Quem nunca ouviu dizer que baiano é malemolente, que tem preguiça até para comer – muitas vezes pelos próprios baianos? Não se assuste, porém, se você também já se pegou dizendo isso. Provavelmente é só mais uma vítima do enraizamento do discurso preconceituoso e racista da classe dominante, que por 500 anos incute em nossa cabeça que somos verdadeiros bichos-preguiça.
É o que defende uma tese de doutorado, defendida pela antropóloga Elisete Zanlorenzi, da PUC-Campinas. A tão famosa – às vezes até poética – preguiça do povo baiano foi desmascarada na pesquisa de Elisete. A conclusão, após quatro anos: o povo baiano é tão ou mais eficiente no trabalho quanto qualquer outro trabalhador brasileiro.
Outro mito, de que o baiano só vive em festa, também cai por terra. Como, segundo a pesquisa, 51% dos trabalhadores baianos vivem na informalidade, sempre que tem uma festa ele está lá, batalhando. “Mas quem se diverte é o turista”, sustenta a antropóloga.
Preguiçoso e festeiro? O amigo cordeiro de bloco no carnaval de Salvador aí da foto prova o que diz a antropóloga: a turista é quem está se acabando, enquanto ele rala. Peraí, olhando bem, parece que ele também está se divertindo… Ah, doutora, ninguém é de ferro. Nem os baianos.


















