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Marco Wense

 

Maia versus Moro. Um embate interessante, que tende a sair como vitorioso quem tem mais vivência e experiência política. Sem dúvida, Rodrigo Maia, do Partido do Democratas (DEM).

 

De um lado, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, do outro Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

O impasse promete fortes emoções. As declarações de ambos são picantes. Maia chegou a chamar Moro de “funcionário do presidente Bolsonaro”, que está “confundindo as bolas”. Conclui o desabafo dizendo que “está ficando uma situação ruim para ele”, obviamente se referindo ao ex-juiz.

O imbróglio gira em torno da pressa para aprovar o projeto contra o crime organizado e o combate à corrupção. “Que o projeto tramite pelo Congresso Nacional com a urgência que o caso requer”, diz Sérgio Moro.

Não satisfeito com a crítica pública de Moro, o presidente do Parlamento federal chegou a dizer que o ex-juiz está copiando o projeto de Alexandre de Morais (STF). “Tem poucas novidades no projeto dele. Vamos apensar um ou outro projeto, mas o prioritário é o do ministro Alexandre de Morais”, alfinetada Rodrigo Maia.

Maia acha que Moro quer atropelar o trâmite normal a que deve ser submetido qualquer intenção, seja pelo próprio Legislativo, Executivo ou Judiciário. Moro, por sua vez, insinua que Maia não está demonstrando interesse por suas propostas contra os diversos tipos de crimes.

Pois é. Maia versus Moro. Um embate interessante, que tende a sair como vitorioso quem tem mais vivência e experiência política. Sem dúvida, Rodrigo Maia, do Partido do Democratas (DEM).

Os Poderes da República estão cada vez mais rebeldes com o preceito constitucional de que devem ser independentes e harmônicos entre si, o que não é nada bom para a solidez do Estado democrático de direito.

PS – Revendo minhas anotações, o modesto Editorial do Wense foi programado para encerrar no número 300. Peço desculpas aos leitores. Vamos seguir em frente. Um abraço a todos.

Marco Wense é articulista do Diário Bahia.

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Efson Lima

Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los

Certo dia, falei a uma pessoa que estava pesquisando sobre a Academia de Letras de Ilhéus (ALI). A interlocutora indagou: Por qual razão pesquisar sobre a Academia de Letras de Ilhéus? Agora, aproveito o momento para responder e abordar quanto essa instituição tem colaborado com a Bahia e a literatura nacional.

A Academia de Letras de Ilhéus alcança os 60 anos, precisamente em 14 de março de 2019. O professor Arléo Barbosa, historiador e membro da ALI, registra em Notícia Histórica de Ilhéus (2013) que a data para fundar a Academia foi escolhida em homenagem ao aniversário de Castro Alves, mas o patrono é Rui Barbosa, constituída a partir do arquétipo francês de 40 cadeiras, cujo modelo é observado em outras academias, inclusive na Academia Brasileira de Letras. As reuniões aconteciam aos sábados na casa de Nelson Schaun que, com Plínio de Almeida, Wilde Oliveira Lima e Nilo Pinto, traçou os desígnios da instituição. A instalação da Academia só aconteceria em 29 de junho de 1959, conforme apontou Francolino Neto em Reflexões Acadêmicas (1990) no capítulo “Jubileu de Pérola da Academia”, cuja data foi comemorada a 28 de dezembro de 1989 com a presença de Abel Pereira.

Transcorridos sessenta anos, podemos dizer que temos uma instituição regional? Recorro ao conceito de instituição apresentado por um dos membros da ALI e um dos nomes mais consagrados do Direito no Brasil, Edvaldo Brito, que considera “instituição” a repetição de fatos, acontecimentos que corroboram para a institucionalidade. Portanto, a ALI tem repetido seus atos durante todo esse percurso. Mesmo sem sede própria na maior parte do tempo – ora realizando reuniões na casa de um membro ora se encontrando na Associação Comercial de Ilhéus. Só em 2004 a ALI teve sua sede própria, graças à persistência de Ariston Cardoso, que solicitou ao então prefeito Jabes Ribeiro, que doou o imóvel. Atualmente o ex-prefeito é membro da ALI em virtude da promoção da cultura, recuperação e inauguração da Casa de Jorge Amado e reforma do Teatro de Ilhéus e da Maramata.

Sem exagero, temos um diamante. As bodas de diamante estão no salão. É como se estivéssemos diante de um casal que alcança os 60 anos de casamento. Significa que enfrentou muitos desafios, vivenciou fatos e acontecimentos, mas se mantiveram firmes no propósito do amor e não se desintegrou no momento da dor. Que bom! Pois, tudo parece ser fuga, as relações surgem e desaparecem instantaneamente. O arcadismo virou fichinha. Tudo parece ser tudo mais rápido. Mesmo assim, há casais que insistem em conviver, assim como a ALI que se manteve firme em seus objetivos.

As academias de Letras mundo afora são ecléticas, heterogêneas. São compostas de escritores, profissionais liberais, artistas. No Brasil, como o bacharelismo insiste em dar tônica, verifica-se massiçamente a presença de juristas, médicos e jornalistas nesses sodalícios. O importante é que elas são espaços que cultuam as letras, as artes, a cultura. Não por acaso são também adjetivadas como academia de letras, arte e cultura.

É obvio que as academias, por vezes, tornam-se espaços elitistas, entretanto, não podemos acusar de espaços ingratos com a identidade nacional, regional e/ou local. As academias colaboram para a perpetuidade da memória de um povo. É espaço de discussão, diálogo, é lugar de se retroalimentar. E em tempos difíceis são esses recintos que nos conduzem para momentos de sol. Aliviam nossas almas e nos levam à lua quando a Terra parece estar insuportável.

O jornalista Antonio Lopes, quando da sua posse de membro efetivo na ALI, comemorou os 42 anos da Academia e rogou por mais 42 anos, cujo discurso foi publicado no livro Estória de Facão e Chuva (2005). Aproveito para reproduzir trecho, pois, o escritor é um dos maiores cronistas e sintetiza muito bem o espírito do espaço em tela: “Senhoras e senhores, só os vivos sonham, só os vivos reagem. Portanto, nem estão mortos os acadêmicos, nem a vida morreu na Academia de Letras de Ilhéus. Nem morrerá, enquanto houver sonhos e pessoas para sonhá-los, pensamentos e pessoas que pensam, esperança e pessoas que esperam, sempre, sempre e sempre, infatigavelmente… Foi assim nesses primeiros 42 anos e assim será nos próximos 42 anos, por vontade de Deus e por esforço dos homens.” Eu agora, humildemente, peço licença para desejar mais 60 anos. Precisamos acreditar nas instituições e nas pessoas. As instituições e a diversidade institucional enriquecem o mundo. Possibilita uma dialética saudável e colabora para um debate público e sincero.

A Academia tem o termo “Ilhéus” em seu nome, poderia até ter outra nomenclatura, mas preferiram os fundadores fixar no substantivo próprio da Princesa do Sul, mesmo tendo confrades de outras cidades. A ALI não é só uma instituição. Ela reúne várias instituições. É embrião intelectual da região sulbaiana, sem desmerecer o Grêmio Olavo Bilac. Pode causar estranheza quando algumas pessoas não oriundas do sul da Bahia fazem parte do sodalício, certamente, os membros sabem por qual razão justa estes fazem parte e podem ser chamados de confrades.

