Sob a seta, Waldir de Roxinho, que fincou raízes no Rio de Janeiro
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Com o dinheiro curto, os pupilos de Robert Baden-Power embarcaram num avião da Cruzeiro do Sul na pequena viagem entre Canavieiras e Belmonte. Daí pra frente seria o que Deus quiser, sempre focados nos ensinamentos do Escotismo.

 

Walmir Rosário

Em 1958 Canavieiras pouco tinha a oferecer aos seus moradores, do ponto de vista exterior. Embora o cinema mostrasse o desenvolvimento ao redor do mundo, suas novidades, por aqui a vida girava em torno da economia cacaueira, das chegadas e partidas dos aviões de carreira, do movimento de navios nos portos, o futebol, a vida nas boates e bares.

De Canavieiras era possível, sim, “enxergar” o mundo através das emissoras de rádio do Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, jornais, revistas, e pelo testemunho dos canavieirenses mais abastados que estudavam fora. Em 1958 a grande atração era a participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, a ser disputada na Suécia, e a remota chance de ser campeã.

Mas o sonho de conhecer outras terras, a exemplo do Rio de Janeiro, não saía da cabeça dos mais jovens, a maioria sem condições financeiras para realizar um passeio dessa magnitude. Flanar por Copacabana, assistir aos jogos dos seus times no Maracanã, frequentar a capital federal do Brasil representava a glória para qualquer ser vivente.

Em abril de 1958 um grupo de 10 escoteiros resolveu transformar esse sonho em realidade. Nenhum deles possuía experiência em uma viagem dessa magnitude, mas não faltavam a coragem e a convicção do aprendizado de anos no Escotismo. E assim os garotos de 16 a 18 anos iniciaram o planejamento da viagem, com a aquiescência dos pais. Entretanto, um deles não voltaria.

Com o dinheiro curto, os pupilos de Robert Baden-Power embarcaram num avião da Cruzeiro do Sul na pequena viagem entre Canavieiras e Belmonte. Daí pra frente seria o que Deus quiser, sempre focados nos ensinamentos do Escotismo. E enfrentar a segunda parte da viagem não seria moleza para eles, pois o percurso de Belmonte a Vitória, no Espírito Santo, custou 21 dias de viagem, cumpridos em jornadas a pé.

E o grupo formado por Walter e Trajano Barbosa, Coló Melo, Raimundo Oliveira (depois tenente Raimundo), Orleans da Hora, Dinael Santos, Edson Dedo, Waldyr de Roxinho, Everaldino Piloto e José Araújo empreenderam o trajeto, sob o comando de Henrique Ciência. Nesse segundo trecho eles conheceram, de verdade, o valor do slogan do escotismo: “Sempre alerta”.

No percurso, privilegiaram a caminhada nos trechos de praias, superando as dificuldades que surgiam com frequência, atravessando a pé ou a nado os ribeirões e bocas de barras. Também tiveram que usar de artifícios para caminhar no meio de florestas, evitando as armadilhas naturais e os animais, principalmente as cobras.

Quando encontravam um sítio conversavam com os moradores sobre o melhor caminho que deveriam tomar e eram avisados sobre em que trechos poderiam parar para descansar e dormir. Num desses locais em que passaram a noite, como sempre, armaram e tocaram fogo numa grande fogueira para espantar as onças, cujas pegadas e os esturros foram vistas e escutados bem próximas.

Em um costado do mar foram obrigados a acelerar o passo para conseguir vencer o percurso enquanto a maré estava em baixa, do contrário poderiam ser tragados pelas grandes ondas. Cansados, já sem quase nenhum recurso financeiro e víveres, finalmente chegaram a Vitória, no Espírito Santo, e tiveram a ideia de se apresentarem ao prefeito.

A aventura dos escoteiros canavieirenses emocionou o prefeito, que os ajudou com alimentação e passagens de trem para o Rio de Janeiro. Na Guanabara se apresentaram na sede dos Escoteiros do Mar, foram recepcionados pelo General canavieirense Asclepíades Santos, participaram de uma feijoada, e no Maracanã assistiram ao jogo Brasil e Portugal, com a presença de Pelé e Garrincha, dois novatos na Seleção Brasileira.

Missão cumprida, 21 dias após embarcam no navio Comandante Capela com destino a Ilhéus, numa viagem de seis dias. Em seguida, viajaram na carroceria de um caminhão até Camacan, e a partir daí uma picape os levou a Canavieiras. Entretanto, dos 10 que empreenderam a viagem de ao Rio de Janeiro, um deles não voltou, continuou na Guanabara. Na bagagem, nem uma foto, selfie, ou vídeo, só as lembranças contadas.

É que Waldir Souza, o Waldir de Roxinho, resolveu se engajar na Marinha do Brasil, com a permissão de seu pai. Músico, saxofonista, foi incorporado à Banda dos Fuzileiros Navais, agora como clarinetista, conforme as recomendações do maestro regente. E Waldir faz carreira como militar e músico, viajando, conhecendo o mundo, até sua baixa como oficial.

No Rio de Janeiro constitui família, criou os filhos, depois formados e com carreiras pós-tituladas, prontos para enfrentarem a vida. Reformado na vida militar, eis que Waldir retorna a Canavieiras, onde retoma a vida civil, suas obrigações familiares. Nas horas de folga, se encontra com os amigos no Bar Laranjeiras, no qual possui cadeira cativa, e em sábados pretéritos, quando ainda existia a Confraria d’O Berimbau, como confrade batia o ponto.

