Menos de uma semana após visita de Flávio Bolsonaro, Trump saca pacote de maldades contra o Brasil || Foto Divulgação
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Nesta terça-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos divulgou relatório de investigação sobre práticas supostamente abusivas do Banco Central do Brasil para favorecimento do Pix em detrimento de serviços de empresas daquele país, a exemplo de bandeiras de cartão de crédito.

De acordo com o relatório, o Banco Central estaria num conflito de interesses por ser agente regulador do mercado financeiro e, ao mesmo tempo, operador do Pix.

“O duplo papel do Banco Central brasileiro como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, na ausência de salvaguardas procedimentais adequadas. O banco tem atuado como regulador para prejudicar provedores americanos de serviços de pagamento eletrônico e privilegiar o Pix”, diz trecho do documento.

“Por exemplo, o Banco Central obriga o uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e exige que o Pix seja exibido na tela principal do aplicativo das instituições participantes com destaque não inferior ao de qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência”, acrescenta.

TARIFAÇO E EXCEÇÕES

O relatório propõe que os Estados Unidos imponham novo tarifaço de 25% a bens importados do Brasil, a partir de 15 de julho deste ano, após consulta pública.

Também sugere que produtos considerados estratégicos para evitar pressão inflacionária nos Estados Unidos não entrem na lista do tarifaço, a exemplo de carne bovina, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. Com Folha de S. Paulo.

Lula diz esperar fim de celeuma entre Brasil e Estados Unidos || Foto Bruno Peres/Agência Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (20), em vídeo postado nas redes sociais, que a suspensão da tarifas comercial de 40% sobre uma determinada lista de produtos brasileiros foi um sinal importante.

“Não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante. O presidente Trump acaba de anunciar que vai começar a reduzir vários produtos brasileiros que foram taxados em 40%. Isso é um resultado muito importante”, afirmou. Lula elogiou a decisão do mandatário norte-americano e disse esperar que ambos possam se reencontrar pessoalmente no Brasil ou nos EUA.

“Ele [Trump] está convidado para vir no Brasil quando ele quiser, e eu espero ser convidado para ir a Washington para zerar qualquer celeuma comercial, política, entre Brasil e EUA”, acrescentou.

Lula gravou o vídeo ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo, um pouco antes de embarcar para a África do Sul, onde participará da Cúpula do G20. O presidente fez questão agradecer a Trump, ainda que de forma parcial, e pediu que os países alcancem entendimento comercial completo.

“Vou lhe agradecer só parcialmente, porque e vou lhe agradecer totalmente quando tudo estiver totalmente acordado entre nós”.

SUSPENSÃO PARCIAL

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.

ITAMARATY

O governo brasileiro emitiu nota na noite desta quinta-feira afirmando que “recebeu com satisfação a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% para uma série de produtos agropecuários importados do Brasil”.

A nota do governo, publicada pelo Itamaraty, cita ainda que o presidente Donald Trump “recebeu recomendações de altos funcionários do seu governo de que certas importações agrícolas do Brasil não deveriam estar mais sujeitas à tarifa de 40% em função do ‘avanço inicial das negociações’ com o governo brasileiro”.

A medida tomada pelos EUA é retroativa a 13 de novembro, mesma data da última reunião entre o ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington. Naquela oportunidade, eles trataram do avanço das negociações para a redução das tarifas.

O Brasil também se coloca à disposição para manter o diálogo com o governo Trump para “solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas.

Para analistas, sanção é chantagem e mira o Brics || Foto Joédson Alves/Agência Brasil
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A tarifa comercial de 50% anunciada pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil, que deve ser aplicada a partir de 1º de agosto, funciona como sanção econômica com objetivo de chantagem política, visando atingir o Brics e proteger as empresas de tecnologia e redes sociais estadunidenses, as chamadas big techs, além de tentar interferir no processo político e judicial interno do país.

O professor de economia da Unicamp Pedro Rossi afirmou à Agência Brasil que não enxerga racionalidade econômica na decisão de Trump. Para ele, a medida tem motivações políticas.

“Do ponto de vista comercial, não tem uma finalidade clara. O Brasil não é tão relevante para a economia americana, apesar de ser relevante em alguns setores. São arroubos políticos e o uso de um instrumento comercial para outros propósitos. Para ameaçar e tentar chantagear um país”, avaliou.

Os dados do próprio governo dos Estados Unidos mostram que o superávit no comércio de bens com o Brasil cresceu 31,9% em 2024, chegando a um saldo positivo para Washington em US$ 7,4 bilhões.

O dado oficial dos EUA é, inclusive, muito superior ao registrado pelo governo brasileiro. O Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil calculou um superávit a favor dos EUA de US$ 284 milhões no ano passado. Diferentes metodologias na coleta de dados explicam os números divergentes.

BRICS

Ainda de acordo com Trump, as tarifas do Brasil “causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos”. A afirmação contraria os dados do próprio governo americano, que mostram que o último déficit comercial dos Estados Unidos com o Brasil foi em 2007, há 17 anos.

