Além dos riscos naturais existentes na rodovia Ilhéus-Itabuna (como por exemplo, a existência de pouquíssimos pontos seguros para ultrapassagem), a desatenção e principalmente a imprudência continuam sendo causa da maioria dos acidentes nessa pista.
Uma advertência: veículos pesados da obra do supermercado Makro têm feito manobras arriscadíssimas à margem da Ilhéus-Itabuna. Merece atenção especial da Polícia Rodoviária.
Gol seguia sentido Ilhéus e micro-ônibus fazia retorno para Itabuna (Foto Pimenta).
Um acidente envolvendo um WV Gol e um micro-ônibus com operários do Dnit, às 5h25min desta segunda-feira (31), matou Luiz Carlos Hewit,52. O micro-ônibus, placas GXA-5139, fazia retorno no quilômetro 24 da rodovia Ilhéus-Itabuna, em frente ao Alaska, quando o Gol (IAJ-3091) bateu na lateral do veículo.
Hewit morreu no local.
Luiz Carlos viajava ao lado do motorista do Gol, Gutemberg da Conceição Marques, 35, que sofreu ferimentos e foi levado para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem), de Itabuna. Os dois seguiam para Ilhéus. Também estavam no Gol Ubaldino Simões, Valdomiro Félix dos Santos e Jailson dos Santos.
De acordo com os passageiros do micro-ônibus, o motorista Rafael Ângelo, que fugiu do local do acidente, fazia o retorno quando foi surpreendido pelo Gol. Pelo menos 15 operários do Dnit estavam no micro-ônibus. Ninguém saiu ferido. Os ocupantes do carro de passeio são de Itabuna e do distrito de Pimenteira, em Ilhéus, e de Itajuípe.
Às 07h37min – O tráfego na rodovia está liberado parcialmente. A polícia rodoviária estadual aguardava a perícia para liberar a pista.
Às 08h20min – A perícia foi concluída e a pista, finalmente, liberada nos dois sentidos, mas o trânsito ainda está lento.
Três lideranças petistas encabeçavam a mobilização pró-Waldir Pires na chapa majoritária do PT: Geraldo Simões, Emiliano José e Rosemberg Pinto. Mas destes, apenas Rosemberg não quis “carregar o andor” até o final.
Na hora H – o encontro extraordinário do PT que escolheu, neste domingo, o indicado para a candidatura ao Senado – Rosemberg não deu as caras, o que causou espanto entre waldiristas e pinheiristas.
Ao final do encontro extraordinário que definiu o nome do pré-candidato do PT ao Senado, o deputado federal Walter Pinheiro (o indicado) fez um discurso em que enalteceu as qualidades do ex-governador Waldir Pires (o preterido), afirmando que a sua participação dignificou o processo. Depois, os dois políticos se abraçaram, num gesto que procurou definir a unidade da legenda.
Waldir já havia antecipado ao governador Jaques Wagner que só iria até o final, submetendo-se aos delegados do PT, por considerar esse caminho mais decente do que desistir no meio do caminho. Disse também que, se derrotado, reconheceria e apoiaria o vitorioso. O abraço de hoje foi um sinal claro, um ato cavalheiro de um político que sempre se portou como autêntico democrata.
Entre os “generais” da campanha waldirista, porém, a derrota não foi assimilada da mesma forma. O deputado federal Geraldo Simões disparou contra Pinheiro em seu discurso no encontro petista, quando só faltava confirmar um resultado já conhecido.
GS declarou, entre outras coisas, que Pinheiro era dos que viam com naturalidade a aliança com César Borges (que seria o candidato ao Senado na chapa de Wagner) e lembrou o episódio da crise do mensalão, quando Pinheiro criticou o PT e cogitou sair do partido. Disse tudo isso, mas sem citar o nome do agora candidato petista ao Senado.
Um ônibus da Cidade Sol quebrou a barra de direção, tombou e deixou cerca de 20 feridos na BR-415, trecho Itapé-Ibicaraí, no sul da Bahia. De acordo com as primeiras informações da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), o acidente ocorreu no quilômetro 53 da rodovia. Os feridos com alguma gravidade estão sendo levados para o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães (Hblem).
Às 20h34min – Segundo a PRE, não houve morte. O ônibus fazia a linha Itabuna-Poções.