Esse é o feito de quem determinou e direcionou sua vida no propósito de seguir carreira, transitar na sociedade com distinção, fazer amigos por onde passou e cuidar bem de suas obrigações. E na última quarta-feira – 15 de outubro de 2025 – Waldir de Roxinho alcança os 89 anos de vida, sempre rodeado pelos amigos: os que aqui deixou em 1958, e os que construiu ao longos desses anos.

Parabéns, Waldir!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Minha Casa, Minha Vida Rural beneficia moradores do sul da Bahia || Foto Divulgação
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O programa Minha Casa, Minha Vida Rural beneficiará 3.051 famílias em mais de 50 municípios na Bahia. Entre os municípios com maior número de imóveis estão Riacho de Santana (183), Malhada (134), Itaguaçu da Bahia (129), Canarana (127), América Dourada (119), Mulungu do Morro (97) e Banzaê (78).

No sul da Bahia, serão beneficiados moradores da zona rural de Buerarema, Canavieiras, Camacan, Floresta Azul, São José da Vitória, Pau Brasil e Una. Também serão contemplados famílias de municípios, como Andorinha, Angical, Belmonte, Biritinga, Bom Jesus da Lapa, Bonito, Botuporã, Brotas de Macaúbas, Buritirama, Caetité, Cafarnaum, Cansanção, Caraíbas e Central.

Além de moradores da zona rural de Fátima, Filadélfia, Glória, Guanambi, Heliópolis, Ibititá, Ibotirama, Itapebi, Ituaçu, Jaguarari, Jussara, Lapão, Mansidão, Maraú, Morro do Chapéu, Muquém do São Francisco, Paratinga, Planalto, Retirolândia, Ribeira do Pombal, Rio de Contas, Santa Terezinha, São Gabriel, Seabra e Tanhaçu.

O programa beneficiará agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, silvicultores, aquicultores, extrativistas e pescadores . Os imóveis serão construídos sob regime de autoconstrução assistida. Cada unidade habitacional possui 52,29 m², com tipologia composta por 2 dormitórios, banheiro, sala, cozinha, área de serviço e varanda. Serão investidos cerca de R$ 265 milhões do Governo Federal.

Durval Filho é homenageado na Igreja Adventista
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Na plateia, a família de Durval acompanhava tudo com muita atenção e as palavras de Jorge soaram como um terrível desatino. No retorno a Canavieiras, Jorge Araujo pega uma carona até Ilhéus e Durval, ainda abismado, resolve esclarecer a dita parceria nas farras.

 

Walmir Rosário

Dizem que algumas frases são como flechas atiradas. Jamais voltam, e nunca serão esquecidas, apagadas do mapa ou da memória das pessoas, embora não façam mal ou bem correm o mundo. E foi justamente o que aconteceu com o coleguinha das redações (desculpem a audácia), Nélson Rodrigues, com algumas de suas mais conhecidas frases de efeito.

E essa – bastante repetida –, “toda a unanimidade é burra”, acredito que Nelson a criou por não ter tido a oportunidade de conhecer o canavieirense Durval Pereira da França Filho, ou simplesmente professor Durval. E não é que ele – Durval – completou 80 anos em 11 de agosto último, cercado de amigos forjados ao longo de sua vida.

Aproveitou o sábado (09-08) para comemorar a data nas formas religiosas e profana. Pela manhã, culto na Igreja Adventista, da qual é membro desde os 8 anos de idade, se não fui traído pela data. À noite, reuniu amigos de Canavieiras e de outras cidades, muitos presente para abraçar o mestre e o colega num clube da melhor idade, entre eles eu e Raimundo Tedesco.

Assim que sua família deixou a fazenda pras bandas de Jacarandá e se transferiu para a cidade de Canavieiras, Durval se dedicou à religião, às letras, à cultura. Ainda menino, buscou recuperar os anos perdidos fora da escola, quando na roça, cursando o antigo primário e o ginásio em tempo recorde, para surpresa dos colegas e professores.

Antes de colocar na parede o quadro com o primeiro diploma já lecionava e continuou com sua paixão pela educação por toda sua vida. Professor da escola da Igreja Adventista do Sétimo Dia, do Colégio Estadual Osmário Batista, Colégio Presbiteriano João Calvino, Faculdade Santo Agostinho, em Ipiaú. É lembrado como professor de cursinhos pré-vestibular, cujos alunos o agradecem até hoje pela formação. Também é um dos fundadores da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (Alac), e foi secretário de Cultura e diretor da Biblioteca Afrânio Peixoto, em Canavieiras.

Mais que um simples professor, Durval nunca se limitou a ensinar a matéria de sua responsabilidade e sim formar o caráter das pessoas, a importância da educação física na massa corporal e na arte de pensar. E eles o agradecem, penhoradamente, pela formação e o cobraram por não ter incluído o futebol de campo nos eventos neste aniversário, como na comemoração dos 70 anos.

Empregado aposentado do Banco do Brasil, Durval Filho estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia de Itabuna (Fafi), mas não conseguiu completar o curso por incompatibilidade com o horário de trabalho. Anos depois retorna à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), gradua-se em História e, em seguida, especializa-se em História Regional. Logo depois se torna Mestre em Cultura e Turismo pela Uesc, em parceria com a Ufba. Na conclusão do mestrado apresenta a dissertação “Belmonte, Memória, Cultura e Turismo: numa (re)visão de Iararana”, de Sosígenes Costa.

