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As provas do concurso público de Ilhéus, marcadas para ontem, foram canceladas devido à descoberta de fraude. Rapidinho, prefeitura e direção da S&R Concursos e Pesquisas definiram uma nova data do exame, 8 de maio.

Agora, a notícia da hora: a probabilidade de mudança é, de novo, altíssima. E não se trata de mais uma piada sobre o certame. É que a data escolhida pelos tecnocratas, um segundo domingo do próximo mês, cai justamente no Dia das Mães.

O alerta já foi feito à prefeitura pela direção do Sindicato dos Servidores Públicos de Ilhéus (Sinsepi).

De empregada doméstica a juíza na Bahia || Foto PIMENTA
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Aos 14 anos, ela trabalhava em um canavial no interior de Minas Gerais. Aos 17, era empregada doméstica em Belo Horizonte e, por não ter onde dormir, durante oito meses passou as noites em um ponto de ônibus em frente à antiga Telemig, que era a companhia telefônica de Minas.

Para conseguir aprovação em seu primeiro concurso, para oficial de justiça do Tribunal de Justiça daquele estado, ela catou folhas borradas de um mimeógrafo onde faziam apostilas de um cursinho preparatório. As folhas eram jogadas no lixo, de onde ela as recolheu, estudou e ficou em terceiro lugar no concurso.

A hoje Doutora Antônia Marina Faleiros é sem dúvida alguma uma vencedora, uma mulher que superou todos os obstáculos e dificuldades e veio a ocupar cargos importantes, como procuradora do município de Belo Horizonte e procuradora do Banco Central. Atualmente, ela é juíza da 1ª Vara Crime de Itabuna, que julga crimes relacionados a tóxicos.

Mas a magistrada não é somente uma pessoa que venceu na vida. Ela é também uma mulher singular, que não se limita às paredes de um gabinete e gosta de ir aos bairros, conhecer gente. Nessa entrevista concedida ao PIMENTA, a juíza surpreende, comove e demonstra que ainda é possível acreditar no ser humano.

PIMENTA – Eu gostaria que a senhora contasse o início de sua história: onde nasceu, sua infância…

Dra. Antônia – Eu nasci em Serra Azul de Minas, um lugar belíssimo, extremamente pobre, mas muito bonito. Era uma família grande, como todas as famílias do interior: pai, mãe e um monte de irmãos. E minha mãe sempre foi uma pessoa muito entusiasmada. Ela não teve oportunidade de estudar, só fez até o que se chamava na época de quarta série primária. E era professora rural, dava aula no Mobral e sempre teve uma exigência muito grande com os filhos, sempre quis botar os filhos pra frente.

PIMENTA – Quais são as histórias das quais a senhora se recorda dessa época?
Dra. Antônia – Há algumas histórias interessantes que envolveram minha mãe. Quando fiz meu primeiro concurso público, eu passei em terceiro lugar para oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, então eu fiquei entusiasmadíssima e fui contar para ela. Quando falei que havia passado em terceira colocação, ela disse: “mas a prova estava tão difícil assim?”. Eu mencionei a concorrência e salientei que muitas pessoas haviam ficado para trás, mas ela respondeu: “você já viu algum bom corredor olhar para quem está ficando pra trás? Ele olha para os concorrentes que estão na frente”. Esse é um exemplo do nível de exigência da minha mãe. Ela morreu dois meses depois da minha formatura em Direito e eu fiquei bastante magoada porque era meu sonho conseguir ter um emprego e poder dar a ela algumas coisas com as quais ela sonhava.

PIMENTA – Por exemplo…
Dra. Antônia – Eu me emociono sempre quando me lembro disso. Um dos sonhos da minha mãe era ir à Aparecida do Norte, que é um santuário católico no interior de São Paulo e nós não tivemos a oportunidade de atender esse desejo. Ela morreu antes que eu tivesse um emprego que me permitisse lhe dar o prazer de conhecer Aparecida do Norte.

