Rui Costa diz não estar muito avexado com a notícia da desaceleração das obras da Fiol, principal reflexo da crise econômica na Bahia (até agora). Ele diz que, no ensejo da situação, ganha tempo para resolver o caso do Porto Sul.
– Pedimos que a Bamin se posicione, diga se vai fazer ou não. Se não houver resposta, tomaremos a área que foi passada a ela e buscaremos outras formas de construir o porto, ainda que com dinheiro público.
O epílogo da novela parece que ainda vai demorar. Para além da crise internacional, que fez os preços das commodities (o ferro principalmente, que é o caso) desabarem, a Bamin ainda está enroscada com brigas por razões societárias na justiça inglesa.
Em Ilhéus, o palco do Porto Sul, o desalento com o projeto é cada vez maior.
Torço por uma cidade onde os eleitos para o bem comum não enxerguem apenas um único partido ou o próprio bolso.
O tempo tem passado rapidamente. Num piscar de olhos, já é aniversário de Itabuna mais uma vez. Lembrei-me da semana festiva e saí passeando por aí, observando algumas mudanças e suas inúmeras necessidades. Bendito é o povo simples itabunense, que, apesar de tudo, não desiste da sua terra e engole como dever o que, teoricamente, lhe seria de direito.
Nas cadeiras do poder, enxergo uma grande força de vontade de alguns, e lamentavelmente uma torcida fúnebre de outros. Há sempre dois times em campo, um torcendo contra o outro, com muito descaso pelo que deveria ser feito. Como aves de rapina, seres que ficam sobre escombros olhando as construções e torcendo para que as paredes caiam.
Mais de 100 anos de existência e temos que lidar com uma politicagem descarada que atravanca o progresso da cidade, numa rotina insustentável de muitas promessas em períodos eleitorais e pouquíssimas ações eficazes durante o tempo seguinte. Quem paga a conta da expectativa do que nunca vem?
Enquanto a iniciativa privada encara a crise com muita criatividade, o poder público esbarra no partidarismo egoísta que nada faz. Deputados estaduais e federais entram e saem do governo, e o que vem deles quase sempre são outdoors estampando suas carinhas de pau em agradecimento aos milhares de votos e, tempos depois, nos felicitando em datas festivas. Apenas isso.
Prefeitos e vereadores também entram e saem – e quase sempre seus quatro anos de mandato são divididos em “metade arrumando a casa e a outra metade na corrida pela reeleição”. O Centro de Convenções virou lenda, o Centro de Cultura não funciona, a segurança pública amedronta os mais otimistas e a saúde anda sobrevivendo de promessas, atolada em dívidas para manter de pé os hospitais que possui.
Torço por um poder público coerente e honesto à frente da minha cidade. Por secretários técnicos qualificados para os cargos, e não “cabeças de partidos” inertes. Por escolas de qualidade em amplo funcionamento, e investimentos sensatos nas mais distintas vertentes. Torço por uma cidade que ofereça qualidade de vida aos que aqui nascem e aos tantos que chegam diariamente. Uma cidade onde os eleitos para o bem comum não enxerguem apenas um único partido ou o próprio bolso.
Manuela Berbert é publicitária e colunista do Diário Bahia.
Tempo de leitura: < 1minutoPoliclínica funciona normalmente nesta 2ª (Foto Alex Souza).
O prefeito Claudevane Leite decretou ponto facultativo nas repartições públicas amanhã (27), véspera de aniversário de Itabuna. Há pouco, a direção da Policlínica Dois de Julho informou que o expediente será normal nesta segunda-feira.
– Já tínhamos consultas marcadas para amanhã. Pensamos na população de Itabuna e dos municípios pactuados – afirma o diretor da Policlínica 2 de Julho, Ery Lavinsky.
O ponto facultativo foi decretado na última sexta (24). A policlínica atende por agendamento e em várias especialidades, a exemplo de cardiologia, hematologia, urologia, gastroenterologia e dermatologia.
Tempo de leitura: < 1minutoRoda gigante gratuita por 30 dias na Juracy Magalhães (Foto Pimenta).
Uma roda gigante com iluminação especial é a nova atração da Avenida Juracy Magalhães, em Itabuna. O brinquedo do Parque Marabilândia já fez sucesso em cidades como Salvador e ficará por 30 dias em Itabuna, próximo ao cruzamento da Juracy com a Maria Olívia Rebouças.
Numa ação promocional da rede de lojas Conlar, a diversão na roda gigante será gratuita para quem fizer compras ou visitar a loja de materiais de construção. A loja onde o brinquedo foi instalado será reinaugurada nesta segunda (27), véspera do aniversário de 105 anos de Itabuna.
O Brasil encerrou a participação nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em terceiro lugar no quadro geral de medalhas. É a mesma colocação das últimas duas edições do evento, em Guadalajara (2011) e no Rio de Janeiro (2007).
