Preço da amêndoa dispara nas praças sul-baianas || Foto Helene Santos/GovCE
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A arroba do cacau disparou no sul da Bahia nesta segunda-feira (6). Depois de abrir o dia cotada a R$ 305, a amêndoa encerrou as negociações a R$ 350, alta de 14,75% em apenas 24h. O movimento interrompe a sequência de preços mais baixos registrada nas últimas semanas.

A valorização está ligada ao aumento das preocupações com o clima na África Ocidental, principal região produtora do mundo, informa o site Mercado do Cacau. O mercado acompanha a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño, que pode provocar períodos de seca na Costa do Marfim e em Gana, além dos efeitos das chuvas intensas que já afetaram as lavouras marfinenses, atrasando a colheita e elevando o risco de doenças nas plantações.

Analistas projetam que a safra 2026/27 da Costa do Marfim fique entre 1,7 milhão e 1,8 milhão de toneladas, abaixo das cerca de 2,2 milhões de toneladas da temporada anterior.

O mercado também aguarda a divulgação, em 16 de julho, dos dados de moagem de cacau na Europa, Ásia e América do Norte, indicadores que ajudarão a medir o comportamento da demanda mundial e poderão influenciar os preços nas próximas semanas.

Produto esboçou recuperação, mas voltou a perder valor nos mercados interno e internacional || Foto Helene Santos/GovCE
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O preço da amêndoa do cacau esboçou recuperação na primeira quinzena de maio, quando chegou a subir mais de 10% no último dia 11 (relembre). Passada uma semana, a commodity voltou ao viés de baixa e já perdeu 6% de seu valor nesta segunda-feira (18), na Bolsa de Nova York, onde a tonelada do produto é negociada a 3.756 dólares, equivalente R$ 18.870,89 na cotação atual, a poucos minutos do fechamento do mercado.

Já nas praças do sul da Bahia a arroba de cacau deve fechar o dia a R$ 220, 12% a menos que o valor registrado há uma semana, R$ 250.

O movimento se deve à expectativa de aumento da oferta do produto, segundo o site especializado Mercado do Cacau. Essa prognóstico tem superado os impactos da elevação do preço do petróleo e as ameaças climáticas atreladas aos riscos de que o fenômeno El Niño ganhe versão ainda mais severa neste ano.

Produto mantém trajetória de queda nos mercados nacional e internacional || Foto Site Cacau, Chocolate e Turismo
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A arroba do cacau terminou esta sexta-feira (27) vendida a R$ 135 no sul da Bahia, 10% a menos que ontem (R$ 150). Já na Bolsa de Nova Iorque, a tonelada foi negociada a 2.886 mil dólares, equivalente a R$ 14.803 na cotação de hoje, numa queda de 5,53% em 24h.

O valor da commodity recuou a patamar inferior ao de 2022, antes da crise de oferta que elevou os preços em 2023 e 2024. A queda desencadeou protestos de produtores, como o desta sexta-feira (27), em Ilhéus, em que defenderam maior controle sobre as importações e preço mínimo para o cacau.

Na terça-feira (24), o Ministério da Agricultura e Pecuária determinou a suspensão imediata da importação de cacau da Costa do Marfim, maior produtor do mundo, alegando risco fitossanitário. Já a Casa Civil anunciou que irá acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar se o preço do cacau no Brasil pode estar sendo manipulado por cartelização.

A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau negou a existência de manipulação de preços e afirmou que medidas restritivas contra a importação podem prejudicar o funcionamento de fábricas instaladas no País. Segundo a entidade, a produção interna não é suficiente para suprir a demanda do setor.

AIPC emite nota sobre medida do Ministério da Agricultura e Pecuária || Foto André Frutuoso/CAR
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A Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) afirmou que a suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim resulta do erro que, segundo a entidade, atribui a responsabilidade pela queda nos preços da commodity à indústria instalada no Brasil.

“É fundamental esclarecer que o preço da amêndoa de cacau é definido no mercado internacional, a partir das bolsas globais e das condições de oferta e demanda mundiais e local. Por isso, constitui um equívoco atribuir à indústria brasileira — grande parte dela instalada na Bahia — a responsabilidade pela formação ou fixação desses preços”, argumentou a Associação, em nota. Produtores de cacau acusam as grandes processadoras de cartel (veja aqui).

Sem mencionar diretamente a suspensão da última terça-feira (24), a AIPC  acrescentou que medidas restritivas não enfrentam a causa do problema e podem prejudicar o funcionamento da indústria. “Podem produzir efeitos indesejados, como redução da moagem, paralisação de unidades produtivas, perda de empregos e diminuição da arrecadação estadual, além de comprometer a competitividade das exportações brasileiras de derivados de cacau”, alegou.

