Deputados aprovam reforma tributária|| Foto Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
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Por 324 votos a favor, 123 contrários e 3 abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei complementar que regulamenta a reforma tributária sobre o consumo. A proposta requeria maioria absoluta. Em seguida, os deputados derrubaram as mudanças do Senado por 328 contrários, 18 favoráveis (a manter as alterações) e 7 abstenções.
Com a aprovação, o projeto de lei complementar pode ser enviado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, podem virar lei complementar, itens como cashback (devolução parcial de imposto para os mais pobres), impostos reduzidos para imóveis e cesta básica nacional isenta de imposto.
O relator do texto, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), leu o relatório na segunda-feira (16) à noite. As discussões foram concluídas por volta das 22h, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, transferiu a votação para esta terça, para haver um quórum mais alto.
O parecer de Lopes retira os principais pontos alterados no Senado, como a retirada das bebidas açucaradas do Imposto Seletivo (imposto cobrado sobre produtos que prejudiquem a saúde ou o meio ambiente) e a redução em 60% da alíquota para os serviços de saneamento e água e de veterinária. O texto também derrubou a possibilidade de substituição tributária do futuro Imposto sobre Valor Adicionado (IVA) e retomou as listas de princípios ativos específicos para os medicamentos com isenção ou com alíquota reduzida em 60%.
A versão aprovada pelo Senado tinha extinguido as listas e tinha estabelecido a isenção e a redução de alíquota com base em doenças e em funções de medicamentos. Segundo Lopes, as mudanças farão a alíquota padrão de IVA cair para até 27,84%, contra alíquota de 28,55% da versão aprovada pelo Senado, a maior do planeta para esse tipo de imposto, superando a Hungria.
No caso dos serviços, o parecer de Lopes cria um redutor de 30% da alíquota sobre serviços veterinários, que tinha saído do Senado com redução de 60%. O texto retira o redutor de 60% dos seguintes tipos de serviços: segurança da informação e cibernética; atividades educacionais complementares agregadas, como educação desportiva, recreacional e em línguas estrangeiras.
O texto também retirou a redução de alíquota da água mineral e dos biscoitos e bolachas de consumo popular. Os representantes comerciais deixam de ter alíquota reduzida em 30%.
Apostas da Mega da Virada começam nesta quarta-feira (18)
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A partir da quarta-feira (18), todas as apostas na modalidade da Mega-Sena serão exclusivas para a Mega da Virada. O sorteio será no dia 31 deste mês. O prêmio está estimado em R$ 600 milhões e não acumula. Se não houver ganhadores na faixa principal, com acerto de 6 números, o prêmio será dividido entre os acertadores da 2ª faixa (com o acerto de 5 números) e assim por diante.
Caso apenas um apostador ganhe todo o prêmio e aplique o valor na poupança, receberá cerca de R$ 3,4 milhões no primeiro mês de rendimento. As apostas para a Mega da Virada podem ser feitas até as 18h (horário de Brasília) do dia 31 de dezembro nas lotéricas de todo o país. O valor de uma aposta simples da Mega, com seis números, é de R$ 5,00.
NÚMEROS MAIS SORTEADOS
Desde sua 1ª edição, em 2009, a Mega da Virada já premiou 121 apostas que tentaram a sorte e acertaram as seis dezenas milionárias. Os números que mais saíram foram: 10 (5 vezes); 05 – 33 (4 vezes); 03 – 20 – 34 – 36 – 58 – 41 – 56 (3 vezes) e 02 – 04 – 11 – 12 – 17 – 18 – 22 – 32 -35 – 37 – 38 – 40 – 42 – 46 – 51 – 53 (2 vezes).
Governo do Estado anuncia pagamento de salário dos trabalhadores do Hospital Costa do Cacau || Leonardo Rattes Saúde/GovBA
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O Governo da Bahia anunciou, nesta terça-feira (17), que assumirá o pagamento direto dos salários de novembro e da segunda parcela do 13º salário para os cerca de 1.600 profissionais do Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, incluindo médicos e multiprofissionais contratados sob regime CLT. O pagamento está previsto para ocorrer até sexta-feira (20), conforme informou o Estado.
