Doze estudantes do 5º ano da Escola Municipal Juvenal Eugênio de Queiroz, em São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador, transformaram as aulas de Língua Brasileira de Sinais (Libras) no livro O Leãozinho Zezé: Uma História sobre Amizade, Libras e Inclusão. A produção coletiva teve a orientação da professora de Libras Resiane Francisca dos Santos.
Zezé é um leão alegre e brincalhão que perde a audição depois de adoecer e passar por uma cirurgia. Com o apoio da família, ele aprende Libras e descobre novas formas de se comunicar por meio das mãos, das expressões faciais e do corpo. O personagem, porém, encontra dificuldades para conversar e fazer amigos quando chega a uma nova escola.
A história muda quando a professora e os colegas de Zezé também começam a aprender sinais. O livro apresenta a inclusão como uma responsabilidade coletiva e resume sua mensagem em uma frase: “Não é preciso ser igual para estar junto”. A experiência aproxima os alunos da Literatura Surda, da comunicação visual e de referências da cultura surda.
Os 12 estudantes aparecem como autores da primeira edição, publicada em 2026. As ilustrações foram produzidas com auxílio de inteligência artificial, por meio do ChatGPT, a partir das orientações dos próprios alunos. A informação consta no expediente da obra e evidencia a participação das crianças também na construção visual da narrativa.
SETEMBRO DAS CORES
A escola apresentou o livro durante a culminância do Setembro das Cores, promovida pela Secretaria Municipal da Educação na segunda-feira (28). O encontro reuniu cerca de 160 estudantes, familiares, educadores e profissionais da Educação Especial Inclusiva. Os pequenos autores distribuíram exemplares autografados da obra.
A programação discutiu acessibilidade, comunicação, Atendimento Educacional Especializado (AEE), acolhimento e práticas pedagógicas inclusivas. O projeto desenvolvido na Juvenal Eugênio de Queiroz também dialoga com o currículo municipal do 5º ano, que prevê o contato com a Literatura Surda, a identidade e a cultura surdas, além da criação de produções artísticas e visuais.
A experiência dá continuidade a um trabalho que Resiane desenvolve há anos na rede municipal. Em um relato pedagógico anterior, a professora descreveu o ensino de Libras para estudantes ouvintes com o uso de histórias, jogos, vídeos, teatro e música. Agora, ao colocar as crianças no centro da produção de um livro, a escola mostra que inclusão também se constrói com autoria, criatividade e convivência. A versão digital de O Leãozinho Zezé pode ser lida gratuitamente.

