PIMENTA – Vocês viviam na cidade ou na zona rural?
Dra. Antônia – Até os meus sete anos, nós morávamos na roça. Depois meu pai se mudou para a cidade, que era tão pequena que se pode dizer que é como se fosse uma roça. Eu fui conhecer luz elétrica aos 17 anos. Meu pai era trabalhador do DER, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais, trabalhador braçal.

 

Eu acabava ficando sem o café da manhã como punição por ter causado o “incêndio” e acordado todo mundo.

 

PIMENTA – Quantos irmãos?
Dra. Antônia – Éramos seis, mas um morreu há 11 anos. Eu sou a filha mais velha e depois de mim tem outra irmã e mais três irmãos. Muitos anos depois, quando eu já tinha deixado a casa de meus pais, minha mãe teve outra filha, que foi a irmã que eu criei, porque minha mãe a deixou pequena e ela acabou virando “minha filha” e veio comigo para a Bahia.

PIMENTA – Como foi a história do seu trabalho em um canavial?
Dra. Antônia – Quando eu terminei naquela época a quarta série, com 14 anos, não tinha continuação lá. E apareceram pessoas que contratavam trabalhadores, inclusive menores, para o corte de cana. Quem fazia a intermediação e ia pelas cidades procurando era chamado de “gato” e os capatazes que controlavam o trabalho no canavial preferiam menores, porque eles achavam que podiam até bater na gente. Como não tínhamos outro meio de sobrevivência, nós seguimos para esse trabalho, eu e mais dois irmãos, de 13 e 12 anos.

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Exclusivo:

O PIMENTA acaba de ter acesso à informação de que o Governo da Bahia publicará, no Diário Oficial do Estado, edição desta terça-feira, 12, o decreto que desapropria uma faixa de terras no distrito de Aritaguá, à margem direita do Rio Almada. Segundo o blog apurou junto a fontes do Estado, a área deverá ser designada para as obras do Complexo Intermodal Porto Sul, do qual faz parte o Terminal Marítimo da empresa Bahia Mineração.

Segundo fonte oficial, “com a evolução e o aprofundamento dos estudos ambientais, o Governo da Bahia  decidiu alterar o local onde será implantado o Complexo Portuário e de Serviços Porto Sul”. Segundo o governo, dentre os motivos que determinaram a mudança, estão “a ausência de corais e recifes no trecho de mar em frente à nova área escolhida e de fragmentos em processo de regeneração da Mata Atlântica”.

Os novos estudos sobre a localização do empreendimento foram determinados após um parecer assinado por técnicos do Ibama. No documento, de novembro do ano passado, os técnicos apontavam insuficiência de informações e necessidade de aprofundamento das análises para que se determinasse onde deveria ser construído o Porto Sul.

Na semana passada, em encontro com deputados estaduais, o vice-presidente da Bamin, Clovis Torres, havia admitido a possibilidade de mudança na localização do porto da Bamin, parte integrante do Porto Sul. Segundo o executivo, a mudança dependeria do que o Ibama apontasse como mais viável.

O decreto que será publicado nesta terça-feira declara como de utilidade pública uma área de 4.830 hectares na localidade de Aritaguá.

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Benazzi não resistiu às dores da derrota.

O Bahia bem na fita quando o assunto é Copa do Brasil, mas a camisa vem desbotando no Estadual 2011. E sobrou para o técnico Vágner Benazzi, demitido logo após a derrota para o Atlético de Alagoinhas, por 1 a 0.

Benazzi ganhou um oxigênio com a classificação para as oitavas da Copa do Brasil, mas a diretoria do clube desligou os balões e mandou o técnico para o olho da rua.  Em vez de oxigênio, o presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, disse que falta à equipe “tomar atitude”.

O retrospecto de Benazzi à frente do Bahia não foi ruim, mas a ameaça de ficar fora da disputa pelo título estadual complicou a situação do treinador. Sob o comando do demitido, o time conquistou oito vitórias, empatou quatro jogos e perdeu dois.