Na literatura, Durval Filho não se limita aos temas históricos e escreve diversos livros sobre a história de Canavieiras, com destaque para Canavieiras Terra Mater do Cacau, em coautoria com Aurélio Schommer. Também são de sua lavra Pelos Caminhos da Fé, aspectos da cristianização católica na história de Canavieiras, além de Temas e Tempos Diversos, dedicados à poesia.

Nos próximos dias o professor Durval nos brindará com o livro Nos Escrínios da Memória, no qual revela passagens preciosas, do próprio punho, sobre a trajetória de uma pessoa simples, observadora, inteligente, que traçou um modo de vida e o seguiu fielmente, sempre atento às possibilidades. Um chefe de família exemplar, um homem de muitos amigos, entre eles uma imensa legião de ex-discípulos.

Centrado em Canavieiras, percorreu uma banda do mundo em busca de novas culturas, mais conhecimento e novos amigos, com os quais se corresponde, especialmente sobre literatura. Casado com Maria Lúcia Nonato França, é pai de Cassius Marcelus, Lísia Cláudia e Lúcio Marcus Oliveira de Nonato e França, e avô de Brunna, Rafael, Diogo, Maria Eduarda, Ana Cássia e João Gabriel.

Durval Filho é aquela pessoa que todos o querem como amigo. Sabe ouvir, opinar, aconselhar, trocar uns dedos de prosa sobre qualquer assunto. Adventista, sempre que chamado vai à Igreja Católica falar sobre a história de São Boaventura, bem como em outras igrejas protestantes, Loja Maçônica, dentre outras instituições.

Botafoguense, fez questão que o bolo de aniversário fosse elaborado com as cores e a estrela solitária do time de sua predileção. Apesar de abstêmio, coleciona centenas de amigos que cultuam o esporte etílico. Destes recebem convites para comparecer à Confraria d’O Berimbau numa visita eminentemente histórica. Dá uma risadinha, mas por lá nunca deu as caras.

Mas como o inusitado sempre acontece, ao defender sua Dissertação de Mestrado, Durval se encontra com um dos componentes da Banca Examinadora, o Professor-Doutor Jorge Araujo, ex-colega da Fafi e amigo. Lá pelas tantas, Jorge Araújo ressalta as qualidades de Durval, seu parceiro de muitos anos de farras, intelectual de primeira qualidade.

Na plateia, a família de Durval acompanhava tudo com muita atenção e as palavras de Jorge soaram como um terrível desatino. No retorno a Canavieiras, Jorge Araujo pega uma carona até Ilhéus e Durval, ainda abismado, resolve esclarecer a dita parceria nas farras. Sem pestanejar, Jorge responde:

– Ora, Durval, não se preocupe, foi apenas um artifício corriqueiro utilizado para deixar os professores e o mestrando à vontade. Não se preocupe.

E todas as dúvidas familiares foram esclarecidas.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor de  autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Evento do Cima discutiu gestão de resíduos sólidos na região de Camacã || Foto Divulgação
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O Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (Cima) promoveu o III Seminário Interterritorial para debater gestão sustentável de resíduos só0lidos. O encontro destacou as diretrizes do Programa Gestão Ambiental Compartilhada e debateu ações como gestão de resíduos sólidos e municípios adequados aos aterros sanitários, coleta seletiva e reciclagem. O evento ocorreu na Câmara de Vereadores de Camacã, na quinta-feira (14).

O prefeito de Camacã e presidente do Cima, Paulo do Gás, destaca que, a partir deste encontro, será colocada em prática política ambiental que contribua para o desenvolvimento das cidades e o bem-estar das pessoas. “Essas políticas públicas impactam positivamente a saúde, o meio ambiente e a economia”, disse.

Além de acabar com os lixões e promover a destinação correta dos resíduos, afirma Paulo do Gás, é preciso conscientizar a população através ações de educação ambiental, para o descarte correto de lixo em locais inadequados, como espaços públicos, córregos, rios e áreas de mata.

ESTAÇÃO DE TRANSBORDO

O gestor da CVR Costa do Cacau, Maurício Ramos Sena, também  participou do encontro do Cima. Ele fez uma apresentação da atuação da CVR, que atende cerca de 10 prefeituras e mais de 60 empresas privadas no sul da Bahia. O aterro da empresa está situado numa área às margens da Rodovia Ilhéus-Itabuna, e segue as diretrizes do Plano Nacional de Resíduos-Planares.

Para atender os municípios que integram o consórcio. a CVR pretende construir uma estação de transbordo em Camacan. Dos municípios que integram o Cima, Buerarema, Arataca e São José da Vitória já depositam os resíduos no aterro sanitário da empresa.

– A CVR Costa do Cacau é parceira das prefeituras e empresas privadas, sempre buscando soluções sustentáveis que garantam a conservação ambiental e a qualidade de vida da população, além de apoiar programas de reciclagem que geram emprego e renda para os catadores – diz Maurício.

COMPOSIÇÃO DO CIMA

O Cima é composto pelos municípios de Camacã, Arataca, Santa Luzia, Jussari, São José da Vitória, Buerarema, Mascote, Canavieiras, Una, Pau Brasil, Itapebi e Itaju do Colônia. O Programa Gestão Ambiental Compartilhada foi criado pelo Governo da Bahia para descentralizar com qualidade a gestão pública ambiental, através do fortalecimento dos municípios e consórcios intermunicipais.

Previsão de chuva para as próximas horas no sul da Bahia || Foto PIMENTA
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Itabuna, Ilhéus, Buerarema, Canavieiras, Santa Luzia e Una estão entre os municípios baianos com alerta amarelo para risco de chuvas acumuladas nas próximas horas, conforme previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Existe a probabilidade de que chova até 50 milímetros entre a noite de hoje e esta terça-feira (12).

