Estudante de Ilhéus é selecionado para programas nos Estados Unidos || Foto arquivos pessoais
Tempo de leitura: 3 minutos

O adolescente Kauan Peruna, de 13 anos, aluno do Colégio da Polícia Militar Rômulo Galvão, em Ilhéus, será o primeiro baiano a participar do programa de inverno de bolsistas de graduação em Relações Internacionais pela International Infinity Society, nos Estados Unidos. Ele é a pessoa mais jovem a ser aceita no evento, que acontece em Harvard. O adolescente participará ainda neste mês, de forma on-line.

Com esta e outras conquistas, Kauan foi reconhecido pela International Star Kids Awards como um dos jovens mais talentosos do mundo na categoria Educação, em 2023, e na categoria QI, em 2024. Também ganhou bolsas de estudos de 100% para participar de programas de verão presenciais nas universidades de Havard, Georgetown, Oxford, Cambridge, MIT e Stanford, entre outras.

Dentre as 19 premiações que já coleciona, o grande destaque é a sua admissão na International Infinity Society, que é uma sociedade internacional de alto Quociente de Inteligência (QI), tida como uma das instituições mais restritas do mundo, exigindo do candidato um QI mínimo de 140 pontos (inteligência genial), quando a média é 83.

“Estou bastante feliz e honrado. Apesar do processo seletivo acirrado, fui um dos poucos brasileiros aceitos. Também estou ansioso para ter contato com os estudantes de relações internacionais de Harvard”, conta Kauan.

O adolescente é bolsista de iniciação científica na Academia de Ciências de New York. Enquanto era entrevistado para esta matéria, ele recebeu e-mail com o resultado de um programa que irá ocorrer em janeiro, na Malásia, para o qual foi selecionado para ser nomeado como Embaixador Internacional da Juventude (ODS).

Estudante ilheense tem o QI acima da média

ELOGIOS NA ESCOLA

A diretora do CPM de Ilhéus, Claudia Maria Macedo, relata que Kauan é um excelente aluno, com comportamento nota 10, assíduo e que mantém boas relações com os colegas, professores, militares e funcionários. “Ele tem desempenho satisfatório nos 12 componentes curriculares, se destacando em Arte, Geografia, História, Técnica de Escrita Argumentativa, Instrução Militar e Construção da Cidadania”, conta

A diretora acrescenta que as conquistas do aluno são fruto do bom desempenho dele no colégio. “Ele preparado para novas conquistas fora dos muros da escola. Kauan é um adolescente ávido para o conhecimento e determinado a vencer pelos estudos. É um jovem promissor que, por meio de suas conquistas, incentiva outros alunos a se orgulharem de pertencerem à rede estadual de ensino e de que o esforço empreendido na vida acadêmica vale a pena”.

SELECIONADOS EM OUTROS PROGRAMAS INTERNACIONAIS

Entre os programas presenciais de verão que foi selecionado, destaque para o de Cambridge para estudar Neurociência, com bolsa de 50%, o do Oxford para estudar Matemática Aplicada e Química; do Massachusetts Institute of Technology (MIT) para cursar Inteligência Artificial/Tecnologia, com bolsa de estudos de 30%; e das Universidades de Stanford e Georgetown para estudar Engenharia. O estudante foi selecionado, ainda, pelo Instituto de Boston para estudar Engenharia/ Tecnologia.

No momento, os pais de Kauan estão organizando a documentação para que ele possa embarcar em 2025 para Boston, onde vai representar a Bahia na Yale Model United Nations (YaleMUN) – conferência que visa debater questões globais complexas entre estudantes do Ensino Médio de todo o mundo – e na Harvard World Model United Nations (HavardMun), que é uma conferência anual das Nações Unidas, em modelo itinerante, dirigida pela Universidade de Harvard e uma equipe universitária local da cidade anfitriã.

Andreyver comemora certificação de Harvard
Tempo de leitura: < 1 minuto

Após muitos dias de dedicação, o jornalista e comentarista político do Jornal Interativa News, Andreyver Lima, comemorou a certificação do curso Citizen Politics in America: Public Opinion, Elections, Interest Groups, and the Media.

