
Os nossos políticos, ao serem alçados à condição de representantes, esquecem-se de que são procuradores de interesse alheio.
Meu primo Luiz Tinoco escreveu a seguinte frase no facebook: “o problema dos que não gostam de política, é que são governados pelos que gostam”. Mas Luizinho, será que o povo sabe o que é política?
Política no seu sentido lato é a busca do consenso como meio para viver harmonicamente em coletividade. Então, exercitamos a política em todos os segmentos de nossas vidas, por sermos seres sociais. E somos os responsáveis pela máquina que promove o consenso, tanto na condição de representantes quanto na de representados, que é o exercício pleno da democracia. Assim, política só existe no regime democrático.
Todavia, a sociedade aprendeu que a política foi feita para os políticos e só a eles foi dado a obrigação de exercê-la. Mas os nossos políticos, ao serem alçados à condição de representantes, esquecem-se de que são procuradores de interesse alheio e passam a utilizar a política para a realização de interesse próprio, bem como para a manutenção no poder. O distanciamento dos cidadãos da esfera pública fortalece a monopolização da política e os desmandos decorrentes dos acessos que ela proporciona.
A partir daí começa o jogo do vale tudo. Nada é proibido para manter-se invicto. Como alianças de supostos inimigos, benefícios, honras e dignidades aos mais fortes, promessas futuras e acessos facilitados. E o jogo da política deixa de ser a busca pela harmonia coletiva para transformar-se no melhor caminho para ter poder.
É triste saber que a política se transformou no meio mais sórdido do homem exercer o seu egoísmo e sua ambição, enquanto os destinatários da política ficam alijados dos seus direitos e impedidos de serem de fato os verdadeiros titulares do poder. O mais triste é ler a conclusão a que chegou o arquiteto Oscar Niemeyer: “Projetar Brasília para os políticos que vocês colocaram lá, foi como criar um lindo vaso de flores para vocês usarem como penico. Hoje eu vejo, tristemente, que Brasília nunca deveria ter sido projetada em forma de Avião e sim de Camburão…” Só discordo de uma coisa: o pronome deveria ser nós e não vocês, caro mestre.
Valéria Ettinger é professora universitária.









Câmara de Vereadores fraquinha essa de Itabuna. Aliás, é até desperdício de vocábulo dizer o que todo mundo já sabe, mas tomem isso por um desabafo que este blogueiro não conseguiu conter. Não comparem a um flato inadvertido, com o perdão dos mais sensíveis, mas é que uma coisa puxa a outra e os assuntos parecem ter a mesma natureza… Se é que vocês me entendem…
Como diria aquele colunista social, causou frisson a montagem em que aparecem Geraldo Simões e Fernando Cuma como noivos, além de Azevedo como padrinho ou papagaio de pirata. Não tanto pela insinuação do casamento eleitoral, de fato cogitado nos encontros das alcovas políticas…
Está indócil o tal “caminhão de japonês” que transporta as pré-candidaturas não-jabistas ao Palácio Paranaguá. Em toda reunião, como a do PSB na última quinta-feira, a japonesada parte pra cima de Jabes Ribeiro com espírito de samurai, de modo que o cenário eleitoral em Ilhéus vai ficando mesmo com jeito de tatame de jiu-jítsu.

Da coluna Painel (Folha de S. Paulo):
Aquele deputado estadual de coturno sonhou que havia encontrado uma lâmpada mágica, a qual naturalmente esfregou e, por óbvio, viu sair um gênio de turbante e braços cruzados sobre o peito.

Da Folha:
Aquele lance macabro de outro dia, quando uma ruma de sindicalista invadiu o plenário da Câmara de Ilhéus com velas, caixão e cânticos fúnebres, assombrando centenas de velhinhas que estavam ali para receber homenagem dos vereadores, ilustra bem os tempos vividos pela política nesse eixo torto Ilhéus-Itabuna.
O vereador petista ilheense Paulo Carqueja, o outro caça-fantasmas da Câmara, é esperado há mais de três meses para assumir o comando da Secretaria Municipal da Saúde. Carqueja impôs a condição de receber a Secretaria organizada e em condições de prestar um bom serviço.
Anda sumida a vereadora Rose Castro, de Itabuna, que faz companhia a Clovis Loiola no ostracismo. Juntos, eles emplacaram sucessos nas sessões plenárias, como a famosa falta de “cloro” para que fosse votado um projeto (pérola de Loiola) e a pedrada de Rose que, numa discussão com outro vereador, disse que não entraria no “inquérito” da questão…