Celso Roth, demitido do Internacional na semana passada, e Renê Simões são os nomes pensados pela direção do clube para o posto de Benazzi. Joel Santana também está na lista.

Enquanto a diretoria corre atrás de técnico, Chiquinho de Assis segura as pontas no jogo da quarta (13), contra o Atlético Paranaense, em jogo válido pela Copa do Brasil. A esperança é que contra o paraense não se repita o resultado de hoje, diante do adversário homônimo, baiano. A partida será às 21h50min, no estádio de Pituaçu.

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Do G1:

Um homem de 25 anos foi preso em flagrante após matar o vizinho de 21 com uma facada no pescoço, na madrugada deste domingo (10), no bairro da Boca do Rio, em Salvador. O caso está na Delegacia de Homicídios.

De acordo com a delegada titular Francineide Moura, a vítima, João Pedro Magalhães Andrade, estava com amigos na beira da piscina do condomínio Alameda Praia do Descobrimento, quando o comportamento exaltado de uma garota do grupo chamou a atenção do suspeito. O jovem teria se incomodado com a situação e desceu para fazer uma espécie de exorcismo na menina, segundo a polícia.

Os dois rapazes discutiram e o suspeito chegou a pedir que a vítima saísse do local. Como ele permaneceu, o jovem foi até o apartamento em que morava e pegou uma faca para intimidar a vítima, segundo informou em depoimento à polícia. Houve uma nova discussão e Pedro foi atingido por um golpe no pescoço e morreu na hora.

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Os 7,8 mil moradores do distrito de Banco do Pedro, em Ilhéus, perderam a paciência com o governo municipal. Mesmo após várias manifestações, a prefeitura não fez o trabalho de manutenção da estrada que liga o distrito à rodovia Ilhéus-Uruçuca (BA-262), praticamente isolando a comunidade.

Historicamente, a estrada passava por serviços de manutenção (encascalhamento) pelo menos uma vez por ano, sempre às vésperas da festa do padroeiro da localidade, na última semana de janeiro. Só que, neste ano, nem Senhor do Bonfim deu jeito: a estrada mais parece Marte, tal a quantidade de crateras que permitem transitar apenas com carros de grande porte.

Além de fechar a estrada e a BA-263, os moradores preparam uma grande surpresa para o governo local e para os vereadores Jailson Nascimento e Alcides Kruschewsky, que tiveram boa votação no distrito.

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Amaral: xingado em estádio (Foto Sudoeste na Rede).

Se os torcedores da ADJ não ficaram satisfeitos com o empate contra o Itabuna, no último sábado (9), o prefeito de Jequié, Luiz Amaral (PMDB), tem mais motivos a lamentar. Ele e a primeira-dama foram xingados ostensivamente por um torcedor insatisfeito com a administração. Amaral tem governo com baixa aprovação popular.

Segundo o Blog do Anderson, a Guarda Municipal foi acionada e retirou o manifestante do estádio Waldomiro Borges. Na saída, o prefeito e a primeira-dama tiveram de contar com escolta da Polícia Militar.

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Otto e Kassab, durante lançamento do PSD na Bahia (Foto Valor Online).

Presente nos quatro maiores colégios eleitorais, o PSD realiza nesta quarta-feira (13), em Brasília, o seu primeiro evento político com caráter nacional. Nas últimas semanas, o partido capitalizado pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab ganhou adesões em todo o País. Em 20 das 27 unidades da Federação já existem conversas avançadas para formação da sigla nos respectivos Estados.

O passo mais importante para a criação do partido foi dado com a definição de coordenadores em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Respectivamente, primeiro, segundo, terceiro e quatro maiores colégios eleitorais do País. Dos quatro, só no Rio o PSD ainda não foi lançado. Isso deve ocorrer no mês que vem.