O curso que faz parte da plataforma online de Harvard, uma das mais conceituadas universidades do mundo, aborda os atributos do processo eleitoral e explora os impactos nas decisões da formulação de políticas – um assunto amplamente estudado por cientistas políticos. Os módulos também explicam na teoria e na prática a influência da mídia e das pesquisas de opinião, que se tornaram o principal método de avaliação nas eleições.

“Mais uma especialização, já que estamos diante de uma nova realidade. As democracias e o processo eleitoral estão cada vez mais conectados com o público. Como jornalista, entender esses processos políticos e de comunicação são fundamentais”, disse Andreyver.

Tempo de leitura: 2 minutos

Felipe de Paula | felipedepaula81@gmail.com
 

Imagine um professor na praça explicando algum tema polêmico contemporâneo! Aí, com ideias circulando, com a academia enxergando além de seus muros, quem sabe teríamos uma sociedade ainda melhor. Difícil? Sim, com toda certeza! Mas será que cada um de nós, doutos cidadãos, estamos fazendo todo o possível?

 
Ler o título acima parece estranho, não? Permita-me então contextualizar melhor a questão: dois acontecimentos que presenciei dentro do “mundo acadêmico” nos últimos dias me fizeram pensar um bocadinho sobre exatamente esse tal “mundo acadêmico”.
No primeiro fato, um jovem estudante postou nas redes sociais seu lamento por ter sido abordado por uma senhora cristã que tentava propagar suas ideias e demonstrou incômodo por ele se declarar ateu. Quando apresentado o contraponto de que aquela senhora estava apenas levando adiante aquilo que ela acreditava ser interessante, ele rebateu: “ah, não saio por aí levando a palavra de Nietzsche”. Não leva? Uma questão: por que não?
Outro fato foi a leitura de outra postagem nas redes sociais onde professores e estudantes, em sua maioria, debochavam e se escandalizavam com a cantora Anitta ter sido convidada para palestrar num evento na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Soava absurdo a cantora notabilizada no funk, de origem periférica, falar numa das mais prestigiadas universidades do mundo. Uma questão:por que não?
A academia brasileira, permito-me generalizar com meus pouco mais de oito anos de experiência docente, parece sofrer de um mal que a faz sentir-se como um panteão para poucos. Alguns (poucos) privilegiados devem alcançar esse patamar após demonstrar suas competências em provações diversas. Uma ideia de que aquilo “não é pra qualquer um”. Uma ideia de que aquilo que não está no “mundo acadêmico” não é bom o suficiente.
Vivemos – faço aí um mea culpa pois, além de ocasionalmente escrever textos me valendo da boa audiência do PIMENTA para atingir uma grande fatia da sociedade, também estou entre os que assim agem – num espaço onde apenas os aplausos e os tapinhas nas costas dos iguais parecem ser interessantes. Por qual motivo as vozes periféricas não são plenamente ecoadas nas universidades? Por qual motivo o grafite nas paredes dos corredores acadêmicos é visto com estranheza? Por qual motivo iniciativas como o Pint of Science, que visa explicar pesquisas científicas em bares, são vistas com certo desdém por alguns? A resposta?
Arrisco-me a dizer que muitos acadêmicos – aí incluídos professores e estudantes – acreditam que são especiais demais e acabam por esquecer da sociedade que os abriga e, principalmente, financia.
Se a senhora propagando a fé cristã nas ruas enche sua paciência, será que ao invés de criticá-la não seria possível ver nela uma inspiração? Imagine as praças de Itabuna, de Ilhéus ou de qualquer outra cidade exibindo um filme e um pesquisador conduzindo um debate sobre ele! Imagine um professor na praça explicando algum tema polêmico contemporâneo! Aí, com ideias circulando, com a academia enxergando além de seus muros, quem sabe teríamos uma sociedade ainda melhor. Difícil? Sim, com toda certeza! Mas será que cada um de nós, doutos cidadãos, estamos fazendo todo o possível?
Felipe de Paula é professor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).