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O corpo de um homem que residia em Coaraci, no sul da Bahia, está há uma semana no necrotério do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), em Itabuna, e já provoca desconforto a pacientes e equipe médica devido ao odor e adiantado estado de decomposição. O paciente estava internado no Hblem, onde faleceu.
O serviço social do Hblem entrou em contato com as secretarias de Saúde e de Assistência Social de Coaraci. A promessa era que o corpo seria encaminhado na sexta-feira, o que não ocorreu.
Pacientes e profissionais de saúde reclamam. O odor tornou-se insuportável e atinge enfermarias, sala de observação e salas de médicos e enfermeiros do Hospital de Base.
O blog entrou em contato com a prefeita de Coaraci, Josefina Castro. Ela afirmou que o translado não ocorreu antes devido a questões legais, pois nenhum familiar ou responsável pelo paciente apareceu para que pudesse ser feito o encaminhamento. A promessa da prefeita é de que o translado ocorrerá nesta segunda (20).

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O secretário da Educação de Itabuna, Gustavo Lisboa, sem dúvida uma raríssima exceção em meio ao extenso cortejo de nulidades que é o governo Azevedo, deverá marcar entrevista coletiva para os próximos dias. Quer apresentar números de sua gestão e já confessou a amigos que tem resposta pronta caso lhe perguntem se pretende ser candidato a prefeito em 2012.
Lisboa, que acalenta o projeto de dedicar mais tempo à carreira acadêmica, rejeita a possibilidade e quer até que gravem sua negativa… Para não deixar dúvidas!

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O vacilo da atriz Susana Vieira no programa Domingão do Faustão, apresentado por Fausto Silva na rede Globo, já é o quarto assunto mais comentados no Twitter mundial nesta noite (Confira). A atriz foi para a plateia e pulou no colo de dois homens – o mais novo é o namorado. A movimentação rápida e o vestido folgadinho (!) fez com que um dos seios da artista de 67 anos ficasse exposto diante das câmeras da emissora de tevê. Confira vídeo no Youtube.

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O azar de Dilma é o pragmático PMDB com maior poder de pressão na busca de mais ministérios, cargos no primeiro e segundo escalões e de outras benesses.


Marco Wense
A presidente eleita Dilma Rousseff vai contar com uma maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado, com dez partidos apoiando a governabilidade, incluindo aí o PT e suas diversas tendências.
Sem dúvida, um Congresso Nacional menos oposicionista e barulhento quando comparado com o do governo do presidente Lula, que foi até ameaçado de afastamento no escândalo do mensalão.
O azar de Dilma é o pragmático PMDB mais forte do que no governo anterior, com maior poder de pressão na busca de mais ministérios, cargos no primeiro e segundo escalões e de outras benesses.
O PMDB se fortalece com Michel Temer, presidente nacional da legenda, no exercício da vice-presidência da República, sendo o substituto imediato de Dilma nos casos previstos na Constituição.
O peemedebismo não se contenta com pouco. Vai querer mais, mais, muito mais. Toda vez que receber uma negativa, até mesmo um “nãozinho”, vai criar problemas para o governo nas duas Casas Legislativas.
Como não bastasse o PMDB, Dilma deve enfrentar a ala do PT insatisfeita com a composição ministerial. Sem falar nos aloprados petistas que contaminam o governo com suas estripulias e travessuras.
É bom lembrar que a expressão “aloprado” foi usada pelo presidente Lula para separar o joio do trigo. Petistas foram flagrados carregando dólares na cueca. A banda ruim da política tem que ser extirpada, sob pena de corromper a boa.
A figura do aloprado é universal. Existe em todas as agremiações partidárias. Não é exclusividade do PT. Se há alguma diferença em relação a outros países, fica por conta da impunidade, já que os aloprados brasileiros costumam debochar da justiça.
Dilma defende o petista Cândido Vaccarezza para a presidência da Câmara dos Deputados. Arlindo Chinaglia e Ricardo Berzoini, este último ex-presidente nacional da legenda, trabalham para eleger o desconhecido Marco Maia (PT-RS).
A primeira derrota política de Dilma, que deveria ser proveniente de uma articulação envolvendo os oposicionistas do PSDB e do DEM, vai terminar sendo construída pelos “companheiros”.
É o PT versus PT, para o desespero de Dilma e a alegria dos tucanos e democratas.

