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Itabuna tem a tribo dos "Bate balde"...
Itabuna tem a tribo dos Batebalde…
... e a privilegiada casta dos que podem receber água potável em casa
… e a privilegiada casta dos que podem receber água potável em casa

Nessa crise hídrica enfrentada por Itabuna, nem todos podem gozar do privilégio de receber água potável em casa. A que chega pela rede da Emasa é salobra, e a Embasa (empresa estadual) utiliza carros-pipa para encher tanques comunitários e reservatórios de hospitais, escolas, creches e… dos chegados!

Este último grupo de beneficiários não aparece nas divulgações oficiais, mas ele existe. Na manhã de domingo(5), um cidadão da tribo dos Batebalde ficou indignado ao descobrir que alguns nessa seca têm tratamento especial.

O referido cidadão passava pela Rua Carlos Eduardo Guimarães, no bairro Zildolândia, quando flagrou dois veículos da Embasa fornecendo água em uma residência. Não era escola nem creche e muito menos hospital, mas a casa de um “ser superior”.

Ao perguntar ao motorista de um dos veículos o porquê daquela entrega de água em domicílio, o batedor de balde foi informado de que  se tratava de “favor” prestado a um funcionário da própria Embasa. Resta saber se o serviço diferenciado tem autorização da empresa.

O representante da tribo dos Batebalde registrou reclamação na Ouvidoria Geral do Estado. O PIMENTA tem a identificação dos veículos, caso a Embasa queira apurar o fato.

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Justiça suspende reajuste por considerá-lo abusivo.
Justiça suspende reajuste considerado abusivo.

A Justiça concedeu nesta terça-feira (31) uma liminar que suspende o reajuste de 9,95% na tarifa de água e esgoto da Embasa, autorizado pela Agência Reguladora de Saneamento Básico do Estado da Bahia (Agersa), por meio da Resolução 002 de 2016, no final de abril. O aumento estava previsto para começar a vigorar em 6 de junho.

A decisão foi do juiz Ruy Eduardo Almeida Britto, da 6ª Vara da Fazenda Pública, atende a uma ação civil pública que considera o reajuste abusivo. A ação aponta que a inflação do período medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) foi de 9,83%.

Segundo dados da  ação civil, nos últimos cinco anos, os reajustes têm sido bem maior que a inflação. A assessoria da Embasa disse que aumento é definido pela Agência Reguladora do Saneamento Básico do Estado da Bahia (Agersa). Já a Agersa disse que só vai se pronunciar depois de ser informada oficialmente sobre a decisão. Com informações da TV Bahia.

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Cedraz, presidente da Embasa, os procuradores Balazeiro e Séfora Char, e o advogado Dagoberto Pamponet (Foto Divulgação).
Cedraz, os procuradores Balazeiro e Séfora Char, e Dagoberto Pamponet (Foto Divulgação).

O Ministério Público do Trabalho e a Embasa fecharam acordo para eliminar, progressivamente, terceirização irregular na empresa estadual de saneamento. O procurador-chefe do MPT na Bahia, Alberto Balazeiro, definiu o acordo como “um marco no combate à terceirização ilícita na Bahia”.

O acordo deve encerrar ação civil pública que o MPT move há nove anos contra a Embasa e reforça a tese dos procuradores do trabalho de que terceirizar só em atividades secundárias ou extremamente especializadas. Ele ainda precisa ser homologado pela 35ª Vara do Trabalho de Salvador, onde corre a ação.

Com o acordo, a Embasa se comprometeu a adotar medidas para eliminar gradativamente a terceirização em atividades-fim, com a abertura de concurso público para substituição dessa mão de obra, em um prazo de seis anos. A empresa também irá assegurar que as futuras contratações, nas atividades que ainda poderão ser terceirizadas, sigam rigorosamente ao que determina a legislação.

“É um acordo positivo para a Embasa, para o estado da Bahia e para os funcionários”, comenta o presidente da Embasa, Rogério Cedraz, que destacou o esforço da empresa, nos últimos meses, para chegar a esse resultado. “Haverá um período de ajustes, até pela quantidade de pessoas envolvidas, mas estamos determinados a resolver essa questão”, afirma. Com o acordo, a Embasa e o MPT evitaram que a sentença judicial fosse executada, o que ameaçaria gravemente a sustentabilidade financeira da empresa.