Geddel em Ilhéus: "Cacete" nos adversários e esperança para o eleitor (Foto José Nazal).
A campanha peemedebista parece ter encontrado o ‘caminho’ para tentar fazer do deputado federal e ex-ministro Geddel Vieira Lima o vitorioso das urnas em outubro na disputa pelo Palácio de Ondina. Em Ilhéus, ontem à tarde, ele deu pistas de qual será sua estratégia na guerra eleitoral contra o ex-aliado Jaques Wagner (PT) e o ex-governador Paulo Souto (DEM).
Para um público de aproximadamente 300 pessoas, num encontro com lideranças regionais do seu arco de alianças, Geddel iniciou discurso afirmando estar angustiado, triste com a Bahia de hoje.
No script, primeiro vêm os índices da criminalidade no estado, depois a saúde. Bate na educação, no programa de alfabetização Topa (“é uma variante do Todos pela Educação, do governo federal”). E, na tribuna do plenário da Câmara, prega a la Edir Macedo. Gesticula bastante, bate a mão no pedestal à semelhança de um pastor ou juiz após anunciar sentença. Tá tudo errado, imagina.
Geddel: eleição de petista foi milagre.
Os gestos e as palavras são bem escolhidos para animar a militância, afinal, ele possui 9% nas pesquisas, apesar de estar em campanha desde junho do ano passado, quando rompeu oficialmente a aliança com o atual governador Jaques Wagner.
E sobre as pesquisas, diz que estas de nada valem neste momento. Se põe a lembrar do ex-aliado Jaques Wagner. Em maio, junho de 2006, prega, o petista pontuava com 5%, 10% das pesquisas. “Ninguém acreditou que fossemos capaz de produzir esse milagre [da eleição de Wagner, ainda no primeiro turno]“, acentua, para dizer aos militantes que o povo o tinha como guia de cego naquele início de campanha com índices desanimadores.
Ou seja, se vê hoje como Wagner em 2006. É o discurso “motivacional”. Para dar tons mais dramáticos, pontua que luta contra um governo de gasto diário de R$ 500 mil em propaganda no ano passado.
Paulo Souto começou com 70%, e tomou cacete no primeiro turno.
Souto "tomou cacete no 1º turno".
Do outro lado, o adversário Paulo Souto estava com belos índices de aprovação de governo. “É um que tem uma autoridade muito grande pra falar de pesquisa. Porque começou com 70% e tomou cacete no primeiro turno”.
Os termos e a inflexão na voz têm objetivo: mais do que dizer, convencer o seu “rebanho” de que tem chances. “Acreditem no sonho, se alimentem da esperança, arregacem as mangas e vão pras ruas”.
Após falar de sua angústia com a violência que viceja por estas terras de Todos os Santos e das famigeradas pesquisas, lembra que já espalharam todo tipo de boato para minar a sua campanha.
E aponta como autores das maldades os ex-amigos do PT. – Disseram que Lula me tirararia do Ministério [da Integração Nacional], depois diziam que João Henrique estava brigado comigo, que Edmundo Pereira iria para o PCdoB, que eu não faria sucessor no ministério, que Lula, nas viagens à Bahia, iria mandar eu retirar a candidatura.
Depois de enumerar todos os boatos acima, constata, para alegria das três centenas de militantes: “e como um castelinho de cartas, todas as mentiras foram sendo derrubadas”. Àquele momento, a militância entra numa espécie de êxtase.
O que dizem de mim? Que fui um preguiçoso, omisso ou corrupto? Não.
Hora de falar de suas qualidades, não sem antes pontuar o que imagina como defeitos alheios, “reforço” de que não será um enganador: – o que dizem de mim? Que fui um preguiçoso, omisso ou corrupto? Não. O que eles dizem de mim é que investi demais no estado. É que privilegiei a Bahia, fazendo com que 300 municípios tenham a marca do meu trabalho. Isso é o que respalda o meu discurso.
Aqui, uma pausa para relembrar aos militantes o que “a mídia preconceituosa do sul” fez contra ele: foi “condenado” porque repassou 60% dos recursos de combate às enchentes, para a Bahia. De origem carlista, Geddel segue, aqui, a estratégia do seu criador, Antônio Carlos Magalhães, que tratava de carrear para os seus aliados na Bahia quase todos os recursos federais para o estado. Talvez 5% ficassem para os adversários.