NOVA ELEIÇÃO, NOVA CHAPA

O desfecho do imbróglio envolvendo a Câmara Municipal de Itabuna, se haverá ou não nova eleição para a Mesa Diretora, continua sob nuvens cinzentas.
Tem até gente falando em nova chapa, encabeçada por Milton Cerqueira, com o apoio do prefeito Azevedo e dos vereadores Clóvis Loiola, Roberto de Souza, Raimundo Póvoas e Milton Gramacho. Outro edil, guardado como “segredo de justiça”, está sendo sondado para ser o primeiro-secretário.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Itabunense Beto Oliveira é o treinador da campeã Porto Seguro.

A Seleção de Porto Seguro faturou o primeiro título do Campeonato Intermunicipal da sua história com uma campanha quase perfeita. Nesta tarde de domingo e diante da torcida, a equipe bateu Conceição do Coité nos pênaltis, por 3 a 0, após empatar em 1 a 1 no tempo normal.
A seleção treinada pelo itabunense Beto Oliveira abriu o placar aos 4 minutos do segundo tempo, com Gil, mas permitiu o empate aos 11. As duas equipes empataram a primeira partida das finais (relembre) e a decisão do título veio em cobrança de pênalti.
Curiosidade: o treinador de Porto Seguro, Beto Oliveira, foi rejeitado pelo Itabuna Esporte Clube, hoje rebaixado para a Segunda Divisão do Campeonato Baiano.
E é possível que o Itabuna tenha Beto Oliveira como adversário na disputa da Segundona em 2011, pois a prefeitura de Porto ainda não desistiu da profissionalização da equipe. A Seleção teve investimento mensal que supera a casa dos R$ 50 mil.

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Lula sai com maior aprovação da história.

Um ex-torneiro mecânico sairá da presidência da República com a maior aprovação de um mandatário brasileiro na redemocracia. De acordo com o Datafolha, Luiz Inácio Lula da Silva deixa o cargo com 83% de aprovação popular. O levantamento ouviu 11.281 pessoas em novembro e tem margem de dois pontos percentuais, tendo 13% de regular e 4% de ruim ou péssimo.
Desde a redemocratização, afirma o Datafolha, Fernando Collor saiu com 9% de aprovação. Fernando Henrique Cardoso tinha 26% de ótimo bom, o que dá 57 pontos a menos que Lula.
Quem ficou mais próximo de Lula, Itamar Franco, atingiu 41% de aprovação ao deixar o cargo de presidente da República. O Datafolha também buscou saber do eleitor se o governo Lula melhorou o país. Para 84%, sim.
O petista conseguiu eleger a sua candidata. A ex-ministra Dilma Rousseff (PT) é quem sucederá Lula no cargo, no próximo dia 1º. Não é pouco. Dilma será a primeira mulher presidenta do Brasil e reforça o projeto de 20 anos de petismo no poder.

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Freire era uma das referências em medicina na Bahia (Foto Correio).

Itabuna perdeu uma de suas referências em medicina com a morte de Raimundo Freire Brandão, ontem. O médico cirurgião foi submetido a uma cirurgia de ponte de safena e há dias encontrava-se internado no Hospital Calixto Midlej Filho. O corpo de Raimundo Freire foi enterrado no cemitério Campo Santo, em Itabuna.
O colega Rommel Pires lembra que Freire era “um dos grandes cirurgiões de Itabuna”. Junto com amigos como Eduardo Fontes, Freire foi dos primeiros conselheiros da Organização Hospitalar São Lucas, fundador do Hospital São Lucas, hoje administrado pela Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. “Era uma pessoa com uma integridade única”, completa Rommel.
26 MIL CIRURGIAS
Itabuna perde uma referência, mas fica o exemplo. Nos 48 anos dedicados à medicina, Freire fez cerca de 26 mil procedimentos cirúrgicos. “Foi o terceiro que mais realizou cirurgias na Bahia”, lembra, emocionado, o colega Eduardo Fontes.
Freire foi diretor do São Lucas, do Hospital Calixto Midlej Filho e do Manoel Novaes, além de chefe de cirurgia-geral do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), em Itabuna. Ele também coordenou o Samu 192 na sua fundação, em 2004.
A medicina estava no sangue. Freire era filho de um dos fundadores do Calixto Midlej, o também cirurgião Corbiniano Freire. “Raimundo Freire foi responsável por grande parte dessa turma de médicos de Itabuna”, relembra.
FREIRE E TANCREDO NEVES
A qualidade profissional do médico itabunense pode ser medida por uma das referências na medicina brasileira, o ginecologista e ex-deputado federal Aristodemo Pinotti, falecido em 2009.
Numa entrevista concedida à TV Santa Cruz, em Itabuna, Pinotti disse que Tancredo Neves seria presidente da República “se tivesse adoecido em Itabuna e fosse operado por Raimundo Freire”.
A entrevista é relembrada por Fontes. Tancredo foi escolhido o presidente da República na transição entre os tempos de chumbo e a democracia, na década de 80, mas o maranhense José Sarney, hoje presidente do Senado Federal, acabou assumindo, devido à saúde debilitada do político mineiro operado às vésperas de tomar posse.
Falhas médicas num tratamento de diverticulite agravaram o que, para muitos, era uma cirurgia simples. E os erros forçaram Tancredo a passar por sete cirurgias até a morte, em 21 de abril de 1986 (relembre aqui).
A citação de Pinotti e a memória de amigos revelam bem a falta que Freire fará à nossa medicina.