Para o economista Pedro Rossi, esse tarifaço não responde a problemas da balança comercial.

“Ele olhou para o Brasil como um país que ele pode ameaçar sem muita consequência econômica para os Estados Unidos, como é o caso do México e Canadá. Isso foi uma reação muito espontânea e bruta à cúpula dos Brics e à forma como o Brasil está se movendo no cenário internacional”, explicou.

Durante a Cúpula do Rio de Janeiro, Trump voltou a ameaçar os países que se alinhem às políticas do bloco.

A professora de relações internacionais Camila Feix Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), destacou o timing da decisão após a cúpula do Brics.

“Enquanto a carta da Indonésia é justificada em termos desse suposto déficit comercial [Indonésia foi taxada em 32% por Trump], na do Brasil a justificativa mais plausível, que dá o tom da carta, é o aspecto político. Trata-se, portanto, de tentar interferir no nosso sistema jurídico”, comentou a especialista nas relações Estados Unidos e América Latina.

Na carta sobre as tarifas, Trump também saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado no Brasil. Aliados do político brasileiro tem solicitado apoio de Trump contra o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).

RELAÇÕES COMERCIAIS

O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luiz Carlos Delorme Prado destacou que o direito internacional não permite o uso de tarifas para fins políticos de forma unilateral.

“O que se trata aqui é de um comportamento abusivo de um governo estrangeiro para obter vantagens políticas usando meios ilegais para constranger um país soberano. Existe um procedimento para aplicação de tarifas, o que passa pela Organização Mundial do Comércio (OMC)”, destacou.

Prado lembrou, porém, que os sucessivos governos dos Estados Unidos vêm, desde Barack Obama (2008-2016), esvaziando o papel da OMC ao não indicar os juízes que deveriam arbitrar os conflitos comerciais.

Na carta enviada ao governo brasileiro, Trump justifica que a relação comercial com o Brasil é “injusta” por causa de “tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil” e que a tarifa de 50% é “muito menos” que o necessário para “termos igualdade de condições”.

Antes do primeiro tarifaço mundial de Trump, no início de abril, o governo dos Estados Unidos divulgou relatório criticando o modelo tarifário do Brasil em relação as importações, em especial, nos setores do etanol, filmes, bebidas alcoólicas, telecomunicações, máquinas e equipamentos.

O professor Prado explicou que essas tarifas foram construídas ao longo de negociações comerciais pós 2ª guerra mundial.

“O Brasil dá tratamentos diferenciados para determinados produtos. O fato de as tarifas não serem iguais é resultado de todo o processo de negociação do pós-guerra que vai criar a OMC. Não há razão para as tarifas serem exatamente iguais entre o Brasil e os EUA, inclusive, porque são países de graus de desenvolvimento diferentes”, comentou.

Já o economista Pedro Rossi diz que é comum ter déficit ou superávit nas relações comerciais e que o saldo comercial não significa que a relação é justa ou injusta.

“É normal que se tenha comércios de acordo com a especialização de cada país. Isso não significa justiça ou injustiça. O fato de o Brasil ter um déficit com os EUA não é uma injustiça, é um reflexo de uma estrutura produtiva, que tem complementariedade com a economia americana”, comentou o professor licenciado da Unicamp.

RESPOSTA DO BRASIL

Para os três analistas consultados pela Agência Brasil, o governo deve usar a Lei de Reciprocidade para responder ao governo estadunidense. Para Luiz Prado, da UFRJ, usar ameaças e retaliações para objetivos políticos ou comerciais é inaceitável.

“O Brasil não tem alternativa a não ser a responder com os instrumentos que ele tem disponível. É claro que o Brasil tem que estar sempre disposto a negociar. Há uma simetria de poder muito grande entre os EUA e o Brasil”, disse.

A professora Camila Vidal avalia que a estratégia de Trump é um “tiro no pé” e tem o poder de unir grupos políticos antagônicos no Brasil em defesa da soberania nacional.

“Quem sabe agora fique óbvio que não existe patriotismo batendo continência para a bandeira de outro país e que os interesses daquele país, por óbvio, não são os mesmos interesses que os nossos”, comentou.

Já o economista Pedro Rossi avalia que o episódio abre oportunidade de o Brasil diversificar suas parcerias, fortalecer relações com Europa, Ásia, África e Brics, além de fomentar a indústria nacional.

“O Brasil pode substituir uma parte dessas importações com produtos nacionais, inclusive gerando emprego e renda. Isso acelera o processo de integração com outros atores, com os próprios Brics e América do Sul. No fundo, é uma decisão que isola os Estados Unidos e joga o Brasil no colo de outros atores”, completou.