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Tanques comunitários foram instalados em áreas que mais sofrem com a estiagem (Foto Divulgação).
Tanques comunitários foram instalados em áreas que mais sofrem com a estiagem (Foto Divulgação).
A Embasa informou que instalará 16 reservatórios de água para atender as comunidades de Sambaituba, Aritaguá, São José e Salobrinho, em Ilhéus. O município sul-baiano começa a sofrer os efeitos da falta de água de forma mais severa.

“A empresa dará continuidade ao fornecimento em dias alternados, através da rede distribuidora, em localidades do eixo centro norte e do distrito industrial”, informou o escritório da Embasa em Ilhéus.

De acordo com o gerente local da Embasa, José Lavigne, a preocupação é ainda maior devido a queda no nível de água do reservatório da barragem do Iguape, que abastece 70% do município.

Moradores de regiões mais altas, a exemplo do Amparo, Nerival, Pacheco e Soledade, estão sendo abastecidos em intervalos de até três dias. O intervalo maior, segundo a Embasa, decorre da falta de pressão na rede para levar água às partes mais altas. Moradores de condomínios do Minha Casa Minha Vida também reclamam bastante.

Ainda segundo Lavigne, parte da produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Pontal foi direcionada para reforçar o abastecimento dos eixos centro e norte. “O eixo sul de Ilhéus é atendido pela ETA Pontal, que atende cerca de 30% do município, utilizando o Rio Santana como manancial, onde a vazão de água é normal até o momento”.

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Restaurante da Uesc não abre por falta de água (Foto DCE Uesc).
Restaurante da Uesc não abre por falta de água (Foto DCE Uesc).

O racionamento de água que atinge boa parte dos ilheenses causa transtornos também na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc). Com os reservatórios vazios, a administração do Restaurante Universitário (RU) avisou aos estudantes que não vai funcionar nesta terça-feira (3).

O RU é o preferido dos universitários por oferecer café, almoço e jantar com preço abaixo da média, por ser subsidiado pela universidade.

Com o fechamento temporário hoje, os estudantes já reclamam. No entanto, como não há previsão do fim do racionamento, não vai ser difícil ver o restaurante de portas fechadas nos próximos meses.

Na semana passada, a Embasa anunciou que ampliaria o número de bairros atingidos pelo racionamento, que somente terá fim com a melhora do nível nos mananciais que abastecem os reservatórios de Ilhéus. O abastecimento de água tem ocorrido em dias alternados na cidade.

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Ilhéus sofre com forte estiagem no sul da Bahia.
Ilhéus sofre com forte estiagem no sul da Bahia (Foto José Nazal).

A Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) anunciou, há pouco, racionamento de água em Ilhéus, a partir da próxima segunda (18). O abastecimento será feito em dias alternados.

A medida foi adotada em função da falta de chuvas e queda do nível de vazão nas barragens do Iguape e do Rio de Engenho, mananciais que abastecem o município sul-baiano.

De acordo com o escritório regional da Embasa, a medida preventiva reduz a oferta de água no município em, aproximadamente, 15%.

“Essa foi a solução encontrada para garantir a continuidade do fornecimento de água diante dos efeitos da estiagem prolongada e atípica que acontece na região”, informou a Embasa em nota.

Segundo o gerente da Embasa, Danilo Gomes, 24.100 domicílios serão afetados pela medida. A distribuição de água em Ilhéus é feita por 17 setores de abastecimento.

– Como teremos que captar menos água, para não esgotar a disponibilidade dos mananciais, e distribuir para o mesmo número de residências, é preciso que todos mudem seus hábitos, até que volte a chover, consumindo água de forma racional e mais inteligente para que não venha a faltar – explica Danilo.

ITABUNA

Ilhéus é o segundo maior município sul-baiano. O mais populoso, Itabuna, enfrenta racionamento desde o final de outubro do ano passado. O sistema itabunense é municipalizado. A população tem recebido água com nível de cloreto de sódio mais de 32 acima do permitido pelo Ministério da Saúde. Por isso, orientou a população a não ingerir a água nem usá-la para cozinhar alimentos. Deve-se evitar também dar a água a animais.

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emasa 2A Prefeitura de Itabuna estuda propostas de quatro empresas para reformular a gestão da Emasa. Segundo o prefeito Claudevane Leite (PRB), não se trata de um caminho à privatização dos serviços de fornecimento de água e coleta e tratamento de esgoto, mas a busca de uma estratégia capaz de melhorar a operação.