O peemedebista se diz preparado para assumir o governo. Afirma que Souto teve oito anos para poder fazer algo pelo Estado e Wagner, qualificado como omisso e incompetente, quatro anos. Agora, diante dessa Bahia tida como sem rumo, é a sua vez. “O que tenho a lhes oferecer é a esperança”.
Sobre Wagner, disse que saiu do seu governo quando percebeu que essa era uma gestão que não mais lhe alimentava sonhos. Se não alimentou, apressou, como se vê: o de ser eleito novo mandatário da Bahia, ainda em 2010. As projeções miravam 2014, por conta da ruptura inevitável.
Em Salvador, um carro é roubado a cada hora.
À esquerda da tribuna da Câmara, o ex-deputado e candidato a uma vaga na Assembleia Legislativa, o médico Renato Costa, se achega ao blogueiro e constata: “Discurso matador”. As palavras, escolhidas com precisão quase cirúrgica, de fato, empolgaram a multidão. Mas a bola da vez é mesmo seu ex-aliado.
Wagner para adversários: "mágicos" (Foto José Nazal).
Wagner, poucas horas antes, estava no Hospital Regional Luiz Viana Filho, para entregar obras e anunciar outras importantes, além de alertar eleitores contra “os mágicos que vão aparecer na televisão com uma cartolinha” com solução também mágica para todos os males. Uma panaceia. Dizia isso quando falava de segurança pública.
E ainda versando sobre segurança, Geddel fala que não se pode atribuir ao crack – como tem feito o governo – os milhares de homicídios ocorridos no estado, e outros tipos de crimes. “Em Salvador, um carro é roubado a cada hora. Em Feira de Santana, neste mês, duas mortes a cada dia”.
Depois dos dados, promessa. Em seu governo, o secretário de Segurança Pública não será de fora das polícias Civil ou Militar. Os dois nomes de Wagner na segurança pública tiveram ou têm como origem a Polícia Federal. Para Geddel, este é um fato que desestimula os policiais. E lembra que os federais têm contracheques gordinhos se comparados aos de militares e civis. “Ganham três ou quatro vezes mais. É desestimulante”.
Ali, Geddel está acompanhado de alguns deputados e também do senador César Borges. Este, foi o penúltimo a falar. Borges disse que não era homem de ser seduzido, na idade que tem, por falsas promessas. Tratava-se de ataque direto ao governo. Por isso, aliou-se a Geddel em vez do “omisso” Wagner.
Voltemos ao ex-ministro: o peemedebista critica a lentidão do governo no licenciamento e obras do Porto Sul, que se arrastam “há quase quatro anos”. Nem o projeto do porto público foi entregue ainda, acrescentou. Falou de empregos, da falta de ações no sul da Bahia. Num tom que se pretendia messiânico, encerrou pedindo uma ‘chancezinha’. Depois de abraços dos correligionários e novos aliados, Geddel falou de… pesquisas ao Pimenta.
Crença em pesquisa? (Foto Pimenta)
Deputado, o senhor relembrou a história de Wagner em 2006. Hoje, o senhor tem índices parecidos com os dele naquele período.
(interrompe) Não, não.
O Vox Populi diz que o sr. tem 9%?
Eu tenho pesquisas que mostram que nosso índice é muito maior que isso.
O sr. não acredita no Vox Populi?
(irônico) Eu acredito em todas as pesquisas. Só estou dizendo que tenho pesquisas internas que já nos mostram num patamar bem acima desse. Mesmo que considere esse, não pode ser diferente. [O desempenho] vai melhorando à medida que completamos a chapa, as pessoas conheçam nossas propostas e posições e a nossa estrutura fortíssima de aliança participe do processo, fazendo o debate.
Mas a pergunta é: o sr. considerou a eleição do seu ex-aliado um milagre. A sua, acontecendo em 2010, também o seria?
Claro que não. A posição lá [em 2006], era absolutamente diferente. O ex-governador [Paulo Souto] tinha, à época, 70% de aprovação. O atual governador, com toda a estrutura, toda máquina, toda propaganda, não passa de 38% [44%, segundo o Vox Populi].
Tempo de leitura: < 1minutoPolícia localizou os corpos após ligações (Foto Pimenta).