Estão cônscios também porque as pessoas que não nasceram no chão grapiúna foram convidadas nas primeiras horas para participarem do nascedouro da ALI. É o caso de José Cândido de Carvalho Filho, o único fundador vivo da Academia. Por sinal, possui uma trajetória de imensa envergadura profissional e intelectual, razão pela qual prédios públicos recebem seu nome. Foram as situações também de Jorge Medauar (em 1959 foi vencedor do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro na categoria “Contos/crônicas/novelas”) foi natural de Uruçuca, bem como Soane Nazaré, membro da ALI, que merece um livro título de livro que aborda sobre Nelson Schaun, um dos fundadores da ALI, organizado por Maria Schaun.

O professor Soane Nazaré está para a nossa formação educacional universitária assim como Edgar Santos está para Bahia com a UFBA e Edivaldo Boaventura com a UNEB e a interiorização do ensino superior no estado. Talvez, a mais firme e consistente contribuição da lavoura do cacau esteja reunida no “projeto de modernidade UESC”. Graças ao visionário Soane Nazaré, que também é membro da ALI.

Aliás, Jorge Amado, membro fundador da ALI, um ano antes da fundação da Academia, em Gabriela, Cravo e Canela, sinaliza parte da formação humana da nação grapiúna, evidenciando a presença de pessoas oriundas de outros lugares. A personagem principal da obra é retirante. Nascib sintetiza o estrangeiro. Jorge Amado, o filho de Ilhéus mais ilustre na literatura, dispensa comentários. Temos muito a pesquisar sobre ele, a sua obra e a repercussão desta para o mundo da Língua Portuguesa. Ilhéus deve muito a memória deste escritor. Em visita à Casa de Jorge Amado percebi o quanto pode ser juntado de material para tornar o ambiente ainda mais rico. A Semana de Jorge Amado precisa ser consolidada. Ilhéus é uma Cidade Literária. Precisa descobrir esse potencial. As ruas exalam literatura na Princesinha do Sul, como o fervo ferve em Olinda e a música toca em Salvador.

E ainda falando de gente grande, por qual razão não falar do professor e geógrafo Milton Santos, ganhador do Prêmio Vautrin Lud – o Oscar, o Nobel – da Geografia em 1994. Um incansável pesquisador e crítico do sistema capitalista e da globalização. Foi membro da ALI e professor do IME.

É necessário transcorrer sobre Adonias Filho, que foi residente da ALI no ano do Centenário de emancipação de Ilhéus. Este escritor conseguiu em uma palavra sintetizar o que a nação grapiúna também produzia além do cacau: escritores. Sem dúvida alguma, escritores e dos bons. Registra-se a passagem de Zélia Gattai pela Academia de Letras de Ilhéus, que também foi membro da Academia Brasileira de Letras.

Discorrer sobre a ALI é encontrar Telmo Padilha, um poeta reconhecido no exterior. Lembro-me dos especiais do jornal Agora, informando sobre a presença do poema de Telmo Padilha na ONU. E Hélio Pólvora? Tive o prazer de em vida, quando da fundação do Grêmio do Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães em Ilhéus, participar da concertação que o homenageia com o nome da agremiação. Nosso eterno contista e cronista. É não descansar sem abordar, mesmo de que forma singela, Sosígenes Costa. Nosso escritor premiado em 1960, na segunda edição do Prêmio Jabuti de Literatura, categoria Poesia, com o livro Obra Poética. É Sosígenes Costa que nomeia o campus da UFSB localizado em Porto Seguro.

A morte é termo certo, na linguagem do direito, mas causa-nos surpresa toda vez que alguém parte. Em 08 de março do corrente ano, fomos surpreendidos com a notícia da morte de João Hygino via o Blog Pimenta. Ele foi membro da ALI e persistente acadêmico do sodalício, deixando ociosa a cadeira n.01. Foi autor de Deus e os Deuses (2008) e exaltou Porto Seguro, sua cidade natal, em 1966. O mais significativo é que o corpo físico da pessoa pode desaparecer, mas não submergem as ações, o pensamento e a produção intelectual. O cultivo da imortalidade intelectual é parte contributiva desses silogeus.Leia Mais

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Luciano Veiga

 

 

A resposta talvez esteja em “quem não sabe comunicar, se trumbica”, ou seja, não basta se comunicar é preciso SABER SE COMUNICAR.

 

O velho guerreiro Chacrinha já dizia “quem não se comunica, se trumbica”. No mundo midiático em que vivemos, o nosso querido Guerreiro, se aqui estivesse, talvez acrescentaria ao seu jargão a frase “Quem não sabe comunicar, se trumbica”.

A comunicação no universo político viveu nos últimos tempos forte influência do marketing. Quem não se lembra que as últimas eleições foram marcadas com um modelo, que podemos denominar candidato produto. Os marqueteiros acostumados a trabalhar com produtos, tornando-os conhecidos e desejados pelos consumidores, fizeram o mesmo com os candidatos. Pesquisas qualitativas davam o contorno das propostas, do vestir, do falar, do agir, construindo um slogan “eu faço, eu quero, eu posso”.

No período Donald Trump, a mídia social ganha espaço, que seja pela universalização destes veículos de comunicação, do linguajar do pessoal às redes sociais, criando seguidores e devotos em um sistema que chega a todos, quebrando barreiras. Denominada como comunicação direta, foi também protagonizada no Brasil nas últimas eleições.

O que virou cartão de visita, tem-se transformado no cartão de saída.

No Brasil, dizemos quando o candidato é eleito, o mesmo precisa descer do palanque. Hoje, nos tempos modernos, podemos dizer que o mesmo precisa deixar de twittar e dar espaço à comunicação institucional, afinal, a sua comunicação passa a ser inerente ao cargo que ocupa e à instituição que representa.

As mídias sociais, consideradas pelos críticos como terras de ninguém, têm provocado vítimas entre celebridades, atores, desportistas, políticos e outros, que têm as suas vidas íntimas devassadas, na maioria das vezes quando eles mesmos postam textos e vídeos polêmicos.

Hoje, já se faz uma nova interpretação de preservação de imagem. Vale a pena ter milhares de seguidores ou ter a vida de volta e a instituição preservada? A resposta talvez esteja em “quem não sabe comunicar, se trumbica”, ou seja, não basta se comunicar é preciso SABER SE COMUNICAR.

Daí, como o mundo gira rápido e os valores acompanham estes movimentos, e todo movimento em regra parte de um eixo, logo, o giro volta ao marco inicial. Voltamos então ao que dizia os senhores e senhoras na porta de casa, na calçada ou na janela, valores se constrói a partir de casa e se consolida na sociedade. E cuidar destes valores não tem preço.

Assim como dizia a minha saudosa mãe, cuidado com o que fala, pois as palavras são como pregos, deixam as suas marcas na tábua.

Luciano Veiga é administrador e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc) e, Atualmente, secretário executivo da Amurc e do CDS-LS.

*Trumbicar – “Diz-se da ação de copular ou do ato de e prejudicar com algo, “se dar mal”.