Foram apresentadas ao governo propostas do Grupo Águas do Brasil, construtora Casa Própria, Odebrecht e da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Elas responderam a um Procedimento de Manifestação de Interesse e tiveram 30 dias para esquadrinhar a Emasa e expor seus projetos.

Técnicos do governo devem concluir a análise dos relatórios até o dia 8 de abril. Em seguida, haverá audiências públicas com a participação da comunidade e de funcionários da Emasa.

Segundo a Prefeitura, a empresa municipal está endividada e não tem capacidade de fazer investimentos para melhorar a qualidade dos serviços prestados.

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Estiagem no Almada afeta Almadina, Coaraci, Itajuípe e Itabuna (Foto Pimenta/Arquivo).
Estiagem no Almada afeta Almadina, Coaraci, Itajuípe e Itabuna (Foto Pimenta/Arquivo).

Seis municípios do sul da Bahia começam a enfrentar o mesmo drama de racionamento de água vivido pelos itabunenses desde o ano passado. Abastecidos pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), Almadina, Camacan, Coaraci, Itacaré, Mascote e Uruçuca passam por restrição por causa da forte estiagem. Gerente do escritório regional da Embasa, Danilo Hugo Gomes diz que a ação é preventiva.

O Rio Ribeiro, principal manancial de Itacaré, secou e a captação é feita apenas no Rio Jeribucaçu. O abastecimento está sendo alternado, por áreas, em um dos principais destinos turísticos da Costa do Cacau. A restrição ocorre ainda em Mascote, desde fevereiro.

Coaraci também sofre. O manancial da Serra da Palha secou e a captação é feita no Rio Almada, cujo nível baixou acentuadamente e teve o fluxo interrompido em vários trechos. Danilo Gomes disse que, se a estiagem continuar, terá que recorrer a carros-pipas.

A situação é pior em Uruçuca, que depende do Almada. A captação é feita nos rios Serra Preta e Água Verde. O quadro em Camacan é parecido, pois o nível do Rio Panelão está muito baixo. O distrito de Panelinha está sendo abastecido com água levada à adutora a partir da sede municipal.

Na última segunda, o gerente da Unidade Regional da Embasa, Danilo Gomes, esteve reunido com o prefeito de Camacan, Arildo Evangelista, e vereadores para explicitar as medidas adotadas para garantir a continuidade do abastecimento.

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Prefeito foi recebido ontem em audiência na Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (foto Ascom/SIHS)
Prefeito foi recebido ontem em audiência na Secretaria de Infraestrutura Hídrica e Saneamento (foto Ascom/SIHS)

Nem um dilúvio será capaz de resolver o problema da falta de água em Itabuna no longo prazo. O que a cidade precisa, e todos sabem disso, é de uma melhor infraestrutura para regularizar o abastecimento, evitando tanto sofrimento da população em períodos de pouca chuva.

Itabuna, uma cidade com mais de 220 mil habitantes, continua sem um reservatório de água. A barragem no Rio Colônia, cujas obras pararam há três anos, continua a ser uma promessa. Em novembro do ano passado, o governador Rui Costa assinou ordem de serviço para retomar a construção, e o prefeito Claudevane Leite declarou que os trabalhos seriam reiniciados no prazo de 60 dias. O tempo passa e mais uma falácia se confirma.

Enquanto isso, a população sofre. A pouca água que a Emasa fornece vem batizada com sal e não serve para o consumo humano. A própria empresa reconhece e adverte que sua água é prejudicial à saúde.

E o Estado, como não cuida da infraestrutura, sinaliza com remendos. Nesta quinta-feira (25), Claudevane Leite foi recebido pelo secretário de Infraestrutura Hídrica e Saneamento da Bahia, Cássio Peixoto. Ouviu dele a promessa de que o governo utilizará carros-pipa para levar água da Embasa para Itabuna. Também serão fornecidos 100 tanques e o governo ainda se comprometeu a ajudar a Prefeitura na retirada de baronesas do Rio Cachoeira.

A necessária infraestrutura, por enquanto, continua na relação de débitos do Governo do Estado com Itabuna. Da parte de quem deveria ser mais incisivo da cobrança do essencial, nota-se certo conformismo com as migalhas oferecidas.

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Geraldo defende Emasa e cobra barragem no Rio Colônia.
Geraldo defende Emasa e cobra barragem no Rio Colônia.

