Mais um acusado de envolvimento no assassinato da líder quilombola Mãe Bernadete, Sérgio Ferreira de Jesus, vai a júri popular nesta quarta-feira (21), a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador. Este é o quarto julgamento referente ao homicídio de Maria Bernadete Pacífico Moreira, ocorrido em 17 de agosto de 2023.
Ao todo, cinco pessoas eram acusadas de envolvimento no crime. Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram condenados pelo Tribunal do Júri da Comarca de Salvador em sessão realizada nos dias 13 e 14 de abril deste ano. As penas foram, respectivamente, de 40 anos, 5 meses e 22 dias de reclusão; e de 29 anos e 9 meses de reclusão, em regime inicial fechado. Marílio faleceu dois dias após o julgamento.
No dia 13 deste mês, Josevan Dionísio dos Santos foi condenado a 28 anos de prisão. Acusado de efetuar disparos que tiraram a vida de Mãe Bernadete, Josevan responderá em regime inicial fechado. O processo contra Ydney Carlos Santos de Jesus, o último dos investigados, ainda aguarda uma decisão definitiva da Justiça e não tem data de julgamento marcada.
O crime aconteceu no Quilombo Pitanga dos Palmares, residência da vítima, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana. Posteriormente, o Tribunal de Justiça deferiu o desaforamento do processo, transferindo o julgamento para a capital. A medida teve como objetivo assegurar a imparcialidade do julgamento.
LUTA CONTRA A EXPANSÃO DO TRÁFICO
Os assassinos entraram na casa onde Mãe Bernadete estava com os netos e dispararam 25 vezes. Segundo o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o motivo foi a atuação da líder quilombola contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade.
Mãe Bernadete foi uma ialorixá e líder comunitária respeitada internacionalmente pela luta por direitos dos povos quilombolas. Foi secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Simões Filho. Havia anos que a líder denunciava que recebia ameaças de morte.
Desde 2017 Mãe Bernadete lutava por justiça pelo assassinato do próprio filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo. O crime ainda não foi esclarecido.




