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Manuela Berbert || manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

 

“Que audácia é essa, Mangueira?! Quem vocês pensam que são para fazer isso?!”, sugere, em um relato que demonstra a mesma firmeza das mãos desta foto. “Nos nossos calcanhares carregamos dor misturado com sonhos!”

 

Essa imagem me chamou atenção em uma rede social, especialmente pela garra que representa. Esta mulher, que carrega um mundo no olhar, chama-se Evelyn Bastos, Rainha da Bateria da Estação Primeira de Mangueira, tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, campeã deste 2019 com o enredo “HISTÓRIA PARA NINAR GENTE GRANDE”. Na contramão das escolas que convidam e convidaram artistas e celebridades para ocupar o posto, inclusive.

A apuração ainda não tinha acontecido no momento em que cheguei ao perfil dela na rede, mas a narrativa que acompanhava esta imagem, no meu entendimento, já tornava Evelyn uma campeã na vida. Conta, com determinação nas palavras, que o enredo atraiu tantas críticas que a mesma teria chegado a achar que era uma espécie de déficit de atenção de muitos, até entender que a verdade é que para muita gente é insuportável ver o preto ser exaltado, guerreiro e herói. O entendimento de uma mulher “presa na miséria da favela”, mas que ainda assim desce a ladeira cheia de amor para fazer muita gente sorrir, como a mesma narra.

“Que audácia é essa, Mangueira?! Quem vocês pensam que são para fazer isso?!”, sugere, em um relato que demonstra a mesma firmeza das mãos desta foto. “Nos nossos calcanhares carregamos dor misturado com sonhos! E hoje, além disso, estamos levando para a avenida a história do país negro, mulato e mestiço que nenhum livro vai poder apagar”, escreveu.

Vi um projeto social chamado SAC, de apoio aos moradores de rua do Centro do Rio de Janeiro, e ao Quadril de Mola, Workshop de Samba que roda o mundo. Não me surpreendi. As mulheres, quando descobrem a capacidade de renascer em vida, não olham para o que lhes falta, mas para o que são capazes de construir. E aí, não há obstáculo que consiga interromper sua trajetória!

Manuela Berbert é publicitária e escreve no blog www.manuelaberbert.com.br

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Marco Wense

É sempre assim. Mourão consertando os erros e as declarações, no mínimo constrangedoras e inconvenientes, do presidente Bolsonaro, como a última envolvendo as Forças Armadas e a democracia.

Se não fosse o vice-presidente da República Antônio Hamilton Mourão, quem seria?

É evidente que a pergunta diz respeito a quem estaria corrigindo os escorregões do presidente Bolsonaro, cada vez mais constantes e no dia a dia.

É que os chamados “jornalões”, mais especificamente do eixo Rio-SP, só procuram o general. É só o presidente falar o que não devia ou cometer algum deslize, um ato incompatível com o cargo que exerce, que a ordem é dada aos repórteres: “Vão atrás do Mourão”.

É sempre assim. Mourão consertando os erros e as declarações, no mínimo constrangedoras e inconvenientes, do presidente Bolsonaro, como a última envolvendo as Forças Armadas e a democracia.

Mourão não fugiu de responder a nenhuma indagação dos meios de comunicação. Ratifico que o general é o ponto de equilíbrio institucional e emocional do governo de plantão.

No entanto, como exceção à regra de opinar e defender o presidente, se esquivou de responder sobre o polêmico vídeo pornográfico e a pergunta de Bolsonaro sobre o que é um “golden shower”.

“O vídeo eu não comento, tá bom?”, respondeu o general ao ser questionado. Para muitos correligionários, o silêncio de Mourão significa que esse desagradável fato foi o mais difícil de explicar, de salvar a pele do presidente.

Essa desenvoltura de Mourão, sua ativa participação, vem causando ciúmes no staff bolsonariano. Olavo de Carvalho, guru e referência filosófica de Bolsonaro, chamou Mourão de “extremista fanático”.

Olavo, que andou dizendo que cigarro não causa câncer de pulmão – com a palavra o médico oncologista e prefeiturável Antônio Mangabeira (PDT) -, declarou que está arrependido em ter apoiado Mourão para vice de Bolsonaro.

Cada vez mais mordaz e crítico com o general, sua última investida foi dizer que o vice “afaga os que odeiam o presidente e ofende os que o amam”. E mais: “que enganou os eleitores com posicionamentos recentes que supostamente vão contra o pensamento de Bolsonaro”.

Pois é. E olhe que ainda não tem cem dias de governo, prazo dado para que o presidente eleito coloque a casa em ordem e aponte o caminho que pretende tomar. Do contrário, nem as freiras do Convento das Carmelitas sabem o que vai acontecer com o país e, consequentemente, com o povo brasileiro, principalmente com os mais pobres.

Morão, por sua vez, ao ser perguntado sobre as críticas do guru filosófico de Bolsonaro, desdenhou, fez sinal de irrelevantes e ainda mandou “beijinho”.

Se os modestos Editorias do Wense fossem intitulados, esse seria “O “beijinho” de Mourão”.

O general Antônio Hamilton Mourão vai terminar como uma espécie de “tábua de salvação” do governo Bolsonaro, principalmente no tocante ao relacionamento com outros países, a imprescindível política diplomática.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Domingos Leonelli

 

 

Se o marketing político e a propaganda de modo geral já possuíam muito dessa unilateralidade, pois trabalharam com informações sem contraposição no momento em que são veiculadas, o novo webmarketing é ainda mais unilateral.

 

A sociedade moderna já revolucionou a militância política em termos de comunicação digital. Além das discussões políticas pelo Facebook, das mobilizações convocadas pelo zap, proliferaram-se também os sites e blogs políticos de variadas tendências políticas que em grande medida superam jornais, revistas e até canais de rádio e TV. Informações e opiniões são atualizadas por minuto e, quem acompanha pelo celular ou pelo computador os blogs e sites de notícias, praticamente não vê nada de novo nas notícias noturnas de TV e rádio, ou jornais da manhã.

Para o bem ou para o mal, milhões de pessoas são emissores e receptores de informação e opinião políticas.
Assim, é que no terreno instrumental a política já esta inteiramente “up to date”. Mesmo os acertos, as fofocas e os conchavos são, em grande parte, revelados por sites especializados.

E ainda tem as fake news que, de certa forma, são também reveladoras das intenções dos seus emissores.

Velhos axiomas da política, como um que o ex-deputado Jutahy Magalhães Jr, me citou anos atrás, continuam válidos numa sociedade digital: “quando mentem para mim, eu levo a sério e fico agradecido, pois a mentira traz sempre uma informação e revela no que meu interlocutor quer que eu acredite”.

A vitória da ultra-direita nas eleições presidenciais de 2018 que dizimou o centro e a direita tradicional e derrotou o centro-esquerda no segundo turno, além do uso científico e em grande escala da parafernália da internet, largamente manipulada e fortemente financiada (robots, fake news etc.), contou também com um dado absolutamente relevante: o conteúdo.

Bolsonaro revelou-se o personagem certo, no lugar certo, na hora certa para a veiculação de um conteúdo radical e “revolucionário” na forma, contra-revolucionário na essência. Tudo traduzido na linguagem simples, rápida e rasteira dos celulares e notebooks. Mensagem rápidas e fáceis que traduziam os conteúdos mais longos e didáticos das aulas on-line de Olavo de Carvalho e os textos do seus seguidores, como o diplomata Ernesto Araújo (hoje Ministro), da pastora Damares Alves na área de costumes, do “príncipe” Philippe de Orleans e Bragança e até de uma certa contra-cultura de direita de um tipo como Alexandre Frota.

