Equipe da Coelba esteve no local, mas não restabeleceu serviço || Foto ABr
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A localidade próxima ao Condomínio Mar e Sol, no litoral norte de Ilhéus, está sem energia elétrica desde ontem (20), por volta das 18h30min. Equipe da Neoenergia Coelba esteve no local, na tarde de hoje, mas não conseguiu restabelecer o serviço.
A área afetada fica entre o Condomínio e a praia. A maioria dos imóveis não é atendida pela Embasa e depende da eletricidade para abastecer as caixas com bombas d’água. Sem energia, não tem água.
O QUE DIZ A COELBA
Após as chuvas que atingiram diversas regiões do estado nesta semana, a Coelba anunciou o reforço das equipes mobilizadas para atender ocorrências de queda de energia. Neste momento, três mil profissionais da concessionária estão em campo, informa a empresa, em nota. Esse efetivo é três vezes maior que o de rotina, segundo a companhia.
A Justiça determinou que a Coelba adote todas medidas técnicas para manter a continuidade do serviço público em Cairu e suas ilhas Morro de São Paulo, Boipeba e Tinharé. A empresa deve evitar que o fornecimento de energia seja interrompido sem prévia notificação ou justificativa idônea.
De acordo com decisão judicial, essas medidas deverão ser adotadas no prazo de 20 dias sob pena de pagamento de multa diária no valor de R$ 5 mil. Além disso, a Coelba deve apresentar nos autos relatório mensal das atividades desenvolvidas para a resolução do problema de falta de energia nesses locais, acompanhados de documentos que as comprovem e detalhes dos equipamentos eventualmente substituídos.
Segundo a promotora de Justiça Claudia Didier Pereira, a população ficou sem energia por três dias, entre 19 e 21 de julho de 2021, afetando, inclusive, o fornecimento de água pela Embasa, ocasionando diversos prejuízos aos fornecedores de serviço turístico da região.
A representante do Ministério Público da Bahia afirma que foram mais de três dias sem acesso ao serviço de energia elétrica em todo o território do município de Cairu e em suas ilhas, tais como Tinharé, Morro de São Paulo e Boipeba, o que extrapola, e muito, o razoável.
“Isso sem falar na real possibilidade de danos à saúde e a integridade física, pela falta repentina e prolongada ao extremo de energia nos postos de saúde, escolas, hotéis, pousadas, restaurantes, lanchonetes, residências do município, colocando as pessoas em risco por interrupção de operações médicas e tratamentos ambulatoriais”, destacou a promotora de justiça
O presidente da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Alfredo Melo, entrou em contato com este blog e antecipou que a empresa acionará, judicialmente, a Coelba.
A constante falta de energia elétrica está deixando o itabunense sem água nas torneiras. O dirigente revelou descontentamento com a série de quedas e interrupções no fornecimento de energia elétrica nas estações de captação de Emasa. E não vê outra saída a não ser “imprensar” a Coelba.
Nesta quarta (5), por volta das 23h40min, ocorreu nova interrupção em Rio do Braço. Duas horas depois (à 01h40min), a energia ainda não havia voltado. Alfredo lembra que uma hora sem água significa outras dez horas para que seja novamente regularizado o abastecimento. É só o leitor multiplicar as duas horas sem energia para ver o efeito.
Por que o homem da Emasa está “pê” da vida? É que a interrupção de luz tem sido constante na estação de Rio do Braço. No último final de semana, observa, foram 12 horas sem água. Isso, porque a Coelba reduziu a energia enviada para a região onde a Emasa capta cerca de 80% da água consumida em Itabuna. As máquinas pararam.
Nem no verão enfrentamos situação tão difícil como agora.
A ofensiva judicial contra a Coelba ainda será submetida ao Conselho Administrativo da Emasa. A votação está prevista para a próxima sexta-feira, 7, às 7 horas. É mais provável que a empresa ingresse com a ação judicial. “Essas interrupção nos causaram prejuízos de R$ 200 mil só em abril”, revela Alfredo Melo ao Pimenta.
Engenheiro de formação, Alfredo acredita que as constantes interrupções de energia elétrica têm a ver com a falta de manutenção de todas as linhas de transmissão da Coelba, principalmente naquela região que abastece as estações da Emasa. “Nem no verão, na estiagem [ao final de 2009], enfrentamos situação tão difícil como agora”. E a situação difícil, observa, foi criada pela companhia de energia elétrica.
O dirigente não vê outra saída para reduzir a dependência do sistema de abastecimento de água em relação à Coelba que não seja a construção imediata da barragem no rio Colônia. A obra aumentaria para até 1.400 litros por segundo a capacidade de distribuição de água em Itabuna. Enquanto a obra não sai, o município se vê dependente dos (péssimos) serviços da companhia de eletricidade.
A comunidade rural da região do Serrado, Ribeirão Seco, Vila do Sol e Alto Bonito, nos municípios de Ilhéus e Itabuna, está desde a quarta-feira da semana passada (dia 7) sem energia elétrica. Os prejuízos são grandes para pequenos e médios produtores, que reclamam do atendimento 0800 da Coelba.
O produtor João Edvaldo diz que há dez dias entra em contato com o atendimento da companhia de eletricidade e ouve sempre a promessa de que o serviço será restabelecido e uma equipe será enviada imediatamente. “Só se for montada numa preguiça”, ironiza o produtor. “São trabalhadores perdendo todo alimento perecível”, lembrou. Os trabalhadores haviam acabado de fazer a feira do mês.
São 450 famílias atingidas pela falta de energia elétrica. O Pimenta entrou em contato com a gestora regional da Coelba, Sheyla Silva. Ela garantiu que o departamento de comunicação institucional da empresa retornaria até o final da manhã. Ainda aguardamos a resposta da Coelba.