CAETANO VELOSO TEM OUVIDO PRIVILEGIADO
Que João Gilberto “fala muito bonito” é avaliação de Caetano Veloso, feita há algum tempo. “E João Gilberto fala?” – perguntei a meus botões, de forma retórica. Eles nada responderam (que querem?), nem precisava, pois João não fala, apenas exala da vitrola “aquele seu jeito encantado de cantar (…), com sua inconfundível divisão”, assim falou Rosa Passos. Talvez o mano Cae seja um desses privilegiados que têm ouvidos de ouvir a voz falada do cantor juazeirense. Ou não. Para mim, quem “fala bonito” de me deixar extasiado é outro baiano: Gilberto Gil. Encontrei-o na revista Muito (grupo A Tarde), discorrendo sobre a velhice e outras doenças (ele tem 68 anos).A SUBSTITUIÇÃO DA CRENÇA PELA DESCRENÇA

A VELHICE VISTA COM BELEZA E SABEDORIA
Ainda a propósito da questão religiosa, ele diz: “Hoje eu não creio nem descreio, não sinto necessidade da eleição dos objetos da crença, o Deus, os entes externos que habitam este mundo da transcendência. Nem preciso deles nem preciso do ateísmo. E não preciso achar, como eu achava antes, que quem acredita é melhor do que o incréu. Ou achar hoje que o incrédulo é melhor. Quem escolhe uma polaridade tende a achar que o outro não está certo, que ele é menor. É isso que autoriza o processo catequético, e eu não quero ter essa necessidade, me tornar missionário, discriminatório, juiz de nada”. Dizer que “a velhice é uma nova infância” – me soa pra lá de bonito: profundo.OSCAR DECIDIDO ENTRE O VELHO E O NOVO
O Oscar de 2011, polêmica premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, já com mais de 80 anos, mostra neste domingo a velha dicotomia. Os filmes favoritos – O discurso do rei e A rede social, na opinião do crítico Rubens Ewald Filho (foto) – são antagônicos em sua feitura e propostas. “O discurso… é um antiquado e muito bem feito filme inglês, com tudo direitinho, no lugar certo e com grandes interpretações; A rede social é um filme moderno, de um assunto pertinente, e tem a originalidade de o herói ser um filho da mãe, ou seja, um sacana que ganha US$ 4 bilhões. Não deixa de ser um retrato do nosso tempo” – resume o crítico.FAROESTE PODE TER OUTRO OSCAR DE ATOR

BROKEBACK… OFENDEU O PALADAR CLÁSSICO

O HOMEM QUE CONVERSOU COM A ÁRVORE
Ou o caso é de prosopopeia (também dita personificação) ou a figura tem nome que não alcanço. A mim me importa, mais do que nomenclatura, conteúdo: o sujeito conversa com uma árvore, a ela conta suas mágoas sentimentais (“Juazeiro, juazeiro,/ me arresponda por favor/ Juazeiro, velho amigo,/ onde anda meu amor?”) e ainda lembra ao pé de juá que ele tem responsabilidade no caso (“Juazeiro, meu destino/ tá ligado junto ao teu/ no teu tronco tem dois nomes/ ela mesmo é que escreveu”). E assim vai a confissão de amor ferido, num crescendo de emoção. Talvez por ser mais sensibilidade do que razão, se me eriça a pele cada vez que escuto Juazeiro (Humberto Teixeira-Luiz Gonzaga/1948).A ESPERANÇA AMOROSA CEDE AO SOFRIMENTO

CULTURA NORDESTINA INTOCADA PELO JAZZ

A DILACERANTE TRISTEZA DE JANE DUBOC
A leitura de Dominguinhos para o texto de Humberto Teixeira mostra um homem de coração despedaçado; Jane Duboc (foto), na segunda parte, é de uma tristeza comovente – e quando diz “eu prefiro inté morrer”, eu sinto a garganta apertada (o clipe é especial para esta coluna).

















