Apesar de quase ter sido liquidada no primeiro turno, a última eleição para o Governo da Bahia foi a mais disputada em duas décadas. Durante toda a pré-campanha e mesmo no período eleitoral, as sondagens do comportamento do eleitorado apontavam amplo favoritismo do ex-prefeito ACM Neto, que ostentava a boa avaliação de seus mandatos em Salvador, milhões de reais do fundo eleitoral do União Brasil e um nome forte no imaginário baiano.
Hoje, com a obra pronta e olhando em retrospectiva, a quinta vitória seguida do PT na Bahia não pode ser chamada de surpreendente, mas, há um ano, ACM Neto havia acabado de tirar o PP da base governista e viria a lançar sua candidatura com apoio de 14 partidos, número inédito para um candidato da oposição. Essa conjuntura, agora sabemos, levou muita liderança a apostar errado.
Esse erro terá preço, a julgar pela declaração do governador sobre o assunto, nesta quinta-feira (23), durante inauguração de uma escola em Ilhéus. “Aqueles e aquelas que não nos acompanharam na eleição passada, eu vou ter que dizer a vocês que eu preciso amadurecer a nossa humildade, que eu acabei de dizer aqui, porque eu vou começar tratando, primeiro, daqueles que nos acompanharam [na eleição], que deram suor e comeram sal comigo”, disparou Jerônimo Rodrigues.
Conforme o governador, a prioridade aos aliados não impedirá o Governo de atender demandas de municípios administrados por quem não o apoiou.
– A gente faz política com coragem, com razão, mas somos feitos de coração. Por isso, se o prefeito não me acompanhou, mas tiver um projeto de extrema necessidade naquele lugar, não vou ter dificuldade de recebê-lo, de tratar, de resolver. A ponte quebrou? Eu não vou esperar o partido do prefeito; o hospital tá assim ou assado, não vou perguntar o partido do prefeito nem em quem ele votou lá atrás. Mas, se não for de urgência, eu vou sentar com meus pares, pra gente não ficar falando pela metade ou pelas costas. Na política, a gente fala olhando nos olhos. Eu vou tratar os companheiros e as companheiras como me trataram em 2022 -.
E foi assim, olhando nos olhos, que Jerônimo se voltou para o deputado estadual Eduardo Salles (PP), sentado à sua direita no palanque, e citou o parlamentar como exemplo de aliado que, em 2022, fez campanha na oposição. Em tom de elogio, Jerônimo disse que Eduardo teve a coragem necessária para conversar francamente e se dispôs a votar ao lado do Governo sempre que o tema em discussão na Assembleia Legislativa seja do interesse do povo baiano. De todo modo, essa é uma relação a ser “reconstruída”, emendou o governador.

















