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aldineto mirandaAldineto Miranda | erosaldi@hotmail.com

Fiquei olhando para a minha querida aluna, parecia dormindo num sono profundo e mais do que nunca pensei no sentido da vida, na brevidade da existência, e em tudo que não tem valor e que damos tanto crédito.

A morte andou me mostrando suas faces esta semana, e de alguma forma rondando próximo à minha vida. Uma vizinha da minha noiva, muito querida por todos, gente boníssima, faleceu. Era uma senhora distinta que vendia salgados deliciosos, lembrei-me da palavra saber, do latim sapere, que significa sabor. O sabor delicioso dos salgados de D. Dora não estava simplesmente no gosto dos alimentos, mas no amor, dedicação que empreendia na confecção destes e na generosidade e felicidade com que trabalhava com ardor e delicadeza. Ela sabia que esses eram ingredientes fundamentais, daí ela imprimia o saber/sabor na feitura dos deliciosos alimentos. Deixará saudade. Quando estava indo para o enterro da querida D. Dora, eis que encontro alguns ex alunos da Uesc, do programa PARFOR, me gritam, ao me ver passando, estavam numa lanchonete próxima ao cemitério, e me informam, desconsolados, que sua colega tinha falecido, uma ex-aluna, que tinha em torno de trinta e seis, trinta e sete anos. Um colega no enterro comentou comigo: “como diria Renato Russo, os bons morrem jovens.”
Fui ao velório e fiquei realmente triste e pensativo, lembrei-me de todas as teorias sobre a morte que a filosofia me concedeu, e cheguei à conclusão de que teorizar é diferente de vivenciar a morte. O corpo antes animado, sedento de saber, de repente imóvel, inerte. Fiquei olhando para a minha querida aluna, parecia dormindo num sono profundo e mais do que nunca pensei no sentido da vida, na brevidade da existência, e em tudo que não tem valor e que damos tanto crédito. Pensei nas pessoas que na vida querem ou quiseram me prejudicar e tive pena delas, pensei em mim e em meus problemas, e percebi que são tão minúsculos… Vi a dor nos olhos dos familiares e me senti solidarizado, e indignado, no momento, com as tramas do destino. Mas, parando pra pensar, compreendi um pouco mais as palavras de Heidegger, filósofo alemão, ao afirmar que o ser humano é “um ser para a morte” e viver autenticamente é não fugir dessa condição.
Lutamos, casamos, construímos coisas, por vezes não perdoamos os erros, somos duros conosco e com os outros, egoístas, mesquinhos, e para que? Carpe diem! Aproveite o dia! Essa é uma sábia frase, pois o dia é só o que temos. Sejamos melhores e intensos em cada dia, pois só temos este momento agora! Sejamos bons agora, amáveis hoje. Não inconsequentes,pois a inconseqüência machuca os outros. E a morte nos joga na cara nossa condição, não temos o direito de nos achar diferentes do outro. Temos um destino comum! Pensei nisso tudo, e no meio do pensamento veio a tristeza, uma tristeza que não posso exprimir porque palavras e teorias não explicam os sentimentos mais recônditos do ser humano.
Mas, no sábado fui a um aniversário em Ilhéus, crianças pulando, a vida transbordando no sorriso de cada menino e menina, esqueci por momentos dos fatos funestos ocorridos na semana, voltando de carro com minha família, a estrada, em um determinado trajeto, estava com os veículos parados, sinalizando um acidente ocorrido. Pergunto o que ocorreu a um homem, ele diz: “acidente entre um carro e uma moto, o casal que estava na moto faleceu”.
Passou a cena na minha cabeça, imaginei todo o ocorrido. Pensei na fragilidade humana, e qual significado daquilo tudo ter ocorrido numa só semana. Talvez não haja significado, seja puramente o absurdo da existência. Talvez, como salienta Albert Camus, sejamos como no mito de Sísifo, homens condenados a levar uma pedra acima da uma montanha, e quando lá chegarmos com ela, fatalmente ela rolará pra baixo de novo, e mais uma vez levaremos a pedra incessantemente, sem refletir sobre a inutilidade e o absurdo de tanta correria para colocarmos a pedra lá em cima. Estamos agindo, e nem sempre refletindo. Viemos a ser um dia, mas um dia também deixaremos de ser. Já pensaram sobre o que vale ou não a pena na vida? Acredito que valeu para D. Dora, e valeu para minha querida aluna. Foram pessoas que viveram com saber/sabor, e dedico este despretensioso texto a elas.
O homem vale por suas ações nessa existência. Tudo o mais, como afirma o belo texto de Eclesiastes, parece-me que é “fugaz e correr atrás do vento (…)”. Carpe Diem! Vivamos com mais saber/sabor.
Aldineto Miranda é graduado e especialista em Filosofia, mestrando em Linguagens e Representações e professor do Instituto Federal da Bahia (Ifba).

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marco wense1Marco Wense

Sobre o imbróglio das nomeações de azevistas e fernandistas, é preciso que as lideranças do PRB, PPS, PSC, PV e PP se juntem no esclarecimento de que tais indicações não partiram exclusivamente de seus partidos.