Nesta edição do Pan, os brasileiros conquistaram 41 medalhas de ouro, 40 de prata e 60 de bronze, totalizando 141. O Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos, com 103 medalhas de ouro, 81 de prata e 81 de bronze, e do Canadá (78 de ouro, 69 de prata e 70 de bronze).
A última participação dos brasileiros nos Jogos foi na final do vôlei masculino, disputada com a Argentina. A equipe do Brasil ficou com a prata depois de perder para os argentinos por 3 sets a 2. O primeiro foi vencido pelos adversários por 25 a 23.
Nos dois sets seguintes, a equipe brasileira conseguiu reverter o placar, vencendo os argentinos por 25 a 18 e 25 a 19. No quarto set, os argentinos conseguiram empatar o jogo, vencendo por 25 a 23, levando a partida para o tie-break. O quinto e último set foi vencido pela Argentina por 15 a 8. Informações da Agência Brasil.
Tempo de leitura: 2minutosManifestantes atearam fogo em ônibus durante protestos (Foto WhatsApp).
A população de Canavieiras, no sul da Bahia, vive clima de tensão e revolta, após dois adolescentes executarem o mototaxista e técnico em enfermagem no município, Ricardo Santiago Santos, de 32 anos. O mototaxista foi morto com requintes de crueldade ao atender a um pedido de corrida dos criminosos.
A vítima teve o corpo amarrado em uma árvore em área de manguezal e levou dois tiros na cabeça. Os jovens acusados de executar a vítima têm 15 e 17 anos.
O corpo foi descoberto por moradores durante a madrugada de sábado (25) e já sem sinais vitais. Já no período da manhã, começaram série de protestos com queima de um ônibus da Expresso Brasileiro e a ameaça, há pouco, de destruição do terminal rodoviário da cidade.
De acordo com informações, moradores ficaram revoltados ao saber que um dos adolescentes foi apreendido e, para evitar linchamento, acabou sendo transferido para Ilhéus. O outro acusado do crime narrou à polícia detalhes da execução do mototaxista.
BA-001 foi bloqueada com toras de eucalipto.
RODOVIA INTERDITADA
Os principais acessos a Canavieiras foram bloqueados pelos moradores para impedir que a polícia fosse reforçada. Troncos de eucalipto foram colocados ao longo da BA-001. Os manifestantes também atearam fogo em madeiras e pneus para impedir a chegada de reforço policial.
Pelotões de elite da Polícia Militar foram acionados para tentar conter os manifestantes. Nas palavras de um dos moradores, se o clima de fúria não for contido, haverá uma sequência de quebra-quebra. “A intenção [de parte dos manifestantes] era fazer justiça com as próprias mãos”, acrescentou. “O clima de revolta é muito grande”.
Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.
Designado a solicitar liberação das músicas de um festival em Itabuna, fui à Divisão de Censura de Diversões Públicas da PF em Salvador. O agente proibiu a letra de uma composição e esbravejou: vai ter gente nossa lá, se tocar o festival acaba.
Não se tratava de ameaça, era um aviso. Estávamos em 76, período da cruel ditadura militar. Grupos paramilitares havia invadido o teatro Ruth Escobar e espancado atrizes e atores da peça Roda Viva (Chico Buarque e José Celso Martinez).
Já na gravadora Philips, o Exército quebrou os compactos da música Apesar de você. A canção havia sido liberada, mas Sebastião Nery publicou em sua coluna que seus filhos cantavam como se fosse o Hino Nacional.
O jornalista foi intimado e o censor que liberou punido. Chico, quando interrogado, disse que a composição se refere a uma mulher mandona e autoritária.
Tragicômico era o nível de conhecimento de quem julgava o que população poderia ter acesso. Por exemplo, o livro O vermelho e o negro foi proibido por que o título parecia “coisa de comunista”. A obra é do francês Stendhal, escrita em 1830.
Outra hilária, agentes do Dops invadiram o Teatro Municipal de SP para prender o autor de Electra, o subversivo Sófocles. “Ficou difícil”, o dramaturgo morreu na Grécia há quase 2.500 anos.
Para driblar a censura, Chico Buarque adotou o pseudônimo Julinho da Adelaide. Com três composições, foi delatado e os censores passaram a exigir documentos. Morreu Julinho.
Ainda sobre Chico, no autoexílio na Itália recebeu a visita de Toquinho que compôs uma música e pediu pra ele escrever a letra. Nasceu Samba de Orly. Quando retornou ao Brasil, mostrou a Toquinho na presença de Vinicius.
Só para participar, o poeta pediu pra trocar os versos pede perdão/ pela duração dessa temporada, argumentando que a frase era muito branda para quem passou tanto tempo na Itália. E sugeriu: “Pede perdão/Pela omissão um tanto forçada.”
A censura cortou exatamente estes versos. Quando Toquinho telefonou pra Vinicius, ele respondeu: “a frase eles podem proibir, mas a parceria não.” E o nome do poeta foi mantido na autoria.
Marival Guedes é jornalista e escreve crônicas semanais no Pimenta.