Dois corpos masculinos foram encontrados a cerca de setecentos metros do quilômetro 24 da rodovia Ilhéus-Itabuna (BR-415), próximo da entrada de Itabuna.
A delegada Lícia Vieira suspeita que as execuções estejam ligadas ao tráfico de drogas. Uma das vítimas, um homem negro, aparentando cerca de 30 anos, carregava na mochila um cachimbo, geralmente usado para consumir crack.
Ele foi executado com um tiro de arma calibre 12, disparado contra a nuca. A outra vítima, moreno claro, foi executada com tiro no rosto. Pelo estado dos corpos, suspeita-se que as execuções ocorreram entre sexta-feira à noite e ontem pela manhã.
A perícia encontrou sandálias e boné, supostamente de uma das vítimas, dentro de uma propriedade rural cercada, a poucos metros de onde foram encontrados os corpos.
A primeira viagem do pré-candidato a senador pelo PT, Walter Pinheiro, será para o sul da Bahia. Mais precisamente, para Ilhéus.
Pinheiro estará nesta segunda-feira, 31, a partir das 9 horas, no evento que comemora o Dia da Agricultura Familiar. Será na Praça Dom Eduardo, onde ficam o bar Vesúvio e a Catedral de São Sebastião.
Colado no “senador”, virá o pré-candidato a deputado federal, também pelo PT, Josias Gomes.
Está definida a chapa majoritária governista. Seguindo a vontade do governador Jaques Wagner, o deputado federal e ex-secretário de Planejamento Walter Pinheiro será o petista que vai disputar uma das duas vagas ao Senado Federal pela Bahia. A decisão foi no voto.
Pinheiro foi reconhecido como o vencedor da disputa na forma que, no PT, se define como “por contraste”: ao observar, de largada, uma vantagem expressiva de um candidato sobre o outro (Waldir Pires era o segundo nome na disputa), Pinheiro foi reconhecido o vencedor. A votação ocorreu em Salvador.
Pires e Pinheiro tiveram direito a 15 minutos para o “convencimento” dos delegados. Guilherme Menezes e Geraldo Simões fizeram a defesa de Waldir. Pelo lado de Pinheiro, os “advogados” foram Paulo Rangel e Luiz Caetano. Cada um dos defensores teve direito a cinco minutos para argumentação.
No início da apuração, foi constatada a larga vantagem de Pinheiro e optou-se por abreviar o processo a fim de evitar maiores constrangimentos a quem não leva a disputa.
A chapa governista está assim formada, agora só dependendo da convenção estadual: Wagner candidato à reeleição, Otto Alencar na vice e os deputados federais Lídice da Mata e Walter Pinheiro são os dois nomes governistas na disputa ao Senado Federal.
Conhecedor do resultado que terá o bate-chapa entre Waldir e Pinheiro, o governador Jaques Wagner preferiu ficar longe de Salvador neste domingo e confirmar o placar somente quando algum delegado do PT se dispuser a telefonar-lhe. De manhã cedo, Wagner “se picou” para Santo Estêvão e ainda irá para Itapetinga, onde tem compromissos oficiais.
Alguns petistas, que gostariam de transformar o encontro de hoje em um grande ato de unificação da legenda, lamentam a ausência do governador.
Os delegados do PT – cerca de 350 – já estão no encontro do partido que vai definir o indicado para candidatar-se a senador. O ex-governador Waldir Pires disputa a peleja com o deputado federal Walter Pinheiro, sendo este último favoritíssimo à indicação.
Waldir, que não desiste, vai para o bate-chapa, mesmo contrariando o desejo de Jaques Wagner. Para o ex-governador, a votação é importante, pois permitirá que cada delegado se posicione sobre a candidatura.
O blogueiro (com rima) Ricardo Ribeiro estreia novo espaço no Política Etc, destinado a opiniões e reflexões. Na verdade, ele já vinha produzindo alguns artigos sobre diversos temas e resolveu batizar esta área do blog com o nome “Blogoterapia”. No primeiro texto, uma análise sobre pequenos delitos que muitos brasileiros costumam cometer no dia-a-dia.
Amigo que é amigo mesmo não encontra o outro na fila do supermercado e pede para passar as suas compras. Não procede de igual maneira em filas de banco, cartório e outras às quais tanta gente é submetida, como forma de penitência diária. É constrangedor para o assediado e revoltante para quem espera a sua vez de ser atendido e não recorreu ao beneplácito de uma alma caridosa e cúmplice mais próxima do balcão.