Na área econômica trouxe ao debate as propostas radicais do neo-liberalismo de Paulo Guedes e seus “Chicago boys”. Apropriou-se também da onda anticorrupção provocada pela Lava Jato, concluindo a operação de marketing com o convite a Sérgio Mouro para o Ministério.

E a cobertura desse bolo de conteúdos mais ideológicos foi a mensagem geral de “acabar com tudo que está aí”. Nesse tudo, inclui-se o toma-lá-dá-cá da política tradicional, a corrupção, os acordos políticos, a mídia (parte dela) que ficou contra. E também o desemprego, a “ideologia de gênero”, os direitos trabalhistas excessivos que tornaram “difícil ser patrão neste país”, os direitos dos índios a terras tão grandes, a política externa de apoio a Cuba e Venezuela.

A verdade é que desde a redemocratização não se assiste a uma campanha eleitoral tão rica de propostas e conceitos, tão claramente expostas. Tudo, é verdade, apresentado unilateralmente sem debates nem uso dos canais abertos de TV e rádio, já que Bolsonaro possuía apenas 8 segundos de tempo de TV.

Se o marketing político e a propaganda de modo geral já possuíam muito dessa unilateralidade, pois trabalharam com informações sem contraposição no momento em que são veiculadas, o novo webmarketing é ainda mais unilateral. E tem a vantagem de serem mensagens dirigidas a públicos escolhidos por sua maior receptividade e capazes, portanto, de reproduzirem os conteúdos indefinidamente.

A campanha de Bolsonaro, baseada na de Obama e Trump, dirigiu-se a um público previamente conhecido, uma minoria de direita, basicamente de classe média, potencializando e transformando a insatisfação em ódio. O ódio contra a “esquerda corrupta”. Ódio contra a defesa dos “direitos humanos de bandidos que geram a violência das ruas”, ódio contra homossexuais e professores que querem “ensinar nossas crianças a serem gays”.

Se isso ocorreu com a classe média de direita, o povão que na sua maioria aderiu, foi fisgado pela insatisfação com o desemprego e a violência urbana.

Mas o que eu quero resumindo o que já se sabe sobre a campanha de Bolsonaro? Demonstrar o quão importante é o conteúdo ideológico apresentado de forma simples, direta e antenada com as principais insatisfações populares.

E enquanto a esquerda fala de democracia, elites (sem dizer quais) desenvolvimento, reparação social, conciliação de capital e trabalho e o empoderamento feminino, a direita foi direto ao ponto com os inimigos implacavelmente definidos e, muitas vezes, personificados em Lula e Dilma.

E também a luta ideológica, contra o comunismo dissoluto, o socialismo da Venezuela, o esquerdismo dos direitos humanos dos bandidos.

Esqueceram Eduardo Cunha e concentraram em Lula, preso por corrupção. Desprezaram o eleitorado do centro e de esquerda e concentraram-se em juntar o ódio pré-existente da classe média à insatisfação popular com três fatores básicos: o desemprego, a violência e a corrupção. Deixaram a agenda dos costumes com os evangélicos e seu imenso potencial de militância.

Ganharam as eleições e agora estão no Governo. Conquistaram o governo nas urnas e estão tratando de consolidar a conquista do Poder com alianças com o DEM dos banqueiros e das telecomunicações, o PP das empreiteiras, o PR dos negócios novos, com a parte do PSDB da burguesia paulista, e com a parte do PMDB fisiológico. E, é claro, articulações com o judiciário de Curitiba ao STF. Essa recomposição com a direita tradicional já obteve duas grandes vitórias: as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com dois quadros jovens do DEM. Com os governadores dos maiores estados da federação completa-se a obra de reaglutinação da direita e parte do centro com a ultra-direita.

A aliança com o DEM e parte do PSDB (João Dória, especialmente) vai possibilitar ao núcleo duro neoliberal radicalizar ainda mais seu programa econômico anti-nacional, rentista e restritivo aos direitos dos trabalhadores.
Enquanto isso a forte presença militar no governo de Bolsonaro ainda é uma certa incógnita. Pode ser um “poder moderador”, porque ao menos os generais têm curso de Estado Maior, noções constitucionais e, presume-se, um resíduo nacionalista.

Nessa área as notícias são contraditórias: Mourão se colocando como bastião do bom senso, contra a intervenção na Venezuela e se posicionando contra o decreto liberando a posse de armas assinado por Bolsonaro e Sérgio Moro. Mas em compensação este mesmo Mourão assinou decreto que mudou a regra de transparência sobre decretos oficiais. E o general Augusto Heleno manda espionar a Igreja Católica.

Como se sabe o governo de Bolsonaro é um arquipélago de grupos familiares, militares, economistas neo-liberais e de costumes. Mas rapidamente pode se reorganizar, juntando a extrema-direita, a direita tradicional e parte do centro fisiológico.

E a oposição?

E a esquerda?

Haverá uma oposição democrática agregando parte da direita tradicional, o centro e a esquerda? Esse parece ser o desejo da maioria das direções dos partidos de esquerda e de centro-esquerda. A formação de uma frente ampla em defesa da democracia. Pode ser que dê certo.

Interesso-me mais, no entanto, nos limites deste texto, a tratar da posição das esquerdas.

Além de cumprir o seu papel fazendo uma oposição aguerrida e, principalmente, inteligente, sabendo se utilizar das contradições no seio do governo, não temendo fortalecer os segmentos menos entreguistas e menos fascistas, valendo-se das modernas tecnologias, políticas e sociais de manejo de dados, a esquerda precisará também de novos métodos e novos conteúdos econômicos, culturais e sociais. Confira a íntegra do artigo clicando no “leia mais”, ao lado.Leia Mais

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Mariana Benedito || mari.benedito@outlook.com

 

Sri Prem Baba, um mestre espiritual brasileiro, tem uma frase que diz que o perdão é uma flor que nasce de sementes de compreensão. É a gente procurar identificar as nossas próprias contradições, se mover na direção de ultrapassar os obstáculos da mágoa e do ressentimento, deixando esses pesos desnecessários para trás e plantar sementes.

 

O perdão tem um significado interessante no dicionário: ação através da qual uma pessoa está dispensada do cumprimento de um dever ou de uma obrigação por quem competia exigi-lo. Aí eu fico cá me perguntando e levo para você essa pergunta, amado leitor; no frigir dos ovos, a carga emocional é maior em quem exige que o outro faça algo de acordo com as suas expectativas ou em quem é dispensado de realizar uma ação que não lhe competia? Ou seja, trocando em miúdos, a densidade que a falta de perdão provoca é maior em quem alimenta o ressentimento ou em quem a gente joga a culpa pelos infortúnios da vida? É que nem aquele ditado: tomar veneno esperando que o outro morra.

Mas aí, meu caro, a gente entra em três vertentes quando fala em perdão: perdoar alguém – dispensar essa pessoa de cumprir algo que a gente acha que ela deveria cumprir; pedir perdão quando temos consciência que magoamos, entristecemos ou machucamos alguém e o autoperdão.