O óbvio ululante é afirmar que o PCdoB é a mais forte legenda do governo Vane. Como é inquestionável que Davidson Magalhães, diretor-presidente da Bahiagás, é o “cara” do comunismo grapiúna.
Essa influência do PCdoB já era esperada. Sem os comunistas, a campanha do então candidato Vane ficaria no meio do caminho. O apoio político foi importante. O financeiro imprescindível.
Todo esse toma-lá-dá-cá é inerente ao processo político. Não é coisa específica do PCdoB. Todas as agremiações partidárias agem do mesmo modo. É regra.
PRB, PPS, PSC, PV e o PP deram suas contribuições, cada um dentro de seus limites e condições. Não são coadjuvantes, como andam dizendo alguns membros do PCdoB. São também protagonistas.
Sobre o imbróglio das nomeações de azevistas e fernandistas, é preciso que as lideranças do PRB, PPS, PSC, PV e PP se juntem no esclarecimento de que tais indicações não partiram exclusivamente de seus partidos.
Querem empurrar o ônus das esquisitas nomeações para os partidos “coadjuvantes”, deixando o PCdoB de fora e, por tabela, o camarada Davidson Magalhães, pré-candidato a deputado federal.
O RETORNO DE FG
O slogan da campanha já está pronto: “O povão de Deus com Fernando”.  É Fernando Gomes em plena campanha para a prefeitura de Itabuna na sucessão de Claudevane Leite.
Os fernandistas estão eufóricos. Acreditam em um cenário favorável na eleição de 2016, com duas candidaturas se bicando: Vane (reeleição) e Geraldo Simões atrás do terceiro mandato.
Maria Alice e Raimundo Vieira são os mais entusiasmados com o retorno do “grande chefe”. Alice comanda o diretório municipal do DEM.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Juvenal Maynart sugere a estação Joaquim Bahiana para o campus da Ufesba
Juvenal Maynart Cunha
 

O modelo cabruca, o modo tradicional baiano de cultivo do cacau, foi a única forma de produção citada como uma das 10 premissas para a garantia da sustentabilidade na produção de alimentos.

 
Há mais de 250 anos, desde quando foi introduzido na Bahia, o cacau é responsável pela conservação de recursos naturais em sua área de influência. Os primeiros produtores acreditavam que a sombra da cobertura das árvores era necessária para o aumento da produção. Assim, da mata nativa, apenas foi retirada a parte necessária ao plantio da cultura, ou seja, o sub-bosque.
Ao contrário do que diz a pesquisa da CNN citada na nota do Bahia Notícias, a cultura do cacau, no recorte Bahia, é que garantiu a conservação de grande parte do que resta da Mata Atlântica em nosso estado. Tanto é que, ao sobrevoar a região, o turista desavisado pensa estar planando sobre uma mata nativa. Bem, embora em muitas áreas esta já não seja mais intocada, é, sim, um exemplo de convivência entre a produção em larga escala e o meio ambiente. Embaixo da mata há uma cultura intensa, embora de baixo ou baixíssimo impacto ambiental.
Basta imaginarmos que no sul da Bahia, em apenas um hectare com plantação de cacau, no sistema Cabruca, podem ser (já foram) identificadas mais de 270 espécies de mamíferos (90 endêmicas); 372 de anfíbios (260 endêmicas); 197 de répteis (60 endêmicas); 849 de aves (188 endêmicas); 2.120 de borboletas (948 endêmicas). Foram encontradas, ainda, 458 espécies lenhosas, um recorde mundial.
O sistema cabruca é tão expressivo que a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento (MAPA), o adotou como modelo de produção, sistematizado no Projeto Barro Preto de Conservação Produtiva. O modelo Conservação Produtiva é o resultado de um conjunto de ações de baixo impacto ambiental, que prevê, inclusive, o georreferenciamento de todas as espécies arbóreas que compõem a plantação, além de ações que garantam os três aspectos basilares da sustentabilidade no meio rural: o ambiental, o social e o econômico.
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josias gomesJosias Gomes | dep.josiasgomes@camara.gov.br
 

A unidade que se pretende vai permitir a aprovação de projetos que visam aprofundar o processo de desenvolvimento brasileiro e as principais conquistas sociais do nosso povo.