Diante do debate que se formou nos últimos dias em torno do futuro da Emasa, o ex-deputado federal Geraldo Simões quebrou o silêncio e se posicionou a respeito do tema em sua página no Facebook. Geraldo, que já foi prefeito de Itabuna por duas vezes, é taxativo ao dizer que a solução não está em entregar a Emasa à iniciativa privada. “Sabemos que existe interesse de empresas como Águas do Brasil, OAS e Odebrecht. Não concordamos com a venda”.

A discussão sobre o tema se acirrou na sociedade a partir do anúncio do prefeito Claudevane Leite, lançando um Chamamento Público para Procedimento de Manifestação de Interesses a respeito da Emasa. Depois, a prefeitura abriu prazo para contribuições ao Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), preparatório para a Conferência Municipal de Saneamento Básico, no próximo dia 15.

Embora não cite suspeita sobre alguma manobra para a venda da Emasa embutida nesses procedimentos, o pré-candidato a prefeito diz que esse tema tem que envolver o governo do estado. “Vamos discutir com o governador um projeto para dobrar a produção de água em Itabuna. A barragem do Rio Colônia, que nós propusemos ainda no nosso primeiro governo, vai garantir abastecimento diário para todos os moradores e empreendimentos de Itabuna”.

ESGOTO TRATADO

De acordo com Geraldo, o município deve ter condições para coletar e tratar 100% do esgoto na cidade. “Para decidir sobre o futuro da Emasa, só com a participação de toda sociedade. Sabemos que mudanças são necessárias, mas essa decisão não deve ter como opção a entrega desse patrimônio a empresas privadas. Há outras formas, como uma maior parceria com a Embasa, ou a busca de projetos no âmbito federal”.

Para Geraldo, a sociedade de Itabuna deve se posicionar, cobrando o fortalecimento do perfil público da Emasa. “Será necessário fortalecê-la, fazer as parcerias com outros órgãos de governo, buscar projetos e garantir financiamento. Não se deve buscar o lucro nesse serviço, pois o lucro está na prestação do serviço, é o lucro social”.

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Rui e Vane assinaram nova ordem de serviço em novembro (Foto Divulgação).
Rui e Vane assinaram nova ordem de serviço em novembro, mas obra ainda não foi retomada.

A ordem de serviço para a retomada das obras da Barragem do Rio Colônia, em Itapé, foi assinada há mais de dois meses pelo governador Rui Costa. Até agora, nada de máquinas, nada de operários, nada de obra.

A licitação foi vencida pela Metro Engenharia. A expectativa era de que a retomada ocorresse em, no máximo, 60 dias. Hoje, o Rio Colônia registrou nova cheia, após quase seis meses de forte estiagem no sul da Bahia.

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claudio_rodriguesCláudio Rodrigues | aclaudiors@gmail.com

 

Todos nós sabemos que a Emasa não precisa de 400 funcionários para atender bem a população. Mais de 70% do seu quadro funcional é para atender as demandas político-partidárias.

 

 

Para quebrar paradigmas, excluir vantagens, contrariar interesses e buscar o que é melhor para a comunidade é preciso coragem. Em artigo publicado neste site, o prefeito de Itabuna Claudevane Leite, não fugindo do seu script habitual, faz as lamentações de como pegou a Empresa Municipal de Águas e Saneamento (Emasa), para depois afirmar que não fará concessão – e muito menos privatização – da estatal municipal e que buscará empresas interessadas em realizar um Procedimento de Manifestação de Interesses (PMI) , sem ônus para o município, a fim de diagnosticar a viabilidade técnica e econômico-financeira da Emasa.

Todos nós sabemos que o município não dispõe de recursos para investir na melhoria do saneamento da cidade. Em qualquer período de maior estiagem, estamos condenados a sofrer com a falta d’água e consumir água salgada – quando esta chega nas torneiras.

O governador Rui Costa propôs ao prefeito a devolução da Emasa para a Embasa com a finalidade de viabilizar uma Parceria Público Privada (PPP) para investir na melhoria do saneamento de Itabuna. Pela declaração do prefeito em seu artigo, isso não vai acontecer, porque o nosso mandatário acredita que é melhor garantir os 400 empregos que existem na Emasa – para não contrariar interesses de Sindicato e de partidos políticos – a devolver a empresa para o Governo do Estado para que ocorram investimentos necessários no setor do saneamento. Todos nós sabemos que a Emasa não precisa de 400 funcionários para atender bem a população. Mais de 70% do seu quadro funcional é para atender as demandas político-partidárias.

