"Fiquei muito triste", diz Rosemberg Pinto, referindo-se a manobra atribuída ao ex-prefeito Mário Alexandre || Foto PIMENTA
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O discurso do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) a lideranças de Ilhéus corria em tom ameno, durante reunião em um hotel da cidade, até tocar num tema caro à maioria das pessoas que o ouviam. Segundo a leitura do parlamentar, nas eleições de 2024, quando a candidatura natimorta de Bento Lima (PSD) já estava em decomposição, a campanha do homem forte do ex-prefeito Mário Alexandre pendeu a disputa a favor do prefeito Valderico Junior (UB), que derrotou a professora e médica Adélia Pinheiro (PT) por diferença de 2.639 votos.

“Eu fiquei muito triste com isso, mas cada um sabe as escolhas que faz”, disse Rosemberg ao PIMENTA, na saída da reunião, na última quarta-feira (20). Quando questionado a respeito, ainda em 2024, Marão negou que tenha ajudado Valderico. “Só se eu fosse muito descarado”, disse o ex-prefeito (relembre).

Na entrevista ao site, o deputado também fez balanço da reunião, comentou as revelações que jogaram a bomba do Banco Master no colo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e avaliou como as descobertas do Intercept Brasil podem afetar a eleição ao Governo da Bahia. Leia.

PIMENTA – Reunião proveitosa com as lideranças de Ilhéus?

ROSEMBERG PINTO – Muito positiva. Foi uma manifestação espontânea. As pessoas vieram ouvir o que pensa Adélia, o que pensa Rosemberg. Esse encontro se deu sob a batuta da reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e do senador Jaques Wagner e da eleição do ex-ministro Rui Costa ao Senado. Obviamente, também para o fortalecimento da reeleição de Rosemberg, mas, essencialmente, para a eleição de uma mulher para representar o Litoral Sul da Bahia no Congresso. Adélia é da região e está comprometida com o desenvolvimento regional.

Qual é a avaliação do impacto político da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro?

Veio à tona o que já imaginávamos, porque a relação com o Banco Master foi a partir do Governo Bolsonaro. Antes do presidente indicado ao Banco Central por Jair Bolsonaro, a operação do Master foi negada. Depois do presidente indicado por Bolsonaro, o Banco Central mudou de posição e autorizou a operação do Master. Ficou evidente a relação de Vorcaro com a família Bolsonaro. Flávio Bolsonaro pediu dinheiro e ainda esteve na casa de Vorcaro logo após a primeira prisão do banqueiro. Uma relação de intimidade. A população percebeu isso, e as pesquisas já demonstram a rejeição a Flávio Bolsonaro.

Como esse caso afeta a eleição ao Governo da Bahia?

Verificou-se relação direta de Vorcaro com o ex-prefeito de Salvador [ACM Neto], porque o ex-prefeito é proprietário de uma empresa que prestou serviços para o Banco Master e à Reag e recebeu o valor de R$ 3,6 milhões. E não tem nenhuma relação do governador Jerônimo Rodrigues com o Banco Master. Isso nos deixa com uma certa tranquilidade para verificar que essa relação fratura Jair Bolsonaro e ACM Neto.

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Eu disse que eram três candidaturas, uma delas perdeu força política e esse grupo acabou tendo algumas pessoas orientadas para apoiar Valderico e não Adélia.

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No discurso feito há pouco, o senhor afirmou que, nas eleições de 2024, em Ilhéus, uma parcela da base do governador apoiou o então candidato a prefeito Valderico Junior. A quem se referia?

Eu disse que eram três candidaturas, uma delas perdeu força política e esse grupo acabou tendo algumas pessoas orientadas para apoiar Valderico e não Adélia.

O grupo do ex-prefeito Mário Alexandre.

Pois é. E isso foi muito ruim para nós. Pessoas que estão dizendo que, hoje, não têm mais relação de proximidade com o ex-prefeito Mário Alexandre têm dito, em todos os locais, que a orientação da coordenação da campanha de Bento, ao final, era ir para Valderico e não para Adélia. Isso foi um dos pontos que levou a alterar os votos para derrotar Adélia. Eu fiquei muito triste com isso, mas cada um sabe as escolhas que faz.

Como isso repercute na costura da unidade da base para a campanha de Jerônimo e Lula em Ilhéus?

Na realidade, a campanha de Jerônimo e de Lula tem seus apoiadores. Não significa dizer que isso vai se concretizar do ponto de vista municipal. Também não estou dizendo que não possa vir a acontecer, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra. Foi assim na eleição de 2022: todos apoiavam Jerônimo e, em 2024, uma parcela que apoiava Jerônimo apoiou Valderico. A unidade está em torno de Jerônimo, não de Adélia nem de Marão, Rosemberg, de ninguém. É lógico que algumas pessoas, hoje, querem aproveitar a popularidade de Adélia para tentar se fortalecer, mas a população reconhece quem fez o caminho correto na disputa municipal.

Itercept Brasil revela áudio em que Flávio Bolsonaro pede ajuda financeira a Daniel Vorcaro || Fotos ABr. e Divulgação
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O The Intercept Brasil publicou reportagem que revela negociação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a publicação, documentos e mensagens obtidos pelo portal indicam que o empresário teria prometido repassar cerca de 24 milhões de dólares para o projeto cinematográfico.

A reportagem afirma que pelo menos 10,6 milhões de dólares, o equivalente a cerca de R$ 61 milhões na cotação da época, teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações. O material inclui comprovantes bancários, cronogramas de pagamento e trocas de mensagens relacionadas aos aportes financeiros para a produção do longa-metragem, conforme o site.