 
O Congresso Nacional dá início a mais um ano legislativo neste 4 de fevereiro de 2013. Este é um ano de importantes desafios para o PT e para a base aliada do governo Dilma Rousseff. Primeiro, o de que a base se mantenha unida em torno dos mais importantes projetos nas áreas sociais e econômicas do governo federal. Ao mesmo tempo, esta união se torna fundamental na implantação de duas reformas urgentes para o Brasil: a política e a do pacto federativo. Enfim, o desafio de fortalecer esta unidade de tal forma que seja possível, em 2014, alcançar nova vitória, mantendo no poder uma aliança que, desde 2003, vem mudando para muito melhor a economia do país e a vida do seu povo.
Convém salientar que a manutenção da unidade da base aliada tem sido obtida apesar de incansáveis ataques que partem de segmentos conservadores dos mais diversos matizes. Estes segmentos têm se aproveitado de momentos os mais infelizes da Justiça, da grande mídia e do Ministério Público. Felizmente, todo esse esforço não tem alcançado seus objetivos, no que diz respeito à quebra da unidade dos aliados e do prestígio da presidenta Dilma Rousseff. E isto somente vem sendo possível em virtude da atitude cada vez mais independente e vigilante do povo brasileiro, um povo consciente de tudo o que vem sendo feito, de forma positiva, em favor da Nação, e do presente e do futuro do Brasil.
A unidade que se pretende vai permitir a aprovação de projetos que visam aprofundar o processo de desenvolvimento brasileiro e as principais conquistas sociais do nosso povo. Ela tem início com a eleição, nesta segunda-feira, do aliado peemedebista Henrique Eduardo Alves, deputado federal nordestino do Rio Grande do Norte, para a Presidência da Câmara dos Deputados. Esta eleição complementa outra realizada na última sexta-feira, 1º, no Senado Federal, quando foi reconduzido à Presidência da Casa o senador Renan Calheiros, do mesmo PMDB de Henrique Eduardo. Em ambos os casos, estão unidos, em torno da composição das Mesas de cada uma das Casas, os principais partidos que constituem a aliança política que haverá de reconduzir Dilma à Presidência da República no próximo ano.
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Cláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com
 

Se os colaboradores de Azevedo, que hoje fazem parte da equipe de Vane e Wenceslau, fossem bons técnicos e profissionais competentes, Itabuna não estaria nessa triste situação em que se encontra e Azevedo certamente não teria perdido a eleição.

 
Estou entre os 45.623 eleitores que, nas eleições de 2012, depositaram na dupla Vane/Wenceslau a esperança de mudança na condução dos destinos de nossa cidade. Durante o processo eleitoral, a equipe de comunicação da campanha de Vane e Wenceslau explorou a palavra mudança com muita competência.
A chapa encabeçada por Vane passou a ser sinônimo de esperança, ética, moralidade administrativa, política de segurança, planejamento, fim do nepotismo e, acima de tudo, de mudança. Até porque as últimas gestões foram caracterizadas por desmandos e incompetência administrativa, comprovadas pelas obras inacabadas e de péssima qualidade, falta de políticas sociais e denúncias de corrupção.
Após 30 dias à frente da administração municipal, Vane e Wenceslau conseguiram transformar a palavra mudança, que foi a marca da campanha, em dúvida, muita dúvida. Compor a equipe com pessoas da administração anterior, pessoas essas responsáveis direta ou indiretamente pelo completo estado de abandono em que a cidade se encontra, fica difícil de entender.
A justificativa do vice-prefeito de que as nomeações atendem a critérios políticos dos partidos aliados, mostra que o “toma lá, dá cá”, uma das piores práticas da política brasileira será uma das marcas desse governo. As nomeações de quadros da gestão do ex-prefeito Nilton Azevedo, como o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano, José Alencar, responsável direto pelas obras de péssima qualidade e muitas inacabadas, que passa a ser o braço direito da secretaria comandada pelo vice-prefeito Wenceslau, é dose para leão. O que era ruim ontem, hoje é tudo de bom.
Outro nome que causa espanto é o de Alfredo Melo, que presidiu a Emasa nos dois primeiros anos de Azevedo e teve as duas prestações de contas rejeitadas pelo TCM. Agora, Melo dirige a pasta de projetos da Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Isto sem falar em outras nomeações, de pessoas que no governo passado tiveram seus nomes envolvidos em práticas no mínimo suspeitas. Nada de pessoal contra os ex-colaboradores de Azevedo, até porque não os conheço, apenas sei que, como profissionais, suas qualidades deixam muito a desejar.
As escolhas do prefeito e do vice-prefeito, dos quadros de Azevedo para auxiliar a conduzir os destinos de Itabuna pelos próximos quatro anos, são fonte de questionamentos. Se a proposta era a da mudança, por que manter pessoas que não apresentaram resultados satisfatórios na gestão anterior?
Se os colaboradores de Azevedo, que hoje fazem parte da equipe de Vane e Wenceslau, fossem bons técnicos e profissionais competentes, Itabuna não estaria nessa triste situação em que se encontra e Azevedo certamente não teria perdido a eleição.
Cláudio Rodrigues é empresário.

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Felipe de PaulaFelipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com

De fato Serres tinha razão. A cada dia podemos notar o quanto a necessidade de formação – em seus mais diversos níveis – passa a ser uma demanda cada vez mais urgente.

