Os irmãos Deroaldo e Ronaldo na Cantina Tico-Tico || Foto Enault Freitas
Tempo de leitura: 4 minutos

 

Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

 

Walmir Rosário

No nosso tempo de menino em Itabuna uma das maiores diversões era assistir ou participar dos jogos de futebol. Era a nossa mania municipal. Campinhos não faltavam nos bairros e até no centro da cidade. Bastava uma bola, a marcação das traves, muitas vezes com pedras, e a meninada com vontade de brincar. Sobravam muitos, geralmente os sem habilidade.

Agora, bom mesmo, era assistir aos jogos e treinos dos times amadores, principalmente da invencível Seleção de Itabuna. Como nem sempre estávamos providos de recursos para o ingresso, recorríamos aos jogadores amadores que possuíam a carteirinha da Liga de Desportos Atléticos (Lida), e entrávamos com eles. Claro, sem pagar nada.

E existiam os funcionários que dificultavam nosso ingresso, enquanto outros facilitavam. E uma dessas figurinhas carimbadas era Raimundo Pereira Borges, um multifuncional no Campo da Desportiva, pois “jogava nas 11”, era bandeirinha, árbitro, goleiro, diretor da Lida e dono do bar interno da Desportiva. Uma figura alegre, brincalhona, afável, mas que sabia ser sisudo quando o assunto requeria.

Zinho (Tico-Tico) e a esposa, Miralva || Foto Arquivo Walmir Rosário

Raimundo Pereira Borges era pouco conhecido. Para nós era Zinho – só os mais velhos –, depois Tico-Tico, novo apelido que ganhou quando em 27 de janeiro de 1950 inaugurou, junto com sua esposa, Miralva, a Cantina Tico-Tico, bem próximo do Campo da Desportiva, na rua Almirante Tamandaré, ao lado do conhecido Jardim do Ó, local em que funciona até os dias de hoje.

E a escolha do nome foi pra lá de inusitado: um dia Zinho informa a seu irmão Antônio, conhecido como Tote, dono do Bar dos Operários, que iria abrir uma cantina e aproveita para pedir uma sugestão quanto ao nome que daria. Nesse momento, Tote saía de detrás do balcão e se dirigia ao banheiro com um rolo de papel higiênico, e mostrou ao irmão: “Bota o nome de Tico-Tico, como essa marca de papel higiênico”. E imediatamente foi aprovado o nome.

O local era pequeno, mas abrigava a todos, principalmente quando as empresas próximas liberavam os empregados para a “merenda” da manhã e da tarde. Bem em frente, onde hoje existe a Igreja Universal, funcionava uma revenda Volkswagen, com cerca de 50 funcionários, muito deles com o lanche anotado no caderno.

Refrigerantes, sucos e refrescos, pastéis bem recheados de carne, banana real, bolos de milho, tapioca e aipim, além das batidas de gengibre e maracujá fazem o maior sucesso. Com o passar dos anos a Cantina Tico-Tico ganhou conceito e frequência diversificada, com mecânicos, radialistas, jornalistas, bancários, advogados, comerciários, muitos dos quais buscavam o lanche fora da hora de grande movimento.

Os filhos de Zinho mantêm a obra: Deroaldo e Ronaldo no balcão do Tico-Tico || Foto Enault Freitas

Eu mesmo fui cliente assíduo da Cantina Tico-Tico quando a redação do Jornal Agora ficava do outro lado do Jardim do Ó. Todos os dias, eu, o saudoso colega Euclides Batista (Zoca) e o diagramador Paulo Fumaça dávamos uma paradinha nas “Olivetes” para o lanche sagrado. Barrigas abastecidas, trocávamos uns dois dedos de prosa com Zinho e os filhos Ronaldo Deroaldo (Peu) e Deroaldo Ronaldo.

E aos poucos o nome Zinho foi sendo transferido para Tico-Tico, um expert na área de lidar com o público e que soube repassar esse conhecimento aos filhos. Lembro-me, ainda menino, de quando ele dirigia o bar do Campo da Desportiva e num domingo o presidente da Lida o proibiu de vender cachaça, só cerveja e refrigerante. Foi uma revolta geral, mas Zinho soube tirar de letra e apaziguar.

E todo esse sucesso do Tico-Tico não subiu à cabeça da família que soube se dedicar a servir bem aos fregueses, com bebidas e comidas de boa qualidade, muitas delas fabricadas em casa. Um dos filhos, Deroaldo Ronaldo, optou pelo trabalho na cantina e deu adeus à advocacia, num tempo em que os despachos e sentenças eram raridades, pela falta de juízes e promotores.