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A Seleção da Califórnia conquistou o Interbairros 2010. A equipe bateu o São Pedro, por 2 a 1, no estádio Luiz Viana Filho. Os gols do título foram marcados por Wadson e Tibinha.
O jogo registrou expulsão de Marcinho, do São Pedro, por entrada dura no californiano Carlinhos. A seleção campeã somou nove vitórias, dois empates e uma derrota.
O Interbairros itabunense registrou 351 gols em 132 partidas, média de 2,65 gols por jogo. Dois irmãos terminam a competição como artilheiros: Tibinha, que fez o gol do título da Califórnia, e Touro Bandido, do Lomanto, fizeram nove gols cada.
A premiação às melhores equipes e os destaques individuais será entregue no dia 22, na Usemi, às 19 horas, em festa promovida pela Secretaria de Esporte.

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Dejair: acionado pela promotoria e sargento.

Não ficou barato para Dejair Birschner, prefeito de Una, as agressões promovidas por ele contra o comandante de uma operação do Tático Ostensivo Rodoviário (TOR), da Polícia Rodoviária Estadual, em maio passado no trecho da BA-001 no município.
Birschner tentou impedir a polícia rodoviária de fazer blitz e apreender dezenas de motos e carros irregulares que circulavam pela rodovia. E ainda acusou os policiais de receberem propina. Os veículos pertenciam a amigos e eleitores do prefeito de Una.
O prefeito responderá a quatro ações judiciais – obstrução de Justiça, desacato a autoridade, danos morais e calúnia, difamação e injúria. As duas primeiras ações são movidas pelo Ministério Público estadual e as duas últimas pelo Sargento Agnaldo.
Num dos vídeos gravados durante a operação, Dejair diz que os policiais recebem propina para liberar as motos. Mais adiante, afirma: “você (sic) prende, amanhã vou lá e solto as motos”.
Noutro trecho, o prefeito e um irmão dizem que motos apreendidas eram liberadas logo depois por um delegado que eles identificam como “Carlos”. Num dos vídeos, o prefeito manda os donos “rastar” as motos apreendidas na operação.
Confira o vídeo

Clique aqui para assistir ao segundo vídeo

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Da Folha Online:
Pela primeira vez, o Nordeste ultrapassou o Centro-Oeste no financiamento ao consumo. O aumento do crédito à pessoa física deixou a região atrás apenas de Sudeste e Sul neste ranking.
Em 2004, o Centro-Oeste tinha um estoque de crédito 50% maior que o Nordeste para pessoas físicas, diferença que foi sendo eliminada gradativamente desde então.
Apesar do aumento nas dívidas, a região registra a maior queda na inadimplência, cerca de 40%, entre janeiro de 2004 e setembro de 2010, período coberto pelos dados do Banco Central.
Os Estados nordestinos também são os únicos onde o crédito a empresas ganhou participação no período.
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O virtuoso pianista Márcio Thadeu volta a se apresentar em Itabuna, após o sucesso do show “Piano e Eternas Lembranças”. Agora, com “Absolute Piano”, o músico inicia em sua terra natal uma turnê que entrará pelo ano de 2011.
As apresentações serão nesta segunda-feira, 20, e na terça, 21, a partir das 20 horas, no Centro de Cultura Adonias Filho. Estão previstas participações especiais de Lucas Abude e Sérgio Sinattra, entre outras atrações, como a presença da Bahia 4 Quintet Jazz Band, formada pelo próprio Márcio Thadeu (piano), além de Sandro Lima (sax), Silvano Gonzaga (violão), Marcelo Carvalho (baixo) e Damião Santana (bateria).
Ingressos: R$ 10,00 (R$ 5,00 a meia-entrada), mais um quilo de alimento não-perecível, que será doado ao Abrigo São Francisco de Assis.

