Kwid E-Tech não é o que se pode chamar de barato no Brasil, opina Ícaro Mota, da AutoInfo
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Lançado no Brasil no início do segundo trimestre de 2022, o Renault Kwid E-Tech (o “SUV” dos subcompactos) chega como o carro elétrico mais barato do país. Mas não podemos falar que uma caixa de fósforo com bateria, que custa mais de R$ 142.000,00, seja acessível ao proletariado.

Importado da China, podemos observar que em seu visual houve um facelift, e sua tomada de recarga fica escondida abaixo da logo Renault (ela suspende feito uma porta basculante).

O para-choque traseiro também mudou, recebeu um novo grafismo em suas lanternas, ganhou molduras nas caixas de roda, uma faixa lateral com o nome (E-Tech) e abandonou a ideia dos engenheiros dos Ford Pampa, Del-Rey e Belina, que utilizavam somente 3 parafusos em cada uma de suas rodas. Como diria uma família de 3 pessoas com a chegada de um novo integrante: agora somos 4.

Em relação à sua autonomia, está equipado com uma bateria de 26,8 kwh que garante autonomia de 298 km na cidade e 265 km no ciclo combinado, segundo os padrões do Inmetro. Ou seja, se você estiver pensando em comprar um e fazer um passeio de Itabuna a Porto Seguro (264km segundo o Google), você terá que deixar o carro na entrada da cidade – e o restante do percurso fazer a pé ou empurrando. Ou esperar recarregar a bateria.

Ele leva cerca de nove horas para recuperar 190 km de autonomia quando plugado em uma tomada comum de 220v. Essa mesma quilometragem é alcançada em apenas 40 minutos se o carro estiver conectado a uma fonte de recarga rápida DC. Já em um wallbox de 7 kw, 80% da bateria é recuperada em cerca de três horas.

Sobre a motorização, o Kwid gera 65 cv e 11,4 kgfm de torque. Com esse propulsor elétrico, a velocidade máxima não passa dos 130 km/h e a sua incrível aceleração de 0 a 100 km/h leva “intermináveis” 14,6 segundos (que é tão chato quanto assistir a 3 propagandas de 5 segundos no Youtube). E isso gera esperança nos proprietários de fusca, pois conseguirão encontrar nas estradas um carro novo (atual) que eles possam ultrapassar com segurança.

Podemos concluir que o Kwid e-tech foi feito para rodagem urbana, e que de barato na Renault só existe a revenda.

Ícaro Mota é consultor automotivo e diretor da I´CAR. A coluna é publicada às sextas-feiras.

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