Como tudo nessa vida, a gente só dá ao outro o que tem cultivado e semeado dentro da gente. Quantas vezes a gente se culpa, se pune, se condena por ter agido de determinada forma, por ter caído em determinada situação que já era para ter aprendido a desviar, por ter dito palavras duras em algum momento de ira. Eu, sinceramente, acredito que o fato de a gente ter a percepção que escorregou na casca de banana já é um progresso! A gente ter o discernimento para identificar quando exagera no tom, nas palavras, na reação, na atitude já demonstra que nós estamos atentos. O autoperdão perpassa pelo entendimento de que fazemos o melhor com as ferramentas que temos, mas ainda estamos em aperfeiçoamento – e estaremos por toda a vida. Quando a gente se perdoa, a gente compreende, se liberta e se compromete em fazer melhor da próxima vez.

Você já experimentou pedir perdão? Quando a gente entende que cometeu alguma coisa que prejudicou o outro, magoou, machucou, feriu, entristeceu e se arrepende disso, de forma sincera e verdadeira, essa é a porta para que nós deixemos de lado a culpa e nos libertemos de carregar esse pacote tão pesado. Todo mundo na face desse planetão já machucou alguém, talvez a gente não admita isso com tanta facilidade por medo, vergonha de imaginar que a gente pode ser canal de coisas não tão legais, também; mas a grande chave disso tudo é perceber que errou, se arrepender, abrir o coração pro outro e pedir perdão. Faça a experiência, comece o movimento. Se abra para ele.

E perdoar alguém? Isso requer maturidade de nossa parte. Porque o perdão não é algo racional, consciente, forçado. Não é com a mente que a gente perdoa. E isso vai além do entendimento, é quando a gente aceita que todo mundo erra, todo mundo comete falhas e, das duas, uma: ou aquele que te machucou fez tentando acertar, mas não foi condizente com as suas expectativas – e aí a coisa tem mais a ver com você do que com o outro – ou aquele que te ofendeu também está passando por dores, mágoas e a única maneira que possui é colocar toda essa dor para fora ferindo outras pessoas – aí entramos na área da compaixão.

Percebe? Sri Prem Baba, um mestre espiritual brasileiro, tem uma frase que diz que o perdão é uma flor que nasce de sementes de compreensão. É a gente procurar identificar as nossas próprias contradições, se mover na direção de ultrapassar os obstáculos da mágoa e do ressentimento, deixando esses pesos desnecessários para trás e plantar sementes.

Elas florescerão!

Mariana Benedito é psicanalista em formação, MBA Executivo em Negócios, pós-graduada em Administração Mercadológica e consultora de Projetos da AM3–Consultoria e Assessoria.

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Luciano Veiga

 

Defender o municipalismo é defender a República Federativa do Brasil, no seu conceito e essência, fortalecer os municípios é dá força aos pés que segura o corpo de uma nação, que necessita e exige ficar de pé, e andar, correr e ser “ordem e progresso”.

 

A Federação Brasileira possui um extrato de importância às avessas. É composta pela União de 26 Estados Federados, 5.570 municípios e Distrito Federal. Este recorte federativo, pelo princípio da engenharia, teria nos seus pilares, a base de sustentação, os municípios, raízes da sociedade, dos acontecimentos e realizações. São, portanto, o celeiro político, administrativo e ambiente inspirador ao legislador e ao judiciário.

O município é a célula viva de uma sociedade, entretanto são colocados a margem, como entes enfraquecidos e dependentes.

O conceito de municipalismo que consiste em uma ideologia política, objetiva oferecer maior autonomia aos municípios, atendendo especialmente à organização e prerrogativas das cidades, por meio de uma descentralização da administração pública, tem na sua luta um brilho de reconhecimento e necessidade. Necessidade de deixar mais leve a gestão pública, dando a quem faz os instrumentos, as ferramentas e os recursos necessários para que possamos desenvolver como nação.

A Constituição de 88 traz os municípios como entes federados independentes, político, administrativo e financeiro, sendo inclusive a única constituição mundial em posicionar este ente com tal independência.

A dura realidade dos municípios brasileiros mostra uma outra face onde a maioria destes sofrem de inanição financeira, tornando o seu corpo frágil, muitas das vezes debilitado, tornando presa fácil a uma estrutura política, que prefere tratar de uma alimentação com base de pires na mão, em doses homeopáticas do que torná-los vigorosos e pujantes.

Com tantas frentes parlamentares esculpindo o Planalto Central, em especial nas casas do Senado e a Câmara dos Deputados Federais, não há a uma Frente Municipalista, capaz de defender as demandas e necessidades dos municípios. Entretanto vários congressistas batem no peito e se dizem municipalistas, mas quando estão legislando, em regra, voltam contra os municípios, aprovando despesas e obrigações diversas, sem ao menos apontar as receitas ou capacidade deste ente em atender tal pleito.

Dia 23 de fevereiro, onde se comemora o Dia do Municipalismo, podemos infelizmente afirmar que não temos conquistas a comemorar, mas muitas obrigações. Os municípios carregam os fardos do Estado e da União. Somos o primo pobre e distante, lembrados de quatro e em quatro anos, que, como magia, fazem ressurgir a bandeira do municipalismo, o seu discurso, a sua proposta. Fechadas as urnas, tudo volta a era do antes em um país que não perdeu a sua cultura monárquica, onde os municípios produzem e o rei se veste.

Defender o municipalismo é defender a República Federativa do Brasil, no seu conceito e essência, fortalecer os municípios é dá força aos pés que segura o corpo de uma nação, que necessita e exige ficar de pé, e andar, correr e ser “ordem e progresso”.

Luciano Veiga é administrador e especialista em Planejamento de Cidades (Uesc).

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Egnaldo França || egnegao@hotmail.com

 

 

Se os casos Brumadinho e Mariana poderiam ter sido evitados, se a morte dos jovens atletas poderia ter sido evitado, se o genocídio da juventude negra pode ser evitado, então estes casos não podem ser comparados a desastres naturais ou fatalidades

 

Em 2019, completam-se 131 anos da assinatura de uma lei destinada a tirar negras e negros do cativeiro: a Lei Áurea. Há quem acredite na benevolência da Princesa Isabel; há também quem duvide existir racismo e desigualdade racial depois de mais de 100 anos deste feito. A questão principal é: para onde foram os ditos libertos e quais os reflexos na vida de seus descendentes?

Salto de 1888 para 2019 para iniciar uma reflexão com base em um acontecimento noticiado pelas redes sociais no dia 10 de fevereiro a respeito de uma representante de uma grande empresa de Salvador (BA), que comemorou seu aniversário homenageando o áureo período da casa grande. Na foto principal, ela, a baronesa, posa ao lado de duas mulheres negras como suas mucamas. Esta cena emblemática retrata perfeitamente a obsessão de uma classe que sonha em voltar os privilégios de outrora, onde seres humanos não passavam de meras mercadorias. Fato é que um sistema perverso não permitiu à população afrodescendente o acesso às políticas públicas de forma igualitária, como diz a Constituição Federal de 1988.

