Depois de levar a Seleção Brasileira a jogar um futebol encantador em 1982, o técnico Telê Santana queria chegar ao título no Mundial de 1986, no México. Mas enfrentava problemas para armar seu time. Zico vinha de uma penosa recuperação de três cirurgias em razão de torção nos dois joelhos. Falcão e Sócrates também estavam às voltas com contusões.
As contusões atrapalhavam o desempenho da Seleção, que ainda dependia muito do talento de seus craques. Havia uma grande expectativa de que o Brasil poderia, no mínimo, repetir o espetáculo de 1982, quando teve grandes atuações, mas não levou o título.
Na estreia, no Estádio Jalisco, em Guadalajara, a Seleção venceu a Espanha por 1 a 0, gol de Sócrates. O local trazia belas recordações à Amarelinha. Foi exatamente ali que o Brasil venceu Tchecoslováquia, Inglaterra, Romênia, Peru e Uruguai na Copa de 1970, classificando-se para a decisão com a Itália, então realizada no Estádio Azteca.
O Estádio Jalisco já se acostumara com as vitórias brasileiras. Foi lá mesmo, também, que a Seleção derrotou a Argélia, por 1 a 0, gol de Careca, e a Irlanda do Norte, por 3 a 0, gols de Careca (2) e Josimar, na fase de grupos da Copa do Mundo de 1986.
ZICO E O PÊNALTI PERDIDO
A partida seguinte, já pelo mata-mata, também foi programada para o Jalisco. Era contra a Polônia e mais uma vez com o triunfo brasileiro: 4 a 0, gols de Careca (2), Josimar e Edinho, o que levou a Amarelinha para as quartas de final.
A química do estádio de Guadalajara com a Seleção Brasileira parecia não ter fim. Muitos já estavam convencidos disso. Mas, e assim se deram os fatos, veio o jogo contra a França, que valia vaga nas semifinais, e o vento tomou outro rumo.
O Brasil fez 1 a 0, com gol de Careca, aos 18 minutos, e vinha muito bem no jogo. Até que num cruzamento fortuito de Rocheteau, a bola resvalou em Edinho, oferecendo-se para Michel Platini empatar, ainda no primeiro tempo.
A Seleção continuava melhor e pressionava, quando Zico, que acabara de entrar no lugar de Sócrates, fez belo lançamento para Branco, que driblou o goleiro e foi derrubado na área por Joel Bats. Zico se encarregou da cobrança do pênalti e Bats defendeu.
Veio a prorrogação e depois a disputa da vaga nos pênaltis. A França venceria por 4 a 3. O Brasil era eliminado no Jalisco. Pode servir de consolo que se manteve invicto naquela arena, pois, nos 90 minutos, a partida terminou 1 a 1.
VEJA A CONVOCAÇÃO DO BRASIL PARA A COPA DE 1986
Goleiros: Carlos Gallo (Corinthians), Emerson Leão (Palmeiras) e Paulo Victor (Fluminense);
Defensores: Branco (Fluminense), Edinho (Udinese), Edson Boaro (Corinthians), Josimar (Botafogo), Júlio César (Guarani), Mauro Galvão (Internacional) e Oscar (São Paulo);
Meio-campistas: Alemão (Botafogo), Elzo (Atlético-MG), Falcão (São Paulo), Júnior (Torino), Silas (São Paulo), Sócrates (Flamengo), Valdo (Grêmio) e Zico (Flamengo);
Atacantes: Careca (São Paulo), Casagrande (Corinthians), Edivaldo (Atlético-MG) e Müller (São Paulo).
Técnico: Telê Santana.



