O governo estadual destacou que a medida é necessária por causa da ameaça de greve dos trabalhadores, motivada pelo atraso no pagamento de salários sob responsabilidade do Instituto de Gestão Aliança (antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar – IBDAH), organização social que faz a gestão da unidade. A paralisação foi anunciada na segunda-feira (16).
A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) explicou que não possui qualquer dívida contratual com a organização social e está comprometida em manter os serviços de saúde em pleno funcionamento. Acrescentou ainda que medidas administrativas e legais já foram adotadas diante do descumprimento contratual por parte do Instituto de Gestão Aliança.
NOVA EMPRESA ASSUME EM JANEIRO
Como parte da solução, uma nova organização social assumirá a gestão do hospital após a conclusão do processo licitatório nos próximos dias, segundo o governo. A transição ocorrerá na primeira semana de janeiro de 2025, com contrato válido por cinco anos, assegurando a continuidade e o aprimoramento dos serviços prestados à população de Ilhéus e região, informou a Secretaria de Saúde do Estado. A mudança será mediada pela Sesab, com portaria específica publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (17).
A secretária da Saúde Roberta Santana disse que o Governo da Bahia tem feito esforço para assegurar o pleno funcionamento da unidade hospitalar, mesmo diante das dificuldades causadas pela gestão do Instituto de Gestão Aliança. “Temos uma equipe técnica permanente no hospital e um plano de contingência ativo para garantir que nenhum paciente fique sem atendimento. O compromisso do Governo do Estado com a saúde pública é inegociável”, reforça.
Roberta informou ainda que o Governo do Estado mantém diálogo aberto com os representantes dos trabalhadores, assegurando a estabilidade dos serviços prestados à população da região sul da Bahia. O espaço segue aberto para os representantes do Instituto de Gestão Aliança apresentaram a sua versão sobre o impasse e o atraso de salário.
Arroba do produto passa de R$ 1 mil e atinge cotação histórica em Nova York || Foto Helene Santos/GovCE
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Do PIMENTA
A cotação da tonelada de cacau no Bolsa de Nova York disparou em um ano e aproximou-se, hoje (17), de 200% de alta em espaço de 52 semanas. A tonelada da amêndoa cada vez mais dourada alcançava ali US$ 4.003,00.
Nesta terça-feira (17), ficou pertinho dos US$ 12.000,00 pela primeira vez. Atingiu exatos US$ 11.974,50, segundo dados da consultoria Investing, e fechou a US$ 11.933,00 para contratos com liquidação em 13 de março do próximo ano.
No mercado interno, a arroba era negociada a R$ 1.029,00, na praça de Ilhéus, às 15h30min desta terça-feira, segundo consulta feita pelo PIMENTA à Secretaria de Agricultura da Bahia (Seagri).
ESCALADA
A escalada de preço ocorre devido a um “combo” de escassez do produto e a incidência maior de pragas como podridão, vassoura de bruxa e monilíase no mundo na lavoura cacaueira, aliado à grande demanda da indústria processadora.
Há relatos de produtores com perdas superiores a 40% na Bahia, estado que, por ora, não tem propriedades sob incidência de monilíase, oficialmente.
Governador Jerônimo Rodrigues também vai entregar outras obras do estado no município || Foto José Nazal
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O governador Jerônimo Rodrigues (PT) desembarca em Ilhéus, nesta quarta-feira (18), para a entrega das 220 unidades habitacionais do Residencial Jardim Salobrinho. As moradias serão entregues às famílias do bairro Salobrinho que perderam quase tudo durante a cheia do Rio Cachoeira, em dezembro de 2021. O condomínio foi erguido pelo programa Bahia Minha Casa. A cerimônia está marcada para as 7h30min.
Depois, o governador segue para o Centro da cidade, onde vai entregar a obra de modernização do Complexo Policial de Ilhéus. O último compromisso de Jerônimo no município será a inauguração da pavimentação do trecho de rodovia que liga o acesso de Olivença, no litoral sul, ao entroncamento da BA-001.
Será a primeira visita do governador Jerônimo Rodrigues a Ilhéus desde as eleições municipais deste ano. Ele esteve no município no dia 1º de outubro para declarar apoio à então candidata a prefeita Adélia Pinheiro (PT), derrotada pelo prefeito diplomado Valderico Junior (UB).