Em Minas, o partido será coordenado oficialmente pelo empresário Paulo Simão. Ele contará com a ajuda dos deputados Geraldo Thadeu (PPS) e Walter Tosta (PMN), além do ex-deputado Roberto Brant (DEM). Na Bahia, o PSD terá como maior articulador o vice-governador Otto Alencar (PP). Em São Paulo, além de Kassab, o partido tem como coordenador o vice-governador paulista Afif Domingos (DEM).

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O Itabuna estreou com empate em 0 a0 na Divisão de Acesso de 2011, neste sábado (9), contra a ADJ, em Jequié. A partida foi disputada no estádio Waldomiro Borges. O Azulino até mandou bola na trave e levou dois grandes sustos no jogo, mas o placar ficou inalterado.

O time do treinador Danielzinho sentiu a ausência do experiente zagueiro Junior Tuchê, embora não tenha sofrido gol.  A equipe passou sufoco quando o árbitro conquistense José Leandro Silva Nazaré marcou pênalti a favor da ADJ. O alívio veio logo em seguida, aos 43 minutos, quando Marcelinho Baiano mandou a bola para fora. E, no segundo tempo, outro susto: a associação jequieense mandou um “balaço” na trave.

O Itabuna e a ADJ estão no Grupo 2 da Divisão de Acesso. Amanhã, às 15 horas, Jacuipense e Poções se enfretam no estádio Eliel Martins, em Jacuípe, também pela mesma chave. Quem folga na rodada é o Guanambi. Já no Grupo 1, Ypiranga e Botafogo se enfrentam neste domingo, às 15 horas, em Pituaçu (Salvador).

O Itabuna volta a jogar no próximo domingo (17), às 15 horas, no estádio Luiz Viana Filho, contra a Jacuipense, time sobre o qual conquistou o título do Acesso em 2003.

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Adriano Rodrigues, da Tôa-Tôa: morte em acidente aéreo (Reprodução).

O empresário Adriano Rodrigues, dono de uma rede de hotéis e da cabana Tôa-Toa, em Porto Seguro (BA), foi uma das vítimas de um acidente aéreo ocorrido neste final de semana na região do Guarujá (SP).

O helicóptero em que estava caiu numa mata fechada no litoral paulista. A aeronave havia sumido desde a sexta-feira (8), quando o piloto fez último contato, e foi encontrada neste sábado.

Além de Rodrigues, também morreu no acidente o piloto Marcelo Reboredo. O helicóptero caiu depois de sair do Guarujá com destino ao Campo de Marte, na capital paulista. A queda ocorreu na Serra do Mar.

O empresário morto era também o responsável pelo receptivo e expansão da CVC na Costa do Descobrimento e das Baleias, no extremo-sul da Bahia. Para a Força Aérea Brasileira (FAB), o mau tempo deve ter provocado a queda da aeronave. Um inquérito será instaurado para apurar as causas do acidente.

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SHERLOCK HOLMES, BEATLES E JESUS CRISTO

Ousarme Citoaian

Não entro nessa especulação sobre se Os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo. Mas estou certo de que Sherlock Holmes rivaliza com todos eles. É difícil, em qualquer literatura, encontrar alguém tão conhecido quanto o personagem criado pelo oftalmologista desempregado Arthur Conan Doyle. “Nascido” na novela Um estudo em vermelho/1887, cujo título é um achado, seu endereço (221B, Baker Street) – que agora abriga o museu Sherlock Holmes – até hoje recebe cartas de pessoas buscando a ajuda do detetive famoso para solucionar crimes verdadeiros. Mas eu queria falar de frases, não de literatura de mistério.

A FAMOSA FRASE QUE DOYLE NUNCA ESCREVEU

Todos conhecem a frase que o investigador de Doyle repetia, dirigindo-se de forma irônica ao médico John Hamish Watson, companheiro de pensão e narrador das aventuras de Holmes. Elementar, minha cara leitora: a frase é um embuste que o mundo assimilou. Tanto quanto o cachimbo de cabo curvo, a expressão “Elementar, meu caro Watson” foi criada no teatro, não no consultório ocioso do médico. Há críticos a sustentar que ela foi pronunciada uma vez, em Um estudo… – o que é desmentido pela tradução brasileira, ao menos nas duas edições que conheço. Mas mitos do nível de Holmes não ficam isentos dessas atribuições.