A formação das favelas se deu ao longo do século XX, principalmente nos morros das grandes e pequenas cidades, sem possibilitar que negros e negras tivessem as mínimas condições de sobrevivência. Foram abandonados à própria sorte. São essas pessoas as principais vítimas dos deslizamentos que ocorrem em vários estados do país todos os anos, a exemplo do Rio de Janeiro neste ano. Na trilha dos desastres geralmente encontra-se a população pobre que quase sempre não tem outra opção de sobrevivência.

Nesse cenário, o país foi pego de surpresa com o rompimento da barragem de rejeitos de minério em Brumadinho, em Minas Gerais,quando ainda chorava o desastre ambiental provocado pela mesma mineradora em Mariana. E ainda atordoados com estas tragédias, acordamos com a notícia da morte de 10 adolescentes num incêndio em um alojamento improvisado nas dependências do Clube de Regatas Flamengo no mesmo estado onde a imprensa, ao mesmo tempo, noticia a morte de 13 pessoas na Comunidade do Fallet, segundo a OAB, numa execução sumária provocada por policiais. Simultaneamente a esses fatos, nesse mesmo estado, sete pessoas perdem suas vidas durante um temporal.Quem são as principais vítimas nestas tragédias? Tragédias ou crimes?

De acordo com o IBGE, os negros e negras representam hoje cerca de 54% da população brasileira, e mais de 80% desta está em situação de pobreza ou extrema pobreza, que representam mais de 90% da população carcerária e, hoje, ainda é a minoria nas universidades, em especial nos cursos ditos de maior prestígio.

Além disso, os dados oficiais mostram que mais de 80% dos homicídios são de jovens negros e moradores das periferias. E o que tudo isso tem a ver com a foto da casa grande moderna em Salvador? O que ainda observamos é que, em 2019, negras, negros e pobres são as principais vítimas do que se convém chamar de tragédia brasileira.

Se os casos Brumadinho e Mariana poderiam ter sido evitados, se a morte dos jovens atletas poderia ter sido evitado, se o genocídio da juventude negra pode ser evitado, então estes casos não podem ser comparados a desastres naturais ou fatalidades, como uma avalanche no Monte Everest, um tremor de terra na Ásia ou um tsunami na Indonésia. Estes, sim, são desastres naturais. O que ocorre aqui, podemos classificar como crimes. Porém, o que se observa é a comoção diante das explicações das grandes corporações que vivem do lucro e da exploração das vítimas. Enquanto a “Casa Grande” ostenta o poder e comemora suas benesses, a classe trabalhadora e desassistida perece.Leia Mais

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Josias Gomes

 

A Bahia quebrou recorde em praticamente todos os segmentos agropecuários. O sucesso da Agricultura Familiar é um exemplo de como com apoio podemos ter grandes resultados. Segundo a ONU, a agricultura familiar é responsável por 80% de toda produção mundial de alimentos.

 

Companheiros e companheiras, venho agradecer o carinho que recebi ao ser nomeado Secretário de Desenvolvimento Rural. Foram tantas mensagens de apoio que me sinto ainda mais encorajado em cumprir as expectativas. Tenho plena consciência da responsabilidade que é gerir em uma das áreas estratégicas para o Estado e o nosso povo.

O intuito é proporcionar um desenvolvimento sustentável com um forte compromisso com o homem do campo, a agricultura familiar e com todos (as) que direta ou indiretamente trabalham para o progresso do desenvolvimento rural. Desta maneira podemos continuar o excelente trabalho desenvolvido na última gestão, tendo à frente da Secretaria, nosso companheiro Jerônimo Rodrigues e uma equipe de dedicados companheiros e companheiras.

A Bahia quebrou recorde em praticamente todos os segmentos agropecuários. O sucesso da Agricultura Familiar é um exemplo de como com apoio podemos ter grandes resultados. Segundo a ONU, a agricultura familiar é responsável por 80% de toda produção mundial de alimentos.

O agricultor familiar tem uma verdadeira relação de amor com a terra e a sua contribuição social é inestimável.

Prometo total empenho e conto com o apoio de cada um de vocês. Vamos para a ação.

Como o nosso governador Rui Costa costuma dizer: aqui é trabalho!

Josias Gomes é deputado federal e assumirá a Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia.

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Efson Lima || efsonlima@gmail.com

Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA.

A cidade de São Jorge de Ilhéus é conhecida internacionalmente pelas belezas naturais e pela História, mas não somente essas características demarcam a cidade. A Princesa do Sul chama a nossa atenção, a dos visitantes e de diversos interessados também pela literatura. Não nos resta dúvida que o campo literário é construtor do imaginário da cidade de Ilhéus. Vários são os espaços físicos, as ruas e os alimentos que nos tocam pela literatura. A literatura oriunda das terras de Ilhéus até pode ser considerada de cunho regionalista, mas foi universalizada e alcança o mundo.

Aproveito, com a devida vênia, para sensibilizar alguns, que Ilhéus pode aproveitar a qualidade de cidade literária para fazer parte do projeto da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) batizado de Rede de Cidades Criativas. Salvador integra no campo da música. Ilhéus pode fazer parte do clube pela via da literatura. Certamente fará bem à Princesa do Sul e à literatura regional. Certa vez, o escritor Adonias Filho perguntado sobre o que Ilhéus produzia, além de cacau. Ele respondeu: escritores.

A Rede de Cidades Criativas foi criada pela Unesco em 2004, cujo objetivo é promover a cooperação com e entre as cidades que identificaram a criatividade como um fator estratégico para o desenvolvimento urbano sustentável. A rede também está comprometida com o desenvolvimento da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e estão entre seus objetivos o estímulo e o reforço às iniciativas lideradas pelas cidades-membros para tornar a criatividade um componente essencial do desenvolvimento urbano por meio de parcerias entre os setores público e privado e a sociedade civil.

É transformador para os apaixonados por livros caminhar por cenários de obras e lugares onde viveram escritores. Pode se vislumbrar uma experiência romântica, alvissareira, transformadora ou até mesmo alfabetizadora… os sentimentos são os mais diferentes. Afinal, a literatura nos leva a diferentes lugares, deixa-nos curiosos para conhecer e Ilhéus desperta esse fascínio internacionalmente.

A literatura pode ser instrumento de emancipação. Lembro até hoje da minha primeira obra lida – Capitães da Areia, de Jorge Amado. Como não agradecer à professora Ana Maria, do IME. Nunca mais fui o mesmo. Obrigado!

Para uma cidade ser considerada literária, a Unesco impõe algumas exigências: que ocorram eventos literários, como festivais, a existência de bibliotecas, livrarias e centros culturais, públicos ou privados e que tenham por fim último a promoção da literatura.

A cidade de Ilhéus é também uma urbis literária pelos aspectos tão comuns ao campo literário. A cidade pertence a grandes escritores, como Jorge Amado, Adonias Filho, Sosígenes Costa, Hélio Pólvora. A cidade foi parar nos livros e se transformou em cenário e enredo. É a cidade também dos hai-kais de Abel Pereira. É a terra de coração do historiador Arléo Barbosa, personagem vivo e encantador, com seu best-seller regional Notícia Histórica de Ilhéus.