“INTERVENCIONISTA”

A Associação classificou a medida do governo como “intervencionista” e ineficaz diante de desequilíbrios produtivos ou de preços, que podem agravar as dificuldades do setor que se pretende proteger. Também defendeu a instalação imediata de uma mesa técnica reunindo indústria, produtores e governo.

Ao determinar a suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim, o Ministério da Agricultura e Pecuária citou risco fitossanitário associações à triangulação das amêndoas que vêm do país africano para o Brasil. A suspeita é de que o cacau produzido em outros países estariam vindo junto com o marfinense, de forma irregular (relembre). A nota da AIPC não aborda o risco fitossanitário. Abaixo, leia a íntegra.

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Protesto de cacauicultores, na quarta-feira (18), em Ibirapitanga || Foto Redes Sociais
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Do PIMENTA

Na tarde de 17 de dezembro de 2024, uma terça-feira, a arroba de cacau bateu R$ 1.029,00 na praça de Ilhéus. Foi o preço nominal mais alto da história do produto. Nesta sexta-feira (20), os mesmos 15 quilos de amêndoas do fruto de ouro valiam R$ 155. Desvalorização de 84,94% em um ano e dois meses.

Nesse intervalo, o mercado saiu de um choque de oferta – provocado pela redução da produção em países como Gana e Costa do Marfim – para a conjuntura atual, de diminuição da demanda associada ao alto nível de estoques reabastecidos pela retomada de produtividade da lavoura na África.

Além dos fatores que depreciam a commodity no mercado internacional, produtores brasileiros acusam as grandes empresas compradoras de cacau de atuarem, de forma coordenada, para reduzir ainda mais o preço do produto no país. Segundo eles, haveria uma cartelização para, artificialmente, diminuir a cotação do cacau no Brasil em relação à bolsa de valores de Nova Iorque, impondo deságio ao preço da mercadoria nacional.

A cotação no mercado futuro de Nova Iorque fechou a sexta-feira (20) a 3.174 dólares por tonelada, algo próximo de R$ 16.570. Por esse valor, o quilo do cacau seria cotado a R$ 16,57 e a arroba, R$ 248. Sem considerar as mediações implicadas na conversão desses valores, o preço em Ilhéus (R$ 155) representa um deságio de 37,5% em relação à cotação internacional.

Os produtores brasileiros também acusam as grandes indústrias moageiras de usarem as importações de cacau para baratear a mercadoria no Brasil, valendo-se do sistema chamado de drawback, que isenta o importador de impostos sobre insumos usados na fabricação de produtos para a exportação.

OUTRO LADO

As multinacionais Cargill, Olam e Barry Callebaut respondem por mais de 90% das compras de cacau no país e dominam o processamento industrial do produto no Brasil. Juntas, compõem a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que nega a existência de cartel na compra do produto.

A Associação afirma que não interfere nos preços praticados no mercado. Segundo a entidade, as empresas negociam de forma autônoma com os produtores, de acordo com suas políticas comerciais, e eventuais bonificações por qualidade dependem da relação individual com os fornecedores.

A AIPC também defendeu as importações como essenciais para manter as linhas de produção, citando déficit de quase 40 mil toneladas entre moagem e recebimento no primeiro semestre de 2025, o que poderia levar à paralisação das fábricas sem o complemento externo.

A entidade criticou a possível suspensão do regime de drawback, alegando que a medida prejudicaria as exportações de derivados e a geração de divisas, além de comprometer o atendimento ao mercado interno e externo.

O QUE DIZ O GOVERNO FEDERAL

Durante agenda em Gandu, no baixo-sul da Bahia, no final de janeiro, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que a sua Pasta, o Ministério da Agricultura e a Advocacia-Geral da União vão acionar o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), solicitando investigação da denúncia de suposto cartel.

Ato reúne cerca de dois mil manifestantes em frente ao Porto de Ilhéus || Foto PIMENTA
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Manifestação contra a política de preços da indústria moageira e a flexibilização das regras de importação de cacau reúne cerca de dois mil cacauicultores, nesta quarta-feira (28), em frente ao Porto Internacional de Ilhéus. O ato é liderado pela Associação Nacional dos Produtores de Cacau (ANPC) e conta com a presença de representantes de associações e cooperativas das regiões sul e baixo-sul da Bahia.

