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Maurício Dias | Carta Capital

Nas comemorações de 120 anos de nascimento de Graciliano Ramos, a editora Boitempo relança o livro O Velho Graça: Uma biografia de Graciliano Ramos, de Dênis de Moraes.

A nova edição, revista e ampliada, tem um texto exemplar de Alfredo Bosi, embora mantenha o prefácio original de Carlos Nelson Coutinho. Destaco uma história inédita, integrante dessa nova edição.

Graciliano cruzou casualmente com Getúlio Vargas meses depois de sair da cadeia. Era 1937. Ainda morava em modestíssima pensão na Rua Corrêa Dutra, próximo ao Palácio do Catete.

Como sempre, à noite, ele fazia um passeio pela Praia do Flamengo. Certa vez, mais ou menos às 22 horas, entrou na deserta Rua Barão do Flamengo. Em direção contrária vinha um homem baixinho, gorducho, de paletó e gravata, sozinho. Reconheceu-o. Era Getúlio, que tinha, também, o hábito do passeio após o jantar.

“Boa noite”, disse o ditador. Graciliano não respondeu.

Vingou com o silêncio os dez meses e dez dias, entre 1935 e 1936, que ficou encarcerado, sem processo ou culpa formada, como ocorre nas ditaduras.

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