Secretário-geral do PP na Bahia, Jabes Ribeiro diz que impasse com o prefeito levou à revisão de acordo para as eleições deste ano || Foto Reprodução
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O secretário-geral do PP na Bahia, Jabes Ribeiro, afirma que o partido chegou a um novo acordo com o grupo político do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior (UB), para as eleições deste ano. Segundo ele, desde 2024, havia acerto para que Valderico, elegendo-se prefeito naquele ano, apoiaria em 2026 um nome progressista para a Câmara dos Deputados, o do presidente da legenda no estado, Cacá Leão.

Vencido o pleito, conforme Jabes, o gestor decidiu abrir espaço para um deputado federal do próprio partido, UB, Leur Lomanto Júnior. A decisão de Valderico pressionou o PP a escolher entre o rompimento ou a repactuação, diz o secretário-geral:

– Quando um acordo não é cumprido, você tem duas soluções: rompimento – que seria natural, mas não ajudaria a campanha de Neto – ou repactuação.

Prevaleceu a segunda alternativa, e Valderico vai de Leur e Cacá Leão em Ilhéus, conforme disse Jabes Ribeiro ao PIMENTA.

Membro de comissão multipartidária que discute a estratégia de pré-campanha de ACM Neto ao Governo da Bahia, Jabes afirma que o projeto para a disputa do Palácio de Ondina pesou a favor do realinhamento em Ilhéus. “O martelo foi batido na última quinta-feira [23], com a presença de ACM Neto na procissão de São Jorge”, revelou ao site.

Na entrevista a seguir, o ex-prefeito de Ilhéus também fala das chances de ACM Neto nas eleições que se avizinham. Afirma que o principal pré-candidato da oposição ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) chegará à campanha deste ano mais forte do que em 2022. Para sustentar a avaliação, começa pelos movimentos da montagem da chapa majoritária, que tem o ex-prefeito de Jequié Zé Cocá (PP) na vice, ao lado do senador Ângelo Coronel (REP), ex-aliado do petismo baiano.

O ex-prefeito também avaliou os primeiros 14 meses do Governo Valderico. Leia a entrevista.

PIMENTA – Como você avalia as chapas lideradas pelo governador Jerônimo Rodrigues e pelo pré-candidato ACM Neto?

JABES RIBEIRO – É uma disputa no dia a dia, e a vitória vai ser nos detalhes. Creio que, neste ano, ocorreram três movimentos importantes. Primeiro, neste momento anterior à convenção, a montagem da chapa da oposição tem o apoio de João Roma, do PL, já no primeiro turno. Na eleição passada, ele foi candidato ao Governo. Evita divisão de votos já no primeiro turno. Em tese, os votos de Roma ficarão com ACM Neto. Segundo, tirou o senador Ângelo Coronel da chapa do Governo e levou para a chapa da oposição. Também é um fato político eleitoral importante. O terceiro foi a escolha do vice. Ao contrário de 2022, desta vez, ACM Neto convidou Zé Cocá, do PP, um homem do interior, com longa experiência, ex-prefeito de Lafaiete Coutinho e de Jequié, sendo reeleito com votação extraordinária.

E a chapa governista?

Não tem novidade. O único fato é que, depois de um desgaste imenso do vice-governador Geraldo Júnior, por conta inclusive do fogo amigo do Governo, após tentar vários nomes sem sucesso, mantém o próprio vice-governador.

O Governo do Estado chegou a convidar o PP para retomar a aliança?

Não. Nunca houve esse convite oficial. Eu sei que andaram conversando com Zé Cocá e outros nomes divulgados na imprensa, como o prefeito Zé Ronaldo, de Feira de Santana.

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A própria eleição nacional está embolada, e isso reflete nos estados, sobretudo na Bahia.

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Para alguns analistas, Jerônimo Rodrigues é o governador do PT que chega em condições menos favoráveis para a tentativa de reeleição. Você concorda?

Creio que sim. Tenho contato com muitos prefeitos e tem muitos reclamando de que as entregas não acontecem. Muita coisa assinada, anunciada, mas as pessoas se queixam das entregas. Isso cria dificuldade completa na própria base. Tem a menor influência do presidente Lula, que não tem a mesma força de 2022. Isso significa que ele vai potencializar menos a candidatura de Jerônimo. Todas as pesquisas eleitorais indicam isso. A própria eleição nacional está embolada, e isso reflete nos estados, sobretudo na Bahia. Outro aspecto é que Jerônimo é uma boa pessoa, indiscutivelmente, mas ele não tem uma marca definitiva. Rui tinha. Além disso, a Bahia não avançou no enfrentamento dos seus grandes problemas. A violência é terrível. Você não teve mudanças substanciais na segurança pública.

