Da direita para esquerda: Joelma, doutor Rodolfo, Lorena e Eliana, a doadora
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Neste mês de março, quando é promovida a campanha mundial de alerta para os cuidados com os rins, o leitor vai conhecer uma história de confiança, persistência e superação de uma transplantada, moradora de Itabuna, que descobriu, ainda adolescente, por acaso, uma complicação grave no órgão tão vital para as nossas vidas. Hoje, aos 25 anos, a estudante Lorena Vasconcelos nunca pensou que teria de enfrentar uma rotina de sessões de hemodiálise, pois não sentia dores e mantinha uma estilo de vida saudável.

A jovem descobriu que sofria de problemas renais aos 15 anos, em agosto de 2016. Ela queria ter o corpo de mocinha como as amigas de sua idade. Por isso, foi levada pela família a um nutricionista para saber exatamente o que ocorreria. A menina era magrinha e não havia nada que consumisse capaz de fazê-la ganhar peso. Depois da consulta, desconfiado, o nutricionista indicou exames e foi constatado que a então adolescente era vítima da temida doença renal crônica.

A família então correu em busca de tratamento. Passou por dois nefrologistas e escolheu o médico Rodolfo Nascimento, da Santa Casa de Itabuna. A estudante passou cinco anos fazendo tratamento conservador, com objetivo de retardar o máximo o uso da máquina. Depois desse tempo, teve perda significativa da função renal e quadro de saúde agravado. Por isso, o médico sugeriu que fosse iniciado tratamento de diálise.

DIÁLISE

Sugestão acatada, Lorena passou a fazer diálise peritoneal quatro vezes ao dia no período de quatro anos. “Estávamos orando, pedindo a Deus que pudesse a aparecer uma solução definitiva, um transplante de órgão. Uma luz surgiu durante a pandemia, quando conhecemos uma pessoa, numa reunião do nosso grupo de orações. Desde que conheceu a história de Lorena, a pessoa disse que queria doar o rim”, conta dona Joelma Souza Vasconcelos, mãe da jovem.

Cristã, mas cética sobre o assunto, dona Joelma Souza Vasconcelos mergulhou em um turbilhão de questionamentos. Um deles era de o por quê de uma pessoa que conhecia a família há pouco tempo querer salvar a vida de sua filha. “Aí entendemos que aquela era uma providência de Deus. A doadora, que viria se tornar amiga da nossa família, insistia que queria ajudar. Sou muito grata ao gesto grandioso que ela teve conosco”.

Mas havia uma nova batalha a ser vencida pela família. Havia a necessidade de fazer o exame de compatibilidade, pois a família precisava provar que a doação era voluntária, um gesto de humanidade e empatia. Não um comércio de órgãos, o que é crime. “Por isso, entramos na justiça em dezembro de 2024 e, em janeiro de 2025, o juiz concedeu a autorização. Naquele mesmo mês fizemos o exame de compatibilidade. A doadora foi mais compatível que eu, que sou a mãe”, emocionou-se.

Vencida essa barreira, a corrida da família foi pelo alvará da justiça para que a cirurgia pudesse ser feita. No mês de fevereiro a justiça concedeu a autorização para o procedimento, que foi realizado no dia 7 de maio, no Hospital Ana Nery, em Salvador. “A previsão era que Lorena ficasse, pelo menos, três meses em acompanhamento na capital, mas ocorreu tudo bem, e só ficamos 35 dias”.

As surpresas na recuperação de Lorena não pararam por aí. “Ela não tem mais necessidade de usar tantos medicamentos. Até o remédio para controlar a pressão arterial não é mais necessário, graças a Deus. Os demais remédios estão reduzidos. Ela está saudável, com 10 meses de vida nova. Todos os dias louvamos a Deus pela vida de doutor Rodolfo Nascimento (médico nefrologista responsável pelo tratamento), pois ele foi um ser humano que nos atendeu com todo o cuidado. A nossa família também é muito grata a Eliane pela doação”.

AÇÕES DO DIA MUNDIAL

Referência no interior da Bahia no serviço de nefrologia, a Santa Casa de Itabuna oferece tratamento e desenvolve ações para alertar a população sobre os cuidados com rins. Neste ano, a instituição aderiu à campanha nacional promovida pela Sociedade Brasileira de Nefrologia e colocou na agenda uma feira de saúde e mutirão na quinta-feira (12), Dia Mundial do Rim. Além disso, promoverá um simpósio de nefrologia na terça-feira (17), na Unex, na Praça José Bastos.

No Dia Mundial do Rim, na quinta-feira (12), a população de Itabuna teve acesso a diversos serviços gratuitos ofertados pela Santa Casa e parceiros, como Secretaria Municipal de Saúde e Hospital Day Horc. Foram disponibilizados mil exames gratuitos de rastreio das doenças renais, incluindo avaliação de creatinina e exame de urina, além de orientações multiprofissionais sobre os cuidados com a saúde dos rins.

Últimos dias para inscrição na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas
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Encerram na segunda-feira (16) as inscrições na 21ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Realizada com recursos dos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Educação (MEC), a competição vai premiar os participantes com 8.450 medalhas, sendo 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze, e 51 mil certificados de menção honrosa.