No extremo-sul da Bahia, o alerta amarelo é para Alcobaça, Belmonte, Mucuri, Nova Viçosa, Porto Seguro, Prado e Santa Cruz Cabrália. Há risco de alagamentos em algumas áreas dessas cidades e deslizamento de terra. Em caso de emergência, os moradores desses municípios devem acionar a Defesa Civil.

Lançamento do livro "O Berimbau - Valhacouto de boêmios" no Mac Vita
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De uma vez só conseguimos reunir a mais fina flor da boemia canavieirense e das redondezas, com a presença maciça dos membros das gloriosas instituições Confraria d’O Berimbau e do Clube dos Rolas Cansadas, como em tempos pretéritos.

 

Walmir Rosário

Em plena manhã desta sexta-feira, 8 de agosto, me senti abatido, diria até exausto, em meio a um estudo comparado de rituais com vistas à elaboração de uma peça. A cabeça, os miolos, ou sei lá como explicar, ferviam com o vai-e-vem da leitura, justamente num dia considerado o início do fim de semana nos bares e botequins da vida.

Resolvi dar um tempo e me entreter assistindo ao filme Meu Vizinho Adolfo, iniciado na noite passada. De repente, ouço alguém bater à porta se passando por um entregador de uma dessas empresas internacionais de vendas pela internet. Desconfiado, pois não esperava a chegada de encomenda, mesmo assim abro o portão e encontro o amigo e irmão Arenilson.

Após risadas e o costumeiro abraço, me entrega um presente trazido em seu passeio pelas bandas de Bom Jesus da Lapa e Correntina: um litro da preciosa aguardente, ou melhor, cachaça, com o nome de Brejeira. Eu esperava um tijolão de rapadura, conforme promessa feita, mas resolvi não reclamar, haja vista a superioridade do regalo.

Enquanto examino o “precioso líquido”, adjetivo proibido nas boas redações, recebo, via whatsapp, o estímulo do amigo Toncar, direto de Campo Formoso, dando conta que o relógio badalava 11 horas, horário de abrir os trabalhos com o toque de um pequeno sino. Transmiti uma foto da Brejeira pra ele, que fez questão de me garantir que era uma das cachaças de sua predileção.

Confesso que minha estranha sexta-feira com o trabalho de pesquisa e nenhuma perspectiva de encontrar os amigos ao meio-dia em pino nos botecos bateu imediatamente em retirada. Guardei os rituais e escritos e me dirigi à cozinha para providenciar alguns tira-gostos à altura do presente recebido, alterando a rotina com um adeus em alto e bom som ao trabalho.

Muito reservadamente posso contar para você que me concedi férias há pouco mais de dois meses, após o trabalho estafante de editar o livro O Berimbau – Valhacouto de Boêmios, já impresso. Após alguns adiamentos, finalmente, no dia 26 de julho passado, realizamos o lançamento em grande estilo, no Mac Vita, um dos nossos mais acolhedores abrigos em Canavieiras.

De uma vez só conseguimos reunir a mais fina flor da boemia canavieirense e das redondezas, com a presença maciça dos membros das gloriosas instituições Confraria d’O Berimbau e do Clube dos Rolas Cansadas, como em tempos pretéritos. Uma festa pra ninguém botar defeito, regada a uma boa cachaça com Cambuí em infusão e cerveja bem gelada, e ao som luxuoso do saxofone de Cadu Perrucho.

Como era do procedimento regulamentar em alguns sábados na Confraria d’O Berimbau, os confrades prepararam com esmero o famoso “Tiquinho”, nome pomposo para os pratos elaborados e colocados à disposição dos estômagos famintos. Como sempre, para subverter a ordem, Trajano Júnior chegou com duas enormes panelas de com pernil suíno e fatada.

Não quero aqui falar mal ou reclamar do evento, mas fui bastante prejudicado por ter que me ater a receber os confrades e familiares, bem como autografar cerca de uma centena de livros, além de posar para as fotos. Enquanto isso, os convidados se esbaldavam nas bebidas e comidas e nas rodinhas de bate-papo, lembrando com saudade os velhos tempos.

E eu, que sonhava com um longo período de férias, provando da inatividade e dos benefícios do ócio, fui obrigado a interromper a vagabundagem planejada com bastante esmero. Bem que minha mulher me avisou que essa ideia de aposentado tirar férias se tratava de redundância, no bom português, uma utopia desnecessária de ser sonhada. Realmente, por duas vezes fui obrigado a interrompê-la, mas faz parte da vida.

Com a chegada dos confrades do retiro espiritual em Bom Jesus da Lapa, também interrompido pelos passeios nas cachoeiras e alambiques em Correntina, só aguardar o irmãozinho Batista. É que ele se recupera dos dissabores da gota de estimação e breve promoveremos uma inspeção nos botecos de Canavieiras. Desta vez, sem interrupção.

Walmir Rosário é radialista, jornalista, advogado e autor de livros como O Berimbau – Valhacouto de boêmios, disponível na Amazon.

Carne é apreendida em abetes clandestinos no sul da Bahia || Foto Divulgação
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Milhares de pessoas do sul da Bahia estavam consumindo carne de origem duvidosa e colocando a saúde em risco, segundo a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB). A descoberta ocorreu durante uma operação que resultou na apreensão de cerca de 1,5 tonelada de produtos provenientes de abates clandestinos em quatro municípios.