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Acusado de matar os professores Elisney Pereira e Álvaro Henrique, em setembro de 2009, o ex-secretário de Governo de Porto Seguro, Edésio Lima, será levado a júri popular. A decisão é do juiz Roberto Freitas Júnior, da Vara Crime de Porto.
Elisney e Álvaro eram dirigentes do Sindicato dos Professores e, na época em que ocorreu o crime, lideravam uma campanha salarial da categoria, além de denunciar desmandos do governo municipal na área da educação. Eles foram mortos em uma emboscada na comunidade de Roça do Povo e Edésio Lima foi acusado de ser o mandante do crime.
O ex-secretário chegou a ser preso em Salvador, mas se encontra em liberdade desde o dia 28 de outubro. Três policiais militares que teriam participado dos homicídios ainda estavam encarcerados, mas responderão ao processo em liberdade.

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Wagner em Ibicaraí: contrariedade com grandes produtores (Foto Pimenta).

Os quase três mil produtores de cacau do sul da Bahia beneficiados pela MP 500 já podem refinaciar suas dívidas e se submeter a análise para ter acesso a crédito, segundo afirmou o governador Jaques Wagner em visita a Ibicaraí. A medida provisória foi aprovada no Senado Federal nesta semana e dependia de sanção presidencial. “Uma vez refinanciada a dívida, eles terão condições de crédito para que possam alavancar seus negócios e a lavoura”.
O governador fez questão de observar, tanto no discurso como na coletiva, que a renegociação da dívida do cacau foi a que teve a melhor condição. “Nenhum outro setor da agricultura teve esse processo de negociação. Se alguns não acham que é o ideal, o.k. Foi o máximo que conseguimos tirar do governo federal. O prazo está esticado até 30 de junho de 2011”.
Antes, Wagner já havia feito um discurso duro contra grandes produtores que têm puxado a corda do governo contra o programa de refinanciamento da lavoura. Ele citou um grupo de 4% dos 13 mil produtores beneficiados que buscam o plano “ideal”, apesar das condições “excepcionais” em que foram negociados descontos de 50% a 80% da dívida, a depender do porte do produtor.
Os mais críticos à renegociação estão ligados à Associação de Produtores de Cacau (APC), entidade presidida pelo também diretor do Instituto Biofábrica de Cacau, Henrique Almeida. Ele não esteve na solenidade.
WAGNER: OBRAS DA ILHÉUS-ITABUNA COMEÇAM EM 2011
O governador disse não ter dúvidas de que as obras de construção da nova pista da rodovia Ilhéus-Itabuna começam em 2o11. “Não tenho dúvida nenhuma de que máquinas já estarão trabalhando na duplicação da rodovia em 2011”, afirmou.
Segundo ele, o projeto está nas mãos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte. Os recursos para a obra serão oriundos da versão 2 do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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IMPRENSA, CRISE E SALTO DE QUALIDADE

Ousarme Citoaian

Esta coluna está no ar há um ano, o que possibilita a quem a acompanha saber que temos alguma tendência a meter a mão em cumbuca, cutucar onça com vara curta e mexer em casa de abelhas africanizadas. Então, mexamos, como disse a dançarina: o signatário deste espaço tem, com mais freqüência do que devia, sido chamado a opinar sobre o futuro da imprensa, hoje chamada mídia impressa – e dado uma resposta provocadora: esse segmento não está necessariamente em extinção, como muitos apregoam, mas vivendo uma crise que o mostra maduro para o salto qualitativo que precisa ser dado.

O FIM PRÓXIMO, MELANCÓLICO E INGLÓRIO

Temos dito (e ainda não mudamos de pensar) que parte dos jornais sobreviverá e parte está condenada a um final melancólico. No Sul da Bahia, onde o setor não tem recebido nenhuma espécie de investimento – ao contrário, vê seu capital de giro escapar pelo ralo da irresponsabilidade – a morte da comunicação impressa parece iminente, implacável, inexorável e irreversível. Sem atualização das linhas editoriais, sem investimentos em tecnologia e, sobretudo, em pessoal, o fim se aproxima, e estamos destinados a engrossar as estatísticas dos mortos sem glória na guerra contra a internet.

