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murilobrito2Murilo Brito | murilobrito@yahoo.com.br

 

Rebele-se contra a tentativa de padronização do sexo: seja generoso, autoconfiante, curioso e invista em se descobrir e descobrir o que mata seu par de tesão. Então lhe aplique uma overdose! Jogue os talheres fora e coma de mão!

 

O capitalismo tem um talento enorme para transformar demanda em consumo padronizado. Esse processo é construído antes de tudo para auferir lucro e nem sempre para atender às necessidades. Além disso, costuma oferecer produtos com fórmulas mágicas para resolver qualquer problema e tende a uniformizar soluções construindo um senso comum sobre como satisfazer as demandas.

Em tempos de liberdade sexual e capitalismo selvagem, a necessidade de ser uma máquina de sexo incentivou a proliferar os autores de livros que prometem o desempenho perfeito e romances que mais parecem exemplares de autoajuda sexual. A ideia de escrever sobre isto vem de uma necessidade de desabafo. Adoro livrarias. E é cada vez mais comum ver em suas estantes um monte de lixo prometendo o caminho do graal na cama.

Na era da informação fácil não é incomum render-se à preguiça e resistir em conseguir as respostas do que procura sem passar pelo Google ou por algum almanaque de baboseiras. Aos que se sentem ansiosos, frustrados ou reprimidos em relação ao sexo, uma revelação óbvia: não existe roteiro nem fórmula pronta para transformar um mortal em uma divindade do sexo!

Querem lhe enrolar! Não há nem haverá padrão. Pode parar de procurar!

Pessoas não são bactérias que respondem sempre repetidamente aos mesmos estímulos nas mesmas condições. Cada cabeça é um mundo e com o sexo não é diferente! Até em pesquisa científica tem-se gastado dinheiro para tentar cristalizar na cabeça das pessoas um padrão ideal de como o sexo deve ser “consumido” para ser bom. Aí querem definir quantos minutos deve durar o sexo, qual a posição perfeita, que tipo de seios são mais atraentes, qual a bunda ideal, qual o tamanho ideal de um pau. Buscar um padrão para isso é uma perda de tempo e energia!

Um dos aspectos que torna o sexo singular é fato de o desejo sexual ser a única necessidade fisiológica que depende de outro ser humano para ser plenamente saciada. Considerando isso, se não existe mapa para o Nirvana sexual, o que pode haver, no máximo, são alguns comportamentos e compreensões que facilitam encontrar seu próprio caminho para a satisfação!

Primeiro, entender que o sexo começa antes do tato. O ser humano é o único animal que consegue projetar o futuro e estimular essa capacidade de forma eficiente é fundamental para o sexo. Imaginar-se com o par e provocá-lo a imaginar-se contigo em situações excitantes deve ser encarado como o prato de entrada da relação sexual. Duas pessoas excitadas pelo que está por vir é um excelente começo.

Não ser egoísta e sentir prazer no prazer do outro é um comportamento essencial, porque gera um ciclo virtuoso de “quanto mais prazer eu proporcionar, mais eu vou sentir” e isso estimula a buscar no par os caminhos para dar, e consequentemente sentir, prazer intenso.

O que parece simples talvez seja o mais complexo. Cada pessoa se sente excitada ou não por razões diferentes e, às vezes, diametralmente opostas, como fazer então uma pessoa específica ter a imaginação e o corpo estimulados da maneira mais eficaz?

O manual de instruções é o próprio par e você é a ferramenta! Buscar descobri-lo, entendê-lo de forma descontraída ou direta, se necessário, além de exercitar o autoconhecimento, é o caminho mais fácil para conseguir o prazer que busca. E o que torna o sexo tão delicioso é justamente suas milhares de possibilidades, descobrir-se e descobrir o outro, mantendo a mente aberta sempre para buscar novas formas de prazer.

Por isso, se quer derreter de prazer e viver satisfeito sexualmente, não procure a receita no Google, nem os famigerados livros de fórmula pronta ou romances de autoajuda sexual. Os livros sobre sexo deveriam ser acessórios, nada mais. Rebele-se contra a tentativa de padronização do sexo: seja generoso, autoconfiante, curioso e invista em se descobrir e descobrir o que mata seu par de tesão. Então lhe aplique uma overdose! Jogue os talheres fora e coma de mão!

Vale muito mais a pena e é muito mais gostoso!

Murilo Brito é um libriano e se define como amante do tema.

2 respostas

  1. Empacotamento me lembrou comércio que me lembrou mercado. Mercado me lembrou crise, que me lembrou Governo, que me lembrou Cunha. Murilo me lembrou PT que me fez lembrar novamente Governo. Rebele-se me fez lembrar PCdoB que me faz lembrar mais o Governo do que o próprio PT. E de quebra ainda me lembrou o trocadilho do Aldo Rebelo(Rebele-se).
    Sem fome para o lanche da tarde e sem tesão pelos próximos 365 dias. Porque existe o hipertexto meopai?! Onde queres Garanhão agora sou Eunuco, pequenas parcelas de brochisse a perder de vista (juros de mercado).

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