A operação foi deflagrada a partir de denúncias anônimas que indicaram abates irregulares em propriedades não autorizadas. Os agentes de fiscalização identificaram pontos de abate clandestino e armazenamentos inadequados de produtos de origem animal nos municípios de Aurelino Leal, Itapitanga, Canavieiras e Una.

De acordo com a médica veterinária da Adab, Lorena Silva, foram encontrados cerca de 1.500 quilos de carnes e vísceras de bovinos em condições impróprias para o consumo humano. “Os produtos estavam sendo manipulados e armazenados sem qualquer controle sanitário, em ambientes insalubres e sem refrigeração adequada, o que representa grave ameaça à saúde da população”, afirmou.

CRIME AMBIENTAL

Além das irregularidades sanitárias, a equipe de fiscalização flagrou o descarte inadequado de resíduos provenientes dos abates às margens de um curso d’água. O responsável foi detido em flagrante pelas autoridades e conduzido à delegacia onde foi indiciado por crime ambiental.

Segundo o órgão, operações como essa são fundamentais para coibir atividades ilícitas que comprometem a segurança alimentar e o equilíbrio ambiental. A Adab reforça a importância da denúncia por parte da população e alerta sobre os riscos do consumo de carnes adquiridas em estabelecimentos irregulares e sem o selo de inspeção municipal, estadual ou federal.

A carne apreendida foi destruída nas graxarias em dois matadouros, conforme os protocolos sanitários vigentes. A ADAB informou que seguirá com ações de fiscalização em toda a região para garantir alimentos seguros e preservar a saúde pública. A ação de combate ao abate clandestino recebeu o apoio da Polícia Militar.

Vista parcial de Itabuna || Foto José Nazal
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Os 5.571 municípios brasileiros dividiram, nesta segunda-feira (30), a terceira parcela de junho do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A bolada de R$ 5,1 bilhões é 8% maior que a do mesmo período do ano passado, de R$ 4,7 bilhões.

Esta é a sétima alta seguida dos valores, que correspondem à fatia dos municípios pela arrecadação de dois tributos federais, o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

No sul da Bahia, neste decêndio, Itabuna recebeu R$ 4.613.265, mesmo valor destinado à vizinha Ilhéus. Ainda no sul do estado, Canavieiras faturou R$ 1,2 milhão, Camacan, R$ 1,1 milhão, e Itacaré, R$ 1 milhão. A prateleira de baixo, de R$ 925 mil, reúne Ibicaraí, Uruçuca, Itajuípe, Coaraci, Una e Ubaitaba.

Depois vem Buerarema, com R$ 887 mil, e Santa Luzia e Mascote, com R$ 770 mil. Floresta Azul, Itapitanga, Arataca e Itapé têm direito a R$ 616 mil para cada. Pau Brasil recebeu R$ 581 mil. Na faixa dos municípios com as menores populações do sul-baiano, de R$ 462 mil, vêm Almadina, Firmino Alves, Jussari, Santa Cruz da Vitória, Itaju do Colônia, Barro Preto e São José da Vitória.

Itabuna é um dos municípios habilitados para receber recursos do SUS || Foto Zé Drone
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O Ministério da Saúde publicou portarias que definem valores de recursos para o financiamento de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) executados pelos estados, municípios e Distrito Federal. Levantamento do PIMENTA mostra, abaixo, repasses autorizados para municípios do sul da Bahia.

Publicada no último dia 23, a Portaria MS 7.052/2025 autoriza o envio de recursos para o financiamento do Componente Básico da Assistência Farmacêutica. Na região sul do estado, a maior fatia, de R$ 1.549.676,40, vai para Itabuna. Depois, vêm Ilhéus, com R$ 1.527.450,00, e Canavieiras, com R$ 287.611,20.

A lista tem ainda R$ 243.795,60 para Itacaré e R$ 198.696 para Camacan. Acesse a relação completa neste link.

ATENÇÃO ESPECIALIZADA À SAÚDE

Já a Portaria MS 7.284/2025, desta terça-feira (24) de São João, autorizou o Distrito Federal, estados e municípios a receber recursos referentes ao incremento temporário ao custeio dos serviços de Atenção Especializada à Saúde. Na leva atual, Ilhéus é o único município do sul da Bahia habilitado para a obtenção da verba, que será de R$ 500 mil, em transferência única.

Bolada de R$ 4.212.546 já está na conta do município sul-baiano || Foto Zé Drone
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O Tesouro Nacional liberou hoje (20) a segunda parcela de junho do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com valor de R$ 4,7 bilhões. O montante supera em 39% o repassado no mesmo período de 2024, de R$ 3,3 bilhões. Maior economia sul-baiana, Itabuna recebeu R$ 4.212.546, mesma fatia destinada a Ilhéus.

Ainda no sul do estado, Canavieiras faturou R$ 1,2 milhão, e Camacan, R$ 1 milhão. Já Itacaré ficou com R$ 985 mil. Na prateleira de baixo, estão os municípios de Ibicaraí, Itajuípe, Una, Uruçuca e Coaraci, com R$ 844 mil para cada.

Buerarema fez jus a R$ 810 mil, e Santa Luzia, a R$ 703 mil. Itapé, Floresta Azul e Arataca tiveram direito a R$ 563 mil, cada. Já Santa Cruz da Vitória, Almadina, Jussari, Itaju do Colônia, São José da Vitória e Barro Preto receberam R$ 422 mil, cada.