A Emasa é um grande cabide de emprego, não só nessa gestão, como nas anteriores. Vão questionar: “você quer pagar uma tarifa cara?” Respondo: prefiro pagar uma tarifa cara e ter o líquido precioso na torneira do que pagar barato e não ter – se bem que nossa tarifa não é tão barata assim. Pagamos taxa de esgoto e o mesmo corre “a céu aberto”. O Rio Cachoeira recebe todos os nossos dejetos sem o menor tratamento, as estações elevatórias de esgoto estão abandonadas. Enquanto o sistema de saneamento estiver sobre o controle do município, essa situação não mudará. Para solucionar essas questões é preciso coragem. Muita coragem.

Cláudio Rodrigues é jornalista e empresário.

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Vane audiência no TRT foto LoriClaudevane Leite

 

 

Não privatizaremos a Emasa, não faremos uma concessão da empresa. O que estamos buscando é uma parceria que traga recursos necessários para o avanço do sistema, que garanta o emprego dos servidores, que não represente aumento na tarifa e que ofereça um serviço de excelência à sociedade.

 

 

Ao assumirmos a Prefeitura de Itabuna encontramos a Emasa falida. Mais de R$ 20 milhões em débitos com a concessionária de energia elétrica, pendências junto ao INSS, PIS/PASEP e FGTS, salário dos servidores atrasados, dívidas com fornecedores (a apenas uma empresa mais de 2 milhões de reais), oito anos em débito com aluguéis de imóveis, inclusive de sua sede administrativa, e uma cidade sem nenhum percentual de esgoto tratado.

Atualmente 25% do que a empresa arrecada e que poderiam estar sendo aplicados em novos investimentos são utilizados para pagar débitos de administrações passadas. Mesmo assim, estamos salvando a empresa e fazendo o que é possível para investirmos em saneamento. Hoje já contamos com 14 por cento de esgoto tratado e trabalhamos, com recursos já garantidos, para chegarmos ao final de 2016, com o índice de 25 por cento. Mas, reconheço: há limitação para novos investimentos.

A cidade sente, mais uma vez, o drama da falta de água. Um problema antigo. Tão antigo quanto a necessidade de investimentos no sistema público de água e esgoto do município. Aliado a estas questões, vivenciamos a pior crise hídrica na história desta região, resultado de uma estiagem prolongada e sem perspectiva de chegar ao fim. A falta d´água, além de atingir a população, compromete novos investimentos públicos e privados, e o funcionamento das indústrias instaladas na cidade, por exemplo.

Desde o início do nosso mandato buscamos recursos federais para investir no setor. Apresentamos diversos projetos em Brasília, mas não conseguimos sensibilizar as autoridades para a importância deste investimento. Estamos trabalhando em novos caminhos.

Esta semana lancei um Chamamento Público para Procedimento de manifestação de Interesses visando à realização de estudos que demonstrem a viabilidade técnica, econômico-financeira da empresa. Também de nova modelagem jurídica e institucional adequada para subsidiar a implantação de um novo modelo de gestão dos serviços públicos de saneamento básico, inclusive o fornecimento de água e esgotamento sanitário no Município de Itabuna.

A Emasa precisa se modernizar para prestar um serviço de excelência e oportunizar condições técnicas para que a população futuramente não enfrente os mesmos problemas de desabastecimento e de oferta de água com excesso de cloretos como ocorre atualmente, consequência da falta de planejamento já referida, baixa reservação e escassez nos mananciais dos rios Cachoeira e Almada que, além de Itabuna, fornecem água a outros municípios nas duas bacias hidrográficas, que enfrentam situação semelhante à nossa.

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Dirigentes da Emasa em reunião com o prefeito Vane do Renascer (Foto Lucas França).
Dirigentes da Emasa em reunião com o prefeito Vane do Renascer (Foto Lucas França).

A Emasa abastecerá clínicas, hospitais e tanques nos bairros com água transportada em caminhões-pipa de São José da Vitória para Itabuna. A mudança começa amanhã (13) e garante água doce, também, para localidades atendidas com 68 tanques provisórios instalados em locais públicos nos bairros.

