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O show da Putorkestra! será o primeiro do Festival Ilhéus in Jazz, nesta Sexta-Feira Santa (15), a partir das 19h, na Praça Ruy Barbosa, Centro Histórico de Ilhéus. O PIMENTA conversou com o baterista Victor Santana e o saxofonista Zezo Maltez sobre a origem da banda e a missão de inaugurar o palco do evento, que também animará a noite deste sábado (16).

O grupo nasceu de modo despretensioso, relembra Victor. Numa sexta-feira, em setembro de 2021, ele e Zezo convidaram amigos para tocar no Delicious Pub, cervejaria da cidade. Victor sabia que o tecladista Daniel Tomy, após longa temporada em Minas Gerais, estava de volta a Ilhéus e o chamou para uma palinha. No embalo, Daniel convidou o baixista Ítalo Mendonça. O quarteto ganhou forma ali.

Naquela noite, quando o grupo fez um intervalo na apresentação, Victor se dirigiu a um dos espectadores e perguntou se havia gostado do som. “Porra! Uma puta orquestra, velho!”, respondeu o camarada, que, sem saber, batizava a banda recém-nascida.

“É UMA MISSÃO BOA”

O nascimento da Putorkestra! coincide com o período em que a eficácia das vacinas contra a Covid-19 permitiu maior flexibilização das medidas de distanciamento social. Com menos de seis meses, o grupo conquistou lugar cativo na Barrakítika, bar mais tradicional da boemia ilheense, onde se apresenta às terças, semanalmente. Também é figura fácil no Flow Burguer Bar e no Delicious Pub, novas casas da cena cultural sulbaiana.

A banda já desfruta de excelente aceitação, segundo Victor Santana, mesmo investindo em estilos que, hoje, não são os mais populares, como o jazz e a música instrumental brasileira. “Embora seja ainda um público no começo da formação, com poucos adeptos, por enquanto. É um tipo de arte que exige um pouco mais de atenção [do espectador]”, ressalva o baterista, que também é fundador da banda OQuadro.

Para Victor, os elementos definidores do jazz são liberdade, improvisação, não linearidade rítmica e interpretações singulares de uma música dançante. “Nada comercial”, resume.

– A gente prefere tocar uma parada mais underground pelo som e até pelo desafio à estrutura da música comercial. Divulgar um tipo de som mais diverso, não tão convencional assim. É uma missão boa. Sempre estive envolvido nisso, tocando como DJ, tocando rap com OQuadro, uma música mais diferente na época. Hoje em dia é comum, rap é pop, mas quando a gente começou era bem underground. É a mesma coisa com o jazz, né? Fico brincando, dizendo que o jazz vai ser o novo pop -.

Esse caminho, naturalmente, não é pioneiro, constata Victor. “Daniel [Tomy], por exemplo, com 13 anos, tinha banda com Mestre Sabará na bateria, com o pai dele, que é músico conhecido de São Paulo, Edmar Tomy”, diz, acrescentando que o baixista Ítalo Mendonça começou a carreira na banda Red Lion, de Ubaitaba.

COLHEITA NA NOITE

Na perspectiva de Zezo Maltez, a Putorkestra! é parte de um movimento de retomada da música instrumental na noite ilheense, que ganhou força nos últimos cinco anos. “A gente está colhendo o que vem plantando e regando ao longo desse tempo”, diz o saxofonista.

A pedido do PIMENTA, Zezo deu sua opinião sobre o impacto do Ilhéus in Jazz na cidade, com shows em praça pública, no meio de um feriado prolongado. “Tende a ser muito positivo, por conta da atividade cultural que vai ser promovida. Cultura, lazer, negócios, entretenimento. É uma cadeia muito interessante. Para a banda, é massa ver o reconhecimento do nosso trabalho pelo convite recebido e poder tocar em uma estrutura bacana”.

Confira trecho do show da Putorkestra! no Oxe, É Jazz, festival realizado em Itacaré no último final de semana.

PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL

Nesta sexta, além da Putorkestra!, o Festival Ilhéus in Jazz apresenta DJ Neto Nogueira e Adelmo Casé & Funk Machine. A primeira atração cultural do sábado (16), às 17h, será o espetáculo Vida de Circo, da companhia Circo da Lua. À noite, sobem ao palco Juvino Filho e Quarteto e Eric Assmar.

O projeto é uma realização da Gamboa, A4 Comunicação e AMB Bussiness’n Fun e tem patrocínio do Governo da Bahia, por meio da Bahiatursa, Prefeitura de Ilhéus e da cervejaria Devassa.

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