O filósofo francês Michel Serres foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, em 1999. Naquela ocasião, enquanto discutia encaminhamentos para o desenvolvimento contemporâneo, ele foi questionado a respeito da educação e seus processos de formação. Serres afirmou o seguinte:
“Acho que, quando digo que o próximo século será o século da formação, não o digo como uma ideia filosófica ou uma utopia. (…) Baseado em experiências, digo que, amanhã, a demanda por formação será cada vez maior. Porém, nossas técnicas de formação e ensino são limitadas por questões de orçamento, de finanças, etc. Estamos, portanto, num momento muito preciso. (…) Esse ponto sem volta é chamado de crise. Portanto estamos aqui numa encruzilhada. Ou mudamos a maneira de educar ou será uma catástrofe. É isso. E acontece que justamente as novas tecnologias oferecem uma maneira de educação diferente, portanto existe a crise e existe a solução para o problema da crise.”
Essa nova maneira de educar, convocada pelo filósofo, passa objetivamente por duas questões fundamentais: a interdisciplinaridade e as novas tecnologias. A primeira delas nada mais é do que o diálogo formativo. Não se pode admitir um profissional contemporâneo que seja altamente especializado em sua área e alheio a temas de áreas adjacentes.
O profissional moderno deve ampliar sua visão de mundo a fim de encontrar uma formação mais completa. É recorrente a queixa a respeito da existência de profissionais que, embora donos de conhecimentos avançados em sua área de atuação, não sabem trabalhar em equipe, não têm trato adequado com clientes ou não sabem o que se passa pelo mundo. A formação interdisciplinar age na minimização dessas deficiências formativas.
As novas tecnologias, por sua vez, abrem um horizonte promissor para a formação. Bibliotecas de todo o planeta disponíveis com facilidade, acesso a informação de modo instantâneo, possibilidade de diálogo com pesquisadores de centros avançados. Poderíamos listar aqui uma infinidade de caminhos a serem experimentados e seguidos.
De fato Serres tinha razão. A cada dia podemos notar o quanto a necessidade de formação – em seus mais diversos níveis – passa a ser uma demanda cada vez mais urgente. Amplie-se ainda mais tal característica em uma região como a sul-baiana, prestes a receber uma série de empreendimentos, como o Complexo Intermodal.
Em breve, o sul da Bahia abrigará a UFSBA, Universidade que está sendo gerada com uma concepção mais ampla. Jovens de toda a região poderão iniciar seus cursos superiores nas suas próprias cidades, fazendo uso das novas tecnologias, ampliando dessa forma o acesso a formação.
Além disso, os jovens graduandos não farão seleção para cursos desenhados nos moldes tradicionais. Serão quatro Bacharelados Interdisciplinares (BIs) em cada Campi da UFSBA: Artes, Humanidades, Ciência e Tecnologia e Saúde.
Após uma formação de base completamente interdisciplinar, dialógica, em consonância com o que há de mais moderno na educação superior mundial, o aluno sai graduado com um diploma de nível superior em uma dessas quatro áreas. Daí por diante, caso deseje, pode seguir seus estudos por mais um, dois ou três anos e obter sua formação nas áreas específicas tal como na universidade tradicional.
É um novo meio de pensar, de formar. É uma nova educação para uma nova universidade. E que irá colaborar com a formação de um novo Sul da Bahia e um novo Brasil.

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marco wense1Marco Wense

Só falta agora ACM Neto defender a reforma agrária, tema já esquecido pelo governismo palaciano.

 
ACM Neto (DEM), ex-deputado federal, hoje prefeito de Salvador, quer ser o mais esquerdista da direita brasileira, uma espécie de ovelha negra do demismo.
Suas primeiras iniciativas como chefe do Executivo estão deixando petistas, socialistas e comunistas atônitos, estupefatos, já que ninguém esperava essa, digamos, “esquerdização” no governo.
Entre tantas medidas, a implantação das cotas raciais para os servidores municipais, aumento do IPTU das mansões e a proibição de nepotismo na prefeitura.
Só falta agora ACM Neto defender a reforma agrária, tema já esquecido pelo governismo palaciano, sem falar nas reformas política e tributária.
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LONGE DO COMPUTADOR
eduardo anunciação foto diário bahiaO jornalista Eduardo Anunciação, do Diário Bahia, já declarou que seus artigos são escritos na “velha máquina de escrever”, como costuma dizer.
Mino Carta, da CartaCapital, é outro que descarta as teclas do avanço tecnológico: “Pego-me a olhar para os colegas da redação, dobrados sobre seus computadores, enquanto batuco na minha Olivetti Linea 88”.
No quesito assiduidade, Anunciação goleia o bom Mino Carta. O velho Duda nunca falhou com sua coluna. São treze anos de Política, Gente, Poder.
Os leitores, com óculos, sem óculos, com binóculos, sem binóculos, agradecem. Não só os de priscas eras como os contemporâneos.
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LENILDO E A AMURC
“Sem partidarização e personalismo”.  A proposta do prefeito de Ibicaraí, Lenildo Santana (PT), foi fundamental para o consenso em torno da sua candidatura à presidência da Amurc.
O governador Jaques Wagner, que escolheu Ibicaraí como a primeira cidade a ser visitada em 2013, tem razão quando diz que “Lenildo se revelou um grande prefeito”.
Mas no comando da Amurc não basta só a preocupação e a luta para tirar os municípios da grave situação financeira. O combate a corrupção é imprescindível.
Para os bons e honestos gestores, o instrumento do corporativismo. Para os abutres do dinheiro público, o desprezo e a condição de “persona non grata”.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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WENCESLAU1Wenceslau Júnior |

Os nomeados são sugestões dos partidos que compõem a base, bem como diversos militantes da campanha, considerado o critério do perfil técnico.