Julio Gomes escreve sobre genocídio cometido por Israel contra o povo palestino || Imagem IA/Freepik
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Julio Cezar de Oliveira Gomes

Muito possivelmente você é uma pessoa como eu. Alguém que não é famoso nem rico, que não tem milhares de seguidores nas redes sociais e que mora em uma cidade do interior ou na periferia dos grandes centros urbanos, onde o que fazemos não aparece na grande mídia. Mas a necessidade nos empurra para algum tipo de ação.

É desumano, absurdo e quase inacreditável o que está ocorrendo em Gaza. Ali vemos o exército de Israel avançar e massacrar a população civil desarmada, demolir universidades, escolas, prédios públicos e quarteirões inteiros, e matar, segundo números oficiais, mais de 50 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças.

Vemos o que pensamos que jamais veríamos no século XXI: hospitais sendo bombardeados e médicos mortos, ajuda humanitária sendo impedida de entrar no território e cerca de 250 repórteres assassinados, unicamente, porque exerciam sua sagrada missão de mostrar ao mundo a monstruosidade em curso.

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E, reafirmando Jesus, se um dia vier a ser perseguido pela posição pública que assumo, direi para mim mesmo as palavras do Mestre no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os que forem perseguidos por amor à minha Justiça, porque deles será o reino dos céus.

 

O genocídio se abate sobre a população de Gaza com todas as suas características: bombardeio contra civis, assassinato de crianças, uso da fome como arma de guerra, cerceamento máximo à imprensa, confinamento da população em campos de fome e morte, impedimento de ajuda externa e total insensibilidade quanto a todos os apelos em favor da vida, não importa se vindo de outros estados nacionais ou do Papa. A empresa genocida segue surda e insensível a tudo.

E o que nós podemos fazer? Muito pouco, é verdade. Mas talvez o pouco de cada um somado ao pouco de todos resulte em algo eficaz para barrar o avanço do extermínio.

Podemos usar as redes sociais. Podemos usar nossa voz nos grupos sociais que frequentamos, senão em nome do grupo ao menos em nome próprio. Podemos deixar claro para todos que nos conhecem que somos contra o massacre e deixar clara nossa posição política, social e humana sobre isso. Certamente não é muito, mas é nosso máximo no dia de hoje.

Vamos nos posicionar sobre o que acontece em Gaza e aproveitar para dizer o mesmo também sobre o que acontece na Ucrânia e em países da África onde as tragédias que ceifam milhões de vidas são ignoradas pela grande mídia.

E antes que você diga que escrevo estas linhas por conta de meu posicionamento político, que realmente tenho, saiba que não é tanto isso, mas é por pensar que aquelas crianças mortas poderiam ser nossos filhos ou netos; e que aquela família faminta – expulsa de sua casa, refugiada, enlutada e sem a menor perspectiva de presente nem de futuro – poderia ser a minha família.

Não é tanto por consciência crítica ou política, mas porque sou cristão que escrevo este texto, porque Jesus não se calou ante as injustiças de seu tempo, ante o apedrejamento da mulher adúltera, ante os vendilhões do tempo e diante dos religiosos hipócritas que manipulavam as pessoas, e por isso Ele foi preso, torturado e assassinado na cruz.

Não serei da legião dos calados nem dos omissos. E, reafirmando Jesus, se um dia vier a ser perseguido pela posição pública que assumo, direi para mim mesmo as palavras do Mestre no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os que forem perseguidos por amor à minha Justiça, porque deles será o reino dos céus.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela Uesc.

Lula durante a Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global em Paris || Foto Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou de ameaça as exigências feitas pela União Europeia (UE) para a finalização de um acordo com o Mercosul. Ao discursar na Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, em Paris, Lula cobrou que os acordos comerciais passem a ser mais justos. 

“Estou doido para fazer um acordo com a União Europeia, mas não é possível. A carta adicional que foi feita pela UE não permite que se faça um acordo. Nós vamos fazer a resposta e vamos mandar a resposta. Mas é preciso que a gente comece a discutir.”

“Não é possível que tenhamos uma parceria estratégica e haja uma carta adicional fazendo ameaça a um parceiro estratégico. Como é que a gente vai resolver isso?”, questionou Lula, sentado ao lado do anfitrião do evento, o presidente francês Emmanuel Macron.

Lula se referiu à construção da UE como patrimônio democrático da humanidade. “Depois de duas guerras mundiais, vocês conseguirem construir a União Europeia, conseguirem fazer um Parlamento, conseguirem viver com divergência, mas discutindo as coisas democraticamente. É uma coisa que eu quero para a América do Sul”.

“Queremos criar novos blocos para negociar com a UE. E aí, me desculpem Banco Mundial e FMI [Fundo Monetário Internacional], precisamos rever o funcionamento. É preciso ter mais dinheiro, é preciso ter novas direções, mais gente participando da direção. Não podem ser os mesmos.”

“Querido companheiro Macron, obrigado por essa reunião. E se prepare porque estou com mais vontade de brigar nesses próximos três anos em que vou presidir o Brasil. Obrigado e boa sorte”, finalizou. Com informações d´Agência Brasil.