NOTÍCIA COM QUALIDADE DE PÃO DORMIDO

Nossos jornais se erguem sobre uma estratégia pouco resistente: acreditam que seu público está disposto a comprar notícia como se fosse pão mofado; que esse público não se incomoda de ver a mesma matéria (em geral produzida por órgãos públicos) em todos os jornais; e que os leitores gostam de publicações que se fazem de boletins partidários à direita ou à esquerda, quando deveriam fornecer análises mais ou menos isentas das campanhas políticas. Logo, faz-se uma aposta suicida na falta de inteligência do leitor, quando a lógica recomenda o contrário. Que isso vai dar errado, todo mundo faz que não sabe.

CIDADÃOS CUMPREM A LEI; BANDIDOS, NÃO

Dia desses, em tom aberto de desafio que aceitei de bom grado, me perguntaram se eu era cidadão. Respondi que me esforçava para sê-lo. “E o que é ser cidadão?” – insistiram, agora com uma pergunta de resposta mais difícil. Improvisei algo que, a meu juízo, diferencia cidadãos e bandidos (sejam estes do morro ou da cidade, descalços ou de colarinho engomado, andando de buzu ou em carro de luxo): o cumprimento da lei. É a lei que iguala as pessoas, dá a todas elas os mesmos direitos e deveres, não é feita para servir uns e prejudicar outros. O dito cidadão que não cumpre a lei, bandido é, pois a ele se equipara em comportamento. O substantivo “fora-da-lei” lhe cai muito bem.

VIVEMOS EM BAIXO NÍVEL DE CIDADANIA

Tentei me explicar, com uma espécie de decálogo do cidadão, que vai aqui repetida, não exatamente na ordem em que foi apresentada naquele momento. Cidadão, dentre outras coisas, 1) paga seus impostos, 2) não dirige alcoolizado, 3) não compra CD/DVD pirata, 4) usa cinto de segurança, 5) não joga no bicho, 6) não faz “gato” (serviços de água e/ou energia elétrica), 7) não ultrapassa em faixa dupla, 8 ) não contrabandeia drogas, armas, bebidas ou soja transgênica, 9) respeita a faixa de pedestres e 10) não ”invade” sinal vermelho. Se acaso você disser que não conhece muita gente que proceda assim, estará atestando o indigente grau de cidadania em que vivemos. Mas não me culpe.

O QUE CONTA É LEVAR VANTAGEM EM TUDO

É claro que há outros metros para avaliar o comportamento cidadão (jogar lixo na rua, e dirigir falando ao celular, por exemplo) e também é preciso consciência sobre os direitos, cobrar os compromissos do governo, a clareza de que os serviços públicos não constituem doação de governante bonzinho, mas obrigação do cargo ocupado. Nesta parte, entretanto, estamos bem: mesmo àqueles que não cumprem nenhum item do “decálogo” acima, não falta disposição para criticar todo tipo de atitude oficial. Embora use abertamente a lei da vantagem, o crítico exige pureza do governo. Nesse quesito, o brasileiro costuma valer-se de uma fórmula velha e calhorda: “Faça o que eu mando, não faça o que eu faço”.

O ADJETIVO EM BUSCA DE UM LUGAR AO SOL

Os que escrevem habitualmente dividem preferências quanto ao adjetivo: uns o execram sem o menor sinal de compaixão, pregando reduzir a zero sua presença no texto; outros o aspergem aleatoriamente na página, atrelando-o a qualquer substantivo descuidado. Talvez seja possível encontrar-lhe um lugar, o meio termo, o uso quando necessário. Graciliano Ramos, escritor de estilo “descarnado”, usava esse penduricalho no lugar certo, no momento aprazado. “Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes”, diz ele abrindo magistralmente Vidas secas (citado aqui há poucos dias). Na mesma frase, dois adjetivos certeiros e indispensáveis.

O TROPEL DA BOIADA TOCADA  A ADJETIVOS

Ao descrever a marcha dos bois em “O burrinho pedrês” (Sagarana), Guimarães Rosa (foto) constroi um período cheio de adjetivos relativos ao gado: Galhudos, gaiolos, estrelos, espécios, combucos, cubetos, lobunos, lompardos, caldeiros, sambraias, chamurros, churriados, corombos, coruetos bocaleos, borralhos, chumbados, chitados, vareiros, silveiros… E os toscos da testa do mocho macheado, e as rugas antigas do boi corualão… Uma fartura de dez aliterações, em catorze versos pentassilábicos, se não errei a contagem. Mas o autor ainda não esgotou sua riqueza vocabular para essa impressionante descrição da boiada em movimento.