O prefeito Vane tem sido alvos de críticas sobre algumas nomeações para o segundo e terceiro escalões do seu governo. É preciso analisar com cautela antes de emitir juízo de valor.
O mesmo critério que valeu para a composição do Secretariado vale para os demais escalões: A indicação pode até ser política, e é justo que seja porque as relações políticas fazem parte do jogo democrático, mas o nome tem que ter perfil técnico adequado para o cargo.
Outro aspecto importante é de assegurar que não existe nomeação para os quatro anos de gestão. Se seguir a cartilha da gestão em termos de resultados estabelecidos no planejamento do governo, continua, se não mostrar resultados, será substituído.
Outro critério decisivo estabelecido pelo prefeito é o critério ético. Quem se afastar da linha de probidade, economicidade e eficiência, também vai procurar outro rumo, pois no governo não permanecerá.
Os nomeados são sugestões dos partidos que compõem a base, bem como diversos militantes da campanha, considerado o critério do perfil técnico.
Algumas pessoas que já contribuíram para outros governos e foram convidadas a contribuir com o governo Vane não podem e nem devem ser avaliadas apenas porque participaram do governo de “A” ou de “B”, mas pelo currículo, capacidade e pela conduta.
No time de craques escalado pelo técnico Vane, temos umas duas dezenas de quadros que já foram secretários de municípios importantes e/ou já ocuparam cargos de ponta a nível estadual.
Vamos dar tempo ao tempo, o governo está apenas começando. É como o trem que em algumas estações uns vão desembarcando e outros vão embarcando, mas só os que mostrarem competência e seriedade seguirão até a estação final. Afinal de contas, não é uma ou outra nomeação de segundo escalão que dará o norte do governo.
A linha político-administrativa a ser seguida é aquela anunciada pelo prefeito Vane, mudança, austeridade, economicidade, competência e seriedade no trato com a coisa pública.
Wenceslau Júnior (PCdoB) é vice-prefeito de Itabuna, advogado e professor de Direito.

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Karoline VitalKaroline Vital | karolinevital@gmail.com
 

A mortalidade diminuiu e a qualidade de vida subiu vertiginosamente depois que a maior parte da população adotou medidas simples como lavar as mãos.

 
Eu já estava desconfiada. Quando peguei o resultado do exame, minha suspeita foi confirmada e fez com que meu mundo desabasse. Acreditava estar tomando as precauções necessárias para evitar aquilo, porém, o que estava escrito no papel do laboratório contrariou minha certeza. Eu carregava dentro de mim algo extremamente indesejado, que me causava nojo intenso. Minha vontade foi correr até a primeira farmácia para eliminar de vez a razão de meu desespero. E foi isso que fiz. Chegando ao balcão, o meu pedido foi incisivo:
– Qual é o remédio mais potente contra lombriga e ameba que vocês têm?
O balconista da farmácia não entendia por que eu estava tão agoniada para eliminar os meus “hóspedes” nada queridos. Deve ter achado uma grande frescura da minha parte. Pegou uma caixa e disse que a droga seria tiro e queda contra os bichos.
Em casa, fui desabafar com minha mãe. Afinal, lombriga e ameba se pega através da ingestão de alimentos ou água contaminados com fezes.
– Mãe, se eu peguei esses troços, quer dizer que, indiretamente, eu comi cocô. E cocô de sabe lá quem! – como se conhecer a fonte dos dejetos fosse mudar alguma coisa.
– Filha, ter verme é normal. Todo mundo tem! – respondeu-me com desdém.
– Todo mundo tem uma pinoia! Eu não sou depósito de parasita! Estou me sentindo violada, invadida, parece que carrego um alien! Verminose não é como uma espinha, que todo mundo está sujeito a ter. Verme vem da falta de higiene. Sujeira é sinônimo de atraso de vida!
Minha mãe fez um bico, sacudiu os ombros e virou a cara como sinal claro de que estava considerando o meu discurso sanitarista uma grande baboseira. De certa forma, entendi um pouco o que Oswaldo Cruz deve ter sentido no início do século passado. Tudo bem, posso até ter exagerado na cena, porém penso que não deixo de ter razão. Afinal, a humanidade conseguiu se desenvolver mais rápido após a conscientização da necessidade de medidas higiênicas. Limpeza é um bem da modernidade e, através dela, inúmeras doenças puderam ser controladas ou erradicadas. A mortalidade diminuiu e a qualidade de vida subiu vertiginosamente depois que a maior parte da população adotou medidas simples como lavar as mãos antes de ter contato com alimentos, tomar banho diariamente, escovar os dentes, tratar a água, criar rede de esgotos, não acumular lixo, e por aí vai.
O engraçado é que, ultimamente, estão surgindo diversos produtos que garantem proteger você e sua família dos malévolos micro-organismos. Sabonetes bactericidas, álcool em gel, desinfetantes poderosos que fazem os germes gritarem de terror nos comerciais. Mas, paralelamente a isso, fico assombrada como, em pleno século XXI, a era da informação, existe ainda muita gente que encara como normais doenças provocadas pela sujeira. Morre-se de dengue porque cidadãos e cidadãs jogam lixo ao léu e, por mais campanhas educativas que o poder público faça, recusam-se a cumprir a parte que lhes cabe.
Toda essa ignorância acaba resultando em morte. Um sistema medieval coexistindo com a pós-modernidade.
Karoline Vital é comunicóloga.