Maior parte do 13º vai para compras de fim de ano, aponta pesquisa || Foto PIMENTA
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A economia brasileira deverá receber uma injeção de R$ 125,6 bilhões com o pagamento da segunda parcela do 13º salário. A estimativa, da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), é 4,8% superior aos R$ 119,8 bilhões pagos no ano passado.
De acordo com a pesquisa da CNC, que analisou a intenção de consumo dos brasileiros, a maior parte desse total, R$ 44,1 bilhões ou 35%, deverá ser gasta com compras de fim de ano, ou seja, com o consumo de bens.
Entre os setores que serão mais beneficiados com as intenções de compra dos consumidores aparecem vestuário e calçados (80%), livrarias e papelarias (50%) e lojas de utilidades domésticas (33%).
Um montante semelhante, de R$ 42,5 bilhões ou 34% do total, deverá ser direcionado à quitação ou abatimento de dívidas. O restante será gasto com o consumo de serviços (R$ 24 bilhões) e com a poupança (R$ 15 bilhões).
Segundo o presidente da CNC, José Roberto Tadros, houve um aumento do nível de ocupação no mercado de trabalho e ligeira queda do grau de comprometimento da renda média da população nos últimos 12 meses, de 30,1% há um ano, para 29,9% atualmente. Da Agência Brasil.
Indígenas da Aldeia Igalha passam a contar com água tratada
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A Aldeia Igalha, Olivença, em Ilhéus, passou a contar com água tratada fornecida pela Embasa, responsável pelo abastecimento do município. A expansão da rede beneficiou 55 famílias da comunidade, informa a empresa pública. A obra incluiu também a instalação de uma estação de bombeamento para atender as áreas mais altas da localidade, proporcionando um serviço de água encanada e tratada diretamente nas casas dos moradores.
O gerente da Embasa em Ilhéus, Felipe Madureira, observa que a obra também regularizou as ligações clandestinas na rede de distribuição de água. O investimento, que totalizou quase R$ 163 mil, reflete o compromisso da Embasa com o bem-estar e a qualidade de vida dos indígenas da etnia Tupinambá, distribuídos em 23 aldeias na região de Olivença, afirma o gerente.
O cacique José Magalhães falou do impacto da obra, que foi concluída e entregue à comunidade no mês passado. “Antes, a comunidade dependia de uma nascente para buscar água com muita dificuldade. Agora, a água chega diretamente nas torneiras de nossas casas, tratada e de melhor qualidade.”
O gerente regional da Embasa, Uillas Batista, diz que a iniciativa não apenas proporciona melhores condições de saúde e bem-estar para os moradores da Aldeia Igalha. “Também promove o desenvolvimento sustentável da região, com a preocupação de garantir o acesso universal à água potável”.
Dessa maneira, a Embasa contribui para o fortalecimento das tradições e da cultura das comunidades indígenas, que historicamente têm dificuldades de acesso a serviços básicos, como saneamento e abastecimento de água tratada, acrescenta o gerente regional.
AÇÃO EDUCATIVA
Neste ano, a Embasa promoveu evento educativo para os indígenas da aldeia Itapuã, que apesar de ainda não terem rede de água tratada, foram contemplados com a ação. A área social da empresa organizou palestra sobre o tratamento e a distribuição de água, uma demonstração didática com uma estação de tratamento de água piloto, além da doação de mil mudas de espécies nativas, produzidas pelo viveiro educador da Embasa em Ilhéus, para a preservação dos mananciais.
Agressor imobiliza vítima e desfere sequência de socos || Imagem Foco na Bahia Oficial
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Cinegrafista amador flagrou o momento em que um homem agrediu outro, com sequência de socos, nas imediações do Cine Santa Clara, na Avenida Soares Lopes, em Ilhéus.
No vídeo, que foi divulgado hoje (17) na rede social do Foco na Bahia Oficial, os homens estão perto de uma moto caída na via, ao lado da calçada. O agressor imobiliza a vítima, que tenta se proteger, mas é atingida por vários golpes no rosto e na cabeça.
Não há informações sobre o que motivou a agressão. Assista ao vídeo.
Waldir Pires foi deputado, governador da Bahia, ministro e vereador || Foto Marcelo Casal Jr./ABr
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Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.
