Com tumor, itabunense vai completar dez meses na fila da regulação || Arquivo Pessoal
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A regulação é uma forma de otimizar e democratizar o acesso a serviços do Sistema Único de Saúde. A ideia é levar o paciente à unidade capaz de responder às especificidades de cada demanda. Por isso é comum ouvir que fulano está na “fila da regulação”, que estabelece a classificação de risco dos casos e determina o nível de prioridade de atendimento. Moradora de Itabuna, no sul da Bahia, Edimária Nascimento Silva, de 45 anos, está na fila da regulação desde julho passado (relembre).

Com um tumor de células gigantes no pé direito, ela ainda não conhece os efeitos da otimização do acesso ao SUS. Até aqui, sua experiência com a regulação da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) tem sido marcada por frustração, despesas e dor, segundo relato da paciente ao PIMENTA, nesta quinta-feira (16). A Secretaria nega a ocorrência de falha (leia ao final do texto).

No dia 5 de abril deste ano, ela foi a Salvador com a expectativa de ser atendida no Hospital do Subúrbio. A Sesab pagou as passagens de ônibus, mas, como não conhece a capital baiana e está com os movimentos limitados, Edmária custeou a viagem de acompanhante. Ao chegar no Hospital, recebeu a informação de que a unidade não faz os procedimentos necessários ao seu caso.

“Eles disseram para eu ir no Hospital Aristides Maltez. Eu fui e a equipe do Maltez disse que não me atenderia porque não houve encaminhamento [formal]. Só atenderiam se estive com câncer comprovado ou se tivesse sido encaminhada ou já internada no hospital”, disse Edmária.

Paciente aguarda confirmação de que tumor não é maligno || Arquivo Pessoal

Ao PIMENTA, a paciente esclareceu que um exame de ressonância magnética, no ano passado, indicou que o tumor é benigno, porém não se trata de diagnóstico definitivo, o que dependeria de biopsia, acrescentou. O nódulo cresce lentamente, mas de modo constante. Por trabalhar em pé, ela tem sofrido com inchaço e dores.

OUTRO LADO

O PIMENTA entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria da Saúde do Estado, que nega a ocorrência de falha. Segundo a Pasta, a solicitação inserida no sistema em nome da paciente era para consulta com especialista em pés. “Não havia nenhuma indicação ou sugestão de questões oncológicas”.

Conforme a Sesab, a paciente foi encaminhada para a consulta com o médico especialista segundo havia sido solicitado. “Edimária passou pela consulta e foi orientada a buscar atendimento na área de oncologia, serviço que não é ofertado no Hospital do Subúrbio.
Foi feita uma nova solicitação no sistema Lista Única e a paciente deve ser atendida em breve”, concluiu a Secretaria Estadual, em nota. Atualizado às 16h50min para acrescentar a informação da Sesab.

Na fila da regulação, mulher faz apelo por cirurgia
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Há pouco mais de um ano, Edimária notou um calombo crescendo na parte superior do seu pé direito. Intrigada, buscou ajuda médica. O primeiro diagnóstico apontou a existência de um cisto. Não contente, procurou outra opinião profissional. O segundo médico consultado solicitou uma ressonância magnética e, depois de analisar as imagens do exame, informou à paciente que se trata mesmo de um tumor benigno, ou seja, não cancerígeno. Mesmo assim, precisa ser removido, alertou o especialista.

Faz exatamente dois meses que Edimária Nascimento Silva, de 44 anos, deu entrada com a solicitação da cirurgia eletiva ao Serviço de Regulação da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab). “Foi no dia 26 de julho de 2023”, recorda ao PIMENTA a moradora do bairro São Caetano, em Itabuna

Do ponto de vista da usuária do SUS, o caráter eletivo que o serviço público atribui ao procedimento ignora o sentido de urgência de quem está na fila da regulação. “Pra mim, [a cirurgia] é urgente, né? O tumor está crescendo. Daqui a pouco, não vou nem conseguir andar direito, já está incomodando”, relatou. Já é muito difícil, por exemplo, usar calçados, sem falar no sofrimento psíquico.

Edimária explica que precisa ser operada por um cirurgião especialista em pé. Pelo SUS, afirma, o procedimento só é disponível em Salvador. Segundo ela, a primeira solicitação que aparecia no site da Sesab, para uma avaliação no Hospital Manoel Victorino, na capital baiana, foi cancelada. Agora, ela aguarda agendamento em outro hospital, também de Salvador.

O PIMENTA entrou em contato com a assessoria da Sesab, na manhã desta terça-feira (26), mas não obteve retorno até a publicação, às 17h45min.