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aldineto mirandaAldineto Miranda | erosaldi@hotmail.com

A saída é mudar as ações, fazer escolhas diferentes, pensar no outro mais do que no próprio umbigo, abrir-se à solidariedade, e entender que não somos uma ilha.

O título do presente texto foi tomado de empréstimo de um livro do Padre Zezinho, e toca num pressuposto ético fundamental: Como ser bom? Há três palavras que, na verdade, significam questões, que se pode colocar nessa discussão: Devo? Posso? Quero? Pois nem tudo que devo eu posso, nem tudo que posso eu quero, e nem tudo que quero, eu devo…
Essas questões pululam em nossa mente, ainda que não sejam conscientes, todas as vezes que temos que tomar decisões ou agimos socialmente, especialmente quando essa ação nos exige escolhas.  Toda ação individual ecoa no meio social. Por vezes, aprendemos isso a duras penas.
Aprender! Eis o pressuposto ético essencial. Sempre podemos aprender.  A palavra ética do grego ethos tem sua significação relacionada a costume, modo de ser. Ética tem a ver com vida humana, e se é humana, é inacabada, sempre com possibilidade aberta de mudança, considerando o ser humano um projeto em construção, como belamente defende o existencialismo sartreano.
Nesse sentido, não existe ética sem liberdade. O que ocorre, e isso se abre como problema, é que somos responsáveis por nossas escolhas, e elas agem sobre os outros e os influenciam em suas escolhas, as quais são responsabilidade deles também. Ética tem a ver com escolhas, as quais definem o modo de ser de cada um, e, paradoxalmente, por sermos éticos podemos escolher ser bons ou não.
Ser bom não é basicamente um pressuposto religioso, mas uma exigência ética fundamental! Ser bom não significa não errar, mas aprender com os erros. Nas palavras do Padre Zezinho: “As pessoas consideradas santas foram pessoas que erraram menos e acertaram mais.”
Nessa luta pela bondade, claro que haverá erros, daí o aprendizado é importante. O que nos faz éticos não é capacidade de não errar, ao contrário, é essa capacidade de transgredir que nos faz éticos e morais. E a transgressão nem sempre é antiética, especialmente quando ela serve para valorizar a dignidade humana e lutar contra valores hipócritas.
Ser cuidadoso com suas ações sempre, isso nos faz éticos! Se errarmos, temos saída, o que não podemos é estagnar perante os erros. Não é uma atitude censurável que vai fazer com que alguém seja uma pessoa ruim, mas a continuação habitual em praticar tal atitude pode torná-lo ruim. Aristóteles já dizia que é o hábito que nos faz ser bons ou ruins, e a virtude está no equilíbrio.
Há saída para políticos que fizeram ações ruins, professores que tropeçaram em sua tarefa de ensinar, médicos que atendem sem sensibilidade, namorados que amam sem ardor, amigos que o são por conveniência, e para uma sociedade que não valoriza o ser humano.
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walmirWalmir Rosário | wallaw1111@gmail.com

A sala de aula não foi o seu principal sacerdócio, reservado ao jornalismo, um repórter dedicado, um editor que “não brigava com a notícia”