As memórias: Zinho Tico-Tico nas páginas vibrantes do Jornal Agora

E por todo o sucesso dessa família à frente da Cantina Tico-Tico ao longo de 75 anos ininterruptos, o Serviço Brasil de Motivação e Marketing (Simmbra), liderado pelo empresário Valdir Ribeiro, prestará, nesta segunda-feira, 27, às 11 horas, uma homenagem à Cantina Tico-Tico, com um Certificado de Excelência. E Valdir Ribeiro ressalta que uma empresa familiar dificilmente consegue sobreviver no mercado por todo esse tempo.

Raimundo Pereira Borges, o Zinho, ou o Tico-Tico, nasceu em 7 de maio de 1930 e faleceu em 18 de janeiro de 2011, deixando um legado para a família, que soube perpetuar um empreendimento que, embora pequeno, alcançou e soube se manter no patamar do sucesso. Além de Ronaldo Deroaldo e Deroaldo Ronaldo, Zinho deixou as filhas Cássia, Clélia, Hélia e Alcimar.

Vida longa à família Tico-Tico.

Walmir Rosário é  radialista, jornalista e advogado, além de autor de livros como Os grandes craques que vi jogar: Nos estádios e campos de Itabuna e Canavieiras, disponível na Amazon.

 

Trânsito de Itabuna sofre alterações para o desfile de 7 de Setembro || Foto arquivo
Tempo de leitura: < 1 minuto

Motoristas e pilotos que trafegam pelo centro de Itabuna devem ficar atentos para intervenções que a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SETTRAN) fará nas avenidas e ruas para viabilizar o desfile de 7 de Setembro, na quinta-feira. O fechamento de vias em regiões centrais começa a partir das 22h desta quarta-feira (6).

O tráfego de veículos automotores e ciclomotores será suspenso nas ruas e avenidas nas imediações da Praça José de Almeida Alcântara (Jardim do Ó). A medida, segundo a SETTRAN, será necessária para a concentração de organizações militares, escolas das redes pública e particular. A liberação das vias só ocorrerá após o término do desfile, na tarde de quinta.

As vias que serão interditadas pela SETTRAN são as seguintes: ruas Almirante Tamandaré e Izolina Guimarães (Centro de Cultura Adonias Filho), sentido Jardim do Ó; Avenida Fernando Cordier; ponte do Bairro São Caetano (rotatória), sentido Centro da cidade; prolongamento da Avenida Cinquentenário, próximo ao Boteco Gaúcho, e Rua Dalila Paganelli, sentido Jardim do Ó.

Haverá interdição ainda na Praça Olinto Leone, sentido Rua Paulino Vieira; Praça Olinto Leone, em direção à rua Firmino Alves; Praça Adami, sentido Avenida Cinquentenário; Rua Professor Alício de Queiroz, indo para a Praça Otávio Mangabeira (Praça Camacan); e em todas as transversais da Avenida Cinquentenário.

Além da suspensão do tráfego de veículos, não será permitido o estacionamento de veículos nestas vias. A SETTRAN informa que, em caso de descumprimento das determinações, o veículo poderá ser removido. O proprietário terá que arcar com os custos da operação.

Tempo de leitura: < 1 minuto

O candidato a governador da Bahia pelo PT, Jerônimo Rodrigues, participará de caminhada no Centro de Itabuna, no sul da Bahia, na próxima quarta-feira (17), às 15h. Com ponto de partida no Jardim do Ó, o ato também contará com a presença do senador Otto Alencar (PSD), candidato à reeleição; e do postulante a vice-governador e presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Geraldo Júnior, Geraldinho (MDB).

A escolha de Itabuna para ato no segundo dia oficial de campanha indica a relevância que a estratégia da coligação liderada pelo PT atribui à região sul do estado. No dia 4 de junho passado, a cidade foi palco de um dos maiores atos da pré-campanha de Jerônimo, na edição regional do Programa de Governo Participativo (PGP), com a presença de mais de 8 mil pessoas, segundo os organizadores.

Tempo de leitura: < 1 minuto

Monumento que desabou por falta de manutenção.

O monumento em estrutura metálica em homenagem ao prefeito José de Almeida Alcântara desabou ontem (relembre aqui) por falta de manutenção. A obra foi concebida pelo artista plástico Paulo Cardozo e instalada na praça em 1994, mas a última manutenção ocorreu na década passada. No máximo, só pinturas para impor as cores da atual gestão municipal. Leitores indignados lembram o estado de abandono de outros monumentos ou símbolos de Itabuna. Tem até bolão proposto por Regina Florêncio no Facebook.
“Bolão. Qual monumento será o próximo a despencar em Itabuna?
( ) Busto do Olinto Leoni na praça homônima, ( ) Relojão do Surf (invejinha de Ilhéus) do Capitão na Praça Adami, ( ) Busto de um Coroné qualqué seja lá onde estivé.”
Para dar palpites, acesse.