DE GAULLE, MAU HUMOR, QUEIJOS E VINHOS

Ao presidente Charles André Joseph Pierre-Marie De Gaulle (1890/1970) é atribuída a frase “O Brasil não é um país sério” (Le Brésil n’est pas un pays sérieux). De Gaulle morreu negando o dito, e o diplomata brasileiro Carlos Alves de Souza afirma no livro Um embaixador em tempos de crise/1979 que o presidente francês nunca falou isso. A cientista política francesa Annick T. Melsan vasculhou os escaninhos da diplomacia de Paris e nada viu que confirmasse essa grosseria do velho militar. A boutade de mau gosto foi divulgada pelo correspondente Luís Edgar de Andrade, do Jornal do Brasil, e nunca mais nos abandonou.

A FRASE SERVIU PARA CRITICAR A DITADURA

O Brasil adotou o lema na ditadura militar, e ainda o conserva. De acordo com Mme. Melsan, isto “foi importante por ajudar na crítica ao sistema”, e a expressão “poderia ser de De Gaulle ou de outro europeu qualquer, devido à visão que se tinha do Brasil, como país do carnaval e do samba”. Certa vez, o presidente Chirac abriu uma coletiva com jornalistas brasileiros, brincando: “O Brasil é um país sério”. E é, diz La Melsan, mas “o problema é fazer os brasileiros acreditarem nisso”. De De Gaulle, prefiro outra frase: “Como se pode governar um país que tem 246 espécies de queijo?” Ele se esqueceu das centenas de tipos de vinho.

ESTRANHAS OPINIÕES A QUE TEMOS DIREITO

Uma espécie de enquete na tevê, quando um casal quase troca tapas, na dúvida sobre quem deveria sair do BBB, me desperta para os estranhos critérios que as pessoas usam para julgar o mundo. Perguntaram a Rubem Braga se ele acreditava em disco voador: “Não”, disse prontamente o cronista. “Por que não?” – insistiu a repórter. “Porque até hoje só vi dois”. Tenho um amigo que questiona as pesquisas em geral e as do Ibope em particular, dizendo que elas são “armadas”, sem exceção.  E tem o que considera uma justificativa irretocável: “Eu nunca fui entrevistado”.

DO BBB AO ASSASSINATO DE ODETE ROITMAN

Eu também não, mas em vez de lamentar, comemoro.  Tenho verdadeira paranoia de pagar mico diante da pergunta do entrevistador. Por exemplo, responder a esta profunda indagação filosófica que a Globo propõe semanalmente aos brasileiros nas ruas: “Quem deve ser eliminado do BBB?” Como diabos hei de saber a resposta disto, se nunca me foi dado assistir a um BBB que fosse? É mico, na certa.  Uma vez topei com uma equipe de tevê e uma repórter que andava em minha direção, com jeito de quem vira uma vítima, perdão, um potencial entrevistado. Desguiei, escafedi-me. À francesa.

CANDIDATO AO APEDREJAMENTO “CULTURAL”

Nada contra a bonita repórter regional, mas é que temi, devido à moda em vigor, que ela me perguntasse quem matou Odete Roitman.  Se milhões de pessoas assistiram à novela (é o que dizia o Ibope!), se o País inteiro parou para descobrir quem matara dona Odete, minha ignorância do tema era totalmente inadmissível, ofensiva à cultura nacional, talvez uma forma de esnobismo. Dar minha (falta de) opinião seria me oferecer ao apedrejamento “cultural” ou à exibição em feira, como um ET senil. Acho que fiz bem em fugir. E, pasmem, até hoje não sei (nem quero saber!) quem matou Odete Roitman.

