
O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) determinou, em sessão realizada na tarde desta quarta-feira (26), que o ex-presidente da Câmara de Vereadores de Itabuna Ruy Machado, devolva, com recursos pessoais, R$534.527,66 aos cofres públicos.
O TCM constatou irregularidades em obras de infraestrutura de terraplenagem e pavimentação de área que seria destinada à construção da nova sede da Câmara de Vereadores, no bairro São Caetano, em frente à Prefeitura. Segundo o órgão de fiscalização, as irregularidades ocorreram nos exercícios de 2011 e 2012.
O relatório técnico de Inspeção do TCM apontou que a Câmara incluiu nos serviços licitados o custeio para a abertura e pavimentação de duas ruas laterais, situadas em terrenos de particulares – Loteamento Hugo Kauffman, sem, contudo, apresentar qualquer justificativa para o fato.
De acordo com o TCM, o terreno destinado à construção da sede do Legislativo tem sua frente, de aproximadamente 90 metros, voltada para a Avenida Princesa Isabel, uma das principais artérias de Itabuna, o que, à primeira vista, torna desnecessárias ruas laterais.
O conselheiro relator, Fernando Vita, concluiu que houve favorecimento direto a particulares em detrimento do interesse público, já que foram gastos nesses terrenos, sem qualquer base legal e/ou previsão no edital, o valor total de R$380.361,87, sendo R$190.667,39 relativos a serviços de movimentação de terra e R$ 189.694,48 com pavimentações, devendo o montante ser restituído aos cofres municipais.
Também foram encontrados serviços realizados em menor quantidade do que aqueles medidos e pagos pela Câmara de Vereadores, o que configurou um prejuízo de R$154.165,79 para os cofres públicos. Segundo o Tribunal, ficou comprovada falha na fiscalização, já que os valores pagos não atenderam à previsão do contrato firmado, exigindo a sua restituição ao erário.
MAIS IRREGULARIDADES
Os inspetores do TCM constataram ainda que a empresa Comercial de Alimentos e Papelaria Canário contratada, por meio da dispensa de licitação, para realizar serviços de levantamento planialtimétrico da área de 2.478,00 m2 destinada à construção da sede do Legislativo, no valor de R$3.000,00, não possui em seu objeto social a atividade de topografia.
Além disso, segundo o órgão de fiscalização, na planta do levantamento planialtimétrico foi registrada como autora a empresa Topografia Girassol, que tem o mesmo endereço e mesmos sócios da contratada.
O Ministério Público de Contas se posicionou pela procedência das irregularidades apontadas no relatório da auditoria com a aplicação de multa ao responsável e determinação de ressarcimento dos valores indevidamente utilizados na execução de obras em terrenos de particulares e em obras não executadas.
O relator do processo determinou que cópia dos autos fosse encaminhada a 3ª Promotoria de Justiça de Itabuna, e aplicou multa no valor de R$ 20 mil ao gestor.





