Amigo meu não faça um pedido desses, pois será inevitavelmente rebaixado na escala de minhas considerações. E o camarada pode estar certo de que jamais, em hipótese alguma, será alvo de tal solicitação infame proveniente deste escriba. Sigo à risca o conselho de que “quem tem vergonha não faz vergonha aos outros”.
Certa vez, um sujeito que eu nem conhecia aproximou-se em uma agência bancária, já com a fatura e o dinheiro na mão. Imbuído da mais autêntica cara-de-pau, fez a proposta indecente, que me pegou desprevenido, mas não tanto. Eu simplesmente pedi ao elemento que obtivesse autorização expressa de todas as pessoas que vinham depois de mim na fila e ele, após breve análise da empreitada, desistiu fulo da vida.
Tenho amigos na polícia e eles podem saber que jamais chegarei para pedir favorzinho, jeitinho ou qualquer privilégio. E aviso de antemão que, se eu fizer solicitação dessa natureza, neguem e sugiram tratamento psiquiátrico.
Sei que essa postura pode ser vista por muita gente como radical, pois o costume de pegar atalhos, furar filas, usar da esperteza, é algo que se enraizou na cultura do brasileiro. O problema está em não associar esses pequenos desvios à corrupção endêmica e atávica existente no caráter nacional.
No Brasil, o sujeito que vive à cata de pequenas vantagens indevidas é o mesmo que assiste ao Jornal Nacional e fica indignado com as safadezas dos políticos. Em suma, ele é o girino zangado com os sapões…
Logicamente, é bem mais fácil, cômodo e menos doloroso atacar os defeitos alheios, deixando os próprios sob uma capa de honestidade e conduta ilibada. O negócio é preservar os delitos inocentes de cada dia e ficar na espera vã de que as Comissões Parlamentares de Inquérito consertem esse país. Talvez dê certo, em um belo crepúsculo no Dia de São Nunca.
A lista dos 100 deputados e senadores mais influentes do Congresso Nacional foi divulgada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Sete deputados baianos estão lá. Mas nenhum dos três senadores figura na avaliação criteriosa do departamento.
Dos nomes, quatro integram a bancada de oposição ao Governo Lula. São eles ACM Neto e José Carlos Aleluia, ambos do Democratas, e os tucanos João Almeida e Jutahy Júnior. Dos governistas da bancada baiana, eis os ‘cabeças: Alice Portugal e Daniel Almeida, ambos do PCdoB, e Sérgio Carneiro (PT).
O Diap também pública uma lista com o nome de deputados federais e senadores considerados “em ascensão”. Nesta, os nomes baianos são Colbert Martins (PMDB), Lídice da Mata (PSB) e Zezéu Ribeiro (PT). Os deputados sul-baianos Geraldo Simões (PT) e Raymundo Veloso (PMDB) não integram nenhuma das listas. Clique no “leia mais”, abaixo, e confira a relação completa dos “cabeças”, por estado.
Em jornal e revista (a dita mídia impressa), o texto fala por si, enquanto a foto é fundamental como ajuda. Por isso disseram por aí que quando o mundo se acabar será necessário um jornalista para dar a notícia. Sobrando fotógrafo, melhor ainda. Se o the end da “civilização cacaueira” chegou mesmo, montado na vassoura-de-bruxa, há controvérsia – alimentada pelos laboratórios, que tentam parir cacaueiros resistentes à doença. Enquanto isso, Daniel Thame (foto), pelo sim, pelo não, apresenta-se como o cronista que o assunto exige. Seu Vassoura (Via Litterarum) está na praça, para agitar, provocar e cutucar cérebros anestesiados. Só o bom texto nos redime.
COMBINAÇÃO DE MITO E REALIDADE
O livro, com 23 histórias curtas (média de 2,5 páginas), situa-se, conforme destaca o editor Agenor Gasparetto, no lugar que separa os gêneros crônica e conto, classificação que, de resto, não deve tirar o sono de ninguém. Fiquemos com Mário de Andrade, que simplificou a questão: “Conto é tudo aquilo que o autor chama de conto”. Ou então, que se reconheça em Vassoura as duas facetas: na medida em que registra fatos, seria crônica histórica; já a parte com pitadas (melhor dizendo, generosas porções) de ficção, identificaríamos como conto, pois o livro é, claramente, essa combinação de realidade vivida e mito imaginado.
