13º SALÁRIO É “DÉCIMO”, NA INTIMIDADE
“Décimo começa a ser pago em Ilhéus” – proclama em manchete respeitável blog, com um texto que nos inclina a acreditar que este acontecimento, às vésperas do Natal, não se dá devido à solidariedade cristã do prefeito, mas ao bloqueio de recursos municipais para este fim. Sirvo-me menos da ação em si, pois da inépcia de prefeitos regionais já ando cheio (e se coisa pior não digo é por estar, ainda, tomado por inacreditável espírito natalino). Atenhamo-nos, portanto, à questão linguística: o décimo (que bom para os servidores) está garantido. Mas “décimo”? Seria a décima parte de alguma coisa? Seria ainda o salário de outubro (décimo mês do ano)? Seria, por acaso, o “décimo terceiro salário”?
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O homem voltará aos sinais de fumaça

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Para falar palavrões, todas as letras
Ela nos sufoca, a LME, pois surge a todo instante. Num desses terríveis ônibus que sacolejam nas ruas esburacadas de Ilhéus e Itabuna, ouço uma indignada senhora reclamar nestes termos: “Ó, motô, vê se vai mais devagar!” Motô, saiba a gentil leitora, é “motorista”, à luz da LME. Na lanchonete, a mocinha, depois de soltar, em conversa cordial com a colega, alguns palavrões cabeludos (estes, sem falta de nenhuma sílaba!) dirige-se ao balconista: “Salta um refri!”, sendo fácil saber que a dona de palavrório tão inadequado estava pedindo um refrigerante. Vá lá que, em nome do dinamismo da língua, aceitemos tais violências, mas só no coloquial. Ao escrever, é bom ficarmos nos limites da chamada norma culta.
(ENTRE PARÊNTESES)

“TODO MUNDO” LEU MEU PÉ DE LARANJA-LIMA
Opinião que externei sobre best-sellers, recentemente, quase nos faz cair no engodo de que para ser “bom” o autor não pode vender muito, se vender muito é “ruim”. Creio que essa visão encerra um preconceito: os que entendem são poucos, a massa não conta, se o autor vende muito é porque faz “concessões”. Os prosadores Jorge Amado e Rubem Fonseca vendem muito, Paulo Coelho vende muito mais. Também foram best-sellers José Mauro de Vasconcelos (Meu pé de laranja-lima era lido por “todo mundo” que enxergava em 1970, e ganhou adaptações para a tevê e o cinema). Obviamente, uma obra de arte não se faz grande ou pequena apenas devido a efêmeras paixões do público. O tempo, sim, é juiz isento.
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Paulo Coelho: o tempo sabe a resposta

APENAS UMA ESTRANGEIRA CANTANDO BEM

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Tenho absoluto desamor ao lugar-comum
Reza o folclore que uma senhora perguntou a Armstrong o que é jazz (já li outra versão, com Duke Ellington). A resposta: “Se a senhora não sabe até hoje, madame, não adiantaria eu lhe explicar”. Para nosso propósito, digamos que jazz seja um jeito de de tocar, de cantar. Pensando nisso, imaginei que a gentil leitora gostaria de saber como uma canção banal soaria, quando sob o domínio de um grupo de jazz. O tema é Jingle bells, em cujo teste a bela e canadense Diana Krall se sai muito bem, mesmo sendo branca. Corajosa, ela mostra que não é Ella Fitzgerald, mas comete seus scatzinhos. A propósito, pensei num adjetivo para Krall e, como só me ocorreu “estonteante”, desisti, por absoluto desamor ao lugar-comum.
(O.C.)
















Respostas de 6
Sobre Paulo Coelho”não se sabe o que o tempo dirá”.Ainda bem que não vão me perguntar…Melhor assim!
Jingle Bells sem sinos?! Semelhança com Natal sem neve! Que se pode fazer? Cabe-nos a adaptação às circunstâncias…Sinal “dos tempos” e do “tempo”.
A LIBRAS é uma língua rica, e muito rica 😉
Esse senhor deveria ir morar em Paris e esquecer o Brasil, país que quase lascou em banda; vai ser incompetente assim na casa de nocá.
até hoje não gosto do povo formado em letras por conta de Paulo Coelho. Paulo Coelho deveria ser entronizado. Pode não ser perfeito, pode até ser ruim. Mas faz algo que só autores gringos fazem (alô harry potter hello crepusculo) em nossos dias: faz ler por prazer
Nesta Era que se inicia(segundo os místicos apregoam)ainda não me decidi: minhas comunicações serão por sinais de fumaça ou por telepatia?! Dúvida cruel!(Talvez utilize as duas formas…)
O FHC colocou o país nos trilhos, tudo o que se vê relacionado ao crédito e acesso aos bens de consumo pela população menos favorecida teve início com o fim da gigantesca inflação.