EMBELEZAR O TEXTO NÃO É FAVOR, É DEVER

Por certo, revelar algum deslumbramento com o ”falar bonito” (referimo-nos, especificamente, a Gilberto Gil) não será do agrado de ponderável corrente de linguistas. Esta, em defesa de uma suposta clareza da comunicação, defende como fundamental apenas que a mensagem saída do emissor seja entendida pelo receptor. É a valorização única do conteúdo, em detrimento da forma – ou, num jeito muito surrado de simplificar, “se você entendeu, está certo”. No meu modesto modo de ver, embelezar o texto não é favor, mas dever de quem utiliza a chamada linguagem culta, pois beleza é qualidade de estilo, definida nos manuais: conteúdo é preciso, beleza também é preciso.

A IMAGEM QUE VALE MIL PALAVRAS: BOBAGEM

Atribuída ao poeta chinês Lin Yu-Tang, a frase “uma imagem vale mais do que mil palavras” entrou para o domínio público, de tão repetida. É uma bobagem que Millôr Fernandes (foto) já desmontou, ao questionar: “Se uma imagem vale mais do que mil palavras, diga isto com uma imagem”. Palavras são palavras, valores insubstituíveis. No jornalismo, imagens têm grande peso, mas são coadjuvantes. O texto, sim – com ritmo e som adequados, novo sem ser pedante – é protagonista. Creio na busca por le mot juste,  não apenas para melhor definir uma coisa, ação, sentimento ou conceito, mas como o termo que melhor soa, o mais bonito, o mais colorido, o que emoldura nosso pensamento.

TEXTO AGONIZANTE, SUFOCADO EM PURPURINA

Perdoem-me se, amparado em Lacan-Barthes, já disse isto: para algumas pessoas, a língua materna é objeto de prazer, ainda que elas tenham, como eu, musa calada e talento estreito. O indivíduo que escreve brinca com o corpo da mãe: ele o glorifica, embeleza, endeusa, avilta ou despedaça – mas não me intimem a aprofundar a discussão, pois me falecem condições para tanto. Sugiro que se queixem a Lacan (foto), Freud e seguidores, pois o papel a mim reservado é tão só o de agente provocador. Entre nós, o texto agoniza entre fotos de purpurina em colunas sociais, clamando por justiça, enodoada a memória dos clássicos. Balbucio virou fala; texto tatibitate, jornalismo.

Clique e veja/ouça Gil “falando bonito” de Vinícius de Morais.

(O.C.)

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Enredos de concursos em Caravelas e Ilhéus
são parecidos. MP exigiu anulação

A S&R Concursos e Pesquisas não enfrenta problemas apenas no concurso público em Ilhéus, onde o Ministério Público estadual detectou falhas no sistema de segurança e aplicação das provas e a Polícia Federal prendeu dois funcionários da empresa por fraudes (confira AQUI e AQUI). Problema semelhante foi registrado em Caravelas, também no sul da Bahia, e a prefeitura teve de anular o concurso, em 2010.

O mesmo golpe de funcionários da empresa no certame de Caravelas seria aplicado em Ilhéus: candidatos do esquema teriam a pontuação alterada para que ficassem entre os primeiros dos cargos que disputavam.

Essa estratégia não vingou em Ilhéus porque o Ministério Público, por meio da promotora Karina Cherubini, recebeu denúncia sobre a alteração das notas. Imediatamente, exigiu da S&R que aumentasse o rigor para garantir o sigilo e a segurança na aplicação das provas. Aí, restou vazar – mediante pagamento – os gabaritos e conteúdos das provas. A Polícia Federal frustrou essa tentativa.

PONTUAÇÃO “TURBINADA”

Agora, compare o enredo dos dois concursos: no município do extremo-sul baiano, promotores públicos detectaram irregularidades nas notas finais da filha e de um sobrinho do prefeito Luiz Alvim Delgado, o Loló (PP).

De acordo com o MP, Kellen Delgado fez 82 pontos na prova, mas o resultado final foi alterado para nota 86, deixando-a em quinto lugar na disputa pelo cargo de enfermeira.

