Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego
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Considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.

 

Magno Lavigne

Tenho acompanhado as recentes declarações do senador Angelo Coronel sobre o fim da escala 6×1. Respeito o direito de cada parlamentar defender suas convicções, mas discordo profundamente da posição que ele tem adotado nesse debate. Segundo o senador, a mudança poderia gerar desemprego e a solução deveria passar por negociações entre patrões e empregados.

Na prática, porém quem vive a realidade da escala 6×1 sabe o peso de jornadas exaustivas, do pouco tempo para a família, do desgaste físico e mental e da dificuldade de conciliar trabalho e qualidade de vida.

O Brasil mudou. O trabalhador de hoje não quer privilégios; quer dignidade. Quer produzir, gerar riqueza e também ter tempo para viver. Defender a modernização das relações de trabalho não é ser contra o emprego. É compreender que desenvolvimento econômico e valorização humana devem caminhar juntos.

Por isso, considero preocupante quando lideranças políticas parecem olhar para essa discussão apenas pelos números e não pela realidade de quem acorda cedo, enfrenta transporte lotado e dedica quase toda a semana ao trabalho.

A Bahia é feita por trabalhadores e trabalhadoras que merecem ser ouvidos. O debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ignorar a voz de quem sustenta a economia todos os dias. É hora de colocar a dignidade humana no centro dessa discussão.

Magno Lavigne é ex-secretário Nacional de Qualificação e Fomento à Geração de Emprego e Renda do Ministério do Trabalho e Emprego e pré-candidato a deputado estadual.

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