A ESPERANÇA AINDA ESTÁ VIVA
Daniel Thame introduz a vassoura-de-bruxa na literatura regional, e o faz com textos bem escritos, de feitura concisa e leitura agradável, sem descambar para o mero entretenimento. Ao contrário, sua ficção (surpreendente em alguém forjado no factual das redações) convida a pensar – talvez a mais nobre função da literatura. Se alguém achar que ele pesa no dramático, no humor negro ou na tragédia de seus anti-heróis, poderá estar certo. De minha parte, sinto nesse Vassoura um produto perpassado pela sensibilidade do autor, animal político aristotélico, que, sem disfarce no olhar de compaixão com nossa gente, nos diz que a esperança ainda resiste.
“Em sociedade, tudo se sabe” era um bordão do colunista social Ibrahim Sued (1924-1995). Pois, em conversa, fico sabendo que Itabuna possui uma escola chamada Garrastazu Médici (foto). E me ponho a pensar como a sociedade se curva aos interesses do poder, desdenhando sua própria dignidade. A escola, apesar de não estar poupada nestes tempos de violência, é um lugar sagrado. Sua identificação há de ser alvo de respeito, reverência e orgulho para a comunidade que ela se insere. Nomeia-se uma escola com pessoas que representaram bons exemplos a seguir.
ESCOLA FERNANDINHO BEIRA-MAR
“Eu estudo na escola Anísio Teixeira”; “Eu, na Paulo Freire”; “E eu sou do colégio Eusínio Lavigne” – seria uma conversa esperada entre estudantes que se orgulham dos seus “patronos”. Já “Centro Educacional Jack, o estripador” ou “Escola Fernandinho Beira-Mar” seriam batismos infelizes. Então, por que coube a Itabuna a “honra” de ter um lugar (sagrado, repita-se) com o nome de tal indivíduo? Submeter presos políticos a tortura, com choque elétricos e pau-de-arara (o que o general não fez pessoalmente, mas aprovou) não é pré-requisito para homenagem. Ao contrário.
NÃO QUEREMOS ABRIGAR A DESONRA
Ainda tenho esperanças de que fui mal informado, e que o sanguinário ditador dos anos setenta não identifica nenhuma escola entre nós. Mas, se abrigamos tal desonra, é tempo de professores, autoridades municipais e a comunidade em geral se levantarem num movimento que defenda a honra e a “limpeza” do nobre espaço de formação. É um crime coletivo permitirmos que esses jovens, mais tarde, se envergonhem de mencionar o nome da escola onde estudaram. E estarão certos, pois o lugar do general Garrastazu Médici não é a educação, mas a lata de lixo da história.
Penso haver dito neste espaço que as palavras nascem, vivem e morrem. Mesmo que tal afirmação me tenha dado alguma sobrevida com a CLMH (Comunidade dos Linguistas Mal Humorados), preciso pedir perdão pela bobagem. Fui mal. As palavras só morrem se nós, que com elas lutamos mal rompe a manhã (na feliz expressão do poeta), assim o desejarmos. Digamos que os sem sensibilidade as condenam ao sono quase eterno, à forçada hibernação, à troca por neologismos ainda recendentes a vinho novo. As palavras apenas se cansam e tiram férias compulsórias, até que sejam outra vez trazidas à lida.
RECUPERAÇÃO DO BRILHO ANTIGO
João Guimarães Rosa não me deixa mentir. O autor de Sagarana “acordou” centenas de vocábulos que a língua portuguesa pensava ter abolido. Muitos tão “mortos” estavam que não são encontrados em nenhum dicionário em moda no fim dos anos 50 (quando foi publicado Grande sertão: veredas). Alguns termos até foram, apressadamente, dados como “inventados” por JGR – quando uma análise menos perfunctória mostra que ele os recolheu, nas conversas com o povo nos sertões das geraes ou mesmo em textos antigos. O escritor tirou-lhes a poeira, restituiu-lhes o brilho anterior.