O sobrinho do prefeito Loló, Reginaldo Boroto Delgado, disputou vaga de fiscal tributário e teve sua nota alterada de 54 para 66 pontos. A “turbinada” na pontuação deixou o sobrinho do prefeito em quarto lugar na disputa por vaga.

O concurso visava preencher 172 vagas na prefeitura e já havia sido suspenso anteriormente. Ainda na investigação da promotoria em Caravelas, descobriu-se fraude entre a nota divulgada no site da SR Concursos e o número de acertos de aproximadamente 40 candidatos. Estes seriam os “protegidos”. O prefeito acabou assinando um termo de ajustamento com o MP, cancelando o concurso e lançando novo edital.

VAZAMENTO DE GABARITO

Agora, outro ponto onde os casos de Caravelas e Ilhéus convergem: além do esquema para “turbinar” a pontuação dos candidatos quando na leitura dos cartões de resposta, o Ministério Público enxergou indícios de que candidatos do concurso realizado em Caravelas receberam o gabarito da prova antes da sua aplicação.

Em Caravelas, não apenas as provas como também o concurso foi anulado. A prefeitura teve de lançar novo edital e aplicou o exame no final de março deste ano, ainda sob grande desconfiança dos candidatos, após três cancelamentos por fraudes e irregularidades.

Tudo isso junto, ajuda a entender o estrago na imagem da S&R e porque o seu dono chorou copiosamente na Polícia Federal em Ilhéus, ontem. No mínimo, trabalhava com funcionários “espertos”. Vinícius Oliveira, empregado preso em flagrante ontem, em Ilhéus, disse que estava em situação financeira ruim, assim como a S&R.

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CONCURSO DA PREFEITURA DE ILHÉUS É CANCELADO

PREFEITURA MANTÉM A S&R E ANUNCIA NOVA DATA DE PROVAS

EMPRESA LAMENTA FRAUDE EM CONCURSO E CANCELA PROVAS

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Do Estadão

Rei completará 70 anos no dia 19.

Bossa-novista, roqueiro, crooner sinatriano, romântico, ativista ambiental, bolerista, baladeiro, trilheiro de motéis, sertanejo, funky, soulman. Em 51 anos de carreira, é um leque de amplidão admirável, incomparável no songbook de qualquer artista vivo.

Em sua figura, fundem-se Beatles e João Gilberto, o carola e o conquistador, o amante dos carangos envenenados e o inimigo dos hábitos perigosos. É o santo e o herege, o revolucionário e o conservador. Maior ídolo popular do País, Roberto Carlos completa 70 anos no próximo dia 19 – e não poderia ser de outra forma: nesse dia, apaga as velas do seu bolo no palco do Ginásio Álvares Cabral, em Vitória (ES), às 21h30. Ingressos custam de R$100 a R$ 320 e é show beneficente.

Há 45 anos, quando de sua assunção como ídolo do emergente iê-iê-iê, o chamavam de Rei da Juventude. Hoje, ficou apenas o título nobiliárquico, “Rei”, porque a idade de suas plateias se tornou elástica – pode-se encontrar gente de 8 a 80 anos cantando suas canções nos shows.

“Eu não sei ser Rei, só sei cantar”, diz o artista. Serão 70 anos de idade e 56 anos de gravações – a primeira vez que sua voz foi captada foi em 1955, num registro feito pelo radialista Genaro Ribeiro em discos de alumínio para gravações experimentais.

Roberto está longe de se comportar como um ídolo no crepúsculo. “Não penso em aposentadoria, vou continuar trabalhando, vou continuar cantando”, disse no Rio, em dezembro. “Ainda quero realizar muito mais, principalmente no tema do amor.”

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Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

Matam em nome do amor, matam em nome da revolta, matam em nome de uma religião. A verdade é que as pessoas andam matando e morrendo em nome de muita coisa, carentes de fé em Deus e de atenção.