COMPOSIÇÃO DO FPM

O Fundo de Participação dos Municípios é formado pelas parcelas a que os municípios têm direito pela arrecadação de dois tributos federais, o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

A alta do FPM é reflexo do aquecimento do mercado de trabalho, que impulsiona a arrecadação do Imposto de Renda, em oposição a um setor industrial em queda e com baixa perspectiva de recuperação, num contexto em que a taxa básica de juros (Selic) anual de 15% encarece o crédito para investimentos e tende a diminuir a demanda por bens manufaturados.

União repassa R$ 5,7 bilhões para os municípios brasileiros || Foto Zé Drone
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A União transferiu hoje (30) a terceira e última parcela de maio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), no valor de R$ 5,7 bilhões. A quantia é cerca de 21% maior do que a repassada no mesmo decêndio de 2024, que foi de R$ 4,7 bilhões. Os dois maiores municípios do sul da Bahia, Ilhéus e Itabuna, receberam R$ 5.263.594, cada.

Depois vêm Canavieiras, com R$ 1.374.000, e Camacan, com R$ 1.332.000. Itacaré teve direito a R$ 1.203.000. Uruçuca, Una, Itajuípe, Ibicaraí e Coaraci levaram fatia do mesmo tamanho, de R$ 1.031.000. Já Buerarema faturou R$ 1.008.000. Itapé e Floresta Azul ganharam R$ 687 mil; e Itaju do Colônia e São José da Vitória, R$ 515 mil.

O Fundo de Participação dos Municípios é composto por dois tributos, o Imposto de Renda e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O valor repassado a cada município depende do tamanho de sua população e da renda média per capita do estado do qual ele faz parte.

Valdemar Broxinha, com seu violão, no bar Katixa, em Una || Foto Walmir Rosário
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Walmir Rosário

Os sonhos fazem parte da vida de qualquer ser humano, isto é fato, embora possam ser diferentes, como os dedos de nossas mãos, mas existem e são guias para a formação de cada um. Apesar de não ter qualquer estudo ou formação em psicologia ou atividade afim, já presenciei muita gente abandonar os sonhos da infância e juventude e partir para caminhos diferentes.

Volta e meia somos surpreendidos com mudanças substanciais na vida de uma pessoa que enveredou por um caminho profissional e lá pra frente embica por outro, sem qualquer aviso prévio. Na carreira acadêmica não é diferente e não sei o que passa na cabeça dessas pessoas, que próximos a receberem os canudos mandam tudo pros ares, recomeçam em outro curso e se sentem felizes.

Eu não escondo a admiração que tenho pelas pessoas que desde cedo se envolvem pela carreira musical – mesmo a amadora –, pela dedicação, como se não houvesse “outro amanhã” nesse mundão de Deus. Envolvem-se com a arte de cantar ou os instrumentos musicais nas manhãs, tardes e noites com a vocação de um monge a repetir mantras sagrados com a maior tranquilidade.

Num desses sábados passados, como de costume, cheguei à casa de meu amigo e parceiro de ronda nos bares de Canavieiras, Valdemar (Araújo) Broxinha, para sairmos sem lenço ou documento. Jogaríamos conversa fora, veríamos os amigos, apreciaríamos algumas cervejas, tira-gostos de sustança, sempre ao som do violão e voz desse sonoro amigo.

O show em Camacan foi a gota d’água para Valdemar encerrar sua carreira, sob o pretexto de prejuízo nos seus afazeres profissionais na empresa em que era dirigente.

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Para minha surpresa, ele já me esperava na varanda fazendo vibrar as cordas do violão em sonoras melodias. Espantei-me, não pelo fato de tocar e cantar, mas das músicas que ora executava com total maestria, pois eram obras de Sir Charles Spencer “Charlie” Chaplin, Jr, compostas para seus filmes, e que fizeram e fazem um estrondoso sucesso em todo o mundo.

Ele dedilhava Smille, do filme Tempos Modernos; Feelings, de Morris Albert; passando por Maria Helena, cantada por Altemar Dutra; dentre outras obras de sucesso. E Valdemar somente encostou o violão para me servir uma bela cachaça, Amansa Búfalo, se não me engano. Retomou a apresentação apenas com a minha presença na plateia. Senti-me deverasmente privilegiado.

Como sou conhecedor do sentimento de Valdemar Broxinha, me conservei calado, ouvindo com atenção aos acordes sonoros do violão e sua voz suave, apaixonada pelo repertório escolhido. Nosso músico não tem nada a ver com o outro conterrâneo baiano, João Gilberto, mas também se irrita com os presentes que não respeitam a apresentação artística, mesmo em um boteco.

Nos áureos tempos da Bossa Nova e Jovem Guarda, Valdemar Broxinha, crooner da Banda Christians, de Canavieiras, era sucesso garantido em suas apresentações nas matinês, vesperais e soirées. Entre os pontos altos da banda, além do repertório e sonoridade, a impecável vestimenta de cortes bem assentados nos smokings, passeio completo e, no máximo esporte fino.

E o repertório dos Christians não ficava nada a dever aos grandes artistas nacionais e internacionais, tanto assim que ensaiavam os novos lançamentos para entregar – de pronto –, aos seus fãs. Naquela época fazia sucesso a música Meu nome é Gal e os músicos se esmeraram nos ensaios a semana inteira visando estar tinindo na apresentação de domingo em Camacan.