Manifestante pede preço justo para o cacau e dignidade para o produtor || Foto PIMENTA

Nos cartazes, palavras de ordem como “preço justo para o cacau e dignidade para quem produz”. Os produtores também criticam a Instrução Normativa (IN) nº 125/2021, do Ministério da Agricultura, que afrouxou as exigências fitossanitárias para a importação de amêndoas de cacau.

Na avaliação dos cacauicultores baianos, o fim do tratamento obrigatório com brometo de metila em polos exportadores que atendem às indústrias instaladas no Brasil, como a Costa do Marfim, na África, aumenta o risco de chegada de pragas exóticas, a exemplo da Phytophthora megakarya, que causa a doença da vagem preta.

Presente no ato, a prefeita de Uruçuca, Magnólia Barreto, assumiu o compromisso de articular apoio de deputados de seu partido, o União Brasil, à agenda dos produtores de cacau.

PRODUTOR VÊ RISCO DE ABANDONO DA LAVOURA

Dero Farias (ao centro) e outros representantes da Coofasulba || Foto PIMENTA

Ao PIMENTA, o produtor e ex-vereador de Ilhéus Gildeon Farias, Dero (PT), afirmou que as indústrias moageiras desrespeitam os cacauicultores da região. Membro da Cooperativa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar do Sul da Bahia (Coofasulba), acusou as multinacionais de estabelecerem preços abaixo da cotação do cacau na Bolsa de Nova Iorque, que serve de referência para a precificação internacional da amêndoa.

Produtores de cacau acusam indústria de impor preços abaixo da cotação internacional || Foto PIMENTA

Segundo Dero, pela cotação internacional, que hoje varia em torno de 4.100 dólares por tonelada (cerca de R$ 21 mil), a arrouba do cacau não poderia ser negociada por menos de R$ 320. No entanto, os produtores do sul da Bahia têm recebido R$ 200 por arrouba, acrescentou.

“Isso desvaloriza o cacau nacional e inviabiliza a cultura. Com o preço atual, o produtor não consegue arcar com os tratos culturais nem garantir sua subsistência. O resultado é prejuízo, desemprego e risco de abandono da lavoura. Muitos produtores acabam migrando para outras culturas, o que pode gerar desmatamento. O produtor de cacau não é apenas agricultor: ele também preserva a biodiversidade e a água. Para isso, precisa de um preço justo”, alertou.

Também afirmou que a maioria dos produtores é da agricultura familiar, que movimenta o comércio das cidades — construção, serviços, troca de veículos, consumo em geral. “Por isso, essa luta não é apenas dos produtores de cacau. É também dos prefeitos, comerciantes e prestadores de serviço. É uma luta para fortalecer toda a cadeia produtiva e exigir respeito das indústrias moageiras”, concluiu.

Arroba do cacau girou em torno de R$ 330 nas últimas semanas || Foto Helene Santos/GovCE
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O ano passado foi marcado por série de recordes do preço da arroba do cacau, que ultrapassou a barreira dos R$ 1.000 em dezembro, nas praças de Itabuna e Ilhéus. Mas, de janeiro a setembro deste ano, caiu 58,01%, com a arroba valendo R$ 380 (relembre). A tendência de baixa continuou até meados deste mês, com a arroba  negociada a R$ 302 no último dia 13.

Desde então, o preço tem oscilado pouco, mantendo-se na faixa de R$ 312 a R$ 330, valor registrado nos últimos dias e hoje (29). Os números são de levantamento do PIMENTA com dados do site Mercado do Cacau.

De acordo com especialistas da cadeia produtiva, após os recordes do ano passado e a queda vertiginosa deste ano, o reequilíbrio entre oferta e demanda colaborou para a estabilidade do preço da mercadoria nas últimas semanas.

No entanto, o colunista Claudemir Zafalon, do Mercado do Cacau, observa que o mercado projeta melhores condições de oferta do produto, com possibilidade de excedente global, o que diminui o apetite comprador no curto prazo (leia a coluna aqui).

Preço do "fruto de ouro" em queda livre || Foto Helene Santos/GovCE
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A arroba do cacau fechou esta quarta-feira (24) vendida a R$ 380 na praça de Ilhéus, no sul da Bahia. O valor é 58,01% menor do que o registrado há exatos oito meses, em 24 de janeiro deste ano, R$ 905, conforme levantamento do PIMENTA com dados do site Mercado do Cacau.

Preço do cacau em 24 de janeiro de 2025 e hoje (24)|| Fonte Mercado do Cacau

Até meados de dezembro de 2024, a arroba era vendida acima de R$ 1.000 (relembre). A queda vertiginosa dos preços internos segue tendência do mercado futuro de cacau em Nova Iorque, segundo a análise do site especializado.

