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Ninguém sabe melhor do seu negócio, produto ou trabalho do que você mesmo, e é por isso que precisa estar muito ciente do que produz e do trabalho empregado para elaborá-lo antes de sentar à mesa de negociação.

Mariana Ferreira | marianaferreirajornalista@gmail.com

Você já se sentou com um investidor ou cliente que tentou reduzir a credibilidade do seu produto para controlar a mesa de negociação? Provavelmente, sim. Embora muitas vezes não percebida, essa é uma tática muito comum, de se construir a sensação de “desagrado” com o objetivo de baixar o preço que você está cobrando ou melhorar a margem de ganho de quem está investindo. Vale ressaltar que essa estratégia pode acontecer em todo espaço de negociação em que se disputa algum tipo de poder e influência.

O fato é que ninguém sabe melhor do seu negócio, produto ou trabalho do que você mesmo, e é por isso que precisa estar muito ciente do que produz e do trabalho empregado para elaborá-lo antes de sentar à mesa de negociação. Suas potencialidades, qualidades e tudo mais embutido, as competências e capacidades, suas conquistas e ajustes de rotas. Enfim, todo o know how alcançado nesse processo. Tudo isso está agregado no valor do seu produto, mesmo que no nosso país acabe sendo uma regra desvalorizar esse capital agregado para maximização do lucro, o que afeta diretamente a autoestima do brasileiro.

Você pode estar negociando com o presidente da República – não necessariamente Bolsonaro, pois sabemos que ele não tem lá essas vontades ou capacidade de dialogar (eu sei, não perco a oportunidade, mas é que é impossível você ser razoável e se sentir confortável com as atitudes ignóbeis dele). Continuando… Você pode estar dialogando com a autoridade máxima do país ou com alguém que você admira, mas se você estiver indo encontrá-lo para uma negociação, você não pode aceitar as afirmações construídas como tática de barganha e, por causa disso, dizer amém a tudo por medo de desagradá-lo (temos disso também, é aquela história da autoestima). Se a sua mente não estiver preparada, é isso o que acontecerá e você verá seu valor ser depreciado. Você não será visto em pé de igualdade, mas como inferior. Será subestimado juntamente com o seu produto, já que você tem potencial, tem um produto diferenciado, mas não soube defendê-lo.

É sua obrigação saber seus pontos fortes e também possíveis debilidades, demonstrando objetivamente o quanto você conhece sobre seu produto/projeto, o quanto do seu esforço e suor estão empregados e impregnados nele, bem como a sua utilidade e diferenciação dos demais concorrentes. Não deixe esses pontos sem respostas. Lembre-se que temos um país com ambiente hostil para empreender, que estamos vivendo um recorde de desempregados – 14,4 milhões – e temos um salário mínimo que não acompanha a alta dos preços nos supermercados, nas contas, na moradia e no combustível. Esse conjunto faz do Brasil o segundo país no ranking do índice de mal-estar entre 38 países (levantamento divulgado no sábado, 19, pelo pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Então, informe, argumente, proponha, estude, aprenda, ouça, esclareça, mas não se cale diante do que não está completamente calçado na verdade, diante do pensamento e do argumento simplistas, desprovidos do conhecimento prático. Tenha humildade, mas não seja omisso. Não vale a pena. Defenda o que é unicamente seu, fale o que é preciso ser dito e da melhor forma possível, afinal, boa parte do que compreendemos de uma mensagem se baseia no tom de voz e na linguagem corporal, para além das palavras que são ditas. Tenha identidade e terá autoridade. Tenha autoridade e terá muito mais poder de negociação, sem ser presa fácil nessa prática predatória.

Mariana Ferreira é comunicóloga.

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