Mas eis que nosso artista resolveu esnobar e, sem comunicar aos integrantes da banda, se apresentaria com uma veste hippie, incluindo uma peruca com os cabelos desgrenhados como a própria Gal Costa. E a plateia não cansava de pedir o sucesso Meu nome é Gal. A banda faz uma pausa e ao retornar, entra o crooner Valdemar Araújo, com seu personagem, cantando como se fosse a própria Gal Costa.

Assim que entram no palco e começam a cantar, a plateia, atônita, inicia a apupar o personagem encenado por Valdemar, que contrastava com o restante dos músicos, estes em seus comportados ternos. Nova música, Valdemar retorna com sua vestimenta padrão e o baile segue normalmente, embora nosso crooner tenha permanecido magoado com as troças.

O show em Camacan foi a gota d’água para Valdemar encerrar sua carreira, sob o pretexto de prejuízo nos seus afazeres profissionais na empresa em que era dirigente. Agora somente tocava com os amigos. E foi justamente o amigo Batista quem resolveu reabilitá-lo na sua carreira intermunicipal, marcando com seu compadre Almir uma apresentação no conceituado boteco Katixa, na vizinha cidade de Una.

E na sexta-feira partimos para Una com a disposição de presenciar uma apresentação de Valdemar Broxinha, em alto estilo, dando a volta por cima em um show intermunicipal, após quase meio século do episódio de Camacan, a ser definitivamente esquecido. Batista, este que vos fala, o Almirante Nélson e Alberto Fiscal. Apoio moral em peso.

Reunido o público frequentador, todas as atenções eram voltadas para Valdemar Broxinha e seu violão. E ele iniciou o show com muito cuidado, se preparou com as honras da casa após umas cervejas e um mocofato de fazer gosto. Sou testemunha e dou fé que Valdemar foi sucesso absoluto, tanto assim que duas novas apresentações foram agendadas: uma em Canavieiras e a volta triunfal a Una.

Finalmente o fantasma de Camacan foi exorcizado!

Walmir Rosário é radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

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Moradores de municípios como Itabuna, Ilhéus, Camacan, Itacaré, Canavieiras, Coaraci, Itajuípe, Itapé, Itajú do Colônia, Arataca, Pau Brasil, Jussari, Uruçuca e Ubaitaba, no sul da Bahia, devem ficar em alerta para riscos de alagamentos e desabamentos. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgado nesta quinta-feira (15), é que pode chover entre 50 e 100 milímetros nas próximas horas.

O alerta de risco serve também para moradores de municípios, como Porto Seguro, Eunápolis, Santa Cruz Cabrália, Itamaraju, Prado e Itagimirim, no extremo sul do estado. Foi emitido alerta laranja para esses e outros municípios baianos, a exemplo de Salvador. Na capital, nas duas últimas semanas,  já choveu mais de 340 mm.

De acordo com o Inmet, as águas quentes do oceano Atlântico, na costa brasileira, favorecem a persistência das chuvas em dezenas de municípios baianos. As chuvas devem ser persistentes nesta sexta-feira (16) no sul da Bahia. Já no sábado deve ocorrer pancadas de chuva durante boa parte do dia nessa região do estado.

CHUVAS EM OUTRAS REGIÕES DO NORDESTE

O Inmet informa ainda que, em algumas regiões do Nordeste, a tendência é de continuidade das chuvas durante todo o final de semana. O temporal deve estendendo-se até pelo menos terça-feira (20). Entre os estados de Sergipe e Pernambuco, de forma pontual, os volumes podem ultrapassar 150 milímetros.

No sábado (17), conforme o Inmet, as instabilidades se intensificarão, deslocando-se para o litoral de Sergipe e, posteriormente, no domingo (18) e na segunda-feira (19), para o leste de Alagoas ao Rio Grande do Norte.

Há maior probabilidade de que entre domingo (18) e terça-feira (20) ocorra o período mais crítico, com chuvas volumosas no litoral da região, especialmente em Alagoas e Pernambuco, segundo alerta do Inmet. A população dessas áreas deve permanecer atenta a possíveis transtornos e seguir as orientações da Defesa Civil de seus estados e municípios.

Mulher e criança do povo pataxó hã hã hãe || Foto Clarissa Tavares/Funai
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A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, publicou, nesta quarta-feira (14), a Portaria de Pessoal n. 416/2025, que institui Comissão de Pagamento para continuidade e finalização dos procedimentos administrativos indenizatórios pelas benfeitorias derivadas da ocupação de boa-fé instaladas por não indígenas na Terra Indígena Caramuru/Paraguassu. Habitado pelo povo pataxó hã hã hãe, o território se estende por 54 mil hectares nos municípios de Itaju do Colônia, Pau Brasil e Camacan, no sul da Bahia.

A Portaria autoriza que os membros da Comissão de Pagamento se desloquem à Terra Indígena Caramuru/Paraguassu, às cidades de Porto Seguro, Eunápolis, Itabuna, Ilhéus, Itajú do Colônia, Pau Brasil, Camacan, Itororó, Canavieiras e municípios circunvizinhos para que adotem as medidas necessárias à quitação das indenizações.

A Comissão tem prazo de 33 dias para a execução do trabalho e de mais dez dias para a entrega do relatório dos pagamentos, a contar a partir do próximo dia 26.

Os procedimentos devem ser feitos com base na Instrução Normativa da Funai nº 02, de 3 de fevereiro de 2012, que estabelece critérios para determinar o caráter da intrusão na Terra Indígena (se de boa ou má-fé) e quais benfeitorias são passíveis de indenização, entre outros aspectos. A análise inicial da Comissão de Pagamento é submetida, por último, à Presidência da Funai.