José Cássio Varjão
Um dos nomes de maior relevância, da política baiana e brasileira foi o social-democrata Francisco Waldir Pires de Souza. Advogado, professor da Universidade Católica de Salvador, professor da Universidade de Brasília, professor da Universidade de Dijon, na França, consultor-Geral da República no governo João Goulart, ministro da Previdência Social, no governo José Sarney, ministro da Controladoria-Geral da União e Ministro da Defesa, nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, deputado estadual, deputado federal, governador e, por fim, vereador, de Salvador.
Como capítulo marcante do meu livro Eleições Históricas – Do Voto à História, a ser lançado nas próximas semanas, a eleição para o governo da Bahia, em 1986, foi um acontecimento memorável na história política da Bahia. Os olhos do ex-deputado federal Domingos Leonelli brilham quando lembra da campanha de 1986: “Uma campanha como aquela nunca se viu. Dificilmente se verá outra igual. Uma rebelião cívica. Waldir era o símbolo do anseio de liberdade acumulado ao longo dos anos”.
Para escrever sobre o processo eleitoral de 1986, no estado da Bahia, me debrucei, inebriado, nas quase 800 páginas dos dois volumes sobre a biografia de Waldir Pires, de autoria do jornalista, escritor e professor Emiliano José, doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela UFBA. “A campanha de 1986 foi algo jamais visto na Bahia, pelo que suscitou de sonhos, de encantamento, de magia. Chegasse a hora que chegasse, às duas, às três, às cinco da manhã, ninguém arredava o pé, chovesse canivete, houvesse a tempestade que houvesse, fizesse chuva, fizesse sol, frio ou calor, as praças não se mexiam. Foi um caso de arrebatamento, um profundo caso de amor entre a população e seu líder. Um líder das massas. Quase um Messias”, sintetizou Emiliano José.
Principalmente pela controversa renúncia ao mandato de governador, para concorrer com Ulisses Guimarães, na eleição presidencial de 1989, pelo PMDB, esses dois textos, que escreverei, tem como objetivo trazer à tona algumas situações do jogo político que passaram ao largo pela população, que, ainda nesses dias, tece comentários, às vezes sem quaisquer parâmetros, como se “a decisão mais difícil da minha vida política”, frase dita por Waldir Pires, inúmeras vezes, tivesse sido uma escolha sem fundamento. Como exposto no título desse escrito, Waldir Pires viveu alguns confrontos ao longo da sua vida política que merecem especial atenção.
Nascido em Cajueiro, hoje município de Acajutiba, litoral norte da Bahia, em 1926, filho do casal Zeca Pires e dona Lucíola, mudou-se em 1929, com seus pais e irmãos, para Amargosa, a chamada Rainha do Café, no início do século XX. Fez o ginásio em Nazaré das Farinhas antes de seguir no final de 1941, para a Cidade da Bahia, a gigantesca Salvador, com seus 290 mil habitantes. Estudou no Colégio Estadual da Bahia, depois, Colégio Central e, finalmente na Faculdade de Direito da Bahia.
Em 1949, foi o orador da turma de Direito, uma honraria especial àquele aluno que obteve média superior a 7 em todas os exames escritos. A data da formatura, 5 de novembro, marcava o centenário do jurista Rui Barbosa, com a inauguração do fórum que leva seu nome, no Campo da Pólvora, Salvador. Com pompa, circunstância e a presença do governador Octávio Mangabeira, Waldir Pires foi o primeiro orador a ocupar a tribuna do fórum e o primeiro a se pronunciar na nova sede do Tribunal de Justiça da Bahia.
Exímio tribuno, um ano antes de se formar, em 1948, recebeu a visita do então prefeito de Amargosa, João Sales, convidando-o para ser o orador oficial da recepção ao governador Octávio Mangabeira, na inauguração da energia elétrica da cidade. “Discurse por Amargosa”, pediu João Sales. Ainda não havia envolvimento político, não estava vinculado a nenhuma corrente política. Quando chegou a Amargosa, soube que o governador não estaria presente, seria representado pelo secretário de Segurança Pública, Oliveira Brito. O líder do governo na Assembleia Legislativa, Antônio Balbino (PSD), também estaria presente e a vida de Waldir Pires tomou um rumo completamente inesperado para aquele momento da sua vida. Se João Mangabeira foi seu inspirador, Antônio Balbino foi seu tutor.