A OBMEP reúne, anualmente, mais de 18,5 milhões de alunos do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio, de todas as regiões do país. A competição é aberta a instituições de ensino públicas (municipais, estaduais, federais e privadas) e as interessadas devem preencher a ficha disponível no site da olimpíada; informar o código MEC/INEP; e criar uma senha.

Elaboradas e corrigidas pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), com o apoio da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), as provas são realizadas em duas fases. Na primeira, no dia 9 de junho, os estudantes respondem a 20 questões objetivas, aplicadas na própria escola. Os participantes mais bem colocados serão classificados para a segunda etapa, que ocorrerá em 17 de outubro, com uma prova composta por seis questões discursivas, a ser aplicada nos centros definidos pela organização da competição.

Além da premiação nacional, a OBMEP reconhece os estudantes com melhor desempenho em cada Estado com a distribuição de 20,5 mil medalhas estaduais. O coordenador regional da OBMEP e professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Roberto Sant’Anna, pontua que a Matemática, muitas vezes, carrega o estigma de ser um bicho de sete cabeças. “Mas acredito, fortemente, que é uma das ferramentas mais rápidas e poderosas de transformação social que temos na educação pública” avalia.

O professor destaca ainda que “quando um aluno da nossa rede estadual senta para fazer a prova da OBMEP, ele não está apenas testando fórmulas. Está abrindo portas. Uma medalha ou até mesmo uma boa participação na competição garante bolsas de iniciação científica, vagas diretas em universidades de ponta e, literalmente, muda a perspectiva de vida de famílias inteiras”, analisa.

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À esq., matéria de Jorge Amado para a imprensa carioca || Imagens Reprodução
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A riqueza gerada pela lavoura do cacau transformou Ilhéus em símbolo de modernização no interior do Nordeste no início do século 20, afirmam os professores Marcial Cotes e Elvis Barbosa, da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). No artigo Cacau, Imprensa e Urbanização: A Inauguração do Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, e a Repercussão Nacional, os pesquisadores constatam que os recursos da economia cacaueira financiaram obras urbanas, escolas e equipamentos esportivos que mudaram a paisagem da cidade.

Um dos símbolos desse período, afirmam, foi a construção do Estádio Mário Pessoa, inaugurado em 1940. O equipamento chamou atenção pelo tamanho e pela estrutura para a época. De acordo com o estudo, ele chegou a ser considerado “o maior estádio municipal da região Nordeste e o segundo maior do país, superado apenas pelo Pacaembu”, em São Paulo.

O crescimento urbano ocorreu em paralelo à expansão da produção cacaueira. Dados históricos citados pelos pesquisadores indicam que Ilhéus liderava a produção regional nas primeiras décadas do século 20, com área cultivada e número de cacaueiros superiores aos de cidades vizinhas, a exemplo de Canavieiras e a recém-emancipada Itabuna. Esse cenário consolidou o município como centro econômico da região e permitiu investimentos em infraestrutura urbana.

Além do estádio, a cidade recebeu obras de pavimentação, iluminação pública e construção de escolas, incluindo o primeiro ginásio municipal do interior da Bahia, o Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne, legado da gestão do prefeito que lhe dá nome, no final da década de 1930.

Para os autores, esses investimentos buscavam projetar uma imagem de progresso e concluem:

– A riqueza gerada pela monocultura cacaueira anuiu investimentos significativos em urbanização, lazer e educação.

FUTEBOL E PROJEÇÃO

O Estádio Mário Pessoa em registro de 2023 || Foto Danilo Matos/Ilhéus24h

Com a inauguração do Estádio Mário Pessoa, o futebol ganhou um templo vistoso da cidade. O estudo observa que “a monumentalidade do estádio não servia apenas para a promoção do futebol”, mas também para reforçar a imagem de desenvolvimento urbano de Ilhéus.

A imprensa também ajudou a divulgar esse momento de prosperidade. Jornais da época registraram obras e inaugurações e associaram o crescimento urbano à riqueza da região cacaueira. Essa cobertura reforçou a percepção de que Ilhéus vivia período de forte desenvolvimento econômico.

A ILHÉUS DE JORGE PARA A REVISTA CARIOCA

Numa matéria especial sobre Ilhéus para a Revista Carioca, em agosto de 1939, Jorge Amado retratou uma cidade em acelerado desenvolvimento urbano, associado à riqueza do cacau.

“As edificações caras, os jardins que se sucedem, as muitas obras em início que sempre existem, mostram ao viajante que está diante de uma cidade que tem dinheiro e trabalha”, escreveu o grande mestre da literatura.

Segundo os pesquisadores, o conjunto de obras tinha um objetivo claro: projetar Ilhéus como centro urbano moderno no sul da Bahia. A cidade buscava superar a condição de periferia regional e se apresentar como referência de progresso.

Marcial Cotes e Elvis Barbosa concluem que o ciclo do cacau foi decisivo para moldar a identidade urbana do município. Leia a íntegra do estudo publicado na revista Acervo.