A cidade também é celeiro de jovens escritores como Fabrício Brandão, Gustavo Cunha, Marcus Vinicius Rodrigues, Carlos Roberto Santos Araujo, Geraldo Lavigne, do paulista Gustavo Felicíssimo, às vezes, alguns deles com origem extra Ilhéus, mas que burilam os textos a partir deste lugar. A cidade também é lugar privilegiado para a literatura popular. Aqui merecem registros os cordéis da Mestra Janete Lainha e a sua xilogravura que tanto abrilhanta o mundo da literatura e nos insere neste lugar de destaque.

A cidade é palco do Festival Literário de Ilhéus (FLIOS), que alcança a quarta edição em 2019. Vida longa! É lugar da Mostra Jorge Amado de Arte & Cultura. Esses eventos demarcam o lugar da literatura. A cidade é cenário para diversas obras literárias. É cidade de novela – isto soma e enriquece o aspecto literário.

A cidade possui a Academia de Letras de Ilhéus, que completa 60 anos em março de 2019, cujo lema de “Servir à pátria cultuando as letras”, e não deixa dúvida da qualidade destes abnegados que insistem e nos alimentam com a chama literária (André, Rosas, Pawlo Cidade, Maria Schaun, Maria Luiza Heine, Ruy Póvoas e tantos outros, que injustamente vou deixando de citar). Este é locus importante para a formação e promoção da cultura regional. A UESC pode contribuir para o projeto. Em seu seio está a Editus, que muito tem contribuído para as obras de escritores regionais. A própria Universidade tem desenvolvido seminários e inserido os estudos da literatura regional em seus cursos.

Não obstante, o Programa Estratégico da Cultura – Cultura 500, da Secretaria de Cultura de Ilhéus, traça um cenário para a cidade nos próximos 15 anos e lança as estratégias para Ilhéus chegar aos seus 500 anos, sendo um município referência na área da Cultura, portanto, Ilhéus, Cidade Literária é um caminho.

Por tudo isto, Ilhéus deve perseguir o título de Cidade Literária da Unesco. Ainda não há cidade brasileira na área de literatura. Assim como Florianópolis foi a primeira cidade brasileira a conquistar seu espaço na rede Unesco de Cidades Criativas pela área de gastronomia, em 2014, a Princesa do Sul merece que seu povo se reúna e a confirme como CIDADE LITERÁRIA. De fato, ela já é. Mais que um título, é a confirmação de sua contribuição para a literatura e mais uma porta para a consolidação do turismo e da cultura local. A literatura, a História de Ilhéus com suas estórias e as belezas naturais da Terra de São Jorge encantam a todos.

Efson Lima é advogado, coordenador-geral da Pós-graduação, Pesquisa e Extensão da Faculdade 2 de Julho, coordena o Laboratório de Empreendedorismo, Criatividade e Inovação. Organizador do Projeto Conviver – atividade responsável pela produção de livros/UFBA, além de ser doutorando, mestre e bacharel em Direito pela UFBA.

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Marco Wense

 

O problema é que esse “laranjal” está prejudicando o andamento da Reforma Previdenciária. Hoje, o assunto mais comentado nos corredores das duas Casas Legislativas – Senado e Câmara dos Deputados – é o imbróglio das candidaturas laranjas do PSL.

 

Quem deve estar adorando todo esse furdunço envolvendo o ministro Gustavo Bebianno é Queiroz, ex-motorista da família Bolsonaro.

O “Caso Bebianno” fez Queiroz sumir do mapa. Ninguém fala mais de Queiroz. Cadê Queiroz? Cadê Queiroz? É a pergunta provocativa dos oposicionistas. Quando ela parte de petistas, os bolsonarianos lançam mão do “Lula tá preso, babacas!”.

A Rainha das Laranjas, no entanto, não é do PSL, legenda do presidente Jair Messias Bolsonaro. Maria de Lourdes Paixão perdeu o título para Sônia de Fátima Silva Alves (DEM), que só teve seis votos, mesmo contratando 72 fornecedores.

É bom lembrar que a soma da verba pública para os potenciais laranjas envolve mais de 14 partidos. São R$ 15 milhões distribuídos para candidaturas de outras agremiações partidárias. É óbvio que o MDB está na lista.

O caso Bebianno é um grande teste para Bolsonaro. Terá o presidente força para demiti-lo do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência? Ou vai recuar diante das pressões cada vez mais fortes a favor da sua permanência?

Do lado de Bebianno, só gente graúda: boa parte dos militares, Rodrigo Maia, recém reeleito presidente da Câmara dos Deputados, a maioria da bancada do PSL no Congresso Nacional e outros ministros que compõem o governo.

O clima está tenso. Fica mais explosivo com declarações que só fazem aumentar a temperatura, como “não sou moleque” e “Bolsonaro usa o filho para forçar saída do ministro”, respectivamente do próprio Bebianno e Rodrigo Maia.

É uma situação complicada para o presidente Bolsonaro, daquelas que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Afinal, sua campanha foi assentada na bandeira do combate à corrupção, seja ela praticada por adversários políticos ou correligionários.

O problema é que esse “laranjal” está prejudicando o andamento da Reforma Previdenciária. Hoje, o assunto mais comentado nos corredores das duas Casas Legislativas – Senado e Câmara dos Deputados – é o imbróglio das candidaturas laranjas do PSL.

Como não bastasse toda essa confusão, vem o líder do PSL na Câmara dos Deputados, delegado Waldir (GO), e diz que “o presidente Bolsonaro não tem base para aprovar a reforma da Previdência no Congresso Nacional”.

Mas o pior foi o sincero desabafo do delegado: “Colegas querem participação no governo com cargos e emendas”. Ou seja, que a tal da governabilidade só com o toma lá, dá cá. Do contrário, nada de reformas.

O presidente Bolsonaro, com sua experiência de cinco mandatos como deputado federal, sabe que sem essa troca de interesses não se consegue nada.

O vergonhoso toma lá, dá cá, está encrustado no Parlamento brasileiro, não só no Congresso Nacional como nas Assembleias estaduais e Câmaras de Vereadores.

Quando é que os políticos brasileiros vão tomar vergonha na cara? Religiosamente falando, diria que nem Ele sabe.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Sócrates Santana | soulsocrates@gmail.com

 

Por esta razão a indústria brasileira desenvolveu-se e viabilizou-se em torno de uma cadeia altamente eficiente e orientada aos mercados externos. Atualmente, cerca de 35% dos pomares que fornecem laranja para processamento pertencem às próprias indústrias processadoras e possuem altos níveis de produtividade.

A bola da vez é a laranja. Após uma série histórica de recordes, houve um recuo de 12% em volume e 8% em receita das exportações do suco de laranja brasileiro. Em números, o faturamento recuou de US$ 1,052 bilhão para US$ 968,62 milhões. O detalhe é a negativa participação dos Estados Unidos, que agora atuam diretamente no recuo das vendas. Na safra anterior, os americanos embarcaram 151,26 mil toneladas do suco de laranja brasileiro, enquanto agora este número baixou para 112,65 mil toneladas para portos norte-americanos, um recuo de 26%.Os embarques para a União Europeia, principal mercado para as exportações de suco de laranja brasileiro, também caíram, com queda de 14%. O volume financeiro também caiu 7%.