Um ano após a formatura em Direito, em 1950, Waldir Pires concorreu a deputado estadual pelo PSD (Partido Social Democrático). Era a confirmação, para Balbino, da sua vocação política e nada melhor do que jogá-lo aos leões, testá-lo na batalha da conquista de votos. Waldir obteve 2.664 votos. Outro concorrente, Josaphat Marinho ficou com 3.044 votos. Os dois se encontrariam em outras oportunidades do cenário político, como aliados ou como adversários. Antônio Balbino estava certo. O talento do rapaz para a política era inegável.
A carreira política de Waldir Pires estava se iniciando e os frutos da amizade com Antônio Balbino lhe renderam a indicação para o cargo de secretário de Governo de Régis Pacheco, eleito governador em 1950, aos 24 anos de idade. Um fato trágico a ser lembrado é que o candidato a governador pelo PSD, em 1950, era o deputado federal Lauro Farani Pedreira de Freitas, que morreu em acidente aéreo em 11 de setembro de 1950, na cidade de Bom Jesus da Lapa. O coordenador e homem forte da campanha de Lauro de Freitas era Antônio Balbino, que em três dias definiu Régis Pacheco, deputado federal e ex-prefeito de Vitória da Conquista, como o candidato do partido.
Em 1954, é eleito deputado estadual pelo PTB, com 7.162 votos, estava definitivamente inserido no mundo político. Nessa legislatura, entra na vida de Waldir Pires o maior desafeto e adversário da sua carreira política, Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, que obteve 3.990 votos na eleição suplementar de 1955, bem abaixo de Waldir e o décimo eleito pela UDN, que elegeu onze deputados estaduais. Nesse período, não se rivalizaram e, em algumas oportunidades, Antônio Carlos fez seguidos elogios à atuação de Waldir Pires. Nessa legislatura Waldir Pires foi o líder do governo na Assembleia Legislativa. Josaphat Marinho também era deputado estadual.
Em 1958 é eleito deputado federal, com mandato a se encerrar em 1963. Com destacada participação na 41ª Legislatura da Câmara Federal, Waldir alçava voos no cenário nacional. Foi integrante ativo da Comissão de Constituição e Justiça, integrante da Frente Parlamentar Nacionalista, vice-líder da maioria no governo de Juscelino Kubistchek. Em 1961, em Genebra, Suíça, compôs a comissão que representou o Brasil numa conferência internacional, votando pela admissão da China à ONU.
Aos 36 anos, em 1962, se lançou à primeira campanha para o governo do estado da Bahia. Outro desafio, mais um degrau a subir e por pouco não obteve sucesso. Perdeu a eleição para Lomanto Júnior, ex-prefeito de Jequié, por meros 5% dos votos válidos. Aqui, surgiu a primeira controvérsia da carreira política de Waldir Pires, o improvável embate com dom Augusto Álvaro da Silva, o famoso Cardeal da Silva, nome da avenida que liga os bairros do Rio Vermelho e Federação, em Salvador.
Naquela disputa, Lomanto tinha o apoio dos partidos de direita, dos principais meios de comunicação e da Igreja Católica, enquanto Waldir tinha o apoio do PSD e do PCB. Antônio Guerra Lima, advogado e procurador-Geral do Estado no Governo de Waldir Pires (1986), afirmava que “não bastaria apenas constatar genericamente o apoio da Igreja Católica a Lomanto. Era imperativo afirmar o desempenho fervoroso e a dedicação pessoal do cardeal com a intenção de derrotar Waldir Pires, um anti-Cristo a quem era necessário abater”.
Dom Augusto Álvaro da Silva era um “príncipe católico” conservador, completamente absorvido pelo clima que o mundo vivia naqueles tempos de Guerra Fria, e agiu como um militante político influenciando o clero baiano, nas suas missas e sermões, a não votar no candidato dos comunistas. Com ataques diários, sendo amplamente divulgados pela imprensa, eram distribuídos panfletos espúrios, com o título de “Alerta Democratas”, constando os nomes dos candidatos “supostamente comunistas”. Parênteses para pensar: Alguma similaridade com a política praticada por alguns grupos atualmente?
