Bruce Lee abriu horizonte cultural sobre o oriente, segundo Julio Gomes
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Podemos encontrar na vivacidade de Bruce Lee se não uma explicação, um precedente que nos mostrou que o mundo oriental existe de fato e exige seu lugar.

Julio Gomes

É muito interessante como algumas pessoas, através de seu trabalho e com o uso correto de seu talento, conseguem mudar aspectos importantes da cultura, da economia, da política, do esporte, de determinados setores da vida, transformando-os profundamente.

Bruce Lee, ator, diretor de cinema e artista marcial como lutador de kung fu, foi um desses que, embora pareça predestinado a fazê-lo, é, sobretudo, exemplo de dedicação, de foco, de entrega aos seus objetivos e da mais admirável persistência.

Filho de pais que pertenciam à rica e conceituada Ópera Chinesa e que se encontravam em turnê se apresentando nos Estados Unidos quando ele nasceu, Bruce soube aproveitar a boa condição econômica e social de seus pais para estudar, crescer e trabalhar de modo exemplar, embora na juventude tivesse um temperamento brigão e bastante inquieto.

Quem é um pouco mais velho, certamente, se lembra de seus célebres filmes (Operação Dragão e outros) que fizeram com que, pela primeira vez, produções cinematográficas vindas do oriente estourassem nas bilheterias ocidentais e caíssem no gosto do grande público, se tornando sucessos mundiais.

Se não o criou, Bruce Lee consolidou, na década de 1970, um novo gênero de filmes: de Artes Marciais, onde víamos as mais incríveis lutas que aconteciam a partir de uma cultura totalmente estranha à nossa, exótica, rica de detalhes, cheia de valores próprios, que encantava pela energia, movimento e vivacidade, sobretudo em seus filmes.

Com Bruce Lee, descobrimos que a China e o mundo oriental existiam de verdade. Através dele, a cultura do oriente penetrou em nosso cotidiano nas academias de lutas, na forma jovial e inovadora de se vestir, no modo como eles interagiam com nosso mundo, de igual para igual. Aqui no Brasil, naquela época, até nas músicas de Caetano Veloso e nas marchinhas de Carnaval o tema esteve presente, mesmo que na forma lúdica típica dos brasileiros.

Passamos a ter um novo olhar sobre os homens e mulheres orientais, que passaram a ser vistos como belos, vigorosos, cheios de iniciativa e valores próprios, quebrando inteiramente a visão estereotipada que deles tínhamos anteriormente, como pessoas fracas, desprovidas de beleza e inteiramente submissas. Não! Bruce era todo energia, movimento e paixão.

Para os que não sabem, Bruce Lee, infelizmente, nos deixou muito cedo, no ano de 1973, com apenas 32 anos, vítima de uma morte não muito bem esclarecida e que, por isso mesmo, causa polêmica até hoje.

Entretanto, sua obra projetou a China para o mundo e mostrou que o Oriente é muito mais do que um território a ser conquistado, submetido e dividido entre os povos brancos do ocidente.

Se hoje vemos o Japão se posicionar entra as principais nações do mundo e a China disputar o primeiro lugar na economia mundial com os Estados Unidos, podemos encontrar na vivacidade de Bruce Lee se não uma explicação, um precedente que nos mostrou que o mundo oriental existe de fato, e que exige o seu lugar no mundo atual.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

4 respostas

  1. Parabéns pelo texto, Professor Doutor Júlio, onde fala da importância de Bruce Lee para divulgação da cultura chinesa no mundo, e especialmente, aqui no Brasil.

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