A única certeza que temos na vida é a da morte. Às vezes ela chega sem esperar e conclui sua empreitada, outras, nem tanto, encosta no indivíduo e fica ali apesar de todas as resistências, minando a saúde até concluir o seu intento. Com Juarez Vicente de Carvalho foi assim, não adiantou espernear, a morte venceu a vida.
Tristes, nós, que gostamos de Juju (apesar dele ter morrido), estamos de luto, embora sua morte não vá apagá-lo de nossas memórias. Cumpriu o ciclo da vida. Nasceu, cresceu, viveu e foi embora. Particularmente, considero a vida (o viver) uma das características mais importante de Juarez Vicente, dada a sua vontade de exercê-la em sua plenitude.
Professor de Química, Juarez deixou um legado de conhecimento repassado aos alunos, hoje homens feitos e que sentem orgulho quando falam do seu professor. Mas a sala de aula não foi o seu principal sacerdócio, reservado ao jornalismo, um repórter dedicado, um editor que “não brigava com a notícia”.
E foi assim que foi conhecido nos veículos de comunicação por que passou, notadamente nos rádios e jornais, onde tratava a notícia com seriedade, mas sem desprezar as especulações. O “Bokadefogo”, como era conhecido pelo título da coluna que sempre levou para os veículos em que trabalhava, cuspia marimbondos. Era implacável.
Com a mesma seriedade com que tratava a comunicação social nos veículos de comunicação, exercia os cargos de assessoria de imprensa de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo com responsabilidade. Transitava bem dos dois lados do balcão, como se diz comumente no jargão do jornalismo.
E Juarez não se limitava somente ao exercício da labuta das redações e assessorias. Era um sindicalista que participava de todas as lutas dos profissionais de comunicação, compartilhando com os companheiros de congressos, mesas redondas e workshops com a mesma desenvoltura de uma mesa de negociação salarial.
Juarez Vicente - P&BSua luta está registrada na direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), particularmente na Delegacia Sindical do Sul da Bahia, da qual participou como candidato da eleição mais concorrida, no final da década de 1980. Perdeu a eleição, mas não a dignidade e o ímpeto para a luta.
O Juarez Vicente das redações, que por vezes não fazia concessões para escamotear a verdade, era o mesmo Juarez Vicente poeta, com livros publicados e participação ativa na vida cultural grapiúna. Fundador do Clube do poeta, exerceu também sua presidência, cuja contribuição é por demais conhecida.
Multifacetado, ou multimídia, tanto faz, ainda conhecemos o Juarez Vicente cantor, com passagens por diversos grupos musicais e bandas de Itabuna. Com um vasto repertório de sambas, boleros, jovem guarda, bossa nova e jazz, animava as madrugadas nos quatro cantos de nossa cidade.
A boemia era uma das facetas de Juarez Vicente, onde colecionava amigos tantos para um grande bate-papo nas mesas de bar da cidade. Aconchegado num desses ambientes debatia com maestria desde a atividade de um varredor de ruas até as científicas viagens à lua, com argumentos irrefutáveis.
Lá pras tantas, para evitar as distensões por conta da ingestão de cachaça e cerveja dos participantes da mesa, sabia como ninguém encerrar o bate-papo que descambava para o prenúncio de uma confusão:
– Deixa pra lá, isso é uma questão de hermenêutica, está entre a dialética e a metafísica – argumentava com altivez.
E não se fala mais nisso!
Adeus, Juju!
Walmir Rosário é jornalista, advogado e editor do blog Cia da Notícia www.ciadanoticia.com.br

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marco-lessa-festival-do-chocolateMarco Lessa | marcolessa@m21.com.br
 

É preciso compreender que um aniversário infantil é um evento. Um culto é um evento. Uma reunião num restaurante é um evento. E cada local ou evento deve requerer o suporte profissional e autorização dos órgãos competentes para acontecer ou funcionar.
 

O que tirar de lições em meio a tanta dor? Que a vida é o que realmente importa. Que a economia mais irresponsável e burra que um empresário pode ter é com segurança e planejamento.
Antes de mais nada, é importante tirar os holofotes dos eventos culturais ou musicais e repensar qualquer local que reúna um número maior de pessoas, como igrejas, restaurantes, bares, clubes, postos de gasolina, etc.
A boate onde ocorreu a tragédia poderia ter segurança e extintores. Mas fogo, material inflamável e excesso de pessoas formam uma uma bomba relógio. E desta vez estourou.
É preciso planejar e considerar todas as probabilidades, todos os riscos e, se houver algum relevante, considerar seriamente até o cancelamento do evento – reunião de pessoas em torno de um objetivo comum.
Como organizador de eventos há mais de 20 anos, sei da complexidade deste setor, que envolve, num simples show, mais de 30 fornecedores diferentes, com responsabilidades diferentes, que vão desde o local a montagem de uma enfermaria, da empresa de bebidas a montadora de estrutura como palco, etc. Quando o evento é um congresso, um festival, torna-se mais complexo ainda.
Há cerca de cinco anos, quando presidente do Convention Bureau, criei, em parceria com o Centro de Convenções de Ilhéus, uma série de reuniões entre produtores, organizadores de eventos, entidades, órgãos públicos, autoridades e sociedade civil, visando regulamentar a realização de eventos no Centro de Convenções e que gerasse um documento para a cidade. Nasceu uma cartilha inédita na Bahia, elogiada inclusive pela Secretaria de Turismo do Estado.
Precisamos retomar e ampliar essa proposta, em caráter imediato. É preciso compreender que um aniversário infantil é um evento. Um culto é um evento. Uma reunião num restaurante é um evento. E cada local ou evento deve requerer o suporte profissional e autorização dos órgãos competentes para acontecer ou funcionar.
O Festival de Verão, por exemplo, reuniu em Salvador, recentemente, mais de 100 mil pessoas e nada de grave aconteceu. Em Santa Maria, eram menos de 2 mil e 240 desapareceram precocemente.
A vida é o que realmente importa.
Marco Lessa é publicitário e presidente da Atil (Associação do Turismo de Ilhéus).

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marco wense1Marco Wense

O momento é de reflexão. Recomeçar com humildade, reconhecendo os erros cometidos, é o melhor caminho para se manter politicamente vivo.