A presidente Joênia Wapichana também determinou que a Coordenação Regional Sul da Bahia, braço da Funai com sede em Porto Seguro, no extremo-sul do estado, assegure apoio logístico à Comissão de Pagamento.

mineiros prestam informações em vídeo sobre o Rio Pardo || Foto Walmir Rosário
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Aqui pra bandas da Bahia o povo ribeirinho do Rio Pardo ainda não abriu os olhos ou, melhor dizendo, não conseguiu convencer os governantes sobre o assoreamento do leito do rio, o fim da navegação, o sumiço dos peixes..

 

 

Walmir Rosário

A crescente preocupação com o meio ambiente vem aproximando os povos que tenham algo em comum. O que lhes unem não é o sangue, mas o que dispõem como a cultura ou meios de sobrevivência. De repente, o morador de Rio Pardo de Minas descobre que tem algo em comum com os canavieirenses, apesar dos quase 600 quilômetros de distância.

E têm: aí os moradores da nascente do rio Pardo, na Serra das Almas, em Rio Pardo de Minas (MG) e deságua em Canavieiras, após percorrer 565 quilômetros e encontrar o Oceano Atlântico. São 220 km em território mineiro e outros 345 em terras baianas. Se chove muito lá no norte de Minas essa água terá que desaguar na ilha da Atalaia, em Canavieiras.

E nesse caminho percorrido, às vezes muitos estragos são causados. Derruba casas, árvores, carrega animais, dá fim a lavouras. Certo que o mineiro não tem culpa, mesmo assim toma todas as providências para que retome a altivez de antes, quando o Pardo tinha água em abundância: pra dar e vender, como dizem. E os resultados positivos saltam aos olhos de qualquer vivente.

Aqui pra bandas da Bahia o povo ribeirinho do Rio Pardo ainda não abriu os olhos ou, melhor dizendo, não conseguiu convencer os governantes sobre o assoreamento do leito do rio, o fim da navegação, o sumiço dos peixes. Mesmo assim, o Pardo ainda é o maior habitat do robalo, pescado por caravanas do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e até São Paulo. Levam toneladas.

A Lyra do Commercio se apresenta ao público em Canavieiras || Foto Walmir Rosário

E o Rio Pardo sempre teve uma responsabilidade muito grande com seus ribeirinhos, essencialmente no Sul da Bahia, onde banha imensos cacauais. Aliás, às margens do Rio Pardo foram plantados os primeiros cacaueiros por Antônio Dias Ribeiro, com as sementes trazidas do Pará por Luiz Frederico Warneau, isso em 1746.

Que o cacau foi e ainda é uma potência econômica da Bahia (e hoje do Brasil), todos sabem, mas poucos conhecem a importância do Rio Pardo na cacauicultura, fornecendo água e fertilizando com suas enchentes. Muitos ainda sabem esse cacau era transportado por canoas até os armazéns de Canavieiras, lembra que somente a canoa Baleia tinha capacidade de levar 200 sacas de 60 quilos (12 toneladas), além da tripulação.

Se a população de Rio Pardo de Minas se preocupa com o Rio Pardo, muitos sul-baianos têm se manifestado ao longo de anos. Nessa conta cabem o Grupo Apaixonados por Canavieiras, Tyrone Perrucho, Miguel Fróes, dentre outros. Uma dessas ações foi a Circunavegação Tyrone Perrucho, percorrendo o Rio Pardo, dando a volta às sete ilhas canavieirenses.

E foi a tenacidade de Miguel Fróes em realizar viagens em trechos do Rio Pardo, feitos em canoas e caiaques, explorando aspectos geográficos e culturais que “desaguou” nesse encontro dos povos do Rio Pardo. Na primeira tentativa, em que os canavieirenses iriam a Rio Pardo de Minas a pandemia não permitiu; feito conseguido agora com os mineiros explorando as margens do Rio Pardo por quase 600 quilômetros, montados em bicicletas.

E como o canavieirense é um grande anfitrião, Miguel Fróes moveu céus e terra para recebê-los em festa, com direito a encontro cultural e musical no Porto Grande (ou velho), justamente às margens do Rio Pardo. E os mineiros mostraram sua música de viola com Waldir Perninha; a cidade e a proteção ambiental com Felicíssimo Tiago e o Tenente Kennedy.

E Canavieiras apresentou sua fanfarra do Colégio Luiz Estadual Eduardo Magalhães (Fanec), a Lyra do Commercio, o Grupo de Percussão Ouro Negro e a Banda Mulheres do Samba. Foi uma sexta-feira (21-02) digna das festas realizadas no Porto Grande (centro histórico de Canavieiras). Neste sábado, a comitiva visitou a chegada das águas do Rio Pardo no Delta de Canavieiras e seu encontro com o Oceano Atlântico.

Em Canavieiras o Rio Pardo tomou gosto pela terra e se espalhou como quis, e continuou seu percurso em forma de V, criando dois leitos, nos quais se acomodou garbosamente. No da direita continuou sendo chamado de Pardo pelos ribeirinhos; no caminho tomado pela esquerda foi batizado como Cipó. Não contente, ao chegar perto da cidade tomou o nome de Patipe.

Ao vislumbrarem a Ilha da Atalaia, voltara a tomar forma única e, unidos num delta, o Pardo emboca na boca da barra para se juntar às águas do Oceano Atlântico. E Miguel Fróes não descansa e promete uma nova Circunavegação Tyrone Perrucho, agora ostentando o número 2, com a presença dos mineiros do Rio Pardo de Minas.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.