Era para ser mais uma quinta-feira normal de aula, mas não foi. Provavelmente, alguns alunos despertaram com uma enorme expectativa para começar o dia. Os mais preguiçosos tiraram uma sonequinha a mais e chegaram atrasados. Os mais pontuais estavam na porta antes mesmo dos portões se abrirem. Quem trabalha ou convive com adolescente sabe que o mundo deles gira muito mais ao redor da escola que da própria casa.

É ali que conversam, brincam, paqueram, se descobrem e descobrem que a vida é muito mais que os sonhos que seus pais sonharam para eles. É ali, na sala de aula, nos pátios e nos corredores, que tudo acontece: amores avassaladores, paqueras desastrosas, conversas proibidas, amizades efêmeras e duradouras. Tudo de bom e de ruim, a depender da ótica de quem observa. E de quem vive.

Um rapaz entrou na escola fortemente armado e disparou tiros contra crianças e adolescentes indefesos. E um em especial, de porte da sua inocência e bondade, mesmo ferido, saiu em busca de socorro. Pediu que policiais fizessem alguma coisa pelos demais, sem ao menos ter a certeza de que sairia vivo daquela tragédia. Graças a Deus, teve seu pedido atendido. Que sorte a dele, encontrar policiais fazendo uma blitz ali perto, hein?!

Esse não é mais um caso de insegurança pública. No meu humilde ponto de vista, não é. Acho que esse é mais um caso de insanidade mental. Porque um ser humano que trama um massacre contra quem quer que seja, não pode ser ou estar normal. E o que me preocupa, senhores leitores, é que ele não é o único.

Estamos adoecendo da mente com facilidade. O índice de pessoas com depressão só aumenta e muitas famílias ainda preferem esconder. Matam em nome do amor, matam em nome da revolta, matam em nome de uma religião. A verdade é que as pessoas andam matando e morrendo em nome de muita coisa, carentes de fé em Deus e de atenção. E essa falta de atenção a que me refiro é falta de observação diária daqueles que estão ao redor.

Loucura é doença, e não motivo de riso. Observe o comportamento dos seus, analise as atitudes, converse e peça ajuda quando achar que algo está saindo dos trilhos. Não tenha vergonha de ter uma pessoa da sua família ou do seu círculo de amizades precisando de cuidados especiais. Quem ama de verdade cuida, se preocupa, tenta resolver. É melhor abraçar um tratamento psiquiátrico de alguém que amamos, com a cabeça erguida, que abraçar um caixão de alguém que amamos, com vergonha…

Manuela Berbert é jornalista e colunista da revista Contudo.

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Candidatos reclamam de desinformação e organização de concurso (Foto Maurício Maron/Bahia Online).

Desorganização. Revolta. Sentimento de abandono. Neste domingo (10), pela manhã, muitos candidatos chegaram ao local de provas do concurso público da Prefeitura de Ilhéus, sem que tivessem a exata noção do que estava acontecendo. As escolas estavam vazias. Os portões, fechados. Não havia, sequer, um funcionário da empresa ou da Prefeitura para informar os motivos.

Suspenso ontem à tarde depois que a Polícia Federal encontrou em mãos de um funcionário da empresa realizadora, gabaritos e provas que seriam aplicadas no dia seguinte (confira aqui), o concurso foi, pela quarta vez, transferido, agora para 8 de maio. Mas muitos candidatos de outras cidades e até de Salvador já estavam a caminho de Ilhéus e só ficaram sabendo minutos antes do horário previsto para as provas que o concurso havia sido transferido mais uma vez.

Carlos Salatiel Mascarenhas, saiu sábado (09) à noite de Feira de Santana. “Olhei o site da empresa por volta das 23 horas e não havia absolutamente nenhuma informação a respeito do cancelamento”, garante. Ele disse que no cancelamento anterior ele chegou a ligar para a empresa SR para perguntar o que havia acontecido. “Eles me atenderam e me disseram um monte de desaforo e me mandaram ler a errata do edital. Cheguei a pedir desculpas pelo telefone”. Salatiel disse que fez um esforço enorme para estar em Ilhéus neste domingo. “Não voltarei mais”, afirmou.

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