O Governo aponta redução nos números da violência.

Mas você analisa as pesquisas mais objetivas e não há mudança substancial. Só um detalhe aqui e outro ali, mas o sentimento do baiano é de insegurança em qualquer lugar, em Salvador, Ilhéus, Itabuna, geral. Dia desses tive reunião com o pessoal do turismo e esse é o grande problema. A segurança afasta o turista. Você vai para a saúde e são os mesmos problemas. A fila da regulação, as pessoas esperando meses e meses para conseguir uma consulta. Isso é grave. Isso está também no dia a dia do baiano. Na educação, você pode ter avançado com mais escolas, mas a qualidade do ensino continua péssima.

Então, ACM Neto é favorito?

Em todas as pesquisas, o desejo de mudança é muito forte. Isso acabará refletindo nos resultados das eleições. Não se pode dizer que o governo nada fez ao longo desses vinte anos, mas a população deseja avanços mais significativos. ACM Neto já demonstrou ser um bom gestor à frente da Prefeitura de Salvador e reúne plenas condições de impulsionar o desenvolvimento da Bahia. Por isso, merece uma oportunidade de liderar esse novo momento.

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Mesmo saindo do União para o PSD, Ronaldo Caiado tem uma longa relação com ACM Neto.

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ACM Neto declarou apoio à pré-candidatura de Ronaldo Caiado a presidente, mas tem sido cobrado, pelo PL, a declarar apoio a Flávio Bolsonaro. O ex-prefeito não corre o risco de ficar em cima do muro e de ser prejudicado por essa posição?

É diferente de 2022. Neto tem muitos partidos que apoiam ele, com candidatos diferentes. Por exemplo, o Novo apoia ACM Neto e lançou Zema. Mesmo saindo do União para o PSD, Ronaldo Caiado tem uma longa relação com ACM Neto. Para você ter ideia, Caiado lançou a pré-candidatura aqui em Salvador. E Flávio Bolsonaro, até pela presença de João Roma, que compreende esse movimento de ACM Neto de ter no seu palanque forças distintas do mesmo campo. Ao contrário de 2022, que ele tinha uma posição de estudo, desta vez ele avançou e disse que vai votar em Caiado. Se houver segundo turno, é outra história.

Como o PP está se movimentando para as eleições a partir de Ilhéus?

Lá atrás, houve um acordo entre PP e União Brasil. Quando retirei minha pré-candidatura a prefeito, fiz uma aliança com o UB, inclusive com a presença de ACM Neto, em que eu não indicaria o vice de Valderico e, se ele vencesse as eleições, apoiaria o candidato a deputado federal do PP. O problema é que passamos de 14 meses de governo sem uma clareza em relação ao cumprimento do acordo por parte do Valderico em Ilhéus, governo que nós participamos. Chegou a uma situação de criar, ao meu ver, um ambiente desagradável. Ruim. Você faz um acordo e ele não é cumprido. Pela minha experiência e pelo meu papel hoje na campanha de ACM Neto, busquei a repactuação do acordo.

Ele foi repactuado em quais termos?

Quando um acordo não é cumprido, você tem duas soluções: rompimento – que seria natural, mas não ajudaria a campanha de Neto – ou repactuação. Tivemos conversas longas, demoradas. Agora, Valderico passa a ter dois candidatos a deputado federal, Leur Lomanto Júnior e Cacá Leão. O martelo foi batido na última quinta-feira, com a presença de ACM Neto na procissão de São Jorge.

E para estadual?

Nós apoiávamos Eduardo Salles, como ele optou por aderir ao Governo Jerônimo, continua meu amigo, mas nós decidimos apoiar Igor Domingues, do PL, que foi secretário particular do prefeito de Salvador, Bruno Reis, trabalhou com o prefeito por muito tempo. Já esteve em Ilhéus e conversou com os companheiros. Vamos fazer o lançamento da pré-candidatura dele no próximo dia 9, às 9h, na Câmara de Ilhéus.

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Faço avaliação positiva, e as pesquisas estão mostrando isso.

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Qual é a sua avaliação dos primeiros 14 meses do Governo Valderico?

Faço avaliação positiva, e as pesquisas estão mostrando isso. Tenho dito que, agora, é preciso ter cuidado para que você possa pensar a cidade mais na frente. Uma visão de cidade para o futuro é fundamental para que o projeto possa dar certo. Ilhéus está perto de completar 500 anos. Qual cidade nós queremos em 2034? Está pertinho. Faltam oito anos. Falo em relação à saúde, à infraestrutura urbana, cultura, a todos os aspectos das políticas públicas fundamentais. O Governo está indo bem, mas precisa ter uma visão clara dos objetivos para o futuro.

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