Tempo de leitura: 3 minutos

A carência de instrução e educação básica, desinteligência coletiva ou estupidez, mesmo, deveria servir de exemplo. Mas, ao contrário, estimula mais pessoas a interagir ou compartilhar essas tolices revestidas de lendas virtuais.

 

Luiz Conceição

 

 

 

 

 

A cada dia um novo registro. Para quem tem neurônios e sinapses adequados restam a estupefação. O mais novo capítulo dessas tolices virtuais fala em bronzear partes íntimas a pretexto de aumento de testosterona e melhora nos níveis de vitamina D, mas nenhum respaldo científico consistente.

Na semana anterior, um bando de malucos desatou a beber detergente contaminado, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sob a justificativa de enfrentamento à fiscalização que apontou desajuste industrial, contaminação bacteriana de produtos de limpeza e riscos aos usuários.

A carência de instrução e educação básica, desinteligência coletiva ou estupidez, mesmo, deveria servir de exemplo. Mas, ao contrário, estimula mais pessoas a interagir ou compartilhar essas tolices revestidas de lendas virtuais. Quando essa gente acordar verá o quão enganadas foram e será tarde, muito tarde.

Não há dúvida alguma de que a tecnologia quando bem aplicada e utilizada facilita a vida diária, o aprendizado, o conhecimento e a informação. Bem sei, depois de 50 anos de atividades jornalísticas ininterruptas.

O que antes demandava horas, dias, semanas e meses de pesquisa passa a se resolver num clique no celular, tablet, PC ou notebook, não necessariamente nessa ordem. Mas, como diziam os mais antigos, caldo de galinha e cautela são instrumentos essenciais à vida.

É preciso estar sempre vigilante. Afinal, o mundo nada tem de paraíso, e o capeta sempre estará à espreita, assim como pequenos erros num texto. Sobre isso, vale dizer que o chifrudo sempre porá seus chifres para dificultar o trabalho de qualquer revisor textual.

Mas, onde entra a genialidade do Umberto Eco? Simples. Há 11 anos, durante a cerimônia da Universidade de Torino que lhe outorgou o prêmio de Doutor Honoris Causa, o teórico da literatura e da linguagem, romancista e filósofo fez uma de suas declarações mais polêmicas sobre a internet, certamente, preocupado com as ditas redes sociais.

O autor de O Nome da Rosa (editora Record) afirmou: “a internet deu voz a uma legião de imbecis”.

E completou: “As mídias sociais deram o direito à fala à legião de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel”.

Certamente, não foi um comentário ranzinza, como disse Eduardo Wolf, no site Fronteiras do Pensamento, que reúne pensadores influentes em ciclos de conferências para debater grandes temas da atualidade.

Para ele, o ácido comentário “por não ser de autoria de algum sorumbático niilista dos tempos digitais, mas sim de um notável comunicador, erudito que alcançou a celebridade pop, especialista de mídias e de comunicação em amplo sentido, não apenas causou significativo furor – na internet em especial, é claro – como também foi levado a sério por muita gente boa, como deveria, mesmo, e resultou em algumas reflexões interessantes sobre as ilusões de nosso entusiasmo digital”.

Luiz Conceição é bacharel em Direito, leitor de temas econômicos, literários e do cotidiano e jornalista desde 1975 (época em que era muito, mas muito feliz!).

Deixe aqui seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.