Em um futuro próximo a vacina poderá torna-se uma aliada contra o câncer, uma das doenças mais complexas da atualidade. O Ministério da Saúde informou, nesta quinta-feira (16), que lidera um movimento, em conjunto com a Universidade de Oxford, no Reino Unido, para desenvolver imunizantes capazes de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas.
O consórcio foca no desenvolvimento de imunizantes voltados ao diagnóstico precoce e à prevenção da doença, a exemplo do que ocorre com a vacina contra o HPV (papilomavirus humano), disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao contrário dos imunizantes atuais que criam um “escudo” no corpo das pessoas, as vacinas contra o câncer agem como um guia que instrui nossas células de defesa para identificar tumores que antes passavam despercebidos, segundo explica do Ministério da Saúde.
A abordagem é considerada inovadora, uma vez que os protocolos existentes tratam o câncer com recursos externos, como a rádio e a quimioterapia, que podem afetar também células saudáveis do organismo, explicou a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE/MS), Fernanda De Negri.
“Os esforços são para avançarmos em um modelo de tratamento mais preciso e menos invasivo. É um passo relevante rumo a terapias mais seguras, que priorizam a qualidade de vida durante o tratamento e apontam para uma nova perspectiva no cuidado oncológico, aliando eficácia terapêutica a um menor impacto no organismo”, destacou.
Entre os estudos com estágio mais avançado está a pesquisa contra o vírus Epstein-Barr (EBV). O agente é associado ao desenvolvimento de linfomas e tumores nasofaríngeos, localizados atrás do nariz e próximo à garganta.
O Brasil, explica o diretor do Centro de Imuno-Oncologia da Universidade de Oxford, Timothy Elliott, participará da produção local da vacina em grau clínico e da condução do primeiro ensaio clínico de fase inicial do EBV no mundo. “A parceria estratégica amplia o escopo global das pesquisas sobre a resposta do sistema imunológico ao câncer e sobre como podemos modulá-la para beneficiar a saúde humana, especialmente no Brasil”, afirmou.
“A parceria aumentará a probabilidade de sucesso de imunoterapias e vacinas no Brasil e na América Latina, ao incorporar evidências baseadas na imunidade ao câncer da população brasileira”, completou Timothy.
AVANÇO DE DESCOBERTAS CIENTÍFICAS
A colaboração entre o Ministério da Saúde e a Universidade de Oxford resulta de acordo firmado entre a SCTIE/MS e o Centro de Imuno-Oncologia da Universidade de Oxford, assinado em dezembro do ano passado. A articulação está estruturada em três pilares: avanço de descobertas científicas em imunologia e oncologia; uso de inteligência artificial para o desenvolvimento de vacinas personalizadas; e aceleração de ensaios clínicos.
DEntre as instituições envolvidas nos estudos estão o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) e os hospitais de excelência vinculados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).



