A medida foi anunciada como tendo o apoio da estatal estadual Embasa. Segundo o presidente da Emasa, Ricardo Campos, a água será captada na Estação de Tratamento (ETA) da Embasa, no município de São José da Vitória.

A empresa itabunense continuará captando 350 litros de água por segundo em Castelo Novo, em Ilhéus. A água, porém está salobra. A captação em Rio do Braço foi reduzida a pequenas retiradas por meio de motobombas, mas com grandes intervalos, devido à baixa vazão do Rio Almada.

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Informe publicitário

CARTA ABERTA AO POVO DE ITABUNA

CRISE DA ÁGUA EM ITABUNA E PPP: TARIFAS CARAS,
PÉSSIMO SERVIÇO E LUCRO FÁCIL PARA EMPREITEIRAS

É plausível que o governador Rui Costa esteja “preocupado” com a questão do saneamento básico de Itabuna (sobretudo o abastecimento de água). O problema é propor como solução uma Parceria Público-Privada, conhecida pela sigla PPP.

Não se pode omitir que, passados vários governos estaduais, só agora se vislumbram medidas mais concretas para enfrentamento do nosso maior entrave social e econômico, que é a falta de investimentos em saneamento básico. A autorização da construção da Barragem no Rio Colônia, orçada em R$ 119 milhões, vem atender uma demanda antiga da região. 

Contudo, apresentar uma PPP como solução para operação dos serviços de água e esgotamento sanitário em Itabuna é, sem dúvidas, uma forma de privatizar os serviços, algo tentado por governos anteriores e rechaçado pelos movimentos sindical e social, entidades de classe e partidos políticos. Se privatizar (entregar o serviço para empresas privadas), isso vai custar caro à população.

A desculpa é que, tanto a nossa empresa municipal, a Emasa, quanto a estadual, a Embasa, não têm recursos para investir, mas não é verdade. Conforme levantamento do Plano Municipal de Saneamento Básico de Itabuna, que está em fase de conclusão, para garantir abastecimento de água e esgotamento sanitário a toda população é preciso investir R$ 350 milhões em 20 anos, cerca de R$ 17 milhões por ano. Isso é um terço da capacidade de faturamento anual da Emasa, que é de R$ 50 milhões.

Ou seja, existe dinheiro público para obras, basta uma boa gestão e acesso aos financiamentos e aos orçamentos do Estado e da União.

Apresentar a PPP como alternativa é pretexto para drenar grandes volumes de dinheiro para empreiteiras – muitas delas envolvidas em esquemas de corrupção, a exemplo da Odebrecht, uma das interessadas em prestar esse serviço em nosso município. Essa mesma empreiteira oferece exemplo emblemático: através de PPP, com recursos da Caixa Econômica Federal, construiu e opera o emissário submarino da Boca do Rio, o segundo construído em Salvador, mediante contrato de 18 anos, ao custo de R$ 250 milhões.

Desde 2012 a Embasa já desembolsou R$ 235 milhões, isso representa 94% do valor da obra. Ao finalizar o contrato, em 2028, sairá mais de um R$ 1 bilhão, quando teria tudo para ter feito e estar operando o empreendimento. Afinal, fez e opera o primeiro emissário da capital baiana, o do Rio Vermelho. Estudos técnicos da própria empresa indicam que, se a empresa estivesse operando o emissário da Boca do Rio, o custo seria menos de 50% do que paga à Odebrecht. Tem dinheiro demais escorrendo pelo ralo e é isso que permite irrigar o Caixa 2 de campanhas políticas e a corrupção.

Na verdade, o que se pretende em Itabuna é pegar uma empresa pública (a Emasa) e doá-la para empresários, numa criminosa entrega de patrimônio. Além disso, a falsa solução com a PPP significará aumentos exorbitantes de tarifas, precarização do trabalho, queda na qualidade do serviço e demissões em massa. E quem mais vai sofrer é a população mais pobre.

Por isso somos contra a privatização. Água é direito humano fundamental, não pode ser transformada em mercadoria. A população de Itabuna não deve aceitar a PPP e está convocada a lutar contra essa proposta indecorosa, assim como aconteceu no Uruguai, Argentina, Bolívia, Paris (França) e na Bahia. Lembra-se que tentaram vender a Embasa e o povo reagiu? FAÇAMOS O MESMO AGORA!

SINDAE – Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente no estado da Bahia.