Juçara Feitosa, ex-primeira-dama de Itabuna, duas vezes candidata ao Centro Administrativo Firmino Alves, não vai mais disputar a presidência do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores (PT).
Sem dúvida, o primeiro importante passo do deputado federal Geraldo Simões para enfraquecer o discurso de que seu projeto político é familiar, como gosta de dizer o pessoal do PCdoB.
Geraldo Simões, cada vez mais carente de apoio e distante de um terceiro mandato, não pode ter como adversário o próprio Geraldo Simões.
O momento é de reflexão. Recomeçar com humildade, reconhecendo os erros cometidos, é o melhor caminho para se manter politicamente vivo.
VANE E O ELEITORADO
Se Claudevane Leite fizer um bom governo, quebra o tabu do segundo mandato consecutivo. A reeleição significa o surgimento de uma nova e forte corrente política: o vanismo.
Do contrário, fazendo um governo medíocre, muito abaixo do esperado, a decepção e a revolta, sem descartar a volta ao passado com Fernando Gomes, Geraldo Simões ou Azevedo.
Um grande desafio pela frente, já que o eleitorado cansou da política do “feijão com arroz”, com a sobra do dinheiro público indo para os bolsos dos governantes e de seus homens de confiança.
Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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ariel (1)Ariel Figueroa | colunadeturismo@gmail.com
 

Senti a falta dos turistas fotografando, tentando dançar, se esforçando por participar. Senti a falta de Ilhéus.

 
Dois capoeiristas, três estivadores, algumas baianas e muita raça. Este é o balanço de uma festa que já foi grande. Participei mais uma vez da lavagem da Catedral, do início ao fim. No final da festa ficou um sabor amargo na boca, o retro gosto não foi legal. Faltou muito, faltou tudo.
À margem de Ilhéus passou o cortejo de baianas festejando São Sebastião ou Oxossi. A Cultura de Ilhéus foi dizimada, vulgarizada, marginalizada, deu tristeza ver o cortejo passar e o olhar das pessoas mostrar o desconhecimento do que estava acontecendo. Ilhéus esqueceu suas tradições. A Ilhéus ariana esqueceu sua cultura.
Estive no Mercado de Artesanato, cheio de turistas e estes sem saber que nesse preciso momento estava acontecendo uma das mais belas festas populares de Ilhéus; parece que as pousadas e os hotéis não informaram a respeito da lavagem da catedral. A Atil – Associação de turismo de Ilhéus – precisa incorporar seu papel de pelo menos divulgar o que está acontecendo aqui, pelo menos. Senti a falta dos turistas fotografando, tentando dançar, se esforçando por participar. Senti a falta de Ilhéus.
Não se trata de ser ou não povo dos terreiros, é uma coisa nossa coisa de ilheense participar da lavagem da Catedral. Pelo menos isso eu aprendi na década de 90, era assim. Os terreiros estão a cada ano pensando se descem para a festa ou não, isso tá claro. Enquanto a lavagem continuar a ser uma festa organizada por políticos, está fadada a acabar. Acredito que uma reunião entre os envolvidos seja necessária, de forma urgente.
Ano passado, na hora do caminhão pipa, a água faltou. Este ano tinha um caminhão pipa reluzente de novo, mas faltou uma coisa: Axé.
Lavagem da Catedral sem Axé não faz sentido.
Ariel Figueroa é turismólogo. Editor do site Coluna de Turismo

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jabes ribeiro 3Jabes Ribeiro

E este é o nosso desafio, depois de reorganizarmos Ilhéus: preparar o município para que possamos nos beneficiar dos recursos que estão vindo.

Montes de lixo nas ruas, o mato crescendo nas calçadas, prédios públicos da importância da Casa de Cultura Jorge Amado, do Teatro Municipal e do Arquivo Público fechados ou ameaçados de fechamento por conta do péssimo estado de conservação.
A esta degradação se somam uma dívida que corresponde ao valor de um orçamento anual do município e salários de novembro, dezembro e 13º atrasados, num quadro que mostra apenas uma parte dos problemas que encontrei ao assumir a Prefeitura de Ilhéus, cidade conhecida em todo o mundo graças aos livros de Jorge Amado, um dos seus filhos mais ilustres, e famosa pela sua história e belezas naturais.
Ao tomar posse, o primeiro passo foi iniciar o trabalho de reorganizar a cidade, deflagrando um mutirão para tornar as ruas ilheenses mais agradáveis para os milhares de turistas que nos visitam, especialmente neste período de alta estação, e mais qualidade de vida para os habitantes.
Com a ajuda de empresa privadas, até porque sentei na cadeira de prefeito sem ter acesso a nenhuma das contas municipais, bloqueadas pela Justiça, e sem um real para gastar, já foi possível retirar o lixo que estava acumulado, varrer as ruas, limpar as calçadas e as praças, além de regularizar o serviço de coleta diário.
Em paralelo, tivemos que adotar medidas duras para tentar controlar as finanças, a exemplo da redução dos gastos com pessoal, de modo a poder adequar a administração à Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que a folha salarial atinge 70% das receitas líquidas do município, quando o máximo tolerado é de 54%.
Não é por acaso que o ex-gestor conseguiu o feito extraordinário de ter cinco contas do seu mandato, em cinco anos, rejeitadas pelo Tribunal de Contas dos Municípios.
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