De acordo com o Intercept, as negociações envolveram diretamente Flávio Bolsonaro e tiveram participação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro e do deputado federal Mario Frias, ambos do PL. As conversas revelariam cobranças sobre parcelas atrasadas, discussões sobre contratos e articulações para viabilizar transferências internacionais ligadas ao projeto.

As mensagens citadas pelo Intercept indicam que parte dos recursos teria sido enviada para o fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos Estados Unidos. Segundo a reportagem, o fundo é ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro e teria recebido transferências feitas pela empresa Entre Investimentos e Participações, apontada nas investigações como parceira operacional de Vorcaro.

O ÁUDIO

A publicação afirma ainda que as conversas mostram preocupação da equipe do filme com atrasos nos pagamentos. Em um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, o senador teria alertado que o não cumprimento dos compromissos financeiros poderia comprometer contratos com profissionais internacionais envolvidos na produção, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh.

Preso de forma preventiva, Daniel Vorcaro é suspeito de operar esquema de fraude que causou prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Leia a reportagem completa aqui.

Ex-ministro de Bolsonaro, Ciro Nogueira é alvo de buscas da 5ª fase da Operação Compliance Zero || Foto Lula Marques/ABr.
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Policiais federais cumprem desde o início da manhã desta quinta-feira (7) um mandado de prisão temporária e dez de buscas e apreensão na 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, está entre os investigados.

De acordo com a PF, as ações autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrem nos estados do Piauí, de São Paulo, de Minas Gerais e no Distrito Federal.

A decisão do STF autorizou, ainda, o bloqueio de bens, de direitos e de valores no valor de R$ 18,85 milhões.

A operação de hoje objetiva aprofundar investigações sobre um esquema de corrupção, de lavagem de dinheiro, de organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, informou a PF.

NOTA DA DEFESA

Em nota divulgada esta manhã, a defesa do senador Ciro Nogueira “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.

Diz ainda que “reitera o comprometimento do senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.

“Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, completa.

A nota é assinada pelos advogados Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.

COMPLIANCE ZERO

Na 4ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 16 de abril deste ano, foram presos, em caráter preventivo, o ex-presidente do banco público do Distrito Federal Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema fraudulento montado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que está detido desde o início de março.

Nas quatro primeiras fases da Compliance Zero, a PF cumpriu 96 mandados de busca e apreensão em seis unidades federativas (BA, DF, MG, RJ, RS e SP). A pedido da PF e do Ministério Público (MP), a Justiça determinou o sequestro ou o bloqueio de bens patrimoniais de suspeitos até o limite de R$ 27,7 bilhões e o afastamento dos investigados de eventuais cargos públicos. Da Agência Brasil.

ACM Neto confirma pagamentos e rechaça irregularidade || Foto Divulgação
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Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) informa que o Banco Master e a Reag Trust pagaram R$ 3,6 milhões à empresa A&M Consultoria Ltda., que pertence ao pré-candidato ao Governo da Bahia pelo União Brasil, ACM Neto, e à esposa, a administradora de empresas Mariana Barreto de Magalhães. O documento do órgão ligado ao Banco Central veio a público nesta quarta-feira (11), em matéria do jornal O Globo.

Naquele período, segundo o Coaf, a empresa do vice-presidente nacional do União Brasil “movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”. No mesmo intervalo, ACM Neto recebeu da própria empresa 14 repasses que somam R$ 4,2 milhões, ainda conforme o relatório do órgão de inteligência especializado na prevenção e no combate à lavagem de dinheiro.

O político e a esposa abriram a empresa no dia 28 de dezembro de 2022, com capital social de R$ 2 mil. Os pagamentos começaram logo após a constituição da sociedade, ainda em dezembro de 2022, e se estenderam até maio de 2024.

O QUE DIZ ACM NETO

Ao jornal, o ex-prefeito de Salvador disse que a A&M prestou serviços a alguns clientes, incluindo o Banco Master e a Reag. “Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, afirmou.

De acordo com ACM Neto, os pagamentos não têm nenhuma relação com as investigações das fraudes atribuídas ao Banco Master e à Reag, que foram liquidados em intervenções extrajudiciais do Banco Central. “No período do contrato, existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado”, ressaltou.

“Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação. Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados”, acrescentou.

INVESTIGAÇÕES

As apurações da Polícia Federal e do Banco Central indicam que a Reag, que é uma gestora de investimentos, teria sido usada para inflar artificialmente o patrimônio do Master. Fundador do Master, Daniel Vorcaro está preso de forma preventiva.

Já a Reag, que pertencia a João Carlos Mansur, também é suspeita de ligação com esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) apontado pela Operação Carbono Oculto.

Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro || Foto Banco Master
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A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão do banqueiro e empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual.

Depois de ter sido preso pela manhã e encaminhado à sede da superintendência da Polícia Federal em São Paulo, na capital paulista, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, passaram por uma audiência de custódia na Justiça Federal.

Eles deixaram a Superintendência da Polícia Federal em uma viatura descaracterizada, por volta das 14h, e foram encaminhados à Justiça Federal, onde o juiz avaliou a legalidade e a necessidade da prisão.

O magistrado também verificou, como é o costume em uma audiência de custódia, se houve sinais de tortura e maus-tratos. Nessa audiência, que terminou por volta das 16h, o juiz manteve a prisão de ambos, e eles foram encaminhados para o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.

A transferência de Vorcaro para um presídio estadual foi uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a pedido da PF. De acordo com a corporação, as instalações de sua superintendência na capital paulista, onde ele estava detido, não tinham estrutura para manter presos preventivamente e servem apenas como unidade de trânsito de detentos.

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