Ato levou multidão à Esplanada dos Ministérios, nesta terça (26) || Foto Fábio Pozzebom/ABr.
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A 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras levou uma multidão à Esplanada dos Ministérios nesta terça-feira (25), em Brasília. A estimativa é de que cerca de 500 mil mulheres ocuparam o gramado central, tendo como símbolo principal uma escultura inflável de 14 metros de altura com faixa presidencial escrita “Mulheres Negras Decidem”. O ato teve como eixos centrais a agenda de reparação histórica, direitos humanos, enfrentamento à violência e garantia de bem-viver para a população negra.

Organizadoras do movimento destacaram que o evento é resultado de anos de mobilização e reivindicações sociais. Para o Comitê Nacional da Marcha, a presença massiva na capital federal expressa a urgência de políticas públicas que reconheçam a desigualdade racial e assegurem direitos às mulheres negras, historicamente colocadas à margem das decisões institucionais.

Lideranças políticas negras participaram do ato, entre elas a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que subiu em um dos carros de som acompanhada das deputadas Talíria Petrone (PSOL-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ) — esta celebrada como a primeira mulher negra a ocupar assentos na Câmara e no Senado. Anielle afirmou que a presença do ministério representa uma ponte entre o movimento e o Estado. Discursos ressaltaram a continuidade da luta por justiça e destacaram a memória de Marielle Franco, assassinada em 2018, lembrada em coro pelas participantes.

A marcha também levou à Esplanada imagens de vítimas da violência contra populações negras, reforçando o luto que move parte significativa das mobilizações. Um extenso tapete com rostos de jovens mortos em operações e chacinas foi estendido no local. Representantes de grupos como o Movimento Mães de Maio ressaltaram que o Estado brasileiro é responsável por violações que atingem sobretudo a juventude negra, denunciando racismo estrutural, feminicídio e a lógica que historicamente trata corpos negros como descartáveis.

Entre as reivindicações políticas presentes no ato esteve a cobrança por maior representatividade em espaços de poder. Participantes ergueram uma grande bandeira do Brasil com pedido para que uma mulher negra seja indicada ao Supremo Tribunal Federal, em meio ao debate sobre a sucessão de Luís Roberto Barroso. Para o movimento, ocupar institucionalmente lugares estratégicos é condição fundamental para ampliar direitos e reparar desigualdades. Com Agência Brasil.

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