Grupo faz apresentação no centro de Ilhéus|| Foto Larissa Paixão
Tempo de leitura: 2 minutos

O Maracatu Estrela de Serra promoveu, na quarta-feira (26), um cortejo pela Avenida Canavieiras, em Ilhéus. A apresentação foi parte das celebrações do Mês da Consciência Negra. O desfile, que levou às ruas a força da cultura afroindígena, mobilizou a comunidade e promoveu um encontro vibrante entre ancestralidade, educação e arte.

Antes de chegar ao trajeto principal, o grupo fez duas paradas. Uma na Escola Municipal Heitor Dias e outra no Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne (IME), onde se apresentou para cerca de 500 estudantes. Entre objetivos das apresentações estão aproximar jovens das tradições do maracatu nação, fortalecer vínculos comunitários e ampliar o alcance educativo do projeto “Maracatu Estrela nas Escolas: A Dança como Ferramenta de Descolonização”.

A alegria do Maracatu “invade” escolas em Ilhéus || Foto Larissa Paixão

O cortejo foi acompanhado pelo pulsar feminino que sustenta o grupo: batuqueiras e dançarinas de cidades, como Ilhéus, Uruçuca, Itacaré, Maraú e Itabuna. Elas formam o núcleo rítmico e político do Estrela de Serra. Mais do que uma apresentação artística, a participação do maracatu nas escolas e nas ruas se consolidou como uma ação de fortalecimento da identidade negra, da memória ancestral e da valorização da cultura popular.

As atividades do projeto nas escolas — que envolvem aulas de dança, ensaios percussivos e rodas de conversa — reforçam o caráter educativo e descolonizador da proposta idealizada por Neide Rodrigues. Os encontros estimulam o reconhecimento das ancestralidades afro-indígenas e discutem temas como racismo estrutural, espiritualidade, corporeidade e resistência cultural, ampliando a consciência crítica dos estudantes.

Grupo de Serra Grande se apresenta para estudantes em Ilhéus || Foto Larissa Paixão

Fundado em 2016, na vila de Serra Grande, em Uruçuca, pela arte-educadora pernambucana Ana Diniz, mestra e dirigente espiritual do grupo, o Maracatu Estrela de Serra carrega influências diretas do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, onde Ana vivenciou cerca de dez anos de aprendizado e convivência com a tradição pernambucana.

Em Ilhéus, o grupo reafirmou sua identidade enquanto maracatu nação, trazendo sua Kalunga — a boneca sagrada que conecta o cortejo à ancestralidade — e sua corte real, composta por figuras tradicionais, entre elas a Rainha Neide Rodrigues, descendente da linhagem do Terreiro Matamba Tombenci Neto.

Deixe aqui seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.