Dia 6 de setembro de 1962, 31 dias antes das eleições, a manchete do jornal A Tarde revelava que a Igreja Católica dividia os candidatos ao governo do estado em duas classes: os bons e os maus. Na lata. Direto ao ponto, sem nenhuma sutileza. A matéria descrevia que “o perigo comunista mereceu a atenção dos sacerdotes, sendo ponto pacífico que a Igreja não transigirá com os candidatos vinculados ao credo de Moscou, ou com ele comprometidos, pelo perigo que representam para a segurança do regime democrático e para os princípios fundamentais defendidos pela Igreja Católica”.
Waldir Pires e os seus pais eram extremamente católicos, o que levou Zeca Pires a divulgar uma carta ao povo da Bahia, contra as atitudes do Cardeal da Silva. Após as eleições, seu pai divulgou outra carta, demonstrando grande revolta com as arbitrariedades do líder católico. Num dos trechos, Zeca Pires assim escreveu: “No último episódio eleitoral, da sucessão baiana, assistimos, com espanto e revolta, ao estrangulamento ou sacrifício da verdade e do esforço construtivo. Procuraram, sem fundamento, suspeitas sobre a ideologia de um moço, Waldir Pires, de sólida formação moral e cristã que, como pai católico, graças a Deus, eu a soube ministrar, com esmero e cuidado, pelo fato desse moço nutrir ideias de renovação e de progresso. É assim, de manifesta leviandade e covardia, o setor da igreja que, depois de aprovar seu nome, o desapoiou, na última hora, em uma guinada espetacular e esquisita. Descristianizaram-se, atrelando-se ao carro dos interesses humanos e das conveniências da vida. Hoje, o pseudocomunista representa bem o samaritano do evangelho, é mais cristão do que muitos sacerdotes”. Zeca Pires era coletor federal e foi o responsável pelo ensino do francês aos seus filhos.
Certo dia, numa manhã de domingo, dona Lucíola, sua mãe, “católica de berço e terço”, foi se confessar com o padre de Amargosa. Ajoelhou-se, confessou seus pecados (Waldir perguntava à mãe que raios de pecados ela tinha para se confessar, pois ele não encontrava pecado nela) e recebeu a sua penitência de ave-marias, pai-nossos e salve-rainhas. Quando estava saindo do confessionário, o padre disse: a senhora sabe que esse ano tem eleições? Ela respondeu afirmativamente. Continuou o padre, dizendo que ela não poderia votar no nome de Waldir Pires. Dona Lucíola levantou-se bruscamente, abriu a cortina do confessionário, e o pecado da ira caiu sobre ela: Fique sabendo o senhor que Waldir Pires é meu filho. O senhor me respeite. Isso é uma indignidade! Uma injustiça que estão fazendo com Waldir. Se fosse pecado, desse ela não pediria perdão. O padre imóvel e com os olhos esbugalhados, calou-se.
O embate em si, frente a frente, ocorreu quando o cardeal chamou Waldir para uma conversa no Palácio Episcopal, durante o processo eleitoral: Waldir, eu o chamei aqui porque soube que o senhor tem o apoio dos comunistas. Isso é verdade? Sim. Respondeu Waldir. A conversa seguiu com Waldir argumentando que não tinha motivos para recusar o apoio do PCB. Então, o cardeal vociferou: Se o senhor não recusar esse apoio, vou baixar uma instrução recomendando que os católicos não votem no senhor. Vou condenar sua candidatura. Waldir, impressionado pela frieza do cardeal, respondeu: Lamento, mas não recusarei. Tenho lutas comuns com eles, o petróleo, a energia, a luta pela igualdade social. Não há por que recusar esse apoio. Waldir sabia dos riscos da sua atitude e, ao se despedir do cardeal, com certa acidez e um leve sorriso nos lábios disse: O senhor vai responder lá em cima, e muito fortemente, pela injustiça que está cometendo.
No próximo texto falarei sobre o início da convivência entre Waldir Pires e Antônio Carlos Magalhães, a rivalidade criada com o passar dos anos, a interferência de ACM no governo Waldir em 1986 e, finalmente sobre a renúncia em 1989.
O empresário Antônio Badaró faleceu hoje (17), em Itabuna, aos 80 anos. Ele estava internado no Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães para uma cirurgia urológica.
