes que reduzissem as despesas públicas em todos os níveis, inclusa a Câmara. Mas não é este, infelizmente, o motivo de nossa atenção ao texto. A preocupação é o “por conta de” – praga das mais recentes que grassam no (pseudo) jornalismo. A expressão pertence ao grupo das novidades inúteis e incomodativas.
INVESTIGAÇÃO POR CONTA DAS SUSPEITAS
Empregam “por conta de”, onde se deveria usar “por causa de”, uma impropriedade, já se vê. “Por conta de” se refere a dinheiro; “por causa de” trata do motivo para se tomar (ou não) alguma atitude: o vereador pode até viajar por conta da Câmara (gramaticalmente certo, e, muitas vezes, moralmente errado); mas “adequações” precisam ser por causa de alguma coisa (no caso, a redução do duodécimo). Dia desses, num noticiário de tevê, ouviu-se que “a investigação foi iniciada por conta das suspeitas”. Besteira. Foi por causa das suspeitas e, certamente, por conta do contribuinte.É PRECISO HAVER RELAÇÃO DE CAUSALIDADE
A expressão, dizem os (bons) linguistas, nasceu nos anos noventa, pequenininha (como todo mundo nasceu), encorpou-se e invadiu as redações, a fala e a escrita. “A testemunha está com medo do bandido e, por conta disso, se recusa a depor” é construção comum nas mídias, mesmo que não se perceba relação de causalidade entre o medo e a recusa. “Está tão certo de ganhar o aumento de salário que já está gastando por conta”, ao contrário, é bom português, falado ou grafado. Quem fala ou escreve “por conta de”, como nos exemplos referidos (se alfabetizado), não tem direito a defesa.O INTENDENTE E O CALÇADÃO DE ILHÉUS
“Prefeitura atende antiga reivindicação e implanta calçadão na rua Sá de Oliveira”, diz a notícia do governo de Ilhéus, reproduzida em vários veículos regionais, na segunda quinzena de setembro. Logo na abertura do texto, afirma-se que técnicos do município “visitaram na manhã desta segunda-feira (20) a rua Sá Oliveira, centro”, o que nos leva inevitavelmente à pergunta: o nome é Sá de Oliveira (conforme o título) ou Sá Oliveira (como no texto)? Nenhuma das duas formas, isto é, mesmo com um palpite duplo, os redatores da notícia não acertaram o nome da rua. Mas é verdade que a placa ali afixada não os ajudou.CULTO, DIGNO, INTELIGÊNCIA BRILHANTE

DESCASO DO LEGISLATIVO E DO EXECUTIVO
A forma Sá e Oliveira é referida, além de Fernando Sales, por Silva Campos, Sá Barreto e outros pesquisadores. “Sá de Oliveira” e “Sá Oliveira” são descuidos de alguns historiadores e que a mídia, em sua preguiça crônica, repete sem analisar. O maior desleixo, no entanto, nem há de ser debitado aos veículos de comunicação: é de pasmar que um projeto aprovado pela Câmara e sancionado pelo prefeito de Ilhéus (por certo, há muito tempo) não tenha esse erro palmar corrigido até hoje e não gere protestos de historiadores, familiares do homenageado ou da Academia de Letras de Ilhéus, que o tem como patrono de uma cadeira.
OPORTUNIDADE PARA CORRIGIR A OFENSA
A matéria divulgada pela Prefeitura de Ilhéus nos adianta que “na rua Sá Oliveira será colocado piso de alta resistência, além de rampas com a finalidade de permitir a acessibilidade de pessoas com deficiência” e que “a obra visa melhorar o fluxo de consumidores naquela rua”. A ideia de uma área livre da poluição dos automóveis e de seus condutores (alguns potencialmente assassinos) me encanta. Mas bem que o secretário Marconi Queiroz, dado como responsável pela obra, poderia corrigir na nova placa a ofensa que Ilhéus tem feito a um de seus filhos mais ilustres, nosso coleguinha jornalista Sá e Oliveira. E, assim, “melhorar o fluxo da verdade histórica”.BOB MARLEY A SERVIÇO DA ANISTIA
Dia desses afirmei que considero Gilberto Gil (desde a morte de Luiz Gonzaga) o maior artista do pop brasileiro. Além dos recursos vocais, ele é letrista de primeira linha (forma ao lado de Caetano, Chico Buarque, Paulo César Pinheiro, Noel e outros notáveis de hoje e de ontem), grande músico e extraordinário “versionista” (o termo, parece-me, já entrou para o grupo dos arcaísmos). Foi ele quem ambientou “Não chore mais” (No woman no cry, de Bob Marley) na ditadura, aquela dos slogans excludentes (foto): “Bem que eu me lembro/ Da gente sentado ali/ Na grama do aterro, sob o sol/ Ob-observando hipócritas/ Disfarçados, rondando ao redor/ Amigos presos/ Amigos sumindo assim/ Prá nunca mais”.TALENTO “VISTO” POR STEVE WONDER
Versão de Gil não é tradução literal, mas novo produto, conservada a melodia. Foi assim com No woman no cry e (mais ainda) com I just called to say I love you (Steve Wonder), esta uma letra de força romântica incomum, que me emociona até hoje, tendo sido lançada há um quarto de século (valha-me Deus!). Minha empolgação, descobri tempos depois, não era exagero de tiete: Wonder (foto) disse que a letra de Eu só chamei porque te amo era melhor do que a dele. Elogio bem merecido, por aquele tocante “Nada de mais, nada de mau/ Ninguém comigo, além da solidão/ Nem mesmo um verso original/ Pra te dizer e começar uma canção”. Grande, imenso Gilberto Passos Gil Moreira.MESTRE EM PAPEL DE “COADJUVANTE”

(O.C.)















O sistema de abastecimento de água de Itabuna funcionará com metade de sua capacidade pelos próximos dez dias. De acordo com o presidente da Emasa (Empresa Municipal de Água e Saneamento), o engenheiro Alfredo Melo, a origem do problema foi pane em um transformador na estação intermediária de Mutuns, causada – segundo ele – por uma falha na rede elétrica.