“DEFEITO” RECEBE ELOGIOS DE GRACILIANO

Algumas páginas à frente, voltamos a ouvir o rumor dos cascos no chão, agora marcado por mais dezesseis versos de cinco sílabas: As ancas balançam, e as vagas de dorsos das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estratos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudade dos campos, querência dos pastos de lá do sertão… Comentando estes trechos, Graciliano Ramos, tido como inimigo dos adjetivos, percebeu em Rosa “certa dissipação naturalista”, mas ressaltou: “Se isto é defeito, confesso que o defeito me agrada”.

MULHERES DE NOEL, OU O AMOR EM VERSOS

Já falamos de Três apitos, samba que Noel Rosa fez para Josefina (a Fina), operária de uma fábrica de botões de madrepérola, que o poeta entendeu ser a fiação Confiança. Mas Fina (foto) é apenas uma das chamadas mulheres de Noel, as musas imortalizadas em versos. Antes dela, Clara Correa Neto, namorico dos tempos de colégio, ganhara Não deixe morrer; mais tarde, Júlia Bernardes (Julinha), diferente de Clara e Fina, maquiagem pesada, bebida idem, sem recatos, anti-romântica: é a musa das mentiras e falsidades nas regras baixas do jogo do amor. Com ela o poeta exercita a ironia e externa seu sofrimento em Vai para casa depressa, Meu barracão, Pra esquecer, Cor de cinza e Feitio de oração.

PESSIMISMO QUE LEMBRA MACHADO DE ASSIS

Esta é a fase mais amarga do poeta: em Vai para casa depressa (com Francisco Matoso) ele fala da disputa de Julinha por “dois malandros de fibra”, dizendo que tal mulher não merece um duelo, e que “Só há uma solução:/ Pra que brigar à-toa?/Basta tirar cara ou coroa/ Com um níquel de tostão”. O otimismo não é recuperado em Cor de cinza: “Com seu aparecimento/ Todo o céu ficou cinzento / E São Pedro zangado”, e muito menos em Pra esquecer, em que se vislumbra um traço de pessimismo à moda de outro famoso carioca: “Prá esquecer a desgraça/ Tiro mais uma fumaça/ Do cigarro que filei/ De um ex-amigo/ Que outrora sustentei”. De toda forma, é pouco provável que Noel tenha lido Machado de Assis.

NOEL DESCOBRE O NOVO CAMINHO DO SAMBA

A produção de Noel em 1933 é fantástica. Todos conhecem umas dez canções desse período, algumas gravadas na cabeça do público interessado em MPB: Três apitos (já resenhada aqui), Onde está a honestidade?, Não tem tradução, Quando o samba acabou, Rapaz folgado (resposta a Wilson Batista) e Feitio de oração. A conturbada fase Julinha teve um intervalo, quando Noel se adoça, abandona a ironia cruel, deixa de ser o amante ferido e volta a ser apenas o poeta genial: nasce Feitio de Oração (sobre melodia pré-existente de Vadico). Sociólogos e musicólogos têm-se debruçado sobre Feitio, exaltando o novo caminho aberto ao samba brasileiro, o feliz casamento da poesia com a música.

“ÚLTIMO DESEJO”: O TESTAMENTO DO POETA

Em 1937, aos 26 anos, tuberculoso, magro e frágil, Noel está morrendo em casa, ao lado de Lindaura, sua mulher (foto, de 1987), e outros familiares. Às portas da morte, ele não esquecera sua grande paixão, Ceci – que levará pela vida afora o testamento cruel do poeta (“Se alguma pessoa amiga/ pedir que você lhe diga/ se você me quer ou não…”), Último Desejo. São também desses derradeiros dias Eu sei sofrer e Pra que mentir (outro “recado” à amada). Às 16h30 daquele 4 de maio, Noel falou qualquer coisa com seu irmão Hélio, fechou os olhos e morreu, aos 26 anos, quatro meses e 23 dias. Na casa ao lado (do músico Vicente Sabonete), cantava-se o partido-alto De babado (Noel-João Mina). Aqui, Último desejo, com Nelson Gonçalves.

(O.C.)