A desvalorização da commodity se dá num contexto de variáveis climáticas favoráveis ao aumento da produção de cacau na Costa do Marfim, maior produtora do mundo, conciliado com a diminuição da demanda da indústria moageira.

“A atenção do mercado se volta agora para os números de moagem e para os próximos relatórios de produção da Costa do Marfim, que podem determinar se a atual tendência de baixa se consolida ou se encontra um piso nas próximas semanas”, aponta o Mercado do Cacau (leia a íntegra aqui).

Cacau registra segunda-feira de recuperação com arroba a R$ 730,00 || Foto Divine Choc
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A segunda-feira (21) registrou recuperação no preço da amêndoa do cacau. O produto fechou cotado a R$ 730,00 a arroba em algumas das principais praças da Bahia. Hoje foi feriado em Itabuna. A recuperação atingiu 2,83%, conforme cotação fornecida pelo Mercado do Cacau.

O produto havia fechado em baixa de mais de 5%, quando caiu de R$ 750 para R$ 710 no comparativo de fechamentos de quinta (17) e a última sexta (18).

“A combinação de uma demanda enfraquecida e preços elevados tem pressionado o mercado de cacau nas últimas sessões, opina Claudemir Zafalon no Mercado do Cacau. Nos últimos 15 dias, a alta chegou a 25% (na última quinta) e hoje ficou em pouco mais de 20% (entenda clicando aqui).

Preço do cacau registra nova alta || Foto Agência Brasil
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O cacau teve semana de valorização dentro e fora do Brasil. Depois de um período com o preço na casa dos R$ 600,00 a arroba, o produto fechou a semana com valorização de 20%.

Nas praças do sul da Bahia, a arroba estava sendo comercializada a R$ 600,00 no último dia 7. Já na última sexta-feira (11) saltou para R$ 720,00, conforme cruzamento de dados feitos pelo PIMENTA.

Para o produtor, a valorização rende um “extra” de 480,00 por saca na comparação de preços nas datas 7 e 11 de outubro.

Valorização também na Bolsa de Nova Iorque, nos Estados Unidos, onde o produto registrou quatro altas consecutivas. A tonelada era comercializada a US$ 7.529,00 na quinta. Um dia depois, nova valorização, a US$ 7.806,00 para contratos para dezembro.

Apesar da alta interna e na Bolsa de Nova Iorque, a tendência é de queda mais à frente, com a previsão de safra com maior oferta no mercado internacional, principalmente entre os líderes na produção da amêndoa.

Chocolat Festival de 2024 atraiu 65 mil pessoas, segundo organização || Foto Divulgação
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O Festival de Cacau e Chocolate de Ilhéus chegou ao fim batendo recordes de edições anteriores ao movimentar cerca de R$ 25 milhões em negócios e atrair público de 65 mil pessoas desde a noite de quinta-feira (18) até ontem (21). Com projeção nacional e internacional e a marca Chocolat Festival, o evento reuniu mais de 200 expositores no Centro de Convenções Luís Eduardo Magalhães, na Avenida Soares Lopes.

Lessa festeja resultados da 15ª edição do Festival em Ilhéus

“É motivo de orgulho constatar que, há 15 anos, começamos com duas marcas de chocolates caseiros e poucos expositores e hoje são mais de 200 marcas de chocolates de origem, cem dessas marcas no sul da Bahia, expansão do ecoturismo e impacto positivo em vários setores da economia regional – assinalou Marco Lessa, idealizador e coordenador do Chocolat Festival.

Lessa revelou conversas da organização do evento com o principal patrocinador do Festival, o Governo da Bahia, para a construção de pavilhão de feiras no Centro de Convenções de Ilhéus, onde poderá ser implantado o Museu do Cacau e do Chocolate.

DEGUSTAÇÃO E NEGÓCIOS

Nos quatro dias, o público pode adquirir e degustar produtos de cacau e derivados. Houve, ainda, cursos de capacitação para 6.500 pessoas e seis toneladas de alimentos arrecadadas para doação a famílias carentes, através de uma parceria com o Rotary Clube e o Lions Clube de Ilhéus.

Gerson: negócios fechados e olho na Bolsa de Valores

Segundo Gerson Marques, presidente da Associação dos Produtores de Chocolate do Sul da Bahia (Chocosul), apesar da alta do preço do cacau neste ano, afetando os preços dos chocolates de origem, as marcas presentes estão fechando negócios no Festival.