DO MANDU À MADRINHA DA TROPA
A beleza de algumas formas ditas arcaicas de nos expressarmos justifica sua ressurreição. O escritor Adylson Machado (Amendoeiras de outono/Via Litterarum) recuperou, dentre várias palavras e expressões curiosas, “mais enfeitado que madrinha de tropa” (referência à mula que “comandava” a tropa, cheia de guizos e enfeites), “mandu” (encrenca, problema, gente ruim, inconveniente) e “abistunta” (forma aleatória de acertar o preço de mercadorias de valores variados). Se esses termos não têm sido usados, isto não quer dizer que estejam mortos. Apenas dormem, à espera de quem os desperte.
SUJEITO CHEIO DE NÓS PELAS COSTAS
Os alagoanos designam uma coisa muito velha com a deliciosa expressão “do tempo em que candeeiro dava choque” (Dicionário do Nordeste, de Fred Navarro). Aqui na terra do mandu e da abistunta, um sujeito arrogante é dito cheio de nove horas, metido a sebo, cheio de nós pelas costas, podendo meter-se em camisa de onze varas num arranca-rabo, se acaso não tiver as costas quentes. Os pobres vestem roupa porta-de-loja, comem sobe-e-desce (às vezes, com o pão que o diabo amassou) e carregam seus poucos pertences num panacum. Ou bocapiu. Que, aliás, inexplicavelmente, não consta do Dicionareco das roças de cacau e arredores, de Euclides Neto.
Peças que a ignorância me prega. Só há poucos anos fiquei sabendo que uma das canções mais “americanas”, gravação famosa de Frank Sinatra, é… francesa. Trata-se de My way, que ao nascer chamava-se Comme d´habitude(de Thibault, Revaux e Claude François). Paul Anka (foto) comprou os direitos autorais da música, fez a versão para o inglês (dando-lhe o título de My way), em 1967, e a mostrou a Frank Sinatra.The Voice fez a gravação dois dias depois e prosseguiu cantando esse tema, quase obrigatório nos seus shows. No Maracanã, cantou My way para o maior público de sua carreira, 175 mil pessoas (o show entrou para o Guiness).
ALGUÉM JÁ OUVIU COMME D´HABITUDE?
O modelo “canção-francesa-que-vira-americana” já foi referido aqui, com Les feulles mortes, mas não é a mesma coisa. Todo mundo conhece Les feuilles (ou Autunm leaves). Mas você já ouviu Comme d´habitude? Eu também não. A propósito, quem tiver essa música reclame na redação do Pimenta o prêmio a que faz jus (a coletânea O melhor do arrocha, com a faixa bônus “Rebolation”, na voz do Mano Cae). O mais interessante é que Frank Sinatra, após anos e anos cantando My way, revelou que não gostava dessa letra. Disse que quando a cantava se sentia “um gabola” diante da platéia, coisa que detestava.
</span><strong><span style=”color: #ffffff;”> </span></strong></div> <h3 style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>E FRED JORGE CRIOU CELLY CAMPELLO!</span></h3> <div style=”padding: 6px; background-color: #0099ff;”><span style=”color: #ffffff;”>No auge do sucesso, em 1965, a música teve uma versão no Brasil, gravada por Agnaldo Timóteo. Como costuma ocorrer com as
UMA ENORME CARGA DE GABOLICE
De outra vez, acentuou, sobre o assunto: “Eu odeio falta de modéstia, e é assim que eu me sinto com esta música”. A letra não é grande coisa: os americanos são bons melodistas, mas, para nossa sorte, Vinícius (foto), Chico Buarque, Caetano, Paulo César Pinheiro, Humberto Teixeira, Gilberto Gil, Noel Rosa e outros grandes letristas nasceram no Brasil. Mas bem olhada, My way revela enorme carga de arrogância, mostrando o cantor como todo-poderoso, acima dos mortais, dando a Sinatra razão para se sentir incomodado. É um hino ao cabotinismo, com som de caixa registradora: inesgotável fonte de renda para ele e, mais ainda, para Paul Anka.
“MAIOR CANTOR POPULAR DO MUNDO”
No vídeo será possível conferir essa opinião sobre o pedantismo da letra de My Way e identificar muita gente famosa, incluindo Dean Martin e Sammy Davis Jr. (na foto, nesta ordem, com Sinatra), amigos inseparáveis do artista. E também será fácil saber por que uma legião de críticos e fãs apontava Francis Albert Sinatra como o maior cantor popular do mundo.