Badaró, como era conhecido, deixou legado de forte atuação comercial em Ilhéus e Itabuna, desde a década de 1960, com a loja Grauçá Modas. Também era inserido na vida social e política das duas cidades e foi chefe de Gabinete da Prefeitura de Ilhéus no Governo Antônio Olímpio.
Ele dirigiu a Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste da Bahia (Amurc), quando esta ainda tinha o nome da Região Cacaueira, referência mantida na sigla. Também foi diretor da Rádio Difusora Sul da Bahia, de Itabuna. Atualmente, administrava o Príncipe Hotel, das mais tradicionais hospedarias grapiúnas.
Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento.
NOTA DE PESAR
O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), emitiu nota de pesar pelo falecimento do empresário. “Neste momento de dor e saudades, peço a Deus, o Misericordioso, que receba sua alma em glória e conforte seus familiares, especialmente a viúva dona Glorinha Badaró, filhos e netos e uma legião de amigos que agora pranteiam sua partida”, escreveu o mandatário.
PF deflagra Operação Espelho Fumegante no sul da Bahia || Fotomontagem PIMENTA
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A Operação Espelho Fumegante, deflagrada hoje (17) pela Polícia Federal, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em estabelecimentos comerciais de Ilhéus e Itabuna para reprimir o comércio de cigarros eletrônicos, que são proibidos no Brasil. A ação foi autorizada pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Itabuna.
O PIMENTA apurou que uma tabacaria localizada na Rua Padre Luiz Palmeira, próximo ao antigo Mar Aberto, no Pontal, em Ilhéus, foi um dos alvos da operação, que visou apreender os produtos contrabandeados. Os cigarros eletrônicos são dispositivos que têm importação, comercialização e propaganda proibidas pela Agência de Vigilância Sanitária desde 2009, com base na Resolução nº 46/2009 da Anvisa.
De acordo com a PF, por meio de investigações iniciadas em 2023, foi possível reunir indícios do comércio de cigarros eletrônicos, praticado em estabelecimentos comerciais abertos ao público em geral e por pessoas físicas, com atendimento delivery.
Os investigados poderão responder pelo crime de contrabando, consistente na importação, armazenamento e comercialização de mercadoria proibida, com pena de reclusão de dois a cinco anos, informa a PF, em nota.
LOBBY NO CONGRESSO
A indústria tabagista patrocina lobby no Congresso Nacional em defesa da legalização dos cigarros eletrônicos no País. Uma das defensoras mais entusiasmadas da liberação desse tipo de droga é a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), autora de projeto de lei sobre o tema.
Recentemente, a parlamentar, que se apresenta como defensora da família, viajou a Bolonha, na Itália, para conhecer as instalações da Philip Morris, das maiores fabricantes de tabaco do mundo. A empresa bancou a viagem. O tour foi reconstituído pela repórter Camille Lichotti na edição deste mês da revista piauí.
VAGAS DE EMPREGO HOJE - Vista aérea do Shopping Jequitibá, onde funciona a unidade do SineBahia em Itabuna
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Engenheiro civil, gerente comercial, supervisor de frios, promotor de marcas, ajudante de obras e operador de caixa estão dentre as ofertas de vagas de emprego desta terça-feira (17) em Itabuna, Ilhéus e Jequié. No total, há 197 vagas, todas com intermediação do SineBahia, para onde devem se dirigir os interessados.
De acordo com o SineBahia, há 115 vagas em Ilhéus, 53 em Jequié e 29 em Itabuna hoje. O cadastramento no SineBahia vai até as 16h nas unidades das mais importantes cidades do sul da Bahia e até as 17h em Jequié.
Para o cadastramento e disputa de vagas, necessário apresentar carteiras de Identidade e de Trabalho, CPF e comprovantes de residência e de escolaridade. Caso possua, também pode apresentar certificações de cursos na área pretendida.
ONDE FICA O SINEBAHIA
A unidade do SineBahia em Ilhéus atende na Rua Eustáquio Bastos, em frente à Praça Cairu, no Centro. A de Itabuna atende na Avenida Aziz Maron (Beira-Rio), no Góes Calmon. A unidade de Jequié fica na Avenida Octávio Mangabeira, no bairro Mandacaru. Clique em Leia Mais e confira todas as vagas disponíveis hoje.