“As nossas empresas estão fazendo negócios e consolidando o projeto do polo chocolateiro, além de elevar a autoestima da região, que se orgulha de ter um produto que além da qualidade, traz em si toda a magia que cerca o mundo do cacau”.

CONQUISTA DE NOVOS MERCADOS

Carine: evento atrai consumidores de outros países

Dirigente da Natucoa, Carine Assunção revela a comercialização de produtos para consumidores também de outros países, “além de abrir novos mercados na rodada de negócios com dezenas de empresários”.

Para Osaná Crisóstomo, da Bahia Cacau, primeira fábrica de chocolate da agricultura familiar do Brasil, “o sul da Bahia vive um novo momento” e o Festival abre as portas para divulgação dos produtos da região, “que hoje são comercializados em vários estados brasileiros e brevemente chegaremos ao mercado internacional”.

FÁBRICAS-ESCOLA DO CHOCOLATE

O Governo da Bahia, principal apoiador do Chocolat Festival, marcou presença com participação da secretarias de Turismo (Setur), da Cultura, de Desenvolvimento Rural, da Agricultura, da Educação e do Trabalho, Emprego e Renda em estandes como Empório da Agricultura Familiar, Centro Público de Economia Solidária, Feira de Artesanato, Espaço do Turismo e Fábricas-Escolas do Chocolate.

O estande com as quatro fábricas-escolas dos centros estaduais de Educação Profissional de Ilhéus, Arataca, Gandu e Ipiaú reuniu estudantes e professores, que mostraram a produção de um projeto do Governo do Estado que valoriza o processo de ensino-aprendizagem e incentiva o empreendedorismo.

Flávia: artesanato obteve ótimas vendas

O estudante Ruaferson Calazans, do CEEP do Chocolate Nelson Schuan, em Ilhéus, disse que “além de mostrar o nosso trabalho para milhares de visitantes, essa é oportunidade de trocar experiências com colegas de outros colégios”. Ruaferson está concluindo o ensino médio e afirma que pretende fazer curso superior e se especializar na área de chocolates “e atuar num mercado cada vez mais promissor”.

O Chocolat Festival também impacta positivamente o turismo, com a divulgação da Estrada do Chocolate, primeira estrada temática da Bahia, que inclui fazendas centenárias de cacau, fábricas de chocolate e áreas de mata atlântica preservada.

ARTESANATO

A arte e a cultura regional foram destaque, com o Palco Cacau e o Pavilhão Cultural, que incluiu apresentações de artistas regionais, teatro, literatura e artesanato. Flávia Oliveira, que integra uma das cinco associações com cerca de 200 artesãos no evento, festejou a participação e resultados. “Conseguimos realizar ótimas vendas e tivemos uma excelente vitrine para divulgar o nosso trabalho”.

Preço do fruto de ouro bate novo recorde histórico || Reprodução/TV Brasil
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No mercado futuro de Nova York, a tonelada da amêndoa de cacau fechou o dia a US$ 8,553, equivalente a R$ 42.559 na cotação desta quinta-feira (21). Novo recorde da série histórica de quase cinco décadas, o preço é 137% maior que os US$ 3.596 de 21 de setembro de 2023, há exatos seis meses. A matéria-prima do chocolate chegou a ser vendida a US$ 8.643 (confira no gráfico da investing.com, abaixo).

 

Gráfico mostra alta do cacau entre setembro de 2023 e março de 2024 || Fonte investing.com

OFERTA E DEMANDA

Parte da explicação da alta acelerada é o choque de oferta provocado pela queda brusca na produção de países africanos, a exemplo da Costa do Marfim, responsável por abastecer 60% do mercado mundial. Na safra 2022/2023, o país colheu 2,88 milhões de toneladas, um recuo de 36% em comparação com a anterior.

As ultimas três safras globais foram menores do que a demanda global. A última sequência de três anos com déficit da lavoura cacaueira em relação à demanda da indústria processadora de chocolate ocorreu em 1969, informa a AGFeed. A oferta em queda livre estimula uma verdadeira corrida pelo cacau mundo a fora, o que retroalimenta a pressão nos preços.

ELE AVISOU

Dos maiores especialistas do segmento e editor do site Mercado do Cacau, o analista Adilson Reis disse ao PIMENTA que a tendência de alta da commodity é duradoura. Falou isso em 5 de fevereiro passado, quando a tonelada do cacau chegava a US$ 5.121, quebrando recorde de 47 anos (relembre). Se o ritmo atual de valorização se mantiver, o céu é o limite.