Ao contrário do mercado europeu, com quem o atual governo mantêm uma relação hostil, o recuo dos EUA não é condizente com o empenho – próximo da subserviência – do presidente Jair Bolsonaro de aproximar os dois países. Não bastasse o presidente americano incitar o Brasil a romper relações comerciais com a China e depois correr para selar um acordo de paz com Xi Jinping, Donald Trump ainda celebra a exportação da carne bovina americana para o consumidor brasileiro, algo que não ocorria desde 2003.

Mas não é a primeira e, certamente, não será a última vez que os EUA pregam uma peça no Brasil. Em 2009, a Organização Mundial do Comércio (OMC) examinou a legalidade de medidas antidumping aplicadas pelos Estados Unidos contra o suco de laranja brasileiro. Felizmente, após 6 anos de sanções, em 2011 o Brasil saiu vencedor. Isso mesmo! Após 6 anos, porque, apesar da OMC só examinar a legalidade das medidas antidumping em 2009, desde 2005 o Departamento de Comércio dos EUA aplicam medidas duras e muitas vezes de conteúdo técnico questionável para o suco importado do Brasil. Na época, o governo brasileiro defendeu os interesses dos produtores nacionais e enfrentaram uma dura batalha comercial com os EUA. Vencemos.

Não era para menos. O Brasil exporta 98% do suco de laranja que produz. Embora os brasileiros sejam apreciadores do suco de laranja, consumimos o suco fresco em função da oferta abundante de fruta. O brasileiro consome aproximadamente 12 litros per capita/ano de suco de laranja, dos quais apenas um litro é de suco industrializado. No Brasil, bebe-se o suco que qualquer outro mercado sonharia em consumir: o suco fresco produzido na hora, seja em restaurantes ou nos domicílios.

Por esta razão a indústria brasileira desenvolveu-se e viabilizou-se em torno de uma cadeia altamente eficiente e orientada aos mercados externos. Atualmente, cerca de 35% dos pomares que fornecem laranja para processamento pertencem às próprias indústrias processadoras e possuem altos níveis de produtividade.

O atual governo, contudo, inicia uma política de comércio exterior até aqui desastrosa. De volta para a China, chama a atenção a queda da participação chinesa no comércio do suco de laranja brasileiro. Além de ser o maior parceiro comercial do Brasil, correspondente a 30% de toda a exportação nacional, o país oriental também é a quarto maior mercado consumidor do suco de laranja brasileiro. Coincidência ou não, a China deixou de importar menos suco produzido no Brasil. Os chineses reduziram a importação do suco de laranja brasileiro de 18,99 mil toneladas para 14,74 mil toneladas. A queda foi de 22% no volume e de 19% no faturamento, reduzindo de US$ 36,9 milhões para US$ 29,9 milhões.

“O Brasil está stand by”, disse o presidente da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-China, Charles Tang. E, pelo jeito, é pra valer. A China tem comprado muito suco não concentrado (NFC) de países como Chipre, Espanha e – coincidência ou não – Israel. Enquanto isso, o Brasil assiste passivo aos ânimos comerciais entre EUA e China, sendo uma espécie de moeda de troca do presidente Donald Trump.

Sócrates Santana é jornalista e gestor de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia.

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Marco Wense

 

O cancelamento da agenda de Bebianno terminou provocando a descoberta desse inesperado encontro entre o ministro da Secretaria-Geral com a poderosa Organizações Globo.

 

Salvo engano, no editorial de segunda, dia 11, comentei sobre o imbróglio das candidaturas laranjas patrocinadas pelo PSL, legenda do presidente Jair Messias Bolsonaro.

As coisas complicaram. A candidatura laranja de Maria de Lourdes Paixão está sendo investigada pela Polícia Federal. Ela teria recebido R$ 400 mil para “disputar” uma vaga na Câmara Federal pelo Estado de Pernambuco.

O empurra-empurra entre Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria de Governo, e Luciano Bivar, atual presidente do PSL, sobre quem autorizou o repasse do dinheiro público, continua.

O presidente Bolsonaro, em conversas reservadas, não esconde sua irritação com as candidaturas laranjas do seu partido. Vale lembrar que Bebianno, cujo discurso era de implacável combate à corrupção, comandava interinamente o PSL e coordenava a campanha do então candidato ao Palácio do Planalto.

Bolsonaro mandou Bebianno cancelar todos os compromissos agendados. O que chamou mais atenção foi o encontro marcado com o vice-presidente de Relações Institucionais da Rede Globo, cujo nome esqueço agora.

É evidente que o ministro Bebianno não iria agendar uma conversa com o representante das Organizações Globo sem o prévio consentimento do chefe.

Estaria Bolsonaro disposto a se aproximar da Globo, contrariando boa parte dos seus correligionários mais próximos?

Pois é. O cancelamento da agenda de Bebianno terminou provocando a descoberta desse inesperado encontro entre o ministro da Secretaria-Geral com a poderosa Organizações Globo.

Marco Wense é articulista e colunista do Diário Bahia.

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Manuela Berbert | manuelaberbert@yahoo.com.br

 

 

A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

 

 

“Mulher está na moda”, escutei ontem. Prontamente discordei, claro! Ainda que durante séculos o papel da mulher tenha ficado restrito essencialmente às funções de mãe, esposa e dona de casa, são inquestionáveis os inúmeros êxitos femininos ao longo dos últimos tempos: o direito de votar, de participar ativamente da sociedade e do mercado de trabalho, além da revolução sexual que, a meu ver, ainda acontece, diariamente, nas nossas casas. É mais sobre CONQUISTA e menos sobre percurso efêmero.

Não precisamos nos remeter aos cenários mundial e nacional para falar de mulheres fortes e destemidas que estão imprimindo seus nomes na nossa história. Hoje, na Câmara de Vereadores de Itabuna, a edil Charliane Souza, única mulher daquela casa, enfrenta diariamente, além da grande maioria dos colegas, o prefeito da cidade, protocolando denúncias e cumprindo o papel de fiscalizadora da administração. Lados políticos e razões à parte, sua perspicácia desponta para todos.

Na Polícia Civil, instituição com carreira marcadamente masculinas até pouco tempo, posso citar Dra. Katiana Amorim, itabunense, delegada com mais de 30 cursos entre planejamentos estratégicos, táticos e operacionais.

Nos veículos de comunicação regionais a ascensão feminina também é nítida. Além do número de profissionais imenso posso citar Silmara Sousa, repórter da Rádio Difusora e da Record TV, que segura a audiência do polêmico Balanço Geral, líder no horário em quase todo o país, sempre que convocada por aqui, “dando a cara” contra a corrupção, o tráfico de drogas e demais mazelas regionais.

Adentrando na área da saúde, posso lembrar que, na última semana, a médica Lívia Mendes foi empossada nova diretora técnica do Hospital Calixto Midlej Filho, unidade da centenária Santa Casa de Misericórdia de Itabuna. Sua nomeação é um marco para a instituição, já que é a primeira vez que uma mulher é empossada no cargo.

São nomes que servem de exemplo e como exemplo, apenas para que eu não precise me estender citando tantas e tantas outras mulheres. A verdade é que, entre a mediocridade e o triunfo de muitas, entre o preconceito e a vitória de inúmeras, há uma força que muita gente ainda não quer ver, mas que é real e legítima. Ninguém segura mais a mulherada!

Manuela Berbert é publicitária e escreve o manuelaberbert.com.br.