Adolfo Menezes (no centro) recebe diretores da Braskem na Alba
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O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Adolfo Menezes (PSD), manifestou preocupação com a indústria petroquímica da Bahia. Para o deputado estadual, é necessário criar medidas de proteção do segmento, com ajuda da União. “Segundo a própria Associação Brasileira da Indústria Química, a crise é muito grave – uma das piores de toda a história”, disse o parlamentar, nesta segunda-feira (13), em Salvador, após reunião com os dirigentes da área de Relações Institucionais da Braskem, Magnólia Borges e Mário Dias.
De acordo com o presidente da Alba, a situação exige que o Governo Federal defenda o setor contra a concorrência predatória de outros países, que, segundo ele, subsidiam e fornecem petróleo e gás mais baratos aos concorrentes da indústria nacional. “A economia da Bahia é ainda muito dependente das indústrias químicas e petroquímicas instaladas em Camaçari”, alertou.
A Unigel, que emprega 400 trabalhadores em Camaçari, suspendeu as atividades de sua fábrica de fertilizantes, no início deste mês. “São sinais claros de que precisamos atentar para a situação e tomar providências já. O setor – o sexto maior do mundo e que representa 11% do nosso PIB industrial – corre o risco de fechamento de plantas, em especial as de médio e pequeno portes, desemprego e perda de arrecadação com impostos”, reforçou Adolfo.
SEMINÁRIO
O presidente da Alba é um dos convidados para o seminário “A Competitividade da Indústria Química na Bahia e no Brasil”, marcado para a próxima segunda-feira (20), às 8h30min, no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), no Stiep, em Salvador.
O evento é promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química, em parceria com a Fieb. “No Seminário serão tratados os principais desafios do setor, que resultaram na redução da produção e das vendas para o patamar mais baixo em 17 anos. Serão abordados ainda temas como o Regime Especial da Indústria Química e o impacto do aumento no volume de importação de produtos químicos”, antecipa Magnólia Borges.
Porto de Salvador foi leiloado por R$ 32 milhões|| Foto Tadeu Miranda
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O Governo Federal leiloou, nesta sexta-feira (13), os terminais portuários de Salvador, Fortaleza e Santana (AP). Com oferta de R$ 32 milhões, a empresa Intermarítima Portos e Logística venceu o leilão para administrar o terminal na capital baiana. A previsão é que os contratos sejam assinados no quarto trimestre deste ano.
O terminal de Salvador terá um contrato de concessão de 10 anos com investimento de R$ 17,73 milhões. Do total produzido pelo estado da Bahia com destino à exportação, 65% dos volumes são enviados via Complexo Portuário de Salvador e Aratu-Candeias. A Bahia tem um forte perfil industrial, principalmente em função do Polo Petroquímico de Camaçari.
FORTALEZA E SANTANA
A área em Mucuripe, em Fortaleza, terá a administração concedida por 25 anos. Neste terminal, os desembarques de trigo respondem por 70,4% das operações granéis sólidos, equivalendo a 963.752 toneladas (dados de 2013), importado principalmente dos Estados Unidos, Argentina e Uruguai. A empresa Tergran Terminas arrematou o terminal por R$ 1 milhão.
O terminal no Porto de Santana terá um contrato de concessão de 25 anos. Com uma movimentação de 4,3 milhões de toneladas/ano, principalmente de farelo de soja, que representa 11% do perfil “granel sólido vegetal” do porto, o terminal tem destacada importância na balança comercial brasileira. O terminal foi arrematado por R$ 5,8 milhões pela Caramuru Alimentos.
De acordo com Ministério da Infraestrutura, o leilão dos três terminais permitirá a modernização, o aumento da capacidade de operação e gerar empregos e renda. Em Santana, estima-se 628 empregos gerados entre diretos, indiretos e efeito-renda, enquanto Mucuripe deve gerar 720 novas vagas. Já na área do porto da capital baiana devem ser criados 444 postos. Os três terminais devem receber R$ 106 milhões em investimentos privados.
Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.
Vivemos numa região que possui um dos biomas mais importantes do Brasil, a mata atlântica – muito rica em fauna e flora. Essa conservação só foi possível devido ao sistema de produção cabruca, que consiste em consorciar exploração econômica e conservação ambiental.
A produção do cacau permitiu reconhecimento social e poder político-econômico para os produtores do fruto. Se cacau era sinônimo de dinheiro, proprietário rural nessa região ganhava destaque social em qualquer lugar do país e até internacionalmente. As obras de Jorge Amado trazem esse retrato histórico.
A quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929, afetou o comércio mundial e estabeleceu dificuldades na nossa economia até o final da década de 1950. Nesse período, após uma intensa luta junto aos poderes da República, a região viu nascer a Ceplac, em 1957, e recebeu uma atenção diferenciada a partir de 1961, quando foi implantada a taxa de retenção de exportação do cacau que formou o orçamento da Ceplac, o que permitiu que a instituição implantasse a extensão rural e investisse no escoamento da produção. A taxa era de 15% sobre a amêndoa e 5% sobre os derivados de cacau.
Em 1970, o cacau representou 60% da arrecadação estadual. Financiou, inclusive, a folha de pagamento do estado da Bahia e fomentou a construção do Centro Industrial de Aratu e do Polo Petroquímico de Camaçari. A partir de 1972, a taxa de retenção foi unificada em 10% – tanto amêndoas como derivados. Em 1980, uma série de fatores influenciaram negativamente na cadeia produtiva do cacau: perdemos importância na pauta de arrecadação do estado frente aos produtos de alta tecnologia produzidos no Polo Petroquímico de Camaçari, o fortalecimento da concorrência dos países africanos e nosso peso na pauta de exportação brasileira foi reduzido.
Todos esses acontecimentos propiciaram ao governo brasileiro cortar a taxa de retenção. Além disso, tivemos uma superprodução de cacau na safra 1984/1985, forçando ainda mais a queda dos preços e empurrando os produtores de cacau para a crise. Como se não bastasse tudo isso, em 1989 surgia em Uruçuca um fungo capaz de dizimar a lavoura, a vassoura-de-bruxa. Diante daquelas circunstâncias, e após muitas cobranças e críticas por parte da comunidade da região sul, o governo estadual, em resposta, criou o Instituto Biofábrica de Cacau em 1997. O IBC nasceu com o objetivo de produzir mudas melhoradas geneticamente e servir de estrutura de apoio permanente à lavoura.
Chegamos a 1990, década em que a região cacaueira conheceu a sua maior queda econômica: mergulhamos num estado de penúria, o que gerou o quase abandono das propriedades por parte dos fazendeiros e demissão em massa dos trabalhadores rurais. Estima-se que mais de 250 mil trabalhadores trocaram o campo pelas cidades. Um grande contingente de homens, mulheres e crianças chegaram sem perspectivas às cidades, buscando sobreviver àquele estado de caos social. As cidades não estavam preparadas, principalmente Itabuna, Ilhéus e Porto Seguro: saúde, educação, segurança, mobilidade e urbanização foram afetados.
Não existia capacidade de atendimento do fluxo, nem capacidade financeira para prover ações de acolhimento para essas pessoas. Esse contingente humano ficou à margem e teve que se estabelecer nas periferias das cidades. Entramos no ano 2000 com a energia da luta, buscamos diversificar a produção agrícola, implantar serviços de educação, melhorar a prestação dos serviços de saúde, começamos a investir em indústrias de pequeno porte e outras iniciativas.
Nos últimos anos, uma articulação dos governos estadual e federal trouxe a esperança de entrarmos num novo ciclo econômico. A construção da barragem do Rio Colônia, um novo hospital regional, prestes a ser inaugurado, a Ferrovia Oeste-Leste, que está parada com quase 70% concluída, o Porto Sul – ainda travado por questões burocráticas, um novo aeroporto, que está para ter obras iniciadas, uma universidade federal já em funcionamento e a duplicação da rodovia Ilhéus-Itabuna, cuja ordem de serviço será assinada na próxima segunda-feira pelo governador Rui Costa, um sonho que a região espera há quase 50 anos. O governo Rui vem se esforçando e realizando as obras que estavam na expectativa da região.
Como tudo na vida, a crise, apesar de negativa, também deixou legados importantes: uma região mais forte para enfrentar as turbulências, a estadualização da UESC – sem a crise econômica o estado não absorveria a instituição no seu orçamento, e o acesso à terra, algo antes difícil e que trouxe à tona o movimento da agricultura familiar nessa região. A produção de chocolate surge como um novo pensar, fruto da chegada de novos agricultores para a cadeia do cacau, o incremento de novos modos de produção e beneficiamento do cacau, e o uso de tecnologias através do melhoramento genético fazem parte dessa mudança.
Precisamos estruturar novas lutas: ampliar e melhorar a nossa representação política em nível estadual e federal, fortalecer a Ceplac, fazer o governo do estado dotar a Biofábrica de condições financeiras para a manutenção do seu quadro técnico e do cumprimento do seu papel de fortalecimento da agropecuária do Sul e Extremo Sul da Bahia. Um novo ciclo está por vir, dele, depende a nossa energia e luta. Nossa região irá se superar e os seus filhos vencerão o dilema identificado pelo saudoso professor Selem Rachid: “a pobre região rica”. Avante!
Rosivaldo Pinheiro é economista e especialista em Planejamento de Cidades pela Uesc.